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Baiana – A Moldit nasceu em Portugal, país conhecido pela
excelência de seus moldes. De olho no mercado brasileiro, a empresa
instalou em 2004 uma filial no Brasil no município de Camaçari-BA. A
iniciativa ganhou força na época com a instalação na região de uma fábrica
da Ford. Hoje, se intitula a maior ferramentaria da Região Norte/Nordeste.
Além-mar, a fábrica da empresa produz apenas moldes de grande porte, com
até 50 toneladas de peso. Por aqui, atua desde o mercado de pequenos até o
de 20 toneladas, por enquanto. “Nossa ideia é montar no Brasil uma
estrutura para construir moldes como os que fazemos em Portugal”, informa
Oliveira. O prazo para que isso ocorra vai depender do desempenho da
economia. “Os investimentos necessários para a aquisição dos equipamentos
é muito elevado”, justifica.
Para Oliveira, a Moldit compete com ferramentarias de países avançados,
como Estados Unidos, Canadá, Alemanha e outros. A empresa é especializada
em projetos sofisticados, voltados para transformar peças técnicas. “No
caso dos ‘gigantes’, as exigências são maiores. Eles custam muito caro,
têm muito valor agregado”, diz. Exigem muita robustez, know-how para o
desenvolvimento do projeto e profissionais experientes, do mais elevado
nível. “Além de ter uma vida útil longa e obter peças de qualidade, o
molde também precisa diminuir o ciclo, os clientes cobram cada vez mais
produtividade”, emenda. O diretor defende o uso da tecnologia de ponta
para a execução dos projetos. “Usamos os softwares mais avançados de CAE
para simular o preenchimento do molde, pois trabalhamos sem modelação”,
diz.
Outro recurso utilizado com frequência é o dos sistemas valvulados para
câmaras quentes. Esses sistemas são indicados para a fabricação de peças
com qualidade rigorosa de aparência, fabricadas com vários pontos de
injeção. Permitem a fluência do material no molde a fim de evitar
problemas como linhas de emenda ou pontos com menor resistência mecânica.
Entre os clientes da Moldit, encontram-se as indústrias automobilísticas,
naval, de utensílios domésticos, de piscinas, tanques, mobiliário de
jardim e geladeiras. No momento atual, os resultados da filial brasileira
estão muito superiores aos de Portugal; a região europeia está sofrendo
mais com a crise. Em relação ao mercado nacional, Oliveira faz uma queixa.
“Muitos clientes se esquecem da relação custo/benefício ao fazer as
encomendas dos moldes. O molde pode custar um pouco mais caro, mas se for
mais resistente e tirar um maior número de peças por hora dará retorno
mais rápido”, diz.
Porta-moldes – Contar com produtos padronizados significa maior
rapidez e economia na fabricação de moldes. Neste sentido, o Brasil conta
com uma opção: a MDL-Danly, de origem norte-americana, hoje controlada por
investidores brasileiros, conta com um diferencial em relação à
concorrência. A empresa comercializa porta-moldes com placas de dimensões
de até 3 m x 1,5 m. “Também oferecemos ao mercado componentes como buchas
e pinos retificados e com acabamento superficial de tamanhos difíceis de
ser encontrados, como pinos com um metro e meio de comprimento e diâmetro
de 125 mm”, explica o gerente de vendas Estevam Horvate.
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Ao todo, a MDL-Danly possui três fábricas no Brasil.
Na localizada em São Paulo, encontram-se os megaequipamentos de
usinagem. Entre eles, uma retífica Blanchard com diagonal de 2,5
metros de comprimento, uma retífica tangencial com mesa de 3,5 m x 1,5
m e uma central de usinagem que comporta peças com dimensões de 4 m x
2 m e peso até 15 toneladas. Na fábrica de Sorocaba-SP, a empresa
produz os componentes para os porta-moldes.
Além dos produtos oferecidos, a MDL-Danly dispõe de um serviço valioso
para as ferramentarias: desbasta os blocos de aço fornecidos pelas
aciarias, com o objetivo de deixá-los semiprontos. “Em vez de receber
um bloco inteiro de aço de uma tonelada, a ferramentaria recebe uma
peça de 600 kg, de onde foram retirados 400 kg de cavacos”,
exemplifica. |

Horvate: MDL-Danly desbasta aço e o fornece semipronto ao mercado |
Nesses blocos, ela também realiza furos para a colocação de alças para
içar as peças, facilitando o seu transporte. Ou, se for o caso, executa a
usinagem para o alojamento dos sistemas de câmara quente. “Para nós é
comum entregar produtos com algum serviço agregado. Em 60% de nossas
vendas, os clientes solicitam algum trabalho extra”, informa Horvate.
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Tamanho também afeta
transformador
Os cuidados especiais exigidos pelos moldes de grande porte não
afetam apenas o cotidiano dos ferramenteiros. O regime
diferenciado também atinge os transformadores. A Mueller, com em
torno de 160 injetoras com forças de fechamento de 25 a 3 mil
toneladas em suas três fábricas, é uma das empresas do ramo a
conviver com essa realidade.
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Fornecedora de peças para a indústria
automobilística, a empresa produz algumas bem pesadas, como
para-choques, para-lamas, painéis e outras. “Uma das bem
difíceis é o quebra-sol do caminhão Scania. A peça tem 2,30
metros de comprimento e seu molde três metros. Injetada em
acrílico reforçado com 6% de elastômero, ela é transparente e
exige aparência perfeita”, exemplifica Sebastião Ferreira,
consultor dos processos de injeção da empresa. |

Rebarba é risco constante, diz Orides |
Às vezes, a Mueller recebe o molde pronto e seu trabalho se
resume a montá-lo na injetora e extrair as peças. Em outras
ocasiões, os clientes repassam a responsabilidade de construção do
molde para a transformadora. “Quando isso acontece, o fornecedor
do molde nos apresenta um pré-projeto. Nós o analisamos,
verificamos itens ligados ao processo de fabricação das peças
plásticas, como o material a ser escolhido, o design do circuito
de água e outros”, conta José Francisco de Orides, engenheiro de
processo da Mueller.
Feitas as necessárias correções até se chegar ao desenho
considerado ideal, a ferramenta começa a ser fabricada. O processo
é demorado, em especial nos casos de peças mais complexas. “Temos
algumas ferramentarias nacionais homologadas, os moldes quase
sempre são feitos no Brasil. Hoje é raro trabalharmos com
importados”, conta Orides.
No chão das fábricas da Mueller, o transporte e troca das
ferramentas nas máquinas são algumas das dificuldades enfrentadas.
Peças fabricadas em maior quantidade permitem a permanência do
molde na máquina por períodos mais longos. “Quanto mais o molde
ficar na máquina, melhor”, diz Ferreira. Outras peças, no entanto,
são fabricadas em lotes menores e as trocas precisam ser feitas
após períodos curtos.
As trocas podem atingir até três horas, no caso dos moldes mais
complexos. Esse tempo pode ser reduzido pela metade se o molde a
ser usado utilizar a mesma matéria-prima do anterior. Já as
operações de manutenção, quando efetuadas, podem demorar de três a
quatro dias. “Só para desmontar o molde leva um dia”, explica o
consultor. As dificuldades com a manutenção das câmaras quentes de
grande porte, com vários pontos de controle de temperatura, e a
regulagem das válvulas sequenciais são outros problemas a ser
enfrentados.
Coisas semelhantes ocorrem com a multinacional MP Plastics, com
fábricas nos Estados Unidos, Europa e no Brasil. A empresa fabrica
peças de grande porte, em especial para a indústria
automobilística. Por aqui, conta com planta industrial em
Taubaté-SP. Lá estão instaladas quinze injetoras, das quais sete
têm força de fechamento superior a 2,2 mil toneladas.
“Nossos moldes têm, em média, quarenta toneladas. Os maiores pesam
até 70 toneladas”, informa Sidney Gozzani, gerente de manufatura.
O profissional enumera alguns dos problemas enfrentados. “Esses
moldes ocupam um espaço violento e abri-los é uma operação
demorada, para a qual temos esquema especial”, diz. Operações como
limpeza e manutenção demoram de dois a três dias. “As câmaras
quentes exigem atenção, precisamos manter um bom estoque de
resistências e termopares.”
Com algumas iniciativas, a empresa conseguiu reduzir o tempo de
troca dos moldes de três horas pela metade. “Tomamos muito cuidado
com a preparação da operação antes de instalar o molde na
máquina”, revela. O trabalho de ajuste é complicado. “Os moldes
grandes sempre apresentam o risco de formar uma rebarbinha, não
são como os pequenos”, diz Gozzani.
A ideia é sempre obter a melhor produtividade possível. Um bom
exemplo é o da velocidade de produção do para-choque traseiro do
Voyage, da Volkswagen, com peso de 4,5 kg. “Com moldes e
equipamentos modernos conseguimos tirar de 50 a 55 peças por
hora”, conta. Para movimentar os “gigantes”, a MP Plastics conta
com pontes rolantes com capacidade para carregar até 50 toneladas.
Quando precisa fabricar um molde, a empresa quase sempre recorre
aos ferramenteiros nacionais. “No Sul existem boas empresas”,
avalia Gozzani. O preço das encomendas, no entanto, assusta. “A
ferramenta feita para produzir um para-choque dianteiro custa em
torno de R$ 1,5 milhão. Já a dos traseiros sai entre R$ 1,8 milhão
e R$ 2 milhões”, diz o gerente. |
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