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Acrílico peca pela falta de informações
Apesar do trabalho de
divulgação das propriedades e vantagens do acrílico realizado pelo Instituto
Nacional para o Desenvolvimento do Acrílico (Indac) desde o começo da
década, o mercado ainda se ressente da falta de informações sobre o
plástico. Não que inexistam dados à disposição dos profissionais. Mas eles
não têm chegado eficientemente aos ouvidos de quem deveria. É o que se
conclui pela opinião de palestrantes do Fórum Acrílico 2009. O encontro, em
sua nona edição, teve a companhia do Salão do Acrílico, realizado, pela
primeira vez, com a participação de cerca de 40 expositores e a missão de
triplicar o consumo da resina no Brasil.
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O ciclo de exposições programado para acontecer no
Centro Fecomércio de Eventos, em São Paulo, foi aberto por Alexandre
Lazzarotto, atual diretor-presidente do Indac, comentando a recuperação
do mercado brasileiro de acrílico após a crise financeira. Lazzarotto
afirmou que o mercado está “despiorando” – neologismo utilizado para
denotar a melhora da demanda por via de uma recuperação sem o vigor que
todos gostariam. Os números do Indac comprovam as palavras do seu
diretor-presidente: o mercado consolidado de chapas acrílicas (incluindo
chapas cast e extrudadas), com volume de cerca de 900 toneladas mensais
por volta de setembro do ano passado, despencou depois da deflagração da
crise internacional, chegando a um mínimo de pouco mais de 200 t em
fevereiro de 2009. Desde então, os volumes mensais têm sido crescentes, |
Cuca Jorge

Lazzarotto confia em crescimento mais acelerado nos próximos anos |
mas ainda não atingiram o patamar praticado antes do último trimestre de
2008. “Gostaríamos de estar com uma curva de crescimento melhor, isso é
possível. Mas a curva cresce em um exponencial muito bom, talvez acima de
outros segmentos do mercado”, disse o presidente, referindo-se à boa
tendência futura que a extrapolação dos gráficos por ele apresentados
evidenciava. Apesar da redução no consumo das chapas de acrílico, Lazzarotto
demonstrou otimismo, ao afirmar que sua crença se baseia no fato de a cadeia
do acrílico estar se direcionando para um mercado crescente em volumes, mas
principalmente em qualidade e valor das resinas. “O volume cai, mas a
percepção da qualidade do acrílico não. No próximo Fórum esses números de
crescimento serão bem diferentes”, disse. O mercado de resinas de acrílico,
por sua vez, não experimentou decréscimo na mesma intensidade que as chapas,
“salvo” pelo consumo do mercado automotivo, seu principal cliente.
Versátil, mas ilustre desconhecido – Convidado a falar sobre a
consolidação do acrílico na comunicação visual externa, Carlos Dränger,
sócio do escritório Cauduro Associados, enfatizou a importância crescente do
acrílico na reprodução fiel de marcas em ambientes exteriores. Marcas
valiosas, segundo Dränger, reduzem a disputa de preços, aumentam as margens,
permitem melhor competitividade, podem criar relacionamentos com as pessoas,
construir valores associativos e visuais e gerar diferenciação e identidade.
A importância é tamanha que, em alguns casos, a marca é o principal ativo
estratégico da empresa, como no exemplo do McDonald’s, apresentado por
Dränger: enquanto a companhia norte-americana fatura US$ 23 bilhões, sua
marca, sozinha, é avaliada em US$ 31 bilhões. E, para que os atributos
planejados para determinada marca (ou seja, sua “personalidade”) sejam
comunicados em todas as ocorrências com o público, os logotipos precisam ser
reproduzidos sempre da mesma maneira. Amparado por propriedades como a
excelente difusão de luz, várias alternativas para recorte, gama de cores
prontas, e possibilidade de adesivação, pintura e montagem, o acrílico tem
se destacado como a matéria-prima de tótens e luminosos. “O acrílico dá vida
às marcas”, disse Dränger. Mas ele também afirmou que ainda existe uma
grande distância entre quem especifica o acrílico (os arquitetos) e quem o
fabrica em virtude da falta de informações. “Acho provável que os
especificadores estejam usando pouco acrílico por desconhecerem novas
possibilidades surgidas com a evolução do material”, comentou o arquiteto,
acrescentando que, mesmo estando no mercado há 44 anos, até a realização do
Fórum nunca havia ouvido falar “da” Indac.
Essa opinião foi compartilhada por Mario Della Libera Filho, membro do
conselho técnico da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e
Serviços para o Varejo (Abiesv) e representante comercial da Telasul PDV.
Acostumado a lidar com profissionais de arquitetura e marketing, ele relatou
que se depara com casos em que esses interlocutores se vêem indecisos sobre
a escolha do acrílico. “Alguns perguntam se o acrílico não é um material que
risca demais, ou quais as diferenças em relação ao vidro”, exemplificou.”
O membro da Abiesv apresentou estudos de casos muito interessantes sobre a
valorização de ambientes com acrílico na comunicação visual interna e em
pontos de venda (PDVs). Segundo ele, testes em lojas revelaram que, na
comparação entre prateleiras de acrílico, metal e MDF (medium density
fiberboard, ou placa de fibras de madeira de média densidade), aquelas
equipadas com o plástico prendiam a atenção do cliente por maior tempo, e os
produtos dispostos nessas mesmas prateleiras eram vendidos mais rapidamente.
Segundo Libera, lojas-conceito (flagship stores), principalmente de grandes
marcas esportivas, como Nike, Reebok e Adidas, têm utilizado bastante
acrílico. Os lançamentos costumavam ser posicionados em peças de vidro, mas,
nesse tipo de loja, hoje, o produto novo é destacado com acrílico. “As lojas
que focam muito em volume talvez não queiram utilizar o acrílico, mas nos
segmentos em que o valor agregado do produto precisa ser ressaltado, o
plástico está mais presente. A percepção do produto pelo cliente, em cima de
acrílico, é de maior valor agregado”, afirmou o representante comercial.
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Contra o acrílico, pelo jeito, só aparece mesmo a falta
de informação. Libera afirmou que, “incrivelmente”, nem todos conhecem o
material, que ainda possui a imagem de arranhar muito e quebrar
facilmente. Pontos positivos, como a facilidade para ser parafusado e
colado, por outro lado, são pouco conhecidos. Para mudar isso, o membro
da Abiesv elencou diversas sugestões: a criação de manuais técnicos e
catálogos reunindo cores, medidas, espessuras e casos de aplicação, pois
muitas vezes o fabricante realiza testes que não são mostrados para
varejistas e arquitetos. Amostras e protótipos também ajudariam e,
melhor ainda, um profissional especializado para visitar escritórios de
arquitetura e ajudar a informação a fluir. |
Cuca Jorge

Dränger reclama da falta de informação |
Outro ponto importante a ser ressaltado é a reciclabilidade do acrílico.
Leonardo Koboldt de Araújo, diretor-executivo da agência Gad Retail,
reforçou a ideia de que o material tem sido utilizado no suporte à
comunicação em PDVs com vários exemplos de marcas famosas, como
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Vodafone, Nokia, Motorola, Palm e Apple. Porém,
reforçando a temática da falta de informação, revelou ter se deparado
com dúvidas quanto à sustentabilidade do acrílico. E, pior, o cliente em
questão achava que o plástico não era reciclável. “É importante ser mais
divulgado que o acrílico é reciclável, porque há uma demanda crescente
por materiais que possam ser reaproveitados”, disse.
Exposição auspiciosa – Junto com o Fórum do Acrílico, o Centro
Fecomércio de Eventos também abrigou o Salão do Acrílico, a primeira
exposição nacional com empresas exclusivamente da cadeia do acrílico,
realizada em parceria com a Craft Design. O Salão reuniu produtores de
matérias-primas e produtos auxiliares, distribuidores, fabricantes de
equipamentos e transformadores, em um total de 42 empresas. |
Cuca Jorge

Koboldt: cliente não sabia da reciclagem |
O evento tem a missão de reverter o quadro de baixo consumo per capita de
acrílico no Brasil, de 38 g, principalmente em comparação a países como
Chile (70 g), Argentina (60 g) e México (110 g). O mercado de chapas
acrílicas no Brasil, em 2008, foi de 9 mil toneladas, a maior parte
utilizada em comunicação visual. Informações da Craft Design dão conta de
que mais de 4 mil visitantes compareceram ao Salão nos três dias do evento,
demonstrando grande procura pelo desenvolvimento de PDVs, peças de decoração
e mobiliário. O sucesso foi tanto que deverá ser decidida a realização de
uma segunda edição, dessa vez, provavelmente, em local mais amplo e que
também possa abrigar máquinas em exposição, em resposta ao interesse
demonstrado pelos visitantes.
Márcio Azevedo
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