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Alguns cuidados evitam
prejuízos e esticam a vida útil das ferramentas
Texto de José Paulo Sant’Anna e
fotos de Cuca Jorge
É melhor
prevenir do que remediar. Poucos discordam do velho ditado, sempre
citado em ocasiões diversas, e também válido no mercado de injeção de
plásticos. É lembrado por ferramenteiros, transformadores e
fornecedores de componentes quando o assunto recai para a limpeza e
manutenção de moldes de injeção.
Essas ferramentas operam em condições difíceis e estão sempre sujeitas
a sofrer quebras de peças ou danos em suas placas, pois trabalham em
regime de elevada pressão, em especial as projetadas para |
produzir peças de paredes finas e ciclo rápido. São submetidas a
constantes alterações de temperatura e sofrem esforços alternativos, como
tração, compressão, flexão e impacto. Algumas de suas peças, como buchas,
colunas, centralizadores e guias de gavetas, operam sob atrito. Não raro,
transformam peças feitas com materiais abrasivos, como os reforçados com
cargas de fibras de vidro. Diante de tantas dificuldades, tomar alguns
cuidados ajuda a prolongar suas vidas úteis e reduz a chance de paradas
nas linhas de produção. Em outras palavras, representa economia
considerável. Em especial, quando os moldes são complexos – não por
coincidência, os mais caros.
Na teoria, ninguém discorda da necessidade das operações de limpeza e
manutenção serem realizadas de acordo com o recomendado. Na prática,
porém, nem sempre as recomendações são levadas a sério. No caso de grandes
produções, há a necessidade dos moldes permanecerem instalados nas
injetoras por longos períodos e os transformadores, não raro, se
“esquecem” de fazer as revisões dentro dos prazos necessários. A “falta de
memória” ocorre com frequência até no caso de moldes usados de forma mais
esporádica.
O componente cultural contribui com o desleixo, há uma falsa sensação de
economia ao se evitar as atitudes recomendadas. Quando o prejuízo aparece,
no entanto, todos se lembram de outro ditado cujo ensinamento pouco pode
ser contestado: não adianta chorar sobre o leite derramado.
Palavra de quem faz – A vida útil de um molde começa a ser definida
antes da sua construção. Algumas medidas fazem diferença, como escolher
aços de boa qualidade, submetê-los aos tratamentos térmicos adequados e
trabalhar com tolerâncias rigorosas. Fazer projeto que proporcione bom
balanço térmico dos lados fixo e móvel da ferramenta e a fácil
substituição de componentes são outros aspectos imprescindíveis para se
obter resultados satisfatórios. Pronto o molde, outros cuidados precisam
ser mencionados. Entre eles, instalar os moldes em injetoras adequadas e
trabalhar com matérias-primas de qualidade. Esses aspectos, no entanto,
fogem do tema de limpeza e manutenção.
Na opinião de executivos das ferramentarias, os cuidados com os moldes em
operação devem ser intensificados de acordo com o ritmo de trabalho. As
atenções começam no chão da fábrica. “Algumas medidas precisam ser tomadas
com o molde instalado nas injetoras, como manter lubrificados os pontos
onde isso se faz necessário e evitar os danos provocados pela condensação
surgida pelas variações de temperatura ocasionadas pela elevada
temperatura das resinas e pelas operações de resfriamento”, recomenda
Eduardo Cunha, diretor-executivo da paulistana Moltec, tradicional
fabricante de ferramentas para injeção e sopro voltadas para o mercado de
embalagens.
Além dos cuidados cotidianos, recomenda-se a realização de revisões
periódicas, feitas em intervalos de tempo variáveis conforme a solicitação
dos moldes. “Uma ferramenta com regime de trabalho igual ou superior a
oito horas por dia deve passar por revisão completa de seis em seis
meses”, diz Rodrigo Vanni, gerente técnico da empresa. Essa revisão pode
ser feita em casa, pelas transformadoras que contam com estrutura
adequada, ou na oficina de terceiros, quase sempre nas ferramentarias
especializadas.
“Nessas revisões periódicas, vários itens devem ser verificados e
substituídos, se necessário”, aconselha Cunha. Entre eles, colunas e
buchas guias, centralizadores, anéis de vedação, canais de refrigeração,
pinos de extração e outros componentes, inclusive parafusos. Nos moldes
equipados com câmaras quentes, é aconselhável substituir resistências,
termopares, torpedos e módulos controladores de temperatura.
Esses cuidados, de acordo com cálculos realizados por Cunha, devem custar,
no prazo entre um ano e dezoito meses, entre 5% e 10% do valor do molde.
Não é pouco, em especial no caso das matrizes mais sofisticadas. Mas vale
a pena. “Uma quebra pode significar despesa entre 30% e 70% do valor do
molde. Existem casos nos quais se danificam muitos componentes e placas”,
ressalta o diretor-executivo.
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A Cobrirel, empresa paulistana no mercado há 35 anos,
atua nos dois lados da moeda. Como fabricante de moldes de elevada
tecnologia, fornece para clientes rigorosos, como representantes da
indústria automobilística e de eletrônicos. Também conta com planta de
transformação com dezenove injetoras, com forças de fechamento de 58 a
450 toneladas. “Trabalhamos na recuperação dos moldes de nossos
clientes e fazemos manutenção dos usados internamente”, explica o
diretor Antonio Domingos Trevisan.
O dirigente dá a receita usada pelo departamento de transformação da
Cobrirel. “Sempre que um molde sai da máquina, temos o hábito de
desmontá-lo, limpá-lo e de substituir todas as peças desgastadas”,
revela. Para Trevisan, agindo dessa forma, a economia é garantida.
“Sai muito mais barato tomarmos essas providências do que perder tempo
com danos que podem parar a produção por várias horas”, explica. |

Trevisan: sempre que o molde sai da máquina é desmontado
e revisado |
Padronizados e câmaras quentes - Outra recomendação unânime dos
especialistas de todos os ramos: nos casos onde são necessárias
substituições de peças, deve ser utilizado o máximo possível de
componentes padronizados. Eles apresentam algumas vantagens, como a de ter
custo competitivo por serem produzidos em larga escala. O mais importante,
no entanto, se encontra no quesito qualidade. Uma peça fabricada em casa,
por exemplo, dificilmente segue os padrões de escala recomendados e recebe
os tratamentos térmicos necessários.
Algumas ferramentarias de porte e grandes transformadores, por dever de
ofício, têm em casa estoques para pronto uso das peças mais procuradas,
casos das colunas e buchas guias. A ausência de estoques não chega a
afetar de maneira grave quem não tem essa possibilidade. Esses componentes
são de fácil acesso no mercado, entregues em prazos muito reduzidos.
No caso dos moldes equipados com câmaras quentes, alguns cuidados são
essenciais. “Trabalhar com controladores de temperatura multiprocessados é
importante para se obter os controles de temperatura precisos”, explica
Cleber Silva, gerente de desenvolvimento e marketing da Polimold, empresa
líder no Brasil dos mercados de porta-moldes e câmaras quentes.
Silva também recomenda utilizar equipamento de controle com a capacidade
de desumidificar de forma gradual os componentes das câmaras, a fim de
evitar choque térmico das resistências nos momentos de partida. Sempre se
deve utilizar matérias-primas com teor de cargas previsto e trabalhar com
temperaturas projetadas. “Os equipamentos da câmara quente são
desenvolvidos para aplicações e materiais predeterminados”, ressalta.
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