INJETORAS

Meio ressabiado, mercado dá sinais de que demanda por injetoras pode voltar a crescer

Texto de Márcio Azevedo Fotos de Cuca Jorge
 

Valeu. Essa foi a sensação dos fornecedores de injetoras que participaram da Brasilplast 2009, unânimes em confirmar o bom clima para negócios e novos projetos detectado na feira, apesar da cautela em decorrência dos efeitos da crise mundial no Brasil. Depois do impacto mais profundo nas vendas, sentido entre outubro do ano passado e março desse, o ensaio de uma pequena recuperação no mercado brasileiro de injetoras foi suficiente para atrair clientes interessados em novas máquinas, e ainda, dispostos a retomar planos congelados pelo medo do furacão financeiro e a discutir novas ideias.

 Até as tradicionais vendas realizadas durante a feira, mais intensas quando a economia vai bem, foram anunciadas – apesar de uma certa desconfiança que esse tipo de informação costuma gerar. Mais uma vez, os visitantes conferiram ao vivo diversas máquinas para a produção de embalagens, utilidades domésticas e peças técnicas, com a predominância de modelos hidráulicos, mas com a presença de diversas injetoras totalmente elétricas e algumas híbridas. O IML (in mold labeling), assim como na última edição da feira, foi uma aplicação escolhida por vários expositores para demonstrações no pavilhão do Anhembi. A tecnologia, embora ainda engatinhe no país, parece estar se disseminando mais rapidamente, na avaliação de alguns produtores de injetoras. A injeção em máquinas acionadas por servomotores é outra das famosas tendências que foi martelada na Brasilplast, mas fica evidente que o escopo da sua utilização não é consenso nem entre os fabricantes. Há quem ache que elas virão para ficar; alguns dizem que já vieram, enquanto outros não vêem grande futuro para esse tipo de injetora no Brasil.
Heinen: Himaco deixa de lado as elétricas, por enquanto

A Himaco, pioneira brasileira nesse equipamento, engavetou seus planos para máquinas elétricas. Cristian Heinen, gerente-comercial da Himaco, afirma que, no universo da empresa, a máquina 100% elétrica ainda é 40% a 50% mais cara que o modelo hidráulico de mesmo porte, uma diferença que, aliada à questão da resistência cultural à mudança, contribuiu para que a injetora elétrica da Himaco não decolasse. Os mercados potenciais para essa máquina, na visão de Heinen, seriam aplicações farmacêuticas e hospitalares, mas a empresa de Novo Hamburgo-RS não deve pensar no assunto nos próximos dois anos.

Desperta mais esperança de sucesso o rebento introduzido na feira: uma injetora vertical com o conjunto de injeção posicionado por cima da máquina e que leva a um processamento muito preciso, desenvolvido para atender aos requerimentos de um cliente do setor automobilístico. O sucesso inicial do produto no cliente que o requisitou provocou as consultas de outros clientes do segmento de automóveis, que se configura como o primeiro potencial consumidor da novidade. A injetora não possui, diz Heinen, similar nacional, apenas importado, e também não é muito comum no mercado mundial. O gerente-comercial crê que há até um certo déficit por equipamentos do tipo, que pode favorecer as vendas da empresa.

O grande sucesso de vendas da Himaco, no entanto, é a família Atis de máquinas hidráulicas, representada na feira por dois modelos, de 160 t e 200 t, lançados durante o evento. A linha conta com máquinas dotadas de bombas com maior galonagem, para conseguir maior velocidade no ciclo de produção sem o emprego de acumuladores, combinando preço e condição de venda que têm se mostrado muito atraentes para fabricantes de utilidades domésticas, principalmente, e brinquedos.

Injetora vertical foi criada para automobilística

O estande da empresa gaúcha também abrigou um modelo Dinamic 2200, com 220 t de fechamento, e que se soma às outras máquinas com acumulação da família, com 170 t e 180 t. Trata-se de outro modelo com vocação para as utilidades domésticas, em virtude da necessidade desse segmento por moldes maiores e com mais cavidades e da decorrente demanda por mais pressão na injeção. O gerente-comercial da Himaco informa, no entanto, que a clientela ainda resiste a esse tipo de injetora, porque “quer comprar com um preço mais barato, sem levar em conta a redução no consumo de energia que movimentos simultâneos, bombas de vazão variável e ciclos menores proporcionam”, afirmou.

Por conta dos clientes atrás de preços sempre menores e da oferta de máquinas asiáticas compatíveis com esse anseio, a Himaco está oferecendo uma injetora denominada “globalizada”, cujos componentes são importados da China para a montagem no Brasil. Um exemplar de 360 t foi levado à exposição, e a linha ajuda a empresa a competir no segmento de máquinas maiores, acima de 200 t, em que a falta de escala do mercado local inviabiliza a concorrência com o sucedâneo asiático. A Himaco até possui modelos próprios com maior força de fechamento (350 t e 450 t), mas a briga nessa faixa de tonelagem é ingrata para a máquina produzida no país.

A Jasot, outra fabricante do sul do Brasil, expôs seus mais recentes modelos dotados de um novo mecanismo de fechamento do molde, com cinco pontos, mais compatível com o padrão internacionalmente praticado. Nas palavras do engenheiro J. Ricardo Caon da Luz, coordenador técnico da Jasot, essas injetoras oferecem maior espaço interno para a colocação do molde, uma característica em sintonia com a demanda por ferramentas com maior quantidade de cavidades. No estande, os visitantes conheceram um modelo de 200 t, próprio para peças de paredes finas, como potes e baldes, além de outras duas máquinas com 130 t e 160 t de fechamento.
Jasot opta por se diferenciar, explicou Luz.

Os equipamentos nessa faixa de tamanho representam a maior parte do mercado da Jasot, embora a concorrência acirrada no Brasil tenha levado a empresa a buscar segmentos do mercado com maior necessidade por injetoras dotadas de configurações particulares, em que o preço não tem papel tão preponderante na venda. É esse o motivo da opção por máquinas com acumuladores, movimentos simultâneos e maiores volumes de injeção – é a luta para fugir da injetora “arroz com feijão”, simples e que atende à maior parte das aplicações do mercado, pois, nessas, não é recomendável insistir no enfrentamento com os chineses.

Outra representante da indústria brasileira com presença na Brasilplast foi a Romi, que, no rastro da boa repercussão causada na última Plast, de Milão, expôs uma injetora elétrica da série Eletramax. A injetora, explicou Fábio Seabra, diretor da área de comercialização de máquinas para plásticos da Romi, causou boa impressão na feira italiana, e foi a primeira injetora elétrica criada após a compra da Sandretto, na Itália, pela empresa brasileira. Seabra afirmou que a série Eletramax foi renovada, com a atualização dos servomotores e dos comandos – agora, a família conta com o painel de comando e-ONE.
Sucesso em Milão, elétrica da Romi foi ao Anhembi

Os visitantes também foram apresentados à injetora híbrida Primax 300H, com plastificação elétrica e uma promessa de ciclos menores, e à Pratica 170, também equipada com um novo painel de comando, o Controlmaster 8 Plus.

A aquisição da competidora italiana se deu em um contexto de internacionalização da Romi, pois o mercado brasileiro já não oferecia espaço para ampliação das vendas locais. Em lugar de investir uma fortuna para desenvolver sua marca no exterior, a produtora paulista preferiu adquirir uma marca consagrada. Na verdade, a compra foi um pouco além: a Romi adquiriu os ativos da Sandretto, os conhecimentos de engenharia, a marca, duas fábricas na Itália e quatro filiais européias.

A marca Sandretto, no Brasil, porém, não está nas mãos da empresa do interior paulista. Ela ficou com a Sandretto do Brasil, uma vez que já havia sido comprada quando a filial da empresa italiana no país se desmembrou de sua matriz europeia. A Sandretto do Brasil é agora uma empresa nacional. Ela também esteve no Anhembi, com uma exposição refletindo suas áreas de atuação, desde peças técnicas a utilidades domésticas, passando por máquinas automatizadas com robôs e modelos próprios para ciclo rápido. Foram cinco injetoras em exposição, todas hidráulicas, com dois modelos da série Lógica, uma máquina de 220 t com velocidade majorada para peças de paredes finas, um exemplar da série Nove HP e uma HP Fast, também para paredes finas, equipada com acumulador.

Remodelação da série HP Fast agradou, disse Lopes

A grande novidade da empresa, porém, foi o anúncio da retomada da fabricação e comercialização das injetoras da série Mega, com fechamentos de 600 t, 800 t e 1.000 t, que havia sido interrompida na fase de reestruturação interna da expositora. Essa reformulação se deu em etapas, começando por revisões técnicas das máquinas da série Lógica, seguidas pelas injetoras HP e HP fast (para ciclo rápido), e culminando com o reexame da série Mega, que ganhou novo projeto hidráulico, mais moderno e avançado, segundo o diretor-comercial da Sandretto do Brasil, Antonio Lopes, permitindo maior precisão e repetibilidade. Essas reestruturações das linhas de produtos, adicionou Lopes, foram bem aceitas no mercado, gerando boas vendas das máquinas das séries Nove HP e HP Fast.

 

 
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