O Valox iQ* é produzido pelo upcycling de garrafas de PET pós-consumo. Após os tratamentos adequados, o material obtido das garrafas usadas é despolimerizado e utilizado como matéria-prima principal para a produção do PBT “supraciclado” – upcycled. A “supraciclagem” ocorre porque as garrafas descartadas, que não possuem propriedades de plásticos de engenharia, se transformam em um material com elevada resistência química, térmica e mecânica, adequado a aplicações com altos requisitos de propriedades, pois, após a etapa de despolimerização, a síntese do PBT é convencional, e o plástico obtido possui as mesmas propriedades do tradicional. O polímero já possui até grades carregados com 30% de fibra de vidro e classificação de retardância à chama V0, sem a presença de halogênios, e foi exposto ao público em peças técnicas, como um absorvedor de choque automotivo, ou peças com maior apelo ambiental, como “capinhas” para Ipods. A Sabic alega que cada quilo do novo poliéster consome até 850 g de PET pós-consumo (30 a 60 garrafas usadas), e que isso contribuiria para a diminuição da quantidade de garrafas descartadas no meio ambiente, bem como para a redução do consumo de matéria-prima fóssil para fabricar PBT. Outro ponto forte seria o processo de produção em si, com emissões 85% menores que a de outros termoplásticos de engenharia.

Outra atração “verde” nas ilhas temáticas do estande da Sabic foram as chapas de PC Lexan IR, lançadas há alguns anos e capazes de bloquear radiações infravermelhas. O PC, normalmente, consegue bloquear as radiações ultravioletas, mas não as infravermelhas, deixando passar, por isso, além da luz, o calor. O

Lexan IR, ao contrário, resiste à transmissão da radiação indesejada, colaborando para a manutenção de uma temperatura confortável em interiores sem perda da luminosidade. O impacto positivo para a natureza é apontado tanto em menos condicionadores de ar ligados quanto em menos luzes acesas.

Quem também apareceu no pavilhão do Anhembi, mesmo sem estande próprio, foi a norte-americana Eastman, e seu copoliéster Tritan. Este polímero tem algumas características muito melhoradas em relação a outros copoliésteres, principalmente maior resistência à temperatura, aos riscos e aos ataques químicos, com a vantagem de não conter bisfenol-A, um dos atuais candidatos a vilão da indústria química. Desde o lançamento mundial, na K 2007, até os tempos atuais, explicou Victor Fernandez, o Tritan se posicionou em mercados como o de garrafas para bebidas esportivas, mirado desde o lançamento, mas também em outros surgidos com o conhecimento do produto pelo mercado, como o segmento de mamadeiras, produtos em contato com alimentos e lava-louças.


Tritan não tem bisfenol-A e pode emplacar em mamadeiras

O material está sendo consumido principalmente nos EUA, seguido pela Europa, e mediante uma parceria com a Sasil, uma distribuidora de termoplásticos e produtos químicos de Salvador-BA, será oferecido com exclusividade em todo o Brasil, o primeiro país do cone sul a conhecê-lo. A Eastman, explicou Fernandez, sentiu a necessidade de um parceiro, “para atingir mais portas” no trabalho de apresentação do polímero à 

indústria. Fernando Caribé Filho, diretor-comercial da Sasil, afirmou que a empresa brasileira, desde o ano passado, já decidira, estrategicamente, ampliar a oferta de especialidades, com uma equipe exclusiva atendendo todo o território nacional, e a oportunidade com a Eastman veio a calhar.

A parceria foi fechada há pouco tempo, e o trabalho de divulgação do copoliéster na região da América do Sul apenas se inicia, mas Fernandez mostrou confiança no potencial de consumo do mercado regional, principalmente se novas regulamentações restringirem o uso do bisfenol-A e abrirem as portas de segmentos como o das mamadeiras. A própria capacidade de produção da Eastman para esse produto é limitada até o momento; e está sendo ampliada.


Fernandez e Caribé anunciam  acordo para a comercialização do copoliéster da Eastman

Rival para o POM copolímero – Outra expositora com várias linhas de resinas de engenharia, a DuPont programou lançamentos para a Brasilplast, como no caso das famílias de poliacetal Delrin e de polibutileno tereftalato Crastin. O grade de poliacetal (POM) homopolímero Delrin 300CP se diferencia pelas propriedades mecânicas, como alta resistência ao impacto e elevada rigidez combinadas a uma viscosidade de fundido relativamente baixa. Este tipo de plástico, informou Augusto Dornelles, gerente de aplicações para os segmentos industrial, de consumo e eletroeletrônicos, tem a maior rigidez mecânica intrínseca (sem considerar reforços) entre os plásticos de engenharia, o que o faz um candidato natural a peças que demandem a propriedade mecânica sem a adição da carga mineral, resultando em artigos moldados mais homogêneos e com comportamento mais isotrópico das propriedades.

O Delrin 300CP é denominado por Dornelles como um POM universal, pois não demanda elastômeros para atingir as propriedades de tenacidade e elongamento na ruptura que exibe, como acontece com outros poliacetais do mercado, copoliméricos. Esses POMs convencionais são muito utilizados em engrenagens, aplicação em que uma deficiência de tenacidade pode levar à fratura dos dentes e a falhas, e à qual se adequaria o novo produto. Outra oportunidade de negócios poderia surgir na produção de peças que normalmente geram sons indesejados, como bancos de automóveis, encostos de cadeiras e partes internas de eletrodomésticos, pois a tenacidade superior do termoplástico também contribui para reduzir o nível de ruídos, em comparação aos poliacetais concorrentes. Na feira, o material foi exposto em engrenagens e em peças de esteiras transportadoras.

A DuPont também introduziu novos graus do PBT Crastin, um produto já comercializado regularmente, mas que ganhou versões com estruturas moleculares modificadas e melhora de 30% nas propriedades de fluxo sem perda de propriedades mecânicas, em comparação às versões tradicionais. O produto traz as vantagens que viscosidades menores fazem supor: temperaturas e ciclos de operação menores, redução em custos com energia e janelas de processo mais maleáveis, que talvez expliquem a escolha de tantos outros fornecedores presentes à feira pela exposição de plásticos de engenharia dotados de alta fluidez, dada a busca constante do mercado por redução de custo.

As aplicações para os novos tipos de Crastin, segundo o gerente de marketing para polímeros de engenharia no Brasil, Walter Atolino, devem se concentrar nas usuais de PBT, que têm ganhado muitas peças do setor eletroeletrônico à custa do deslocamento da PA, nos últimos anos. Para Atolino, esse movimento decorre do aumento de temperatura ao qual essas peças têm sido submetidas, além de questões envolvendo precisão dimensional, resistência química, geometrias mais complexas e necessidade por gravação a laser. O gerente de marketing evitou comentar o tamanho do mercado brasileiro de PBT. Só informou que o consumo local é baixo, correspondendo a uma fração na casa de um dígito do mercado mundial. Muitas das peças feitas com o poliéster estão no segmento eletroeletrônico, que não é forte no país e, por possuírem pequenas dimensões, em geral, elas podem ser importadas sem um adicional proibitivo de custos por conta do frete. Assim, apesar da competitividade nacional na injeção da peça plástica, muitas acabam não sendo feitas por aqui.

A empresa ainda comunicou a plena comercialização de diversos polímeros de alto desempenho contendo matérias-primas renováveis, como os elastômeros termoplásticos Hytrel, os poliésteres termoplásticos Sorona EP e as PAs de cadeia longa Zytel RS.

Uma exposição pensada para trazer ao visitante o alcance do portfólio também foi vista no estande da Ticona, que amparou sua participação na Brasilplast em quatro pilares: a substituição de metais, a aparência, a eletrônica verde e os compósitos. As peças em exposição no estande refletiam esses conceitos, como nos casos de peças automotivas feitas com os poliacetais Hostaform e Celcon, com os compostos reforçados com fibra longa Celstran, ou com o polissulfeto de fenileno (PPS) Fortron. O mesmo


Celstran entra em compósitos para aeronáutica

Celstran foi visto nos “sanduíches” utilizados na produção de compósitos para a indústria aeronáutica, e na eletrônica verde, materiais como os polímeros de cristal líquido (LCPs), inerentemente retardantes de chama, sem a adição de halogênios, propriedade revelada também pelos poliésteres termoplásticos Riteflex XFR, também livres de halogênios.

A Solvay compareceu à Brasilplast com o firme propósito de passar a mensagem de que sua linha de polímeros de alto desempenho é a mais ampla do mercado. Não que a empresa seja a principal produtora, em volumes, de plásticos de engenharia, mas, para o gerente de polímeros especiais, Alexandre Guimarães, ela dispõe da maior quantidade de opções para a clientela.

Dessa feita, a Solvay apresentou peças como instrumentos cirúrgicos descartáveis feitos de poliarilamida (PARA) Ixef em novos grades coloridos, combinando acabamento superficial, rigidez e módulo extremamente alto e voltados principalmente à indústria médico-hospitalar. Embora a PARA possa parecer muito sofisticada para aplicações em descartáveis, Guimarães afirmou que esse tipo de mercado paga pela praticidade de uma ferramenta mais leve que a de metal, e com uma sensação ao toque bastante adequada.


Guimarães: Solvay tem a maior gama de plásticos de engenharia

Uma das grandes novidades da empresa foi uma conexão que ainda será lançada oficialmente pela Tigre, feita de polissulfona (PSU), para tubulações de água quente. O PSU é usado em conexões de água quente há mais de trinta anos, e a Tigre decidiu partir com uma linha de produtos adotando o material, embora já possuísse outra solução para água quente baseada em PVC clorado (cPVC), mas apenas para tubulações rígidas. As conexões agora desenvolvidas se destinam a tubulações flexíveis, de polietileno reticulado, mais práticas e com instalação muito mais fácil. “É a primeira conexão de água quente feita no Brasil com esse material”, gabou-se Guimarães.

O gerente também destacou peças moldadas com a PPA Amodel, como no caso de uma nova aplicação na carcaça da bomba de água do motor Zetec, da Ford, em substituição ao alumínio. O material pode ser fornecido em formulações resistentes ao etilenoglicol, e Guimarães afirmou estar “muito seguro” para dizer que em peças em contato com o fluido anticongelante, há poucas aplicações que o material não consegue satisfazer. Esse polímero também gera esperanças de negócios em sistemas de combustível, em face de normas para a emissão de voláteis mais rígidas, pois apresenta permeação muito mais baixa que náilons, em geral, muito utilizados hoje em dia.


Tigre opta por conexão de PSU para tubulação flexível conduzindo água quente

A empresa ainda espera resultados promissores de um novo polifenileno autorreforçado, que exibe propriedades de plásticos com altos teores de fibra de vidro sem utilizar a carga. O plástico chegou ao portfólio da Solvay pela aquisição de uma empresa, a MPT, e poderá ser utilizado em vários mercados, inclusive o médico-hospitalar e o aeronáutico, e deverá ser oferecido no Brasil, inicialmente na forma de semiacabados.

Adicionalmente, a expositora aproveitou a Brasilplast para reforçar a divulgação dos produtos fluorados da Solvay Solexis. Guimarães revelou que materiais como o PVDF têm futuro muito promissor no país, principalmente por causa do desenvolvimento da indústria de óleo e gás. O principal foco de aplicação para fluorpolímeros está nas indústrias química e petroquímica, graças à alta inércia química desse tipo de material.

 

 

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