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Novos rumos – Além de novos produtos, alguns expositores divulgaram
novas estratégias. É o caso da Techmer – Polymer Modifiers que, se
depender dos seus planos, estará cada vez mais presente em solo nacional,
pois a representante internacional de marketing da Techmer, Marina Howley,
revelou a intenção de abrir uma fábrica por aqui. O namoro com o Brasil é
de longa data. Há dez anos, atuava com o atendimento a clientes diretos.
Com a aceitação da marca, surgiu a necessidade de contratar um
representante e, em 2007, foi além: estabeleceu uma parceria com a Mash:
Tecnologia em Compostos e Master para produzir os masterbatches coloridos
e de aditivos. No entanto, nem chegaram a desenvolver produtos juntos e a
parceria foi encerrada, por causa de uma mudança de posicionamento. Marina
conta que a Techmer PM projeta, no futuro próximo, produzir no país. Por
enquanto, a solução para estar mais perto do consumidor brasileiro se deu
com a abertura no início do ano de um escritório, em São Paulo. O
interesse pelo mercado nacional, segundo Ryan Howley, da Techmer PM, se
sustenta no seu potencial de crescimento. “O Brasil tem sede de
tecnologia. Há por aqui muitas empresas, mas poucos concorrentes para
nós”, comentou ele.
Apesar da tradição de trinta anos de existência, a Karina, líder no
mercado de compostos de policloreto de vinila (PVC), desbrava outra frente
de atuação: o mercado de masterbatch. A iniciativa se deu há dois anos.
“Mas só no final de 2008 e início deste ano estamos aparecendo de forma
mais acentuada nesse segmento”, confirmou Edson Penido, do departamento de
vendas da Karina. As especialidades poliolefínicas, como a companhia
denomina o segmento de masters branco, preto e colorido, e os concentrados
de carga e aditivos ainda estão em fase embrionária.
Apesar de não ter nenhum destaque específico durante a Brasilplast, a
feira cumpriu seu papel, na medida em que funcionou como palco para a
Karina mostrar que, se depender dos seus esforços, o mercado de
masterbatch, em um futuro próximo, terá mais um forte concorrente.
“Estamos nos estruturando da mesma forma que trabalhamos no PVC”, disse
Penido. Leia-se: a composição de área comercial e técnica para atender
todo o Brasil e planos para penetração também no mercado internacional.
A Clariant guardou para o evento o anúncio de reformas da unidade
industrial de Suzano para fabricar masterbatches líquidos. A companhia
adquiriu, no ano passado, duas empresas norte-americanas: a Rite Systems e
a Ricon Colors, passando a ter mais know-how para atuar nesse segmento.
“Unificamos o conhecimento do segundo maior produtor de masterbatch
líquido, em volume, e líder em tecnologia, com o nosso”, ressaltou Guzmán.
A linha de masterbatches líquidos é composta por dispersão de pigmentos,
corantes e aditivos em forma líquida, como o nome sugere. A Clariant
aposta nos benefícios do produto amplamente divulgados no mercado, como a
agilidade na troca de cores nas extrusoras e injetoras, além da
homogeneização e da garantia de mais precisão na dosagem, limpeza e melhor
repetibilidade.
Além da possibilidade de poder ofertar ao mercado nacional produtos na
forma sólida ou líquida, a companhia vislumbra um cenário positivo para o
lançamento, pois os fabricantes de pré-forma de PET têm migrado, em sua
totalidade, para o líquido. Na América Latina são três plantas da Clariant
para esse tipo de masterbatch: no Brasil, no México e na Colômbia. Mas a
ideia é incrementar no futuro sua operação no segmento. “Estamos só
começando com o líquido”, avisou Guzmán.
A Allcolor também aproveitou o evento para anunciar novidades em seu
negócio: a entrada no mercado de PET. A empresa aposta em masterbatches
para este tipo de resina, para quem utiliza quantidades pouco expressivas,
pois atua com a forma sólida. “Interessados em grandes volumes, em geral,
optam pelo master na forma líquida para o PET”, confirmou o diretor da
Allcolor Sandro Borbi. A companhia tem capacidade produtiva para 50
toneladas/mês e pretende até o final do ano elevá-la para até 15%, graças
à compra de duas máquinas.
Investimentos – Desde a sua participação na Brasilplast de 2007,
muitas foram as mudanças dentro da Mash: Tecnologia em Compostos e Masters.
Além do fim do acordo com a Techmer PM, a empresa elevou sua capacidade
produtiva em 50%, como resultado de investimentos na otimização de sua
fábrica e na melhor profissionalização da companhia. O reflexo foi
positivo: no ano passado cresceu em vendas 70%, comparado a 2007. “Em
2008, no pior mês da crise, caímos 10%”, comentou o seu diretor Fernando
Nicolosi. Um dos responsáveis pelo feito se trata do aporte em Pesquisa e
Desenvolvimento no valor de 700 mil dólares realizado no período de 2007 e
2009. As expectativas para este ano são de crescer 20%.
Muitas empresas durante o evento ofertavam masters e dividiam o estande
com compostos. Esse também foi o caso da Mash. No entanto, o foco foram as
especialidades. Por isso, Nicolosi destacou uma linha de master de
aditivos para filme, como auxiliar de fluxo, para melhorar o processamento
de polietileno de alta densidade (PEAD), polietileno de baixa densidade (PEBD)
e misturas com polietileno linear de baixa densidade (PELBD), a fim de
reduzir a sujidade da matriz, aprimorar o acabamento superficial e
diminuir as perdas. “É nosso carro-chefe, pois com menor concentração tem
efeito superior a similares”, garantiu Nicolosi. Ele também apresentou
como novidade aditivos anti-UV para multifilamentos e monofilamentos e
para filmes agrícolas. De acordo com o diretor, todo o mercado busca
aplicações de maior valor agregado; por isso, a maior parte dos
fabricantes de masterbatches tenta abastecer o setor com soluções
sofisticadas e técnicas.
Para acompanhar a evolução do mercado, a Colorfix também foi repaginada em
2008. Segundo o seu diretor-comercial, Amarildo Bazan, a empresa passou
por um processo de profissionalização, com nova diretoria e ampliação do
quadro de representantes. A companhia planeja inaugurar em junho um
laboratório de desenvolvimento em São Paulo. A proposta atual é de elevar
sua participação no segmento de masterbatches de aditivos. Hoje, 25% das
vendas advêm dos aditivos, com pretensão de aumentar para 30%.
A apresentação da linha Fix representou essa renovação. Antes dessa
iniciativa, a empresa fabricava esse tipo de produto somente sob
encomenda, mas diante da solicitação do mercado, decidiu incorporá-lo ao
seu portfólio. Os destaques ficaram por conta do pacote composto por
antibloqueio (Blockfix), deslizante (Slipfix) e antioxidante (Oxifix),
além do lançamento do Selofix, aditivo capaz de manter as propriedades do
material, durante o período de parada da máquina. Este último evita
problemas como a carbonização e o amarelamento da resina. Bazan ressaltou
ainda a linha Uvfix, de anti-UV ou estabilizante de luz, pela sua ampla
aceitação no mercado, que está cada vez mais motivado a evitar a
propagação da ruptura da cadeia polimérica desencadeada pela ação da luz
ultravioleta.
Para a Procolor, o segmento de masterbatches de aditivos tem sido um dos
mais interessantes também. Dentro dessa área, o gerente-comercial da
empresa, Sergio Palermo, destacou o antiderrapante e o dessecante, além do
anti-UV. “As aplicações que estão em alta são de produtos diferenciados.
Com o master de aditivo, vendemos qualidade”, comentou. Ainda com o foco
na diferenciação, a companhia já há algum tempo se mostra interessada no
mercado de coloração dos plásticos de engenharia. Na Brasilplast, essa
vocação se confirmou. A supervisora-comercial da Procolor, Vanessa Falcão,
também falou sobre a linha de master para poliéster. “É uma novidade para
nós. A tecnologia é própria”, ressaltou. A marca Pro-Color abrange ainda
masterbatches para policarbonato, poliamida, PET e copoliéster, entre
outros. O
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monofilamento de polietileno de média densidade (PEMD) tem sido um
grande filão para a companhia. É empregado na fabricação de móveis,
cujas tramas se assemelham a fibras naturais.
Para promover todas essas novidades, a empresa mantém uma política de
investimento. Em fevereiro último conquistou a ISO e no final de 2008
abriu nova filial em Jaguariúna-SP. No ano passado, também ampliou a
equipe e melhorou o layout do site para promover mais interação com o
cliente, além de ter aperfeiçoado seu parque fabril.
A ampliação da fábrica da Termocolor também foi destaque no estande da
empresa, apesar de consistir em projeto iniciado em 2006. A companhia
divulgou que ampliou em 50% sua área fabril e aumentou a capacidade
produtiva em 20%. Segundo Isola, foram compradas novas máquinas,
totalizando seis, o que possibilita a produção de até 36 mil
toneladas/ano. A Termocolor anunciou ainda a conquista da diretiva
RoHS e a iminente finalização do processo de certificação ISO 14000. |
Divulgação

Isola destacou investimentos para elevar capacidade produtiva |
Crise? – Promover
investimentos e abastecer o mercado de novidades é tarefa nem sempre fácil
em tempos de incerteza econômica. Por atuar no ramo de cores especiais, a
Colorfix sentiu um impacto negativo nos negócios no final do ano passado,
como reflexo do fraco desempenho dos setores automotivo e de linha branca.
No entanto, no final de abril de 2009, a recuperação já se fez notar. A
famosa “marolinha”, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixou imune
alguns segmentos, como o de obras públicas de infraestrutura e de
embalagens rígidas. Na avaliação de Guzmán, estas áreas mantiveram os
saldos positivos da companhia. Nos primeiros meses de 2008, o desempenho
do setor foi excelente. Se não fosse a derrocada do último trimestre, a
empresa teria registrado recordes de vendas. Essa frustração impede Guzmán
de tentar prever como será este ano. Para ele, a Brasilplast será um
termômetro, para ver o real impacto dos últimos acontecimentos no setor
dos plásticos (leia-se: baixa no preço das resinas, crash na economia
mundial e valorização do dólar). Na Coreplas, empresa com quinze anos de
atuação, o último trimestre de 2008 apresentou queda nas vendas de 40%, em
relação a igual período do ano anterior. A retomada só foi percebida em
abril.
Nem a líder de mercado de masterbatch de cor e aditivos, Cromex, ficou
isenta de algumas perdas; também houve um pequeno recuo no crescimento. No
ano passado, a empresa aumentou as vendas em 20% sobre 2007, o que
representou 5% a menos do crescimento registrado anteriormente. As
exportações responderam por parte dessa redução. A companhia, acostumada a
exportar cerca de 30% da produção, no último trimestre do ano, perdeu
espaço no mercado externo. “Houve uma queda significativa”, afirmou
Ortega, sem revelar números. A empresa comercializa seus produtos para a
América do Norte, América Latina, Europa Ocidental e Leste Europeu, entre
outros. Com sede em São Paulo, onde são produzidos os masters coloridos e
produtos especiais, a Cromex possui também uma fábrica na Bahia, de
masterbatches brancos, pretos e aditivos, responsável por 73% da sua
capacidade total, hoje em 132 mil toneladas/ano.
Outra empresa que viu seus índices de crescimento caírem se trata da
Allcolor. Segundo o diretor Sandro Borbi, todo mês a empresa avançava
entre 6% e 7%, no ano passado. No entanto, em 2009, passou a registrar
índices de no máximo 3%. Um segmento responsável por essa retração foi o
de cosméticos. Borbi citou o caso de uma companhia desse ramo que diminuiu
em 50% a compra de masterbatch da Allcolor. “Não perdemos mercado para a
concorrência, nossos clientes é que reduziram a produção”, atestou.
De acordo com Guzmán, quando a produção está em baixa e a demanda pouco
aquecida, o momento é de testar tecnologias novas e experimentar produtos.
Por isso, acima de qualquer tipo de lamentação, as companhias precisam
aproveitar a oportunidade para se reinventar e apostar em novidades.
Faltam números - Com estande cativo desde 2003 na Brasilplast, a
Coreplas não reservou nenhum lançamento para esta edição. A empresa estava
ali para mostrar seu portfólio de mais de 15 mil cores desenvolvidas e
divulgar seus concentrados de cor, que representam 85% da produção. No
entanto, sobretudo, procurou ressaltar sua intenção de elevar as vendas
dos masters para os plásticos de engenharia e os de aditivos. “Estamos
aqui para apresentar nossa aptidão para atender a exigências específicas”,
disse o diretor da Coreplas José Gonzaga. A Macroplast também optou por
não levar lançamentos e fazer uma participação meramente institucional. Em
2004, a companhia adquiriu o negócio de masterbatches sólidos da Basf, com
o qual consolidou sua presença no mercado de especialidades. No entanto,
no momento, a ideia é melhorar a maneira como o mercado a percebe na área
de industrialização; a empresa tem uma imagem forte na distribuição.
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Para
esse setor, até mais do que em outros, um evento como a Brasilplast
tem grande importância. Os fabricantes não possuem uma associação,
portanto, a possibilidade de encontrar os clientes, os concorrentes e
de se mostrar para o mercado se renova a cada edição do maior evento
da indústria do plástico. Para Bazan, da Colorfix, o setor é grande e
proporcionalmente desorganizado. “Com um órgão, teríamos normas e um
nível de serviço melhor, além de mais integração na cadeia”,
argumentou.
O sócio-administrador da Cristal Master, Paulo Stefano Giammattei, vai
um pouco além. Ele propõe a criação de um selo de qualidade. Para ele,
do |
Cuca Jorge

Bazan criticou a falta de uma associação para os fabricantes |
total de fabricantes,
somente 10% teria condições de ganhar a certificação, caso esta existisse.
“Já pensei em fazer o selo, mas não há união no nosso setor”, reclamou.
Enquanto a ideia não se realiza, a Cristal Master tenta se diferenciar com
o foco no serviço. Porém o pré e o pós-venda também se sustentam em
inovação. Segundo Giammattei, novos produtos surgem no dia-a-dia da
produção. Pela primeira vez na Brasilplast, a Cristal comemorou
crescimento de 36% no faturamento, no ano passado, em relação a 2007. As
áreas responsáveis por este índice foram: os multifilamentos, os
não-tecidos e as embalagens flexíveis. Para este ano, o também sócio da
Cristal Master Luiz Carlos Reinert dos Santos prevê crescer 20%. A empresa
tem cinco anos no mercado e possui fábrica em Joinville-SC.
Muitas controvérsias surgem quando se tenta estabelecer dados precisos
desse setor. Há quem considere se tratar de um mercado de 85 ou de 95 mil
toneladas/ano. Quanto ao número de fabricantes, estima-se algo em torno de
140 com atuação no mercado brasileiro. Ou seja, exatidão não há. Mas,
números à parte, na opinião de Guzmán, o mercado está muito bem atendido,
no quesito volume, mas em termos de inovação, poucas são as companhias no
páreo. “O fabricante de master tem de apresentar uma solução, não é só
misturar pigmento”, concluiu Bazan, da Colorfix.
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