Hidráulica versus elétrica – Enquanto os expositores nacionais se concentraram nas máquinas hidráulicas de pequeno porte, que correspondem à maior parte da demanda do mercado brasileiro de injetoras, muitas das expositoras internacionais trouxeram a companhia de máquinas elétricas para as competidoras convencionais.
É certo que a injetora acionada por servomotores possui suas vantagens, mais que alardeadas por seus fabricantes, como menor nível de ruído, maior precisão e economia de energia. O que não parece ainda bem sedimentado, porém, é em que situação essas características pagam o preço mais alto que as máquinas totalmente elétricas ainda ostentam. Talvez, esse tipo de injetora nunca venha a predominar no mercado.

Na visão de Kai Wender, diretor-geral da Arburg no Brasil, o grande futuro dos acionamentos elétricos está na combinação inteligente com a hidráulica, pois ambas as tecnologias apresentam vantagens, e elas estão intimamente relacionadas às peças em questão. “A máquina 100% elétrica tem limitações, como a dificuldade de implementação de eixos secundários; e, em alguns movimentos, o acionamento elétrico não traz nenhum benefício”, afirmou, na posição confortável de quem também pode fornecer máquinas totalmente elétricas. Wender ainda relatou que a ideia de que a injetora elétrica é a mais adequada para salas limpas não é correta, pois “uma boa máquina hidráulica é mais limpa que uma elétrica”.

A Arburg expôs uma injetora elétrica Allrounder 420 A, rodando uma aplicação de paredes finas em ciclo de 3,7 s. As máquinas elétricas representam 15% das vendas da Arburg no mercado mundial. No Brasil, a fatia se mantém a mesma, um indicativo, no universo da empresa, de que o ritmo de utilização por aqui não difere em muito do mundial, como afirmam outros fornecedores.

A empresa de Lossburg também expôs um modelo da série Golden Edition (Allrounder 570C, com 200 t de força de fechamento), inicialmente pensada para vendas por tempo determinado, mas que continuou no portfólio da Arburg graças ao sucesso alcançado no mercado – 50% das vendas da fabricante alemã no Brasil vêm dos modelos da “edição de ouro”.
Golden Edition: 50% das vendas da Arburg no Brasil

Essa penetração advém de uma boa relação entre tecnologia agregada e preço atrativo. Além disso, a série Golden Edition atende a uma grande parte das aplicações do mercado brasileiro, sem a necessidade de adição de muitos opcionais. Ela tem sido muito utilizada em aplicações-padrão em injeção plástica, bem como em peças da indústria automotiva.
Wender ainda adiantou informações sobre uma nova série de equipamentos da Arburg que será introduzida na NPE, de Chicago, ainda este ano. A série completa, com máquinas entre 60 t e 320 t, será composta por injetoras híbridas, com fechamento e dosagem elétricos, e outros movimentos auxiliados por acumuladores, destinados a ciclos rápidos de alto rendimento, dentro da filosofia da empresa de combinar as duas tecnologias de movimentação disponíveis.

A visão da Arburg é bastante diferente da percepção sentida no estande da Sumitomo Demag, formada pela compra da antiga Demag Ergotech pelo grupo japonês Sumitomo. A empresa expôs duas injetoras, sendo uma máquina japonesa, totalmente elétrica (cujo acionamento dos motores é construído pela própria Sumitomo), com 180 t de força de fechamento e ciclo bastante veloz, produzindo embalagens plásticas com IML, e uma máquina alemã, do modelo tradicional da antiga Demag Ergotech, de nome El-Exis, voltada principalmente para embalagens e dotada de acionamento elétrico na rosca e na injeção, e fechamento e abertura hidráulicos.

Híbrida foi à feira, mas Rieker vê futuro elétrico

Para Christoph Rieker, gerente-geral da Sumitomo (SHI) Demag do Brasil, além da redução do consumo de energia em si, toda a “periferia” da máquina pode ser reduzida com a opção por uma elétrica, incluindo cabeamento e sistemas de refrigeração. Essa economia pode ser acentuada em função do ciclo, pois segundo Rieker em ciclos maiores as possibilidades de redução de custo crescem. Testes comparando modelos elétricos e hidráulicos operando com mesmo ciclo, produzindo a mesma peça, mostraram valores de consumo de energia de 6 kWh e 16 kWh, respectivamente. “A máquina elétrica é uma tendência que veio para ficar, e a demanda vai aumentar cada vez mais”, diz Rieker. Na Europa, a empresa prevê um cenário em que as máquinas até 300 t deverão ser todas substituídas por modelos elétricos nos próximos anos. No Brasil, o gerente-geral vê um futuro promissor nos segmentos de peças automobilísticas, pois essa indústria começa a perceber quão precisa a injetora elétrica pode ser.

A Sumitomo Demag possui máquinas de fabricação alemã e japonesa, mas também pode oferecer modelos construídos em fábrica na China. O objetivo, no entanto, não é dispor de um modelo para brigar com preços baixos, uma vez que a unidade asiática foi idealizada para atender principalmente o seu mercado local. Rieker avisou que não se trata de uma versão simplificada e mais barata de máquinas da empresa, mas de um produto que se torna atrativo para os consumidores da Ásia pela redução de custo em virtude da produção naquele continente, porém seguindo o padrão de qualidade característico da companhia.

O pensamento otimista em relação ao consumo de injetoras 100% elétricas é compartilhado por Hércules Piazzo, gerente-comercial da Milacron no país. Para ele, elas já são uma realidade por aqui, pois a cada dez máquinas vendidas pela empresa americana no Brasil, nove são exclusivamente elétricas. Piazzo também reforçou o coro dos que não concordam com a ideia de que máquinas elétricas se restringem a determinadas aplicações, citando diversas peças produzidas por injetoras da Milacron no Brasil, até mesmo exemplos inusitados, como baldes e bacias, mas também peças para o setor automotivo, conectores e paredes de celulares.
Piazzo: na Milacron, tecnologia "já pegou"

“São mais de 350 injetoras nossas operando no Brasil e a tendência é de que as máquinas hidráulicas sejam substituídas inteiramente pelas elétricas”, disse Piazzo, embora tenha lembrado que o mercado visado pela empresa estadunidense se concentre nos segmentos de maior tecnologia.

No estande, os visitantes puderam conhecer os atributos de uma Roboshot S2000 iB, rodando molde de duas cavidades para tampas de potes de patê. Mesmo equipada com tecnologia de IML, a máquina produzia as peças em apenas 3,9 s, em parte graças a um robô bastante veloz, próprio para o IML, fornecido por uma parceira israelense. A ideia por trás da exposição dessa aplicação era reforçar nos clientes a imagem de que a máquina elétrica também pode ser um equipamento para produção em ciclo rápido, pois grande parte do mercado ainda só associa a tecnologia de acionamentos elétricos a peças técnicas em que precisão é o quesito fundamental. Para o mercado brasileiro, que ainda não é grande fã do IML, a aplicação escolhida também se revela uma boa opção para pequenos volumes de produção, pois o robô é simples (ele apenas posiciona a etiqueta, não extrai peças nem as empilha) e barato, além de rápido.

Um dos motivos apontados para a baixa penetração do IML no país era o custo do label importado e o receio da dependência do fornecimento proveniente do exterior. No entanto, já há fábricas nacionais do insumo, talvez o impulso que faltava para a popularização.


 

 
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