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Cenário emergente terá menos empresas e
será mais profissionalizado
Texto de Márcio Azevedo e
fotos de Cuca Jorge
A petroquímica brasileira mudou. O
desembaraço do imbróglio acionário que atrapalhava o setor e a
consequente formação de apenas duas grandes empresas, Braskem e
Quattor, com escalas de produção alinhadas com as dos grandes
competidores mundiais, posicionou o Brasil em sintonia com os mercados
internacionais de resinas termoplásticas. Essa modificação
significativa do cenário local, reduzindo a quantidade de produtoras
brasileiras de |
commodities plásticas de cerca de dez empresas, há uma década, para as
duas atuais, tem entre seus efeitos a imposição de um novo cenário para a
distribuição de plásticos, que enfrenta a sua própria fase de concentração
e adaptação às novas exigências do mercado. Esse movimento foi deflagrado
há alguns anos e, apostam os competidores da distribuição, ainda não
acabou – fato que fica evidente com o anúncio do fim das atividades da SPP
Resinas, uma grande distribuidora local à época em que o mercado
brasileiro ainda contava com sua dezena de produtores.
A bem da verdade, a consolidação do segmento de varejo de plásticos não
está acontecendo em uma única etapa, mas em ondas de ajustes deflagradas
por diferentes eventos. Na visão de Wilson Donizetti Cataldi, presidente
da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast),
a primeira fase de rearranjo do setor se iniciou quando as produtoras
locais de plásticos concluíram (para Cataldi, acertadamente) que uma
determinada fatia de transformadores, até então clientes da distribuição,
deveria comprar diretamente da petroquímica.
Hoje, os grandes e médios consumidores de resinas petroquímicas estão, de
fato, sendo atendidos pelos produtores, enquanto pequenos e micro
servem-se da distribuição. Esse arranjo é entendido por todos como o
correto, mas a realidade brasileira não era essa, até cerca de dois ou
três anos, quando a distribuição possuía uma posição mais forte nos
clientes de médio porte. Com o reposicionamento da indústria, passando a
atender sem intermediários esses convertedores, obviamente o tamanho do
bolo da distribuição diminuiu, mas, como contrapartida, os distribuidores
se tornaram mais especializados e focados na essência da atividade de
distribuição: o atendimento do micro e do pequeno transformador.
Uma segunda onda de ajustes, crê Cataldi, se originou com o advento da
nota fiscal eletrônica, criada para substituir as notas fiscais emitidas
em papel. A NF-e, como tem sido chamada, é um documento com existência
apenas no universo digital, e que passa a ser obrigatório a alguns setores
da economia, caso da distribuição, desde abril deste ano, e da
transformação de termoplásticos, a partir do primeiro dia do próximo mês
de setembro. O novo instituto de fiscalização tributária permitiu uma
monitoração muito mais próxima do varejo de resinas, contribuindo, entre
outras coisas, para o combate da informalidade e do transformador
revendedor, uma figura obscura que, embora sem comprovação, acredita-se
existir no mercado local, com efeitos danosos para as empresas de
distribuição. A NF-e, sob esse prisma, teria contribuído para que
competidores com práticas pouco ortodoxas passassem a seguir as regras do
jogo. Sem, é claro, eliminar completamente o problema.
Para o dirigente da Adirplast, porém, quando se fala dos benefícios da
nota fiscal eletrônica para a distribuição, não é o combate a supostas
irregularidades o maior valor, mas o monitoramento preciso, que exige das
empresas maior eficiência e profissionalismo, “deixando de lado a gestão
caseira e informal que eventualmente pudesse existir”.
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Por fim, há o enxugamento no número de fornecedores
petroquímicos, que, sendo agora apenas dois, não mais necessitam da
grande quantidade de distribuidores que havia no mercado local antes
da formação de Braskem e Quattor. Só no caso dessa última, como
exemplo, havia cerca de doze distribuidores ligados às antigas
empresas que viriam a formar a gigante. Juntos, os fatores causadores
do desenlace das ondas de ajustes contribuem para uma foto do setor
nacional de distribuição em mutação: se tirada daqui a alguns meses,
revelará um segmento mais uma vez diferente do atual. “O cenário
deverá ser bastante novo em 2010. Mas esse cenário, para quem
permanecer no mercado, será mais comprometido, mais profissional, e
terá |

Cataldi: ajustes já começaram e 2010 terá cenário modificado |
distribuidoras fortalecidas, resultando em um novo panorama em linha
com o que acontece em todo o mundo”, prevê o presidente da Adirplast.
Cataldi, por sinal, parece ter se atido há algum tempo aos rumos que o
varejo de resinas viria a tomar no Brasil. Ele também é diretor da Nova
Piramidal, a maior empresa de distribuição, em volumes, do país, formada
após as compras, pela antiga Piramidal, da Ruttino, em 1998, e da
Polimarketing, em 2004. A empresa de bandeira Braskem objetiva se tornar a
maior distribuidora da América Latina até 2013, embora a crise financeira
mundial tenha diminuído a velocidade com que a Nova Piramidal ruma a essa
meta. O caminho a ser trilhado passa pela internacionalização da
distribuidora, mas tudo o que havia sido planejado até então hibernou por
conta da crise. O certo é que, em uma eventual abordagem de mercados
latino-americanos, Argentina e México, os principais, depois do Brasil,
seriam os mais relevantes para os negócios de distribuição, seguidos, com
menor destaque, pelo Chile.
Preços despencam – O mercado brasileiro de distribuição de
commodities termoplásticas oscila entre 11% e 12% do volume dessas resinas
comercializadas por aqui, cerca de 480 mil t/ano, considerando-se como
volume total comercializado algo como 4,2 a 4,3 milhões de t/ano. Apesar
da crise mundial instalada desde meados de setembro do ano passado, os
dados oficiais da Adirplast revelam uma redução de apenas 1,6%, em
volumes, na comparação entre o primeiro semestre de 2008 e o primeiro de
2009. A grande queda se deu, na realidade, no último trimestre de 2008,
mas, a partir de janeiro de 2009, a recuperação começou a se concretizar,
na análise do presidente da associação. Nesse contexto, dado o tumulto na
economia mundial, a retração de 1,6% nos volumes é considerada pequena.
Porém, em faturamento, a queda foi muito maior, pois os preços das resinas
simplesmente despencaram quase 40%, achatando as margens da distribuição.
“Só as empresas com muita competência na gestão estão conseguindo
sobreviver”, diz o presidente, atestando que a grande maioria dos
distribuidores passa por um momento difícil, com perda importante de
rentabilidade do negócio.
No resultado geral do ano de 2009, a distribuição brasileira deverá chegar
a um volume de comercialização semelhante ao total de 2008, pois a perda
de 1,6% do primeiro semestre do ano tende a ser recuperada no segundo.
Isso deve ocorrer, não porque os seis meses finais do ano serão
espetaculares, mas pelo fato de o segundo semestre de 2008 ter sido muito
afetado pela crise, tornando a comparação com o semestre atual mais
favorável. A própria Nova Piramidal, dirigida por Cataldi, deve apresentar
esse comportamento, chegando ao final do ano com crescimento nulo, ou
muito pequeno, em relação ao ano passado.
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Essa expectativa é compartilhada pela maior parte dos
distribuidores nacionais, entre eles a Mais Polímeros, distribuidora
de resinas da Quattor. Segundo Daniela Antunes, diretora da Mais
Polímeros, a empresa deve apresentar um crescimento bastante modesto
em 2009, após enfrentar algumas dificuldades com seus clientes e
evitar as vendas para aqueles com alto risco de problemas creditícios.
“Em um ano como 2009, manter o desempenho é um ponto positivo”, afirma
Daniela. Ela corrobora a visão de que o segmento de varejo atravessa
um período de readaptações, em que empresas acostumadas a vender muito
com margens muito pequenas não poderão mais se sustentar, ainda mais
depois da chegada na NF-e, que aponta como um grande benefício
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Mais Polímeros aproveitou 2009 para se reorganizar, diz Daniela |
para a distribuição. Além disso, dada as necessidades financeiras dos
distribuidores, as empresas pouco capitalizadas, que empregam dinheiro de
banco como capital de giro, tendem a enfrentar dificuldades crescentes,
graças aos custos que o uso de capital de terceiros impõe aos tomadores de
empréstimos.
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