TERMOFORMAGEM


Stark, da brasileira TAC, tem carenagem plástica termoformada

Expositores demonstram confiança em recuperação e apresentam novidades

Texto de Rose de Moraes Fotos de cuca Jorge

As tecnologias em termoformagem chamaram a atenção dos visitantes da 12ª. Brasilplast. Quem percorreu a feira à procura de novidades, ficou admirado com as formas arrojadas do esportivo brasileiro, totalmente termoformado, exposto no estande giratório da Sabic Innovative Plastics, e com previsão de fabricação para 2010. Com alto desempenho tanto para tráfego urbano como off-road, o veículo Stark 4WD, como foi batizado pela fabricante, a Tac - Tecnologia Automotiva Catarinense, de Joinville-SC, atraiu grande público no estande da antiga GE Plastics, hoje com nova razão social e pertencente à Petroquímica Saudita Saudi Basic Industries Corporation, que tem 70% do seu capital controlado pela família de príncipes árabes Saudi.

Para chegar ao projeto final, ou pelo menos à última versão desse veículo movido a diesel, toda a carenagem foi construída com termoplásticos de engenharia flexíveis, leves e altamente resistentes da Sabic, com tecnologia de processamento da brasileira MVC.

O gerente-geral da área automotiva da Sabic na América do Sul, Edson R. Simielli, explicava sobre o Stark 4WD aos que paravam no estande: “Afora a estrutura em metal tubular, todas as peças são termoformadas, desde os paralamas e ponteiras dos parachoques em Noryl PPX, blenda de PPO e PP, até os acabamentos dos capôs e as portas, a decidir entre Cycoloy, blenda de PS e PC, e Xenoy, sendo mais provável que se faça a opção pela última blenda.”

Fincar raízes nos emergentes - A presença da alemã Kiefel no Brasil, com filial desde agosto de 2008, ajuda a reforçar a tese de que a termoformagem possa alçar vôos mais altos no mercado brasileiro e sul-americano nos próximos anos. Com oito subsidiárias – Holanda, República Tcheca, França, China, Estados Unidos, Rússia, Áustria, sendo a mais recente em território brasileiro –, a empresa alemã também planeja abrir em breve nova filial na Índia.

“A estratégia de estabelecer bases subsidiárias técnicas em mercados emergentes vem se concretizando e, no caso do Brasil, estávamos observando há seis ou sete anos os níveis de estabilidade econômica do país, somados à presença local maciça de todos os principais fabricantes de refrigeradores do mundo, setor que, juntamente com o automotivo, são aqueles nos quais temos forte presença e atuação”, revelou Patrick Claassens, gerente-geral da Kiefel do Brasil.

Para atender o setor de refrigeração, na produção de gabinetes, revestimentos internos e portas de refrigeradores, a empresa oferece ao mercado máquinas da série KIV/KID.

Claassens: refrigeração, carros e a estabilidade atraíram a Kiefel

Providas de servomotores e motores trifásicos para todos os movimentos e também de elementos de aquecimento a quartzo com controle de temperatura de ciclo fechado, essas máquinas por meio de pirômetros asseguram temperaturas constantes de filmes/chapas. Dotadas de sistemas a vácuo/ar comprimido, também liberam ar dos moldes, utilizando válvulas de controle e válvulas proporcionais. Os equipamentos também saem de fábrica com sensores a laser para definir de maneira precisa a altura do pré-tensionamento de filmes/chapas.

Segundo Claassens, uma das grandes vantagens das termoformadoras para refrigeradores está na redução dos tempos de processamento – até 36 segundos/ciclo para produzir revestimentos internos e 18 segundos/ciclo para fabricar revestimentos de portas.

As aplicações típicas incluem a manufatura de componentes como revestimentos internos, externos e de portas de refrigeradores em PS ou ABS, mas vários componentes como painéis também podem ser processados com PVC ou PET.

Também estão disponíveis as termoformadoras em linha para processamento de revestimentos internos de refrigeradores e que podem ser configuradas com moldagens a vácuo ou moldagens combinadas por pressão/vácuo e também com técnica de pré-sopro ou pré-sucção, usada para pré-tensionar os filmes/chapas.

Já as máquinas para revestimentos de portas de refrigeradores, segundo o gerente-geral da Kiefel, podem contar com estação de aquecimento principal e com elementos de aquecimento a quartzo, condições consideradas mais eficientes para operar.

As máquinas de termoformagem a vácuo como as da série KMV operam com diversas resinas, com ou sem apoio de ar comprimido, e contam com sistema modular que permite ajustes na configuração. As máquinas para moldagem sob pressão da série KMD também processam diversos polímeros.

“As máquinas SpeedFormer para a produção em massa de componentes de embalagens, além dos altos rendimentos, foram projetadas para assegurar que a troca de ferramentas e todo o trabalho de manutenção sejam feitos com muita rapidez”, acrescentou Claassens.

As moldagens podem ser a vácuo ou sob pressão ou ainda podem ser realizadas pela combinação das duas tecnologias. Segundo ele, o processamento de bandejas de PET é realizado com máquinas providas de sistema sob pressão, enquanto o processamento de filmes de menor espessura para embalagens mais delicadas é feito com máquinas que contam com sistema de vácuo.

A Kiefel também desenvolveu um sistema vacuum forming denominado EcoFormer, indicado para iniciantes no processo e que planejam produzir embalagens a um custo bem mais acessível. Além de mais econômico, esse novo sistema foi preparado para processar termoplásticos biodegradáveis.

Com trinta máquinas já instaladas no Brasil, Claassens não dá sinais de que os planos inicialmente propostos para a subsidiária brasileira possam arrefecer. “A crise mundial promoveu algumas paralisações no consumo nos últimos meses, mas daqui a pouco tudo se recupera e volta ao normal”, considerou, acrescentando que o câmbio também deve ajudar, pois está mais favorável às vendas no Brasil das máquinas produzidas na Alemanha.

Demanda externa aumenta - O mercado externo também está muito receptivo às tecnologias nacionais de termoformagem. A Eletro-Forming chega a compor 50% do seu faturamento com exportações, com vendas de modelos para vacuum forming, máquinas cujos moldes atuam sob vácuo, e de modelos para pressure forming, cujos moldes atuam com ar comprimido.

“Em 2008, a maior parte das inovações em máquinas encomendadas à nossa fábrica foi procedente do setor de autopeças. Em 2009, tudo leva a crer que o maior número de inovações e pedidos deva partir das indústrias de embalagens”, acredita Paulo Lakatos, um dos diretores da Eletro-Forming.

Lakatos lançou formadora com produtividade de injetora e mostrou TC-C com servomotor

Com mais de 2.500 máquinas instaladas no Brasil e em vários outros países, a empresa expôs na feira o maior modelo até hoje produzido de uma máquina automática para vacuum forming. Com dimensões de forno de 3 m x 2 m, o modelo, especialmente construído para cliente do setor automotivo, estará dedicado à fabricação de componentes para ônibus e caminhões, alcançando produtividade entre 15 peças até 20 peças de 3 m x 2 m/hora, “ou seja, nível de produtividade equiparável ao de uma máquina injetora”, frisou o diretor Jorge Lakatos, o patriarca da família que atua nesse ramo desde 1972.

A nova máquina, no caso, trata-se de uma vacuum forming SupraVac 2. Provida de dois fornos, permite moldagens de chapas em espessuras desde 1 mm até 12 mm, possui colchão de ar para controle de “embarrigamento” e pode operar com resistências de quartzo ou halógenas, como elementos de aquecimento.

Outros diferenciais desse modelo são contar com duas válvulas de vácuo com vazões diferentes para facilitar a regulagem dos moldes e destacador a ar comprimido com regulagem de tempo e pressão para que as peças moldadas se soltem facilmente do molde, além de sensor infravermelho que faz a leitura da temperatura das chapas durante o aquecimento, garantindo a repetibilidade do processo em condições de operação diversas, seja sob variações de temperatura ambiente ou tempo de operação da máquina.

“A tecnologia da SupraVac se equipara à tecnologia europeia e tem preço bem mais acessível. Trata-se de tecnologia de ponta para termoformar por vacuum forming qualquer tipo de peça automotiva”, informou Lakatos.

Lançada em 2003, a versão atual da SupraVac conta com sistemas para a troca rápida de moldes – tanto nos quadros superior e inferior quanto na mesa porta-molde – que, em conjunto com o quadro de regulagem contínua, promovem a diminuição dos set-ups.

Além da nova SupraVac, a família Lakatos também levou à exposição a termoformadora contínua e automática (TC-C), alimentada por bobinas, para a produção de peças termoformadas, máquina que também agregou algumas inovações, como nova prensa com quatro colunas e maior velocidade operacional, capaz de alcançar ciclos completos em 2 segundos, termoformando, cortando e empilhando 360 pratos com 15 cm de diâmetro por minuto, ou completando até 1.600 ciclos/hora. Capaz de termoformar PS, PVC, PP e PET, em espessuras de 1 mm, o equipamento tem área de molde correspondente a 600 mm x 400 mm e consumo de ar comprimido de 8 kgf/cm².

“A TC-C foi concebida com servomotor no sistema de avanço do filme, tornando-se uma máquina ideal para embalagens descartáveis, podendo moldar por vácuo (vacuum forming) e por ar comprimido (pressure forming)”, explicou Roberto Lakatos, também diretor e um dos filhos de Jorge Lakatos.

Desenvolvendo projetos diferenciados e especiais para a produção de gabinetes de refrigeradores com alta produtividade e que alcançam até o momento 120 contra-portas por hora, a empresa também lançou recentemente máquina especial automática para a fabricação de pré-impressos (Minivac), que também vem sendo bastante requisitada no mercado externo para a produção de materiais para publicidade e propaganda.


 

 
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