Outra novidade da Milacron, revelada por Michael Ferlic, embora ainda não exposta na feira e em fase final de testes, é uma máquina da linha Magna Máxima que incorpora duas unidades de fechamento em uma só estação: uma elétrica com injeção vertical e outra hidráulica com fechamento horizontal. “Isso vai permitir ao cliente trabalhar com dois moldes diferentes com um mesmo material”, disse o diretor. A máquina em fase de testes é a MMS de 170 t, e já estão previstos modelos de 310 t e 450 t. O novo conceito, apesar de individualmente ser mais caro do que uma máquina normal, é um investimento 40% menor, visto que o sistema na verdade representa a operação simultânea correspondente a duas injetoras. “Isso sem falar nos ganhos energéticos e de manutenção”, concluiu. A nova máquina deve ter lançamento comercial ainda neste ano e era apresentada de forma virtual no estande da Milacron.

Não faltaram mais exemplos de fabricantes de injetoras destacando a economia de energia de suas novas máquinas. A japonesa Toshiba, por exemplo, em sua primeira participação na NPE, mostrava a injetora elétrica EC180NII que, além de seus atributos de baixo consumo de energia, ainda era combinada com a tecnologia de in-mold labeling (IML), técnica que rotula no molde os transformados plásticos.

Segundo o diretor de vendas e marketing da Toshiba nos Estados Unidos, Thomas McKevitt, a máquina de alta eficiência energética estava utilizando a última tecnologia de IML que existe no mundo: da empresa Imdecol, que consegue rotular a tampa e o fundo do contêiner ao mesmo



McKevitt: Toshiba mostrou elétrica com
in-mold-labeling

tempo, melhorando a qualidade da rotulagem e reduzindo a quantidade de aparas. A máquina da Toshiba, de 180 toneladas, é de ciclo rápido (3,9 segundos), com taxas de injeção até 75% superiores em relação às máquinas concorrentes, segundo revelou McKevitt. Ideal para embalagens e artefatos médicos, a injetora é silenciosa e pode consumir até 80% menos energia do que similares hidráulicas. Bom acrescentar que a Toshiba conta com extensa linha de injetoras elétricas, de 20 a 950 t de força de fechamento.

A chinesa Absolute Haitian também aproveitou a onda energética para introduzir a série Jupiter de injetoras de duas placas acionada por sistema híbrido com servomotores. A máquina em exposição, que processava um cesto de lavanderia, utilizava um monitor para mostrar a economia de energia durante o resfriamento, que podia variar de 20% a 80%. Segundo o gerente geral da matriz chinesa, Xiang Linfa, a linha Jupiter, que vai de 1.350 t a 6.750 toneladas, consegue a economia em razão da tecnologia do servomotor. Além da Jupiter, a Haitian demonstrava uma elétrica Zhafir de 135 t.


Injetora elétrica Zhafir da Absolute Haitian

A exposição da Arburg, no seu estande de 500 metros quadrados, enfatizou a injetora elétrica Allrounder A. Havia um modelo de 165 t (Allrounder 520 A) e outro de 220 t (570 A), que injetava molde com dois materiais (borracha líquida de silicone) e um termoplástico. O

acionamento da linha, disponível agora na faixa de 55 a 352 t, é por servomotores elétricos que permitem movimentos simultâneos e assim ciclos rápidos, ao mesmo tempo em que garante consumo baixo de energia. Além dessas duas, a Arburg mostrava pela primeira vez fora da Europa a maior da série, a 720, de 352 t de fechamento, com ciclo de 5,6 segundos. Equipado com molde de quatro estágios, o sistema injetava tampas de polipropileno de 4,2 gramas.

Passando para a microinjeção, a Arburg destacava também a máquina hidráulica Allrounder 170 S, de 17 t, que injetava


Allrounder 520A: ciclo rápido e baixo consumo de energia

Allrounder 570A injetava molde com dois materiais

pequenos rolamentos de 0,001 grama, integrada em uma célula de produção com sistema robótico Multifilit H para remover por vácuo as oito partes moldadas e encaixá-las conforme as cavidades em um ciclo de 8 segundos. Com rosca de 12 milímetros, a injetora processava POM granulado.

Nova Battenfeld – Um estande atraente era o da Wittmann Battenfeld, principalmente por causa de anúncio feito pelo novo grupo formado pela compra da segunda pela primeira há um ano. A empresa aproveitou a NPE para divulgar que reentrará no mercado das grandes máquinas, de até 1.600 toneladas, e que lançará uma nova geração de injetoras elétricas.

Segundo o presidente da Wittmann Battenfeld GmBH, Georg Tinschert, a entrada no mercado das grandes máquinas será até março de 2010 e a primeira apresentação pública de seus modelos se dará na K 2010 em Dusseldorf, na Alemanha, em outubro. Já a nova versão das injetoras elétricas EM, com força de fechamento de 55 a 300 t, promete ficar pronta até o final deste ano.

No caso das novas elétricas, seus componentes não serão mais feitos pelo antigo acordo que a Battenfeld tinha com a Ferromatik Milacron GmBH desde 2004 e agora desfeito em virtude da nova sociedade com a Wittmann, que deverá suprir as necessidades de automação da corporação. “Estamos unindo todas as nossas forças, revendo nossas linhas de robôs, equipamentos e de células de manufatura”, disse Tinschert. Dentro dessa reestruturação, aliás, o grupo promoveu um corte de pessoal mundialmente, reduzindo o corpo de funcionários de 1.600 para 1.350. Mas, por outro lado, além de investir nas novas linhas, o grupo estende sua atuação por meio de novas unidades e escritórios, sobretudo no Leste Europeu. O Brasil, aliás, também seguirá a onda de reestruturação do grupo, segundo o presidente. “Por enquanto, Wittmann e Battenfeld ainda são dois organismos distintos no Brasil, mas em breve se unirão”, avisou.

Embora a elaboração da nova estrutura tenha coincidido com a crise internacional, Tinschert acredita em leve crescimento do market share do grupo no mercado de máquinas e de robôs, mas isso em um novo cenário pós-crise. Segundo levantamento apresentado pela empresa na feira, o mercado mundial de injetoras era em 2007 de 90 mil máquinas e, como projeção para 2009, deve cair simplesmente para 45 mil. O de robôs deve descer de 14 mil em 2007 para 10 mil. Portanto, as projeções de crescimento do executivo contemplam um mercado que, mesmo daqui a três anos, não deve voltar aos volumes de vendas de 2007 e 2008, permanecendo de 20% a 30% menores.

Mas se a Wittmann Battenfeld anunciou a volta ao mercado das grandes injetoras, no oposto, a sua exposição na NPE deu destaque às suas tradicionais microinjetoras Microsystem 50, apresentando a quarta geração das máquinas. Os novos modelos contam com duas forças de fechamento e sua célula compacta de produção gera peças plásticas com pesos inferiores a 100 mg. Em comparação  com sistemas tradicionais, a empresa afirma que a nova geração consome dois terços da energia e


Tinschert: retorno às grandes injetoras

atinge ciclos 50% menores, o que se traduz em uma redução de 30% a 50% no custo total de produção. Na feira, a unidade exposta moldava duas rodas dentadas de POM em um ciclo de 4 segundos.

Ainda no campo das microinjetoras, a alemã Boy Machines (representada no Brasil pela Sunnyvale) mostrou cinco diferentes modelos de sua nova série XS, em début global na NPE. Equipadas com unidades de plastificação de 12 e 14 mm, força de fechamento de 11 t, as máquinas são voltadas para a produção de peças com cavidade única para injeção por ciclo de volumes de até 8 cm3. As injetoras expostas processavam peças que formavam um kit de  cuidados pessoais entregue como brinde. Havia também uma sexta máquina, a XS V, com unidade vertical de fechamento e injeção, que produzia uma lima de unha.


Engel: microinjeção mais econômica da Boy

Além dessas máquinas, a Boy mostrava a 90E, de 99 t, que usa um motor servoelétrico para acionar uma bomba hidráulica apenas quando ela precisa operar. De acordo com o gerente de exportação da Boy, Klaus Engel, isso reduz o consumo de energia em até 50%, em comparação com as máquinas da Boy inteiramente hidráulicas. A 90E foi lançada na feira Fakuma, em outubro de 2008 na Alemanha.

Extrusão – Embora nesta edição da NPE alguns expositores da área de extrusão não tenham comparecido ou, na melhor das hipóteses, tenham preferido deixar os equipamentos desligados, certas novidades podiam ser garimpadas pelos corredores do McCormick Place. No estande da Gloucester Engineering, por exemplo, era possível compensar uma possível ausência de lançamentos na feira nessa área.

A Gloucester, pela primeira vez expondo como empresa independente, desde que foi desmembrada da Battenfeld, mostrava um novo tipo de bobinadeira para extrusora de filme cast stretch denominado WOW. O nome exclamativo da tecnologia realçava um recorde conseguido pela bobinadeira, o de permitir a maior velocidade produtiva possível nesse tipo de extrusora: 975 m/minuto, 50% mais veloz do que o permitido pelas bobinadeiras convencionais (a Davis Standard possuía o antigo recorde com equipamento capaz de enrolar filmes a 730 m/min).


Bobinadeira WOW permite extrusão de alta velocidade

A conquista tem importância porque a produtividade dessas máquinas extrusoras é justamente limitada por causa das bobinadeiras, que podem não suportar mecanicamente velocidades muito altas. Depois de um desenvolvimento de três anos, a Gloucester conseguiu fazer com que a sua nova versão não sofresse tensão. Seu protótipo ficou pronto em 2007, mas foi mostrado apenas para alguns clientes seletos na K de Dusseldorf. Mas agora na NPE a empresa anunciou o primeiro fornecimento comercial para a norte-americana Berry Plastics, que comprou uma linha integrada de extrusão de filme cast stretch de 11 camadas de polietileno da Gloucester, devendo recebê-lo até o final do ano. A máquina, aliás, era mostrada em operação na planta da Gloucester via vídeo no seu estande.

Para conseguir operar com alta produtividade, a bobinadeira WOW foi concebida com tambores maiores do que as convencionais, com 2,13 metros de diâmetro. Isso permitiu que ela fosse resfriada a ar para operar em altas temperaturas, porque o grande diâmetro do tambor mantém o ar afastado dos rolos de filme enquanto eles estão sendo bobinados. A bobinadeira pode rodar filmes de duas e três polegadas, assim como camadas de barreiras, tornando-a um acessório muito flexível. Em complemento à sua engenharia, capaz de operar a alta velocidade, o equipamento também suporta o rebobinamento de filmes com camadas de papel com espessura de parede até 1 milímetro.

A norte-americana Davis Standard também destacou novas versões das bobinadeiras PAC 60, disponíveis agora em larguras de 2.000 mm a 3.500 mm, com configurações duplas ou únicas. O up-grade da linha PAC 60, já existente há alguns anos, usa um suporte de coluna central de 75 mm para rebobinar múltiplos rolos de 750 mm de diâmetro externo e um outro de 150 mm para produzir os rolos de 1.000 mm.


Bobinadeira PAC 60: para maiores larguras de filme

Segundo Luann Kupka, gerente de marketing da Davis Standard, a PAC 60 se mostrou uma opção eficiente para bobinamento de filme stretch ou para grandes rolos de filmes onde há laminação ou transformação em sacos. Além disso, seu design previne bloqueios na linha e permite velocidades acima de 200 metros por minuto.

Ainda houve mais empresas destacando novas bobinadeiras. A austríaca SML Extrusion Technology, por exemplo, embora não tenha exposto equipamento na NPE, informou que testou em suas extrusoras novo equipamento para rodar quase 1.000 m/min de filme stretch. A empresa até já teria vendido uma unidade para produzir rolos de 500 mm em extrusora de alta rotação e produtividade de 900 kg/hora. A extrusora opera com motor resfriado por água gelada com capacidade para converter eletricidade com alta eficiência.

Blown film – Ainda na área de extrusão de filmes, especificamente do tipo balão (blown film), foi destaque a ausência das imensas torres com máquinas em operação, numa demonstração direta dos efeitos da crise. Havia muitos expositores apenas com parte de máquinas e a maioria preferia demonstrar seus feitos em telões de LCD ou plasma, transmitindo em tempo real ou não extrusoras em operação.

Essa falta de aparato ao vivo para mostrar as gigantescas torres de extrusão fez a ênfase ficar mais por conta de equipamentos auxiliares. Uma novidade nessa área foi mostrada pela canadense Macro Engineering, que apresentou um novo sistema de controle de medição baseado no seu anel duplo de ar D10 PRO e em um sensor de controle que pode medir a espessura das camadas dos filmes. O sistema usa uma válvula especial para redistribuir o ar de resfriamento suprido


Erskine: controle para filme balão poupa energia

para o anel duplo para fazer as correções no filme. Segundo o coordenador de vendas da Macro, Andrew Erskine, isso torna o novo sistema mais eficaz do que outros anéis automáticos porque não demanda o suprimento de mais ar para as correções, o que pode gerar desperdício de energia.

 

 

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