Cuca Jorge


Variações no preço praticado pela
primeira e segunda geração freiam crescimento da indústria


Simone Ferro


A expectativa de crescer entre 8% e 10% em volume não se confirmou. Dados preliminares da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) mostram que o consumo aparente de transformados avançou apenas 5,31% em 2008, no comparativo com o ano anterior, com faturamento estimado de R$ 40,2 bilhões. Culpa da crise econômica, dos ianques americanos, dos chineses ou, como sugeriu o presidente Lula, dos brancos de olhos azuis?

Retóricas e crises à parte, a indústria de transformação de resinas plásticas, terceiro elo da cadeia petroquímica, enfrenta ano após ano as mesmas dificuldades que se constituem como fatores críticos para a elevação de sua competitividade e crescimento. Formado por mais de 11 mil empresas, das quais 72% empregam até 19 funcionários, o setor tem limitada capacidade de negociação e articulação com seus fornecedores, principalmente de insumos, sendo extremamente impactado pelas variações de preços dos dois outros elos da cadeia, a primeira e a segunda geração. E isso foi o que mais ocorreu em 2008.

Tais números constam da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, e do Relatório de Acompanhamento Setorial – Transformados Plásticos (volume III), elaborado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e de Tecnologia do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O presidente da Abiplast, Merheg Cachum, não arrisca previsões para 2009. “Não temos como prever o desempenho do setor porque o cenário ainda está incerto”, afirma. Porém, manifesta otimismo em relação à recuperação da indústria automobilística, impulsionada pela redução do IPI, e das expectativas positivas da construção civil. Aposta ainda no bom desempenho da Brasilplast 2009, de 4 a 8 de maio, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo.

Para Cachum, o setor brasileiro de transformação não ficou imune à crise, que afetou com mais intensidade as indústrias

Cuca Jorge

Cachum aposta no bom desempenho da exposição

exportadoras. “No Brasil, a situação é diferente de outros países. Não foi uma marolinha e nem um tsunami, principalmente porque o nosso sistema financeiro é sólido.” Atribui ainda parte das dificuldades do setor industrial nacional à alta carga tributária. “O governo reduz a taxa de IPI, as montadoras vendem mais carros. Os planos que estão aí são bons e funcionam, mas precisamos de soluções definitivas e não temporárias.”

Ressalta ainda as preocupações de sempre: a concorrência com os produtos manufaturados asiáticos, em especial da China, e o descompasso da balança comercial. Segundo informações da Abiplast, em 2008, o déficit da balança comercial ficou em US$ 996 milhões em faturamento e 155 mil toneladas em volume.

Balança comercial – As exportações totais de produtos transformados de plástico registraram mais de US$ 1,3 milhão (FOB), correspondentes a 332 mil toneladas, enquanto as importações totais nesse mesmo período alcançaram mais de US$ 2,3 milhões (FOB), ou 487 mil toneladas. “Comparando-se as importações totais com o ano anterior, houve um crescimento de 30,4% em valor e de 18,6% em peso”, analisa o gerente-executivo do programa Export Plastic, Marco Wydra.

Já as exportações cresceram 17,5% em valor e caíram 0,2% em peso em relação a 2007. No comparativo entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, as exportações caíram mais de 31% e as importações menos de 1%. Por blocos econômicos, as vendas externas se concentram no Mercosul (33%), seguido dos demais países da Aladi (25%) e União Europeia (13%). Os principais mercados foram a Argentina (26%), Estados Unidos (14%), Chile (7%), Países Baixos (Holanda) (6%) e Venezuela (5%). As importações tiveram origem na União Europeia (30%), depois Ásia, excluindo Oriente Médio (27%) e Mercosul (19%).

De acordo com a Abiplast, a participação da China no total das importações de transformados apresentou acentuado aumento em peso e faturamento nos últimos dez anos. “O crescimento mais acelerado ocorreu nos últimos cinco anos”, diz Cachum.

Em 1998, as importações da China representavam 2,51% em valor e 4,75% em peso. Em 2007, esse percentual já atingia 11,26% em valor e 20,9% em peso. No primeiro semestre de 2008, o mercado registrou alta de 57,45% em valor e 25,54% em peso, no comparativo com o mesmo período de 2007.



“Os números demonstram a forte ampliação da participação chinesa no mercado nacional, o que é extremamente preocupante”, avalia Cachum.

O valor por tonelada importada nos últimos cinco anos também aumentou. Em 2003, era de aproximadamente US$ 1,2 mil a t. Em 2007, o valor médio foi de US$ 2,4 mil por t.
De acordo com a Abiplast, os principais produtos importados são praticamente os mesmos desde o ano 2000: utilidades domésticas, fitas autoadesivas, objetos de ornamentação, artigos de higiene, estojos de CD, artigos de escritórios, sacos e chapas de PVC, bolas infláveis, escovas de dente, não-tecidos, tendas de fibras sintéticas, armações para óculos e redes para pesca.

 

 

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