Muitos investimentos, não por acaso, se voltaram para o sopro de PET. A Romi comprou a linha completa de sopradoras para pré-formas de PET da Digmotor Equipamentos Eletromecânicos Digitais. Como esse segmento não era coberto pela empresa, por uma decisão estratégica, foi feito um acordo de cessão de direitos e de transferência de tecnologia. Por isso, quem visitar o estande verá essa nova faceta da Romi, com a Sopradora 230 PET. Para sopro de pré-formas com alta produção de frascos e garrafas, a máquina permite moldes de até duas cavidades de até 3 litros cada e conta com processo 100% automático. Durante a feira, a máquina estará em operação, produzindo garrafas de 1 litro de óleo comestível. Estima-se a fabricação de 2.500 peças por hora. De acordo com o diretor, esse é um primeiro passo no segmento, no caso, mais focado no pequeno envasador. No futuro, aí sim irá concorrer com as máquinas de injeção-sopro. “Por enquanto, vamos só soprar a pré-forma”, anunciou. Em tempo, algumas das principais companhias do ramo de injeção-sopro, como Krones, Nissei ASB e Sidel, não participarão da 12ª Brasilplast.

A Romi também aproveitará a visibilidade do maior evento do plástico na região para ratificar que incorporou a tecnologia e toda a estrutura comercial e industrial da J.A.C., desde o ano passado. No entanto, o interesse principal será mesmo fazer negócios, a ponto de o estande ter sido projetado e equipado com vinte salas para esse fim. “A feira terá um papel importante de mostrar a confiança da indústria no mercado e esta precisa investir e provar seu crescimento, tanto para o brasileiro como para o estrangeiro”, atestou o diretor.

É consenso: ninguém pode prever com precisão quanto a feira irá movimentar. Cada um tem sua própria percepção. Com a experiência de quem participa do evento desde 1997, a Pintarelli Industrial aposta que, até maio, os efeitos da crise mundial estarão amenizados e equacionados. “Na época, a retomada de crescimento estará em andamento e permitirá a realização de bons negócios na feira”, comentou seu diretor. Por conta dessa postura, reservou para o evento o lançamento da máquina Sopratica. Trata-se de uma nova série, complementando as duas linhas já tradicionais: a Stamarq e a Versátile. A escolha se dá por um modelo de pequeno porte, para transformar PP, PEBD e PEAD em embalagens de até 4 litros. “O principal atrativo é sua simplicidade e excelente relação custo/benefício”, ressaltou Pintarelli.

A Jomar, por sua vez, expõe na Brasilplast desde 1993, mas Lüters não está tão confiante como o fabricante nacional. “Não estou esperando grandes novidades no quesito tecnológico”, disse. Apesar de não prever muita inovação na 12ª Brasilplast, para ele, o momento atual exige alguns aprimoramentos dos fabricantes, como a redução de custos e da mão-de-obra aplicada aos processos. “Devemos investir em equipamentos com maior automatização. Tirando somente o ‘s’, podemos mudar a ‘crise no Brasil’ para ‘crie no Brasil’. Devemos preparar o mercado para os negócios nos próximos anos”, afirmou.

Entre as tendências, ao que tudo indica, a tecnologia coex anunciada no passado ficou no ideário da indústria e não terá força na Brasilplast deste ano. Uma das principais entusiastas do conceito, a fabricante de máquinas de origem alemã Bekum do Brasil, estará de fora desta edição, talvez como prenúncio de que o projeto desse tipo de máquina demande mais tempo para se maturar. A Pintarelli buscou parceiros para desenvolver equipamentos para o mercado de embalagens coextrudadas, no entanto, ainda vê como prematuro sua entrada no segmento. De acordo com Pintarelli, essa tecnologia pode se aproveitar de uma brecha do setor e poderá crescer em participação nos segmentos dos frascos de grandes volumes e peças técnicas, pela

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Lüters aposta em modelos com mais automatização

facilidade de aproveitamento do material reciclado. Na análise de Seabra, da Romi, apesar de não descartar atuar nesse setor no futuro, a aplicação aparece de uma necessidade e, por enquanto, esta ainda não sustenta investimentos. “A Romi é aberta a todas as possibilidades”, ressaltou.

Alemã perde o fôlego - A Bekum do Brasil é um caso à parte, neste cenário da indústria nacional do sopro. Ausente desta edição da Brasilplast, a unidade vive um momento muito diferente do das edições anteriores: em 2005, comemorava 30 anos de permanência em território brasileiro e, hoje, amarga a redução da produção local. Em 20 de janeiro deste ano, a empresa dispensou cerca de sessenta funcionários, como resultado de uma reorganização do grupo alemão. Segundo os funcionários da Bekum do Brasil, Rosário Campanela, coordenadora de vendas, e Paulo Viana, engenheiro de vendas, após darem os primeiros passos dentro da nova estrutura, prevê-se comercializar os modelos que mais aceitação tiveram no mercado, como a BA25, além de fomentar as vendas das máquinas alemãs e manter uma área destinada à venda de peças e serviços de assistência técnica. No momento, a unidade encontra-se em recuperação judicial, ou seja, passa por um período de reestruturação. Por outro lado, de acordo com a advogada Anneliese Moritz do escritório Felsberg e Associados, o Sindicado dos Metalúrgicos pleiteia a reintegração dos funcionários e, por enquanto, devido à ação do sindicato, não há previsão de quando voltará a operar normalmente.

De alguma forma, Zanetti não se surpreenderá com a ausência do estande da Bekum do Brasil, no evento. Ele levantou a hipótese de que novidades quanto à composição das empresas, como fusões e saída de algumas outras do mercado, poderiam acontecer. “Isso ocorrerá em razão da crise e das oportunidades que surgem nessa área”, comentou. Essa nova configuração do setor abre uma lacuna para a Romi, hoje, detentora da terceira posição, entre as maiores do sopro, em vendas de máquinas, atrás da Pavan Zanetti e da própria Bekum do Brasil, subir nesse ranking, mais rápido do que estimava. Desde o começo de 2008, quando essa importante fabricante de injetoras adquiriu a J.A.C., os esforços vieram no sentido de incorporar mais tecnologia às sopradoras e ampliar a participação de mercado. “Vamos chegar a ser os primeiros no sopro”, projetou Seabra, no final de 2008.

Novo cenário - A concorrência, no entanto, tem um grupo de peso, cada vez mais forte: o dos modelos asiáticos. A Meggaplastico, do grupo Megga, pretende quebrar os paradigmas desse mercado. O seu gerente-comercial, Marcelo Pruaño, quer mostrar que as máquinas devem ser vistas muito além de sua procedência, seja para o bem ou para o mal. Em outras palavras, a intenção é convencer o visitante que o título alemão não implica soberania, necessariamente, nem o contrário seria verdadeiro, no caso dos modelos chineses, por exemplo.

Pruaño disse que o estigma de que máquinas de origem asiática não são boas caiu por terra há uns dez anos. Em seu portfólio conta com a marca chinesa Invex, nesse caso, por exemplo, ele ressaltou que é tudo produzido com alta qualidade por lá, no entanto, por causa da escala, consegue-se aplicar um preço competitivo no Brasil, apesar dos impostos de importação. Muitos oportunistas, segundo ele, só trazem para o país equipamentos de segunda linha, mais baratos, porém a sobrevivência tem sido de produtos com tecnologia e qualidade. “O cliente busca um preço acessível, mas, sobretudo, tecnologia”, argumentou. Sua aposta é de que há um filtro capaz de selecionar quem está estruturado e apto a atender às exigências da transformação nacional.

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Pruaño: segmento de embalagens técnicas saiu incólume à crise

Mas nem só de tecnologia se faz esse tipo de venda. A companhia se propõe também a oferecer financiamento público e assistência técnica profissional. “Não podemos especificar o mercado de acordo com a origem da máquina, mas sim pela necessidade do cliente. Ou seja, não vendo o que a máquina é e sim o que ela faz”, insistiu. A empresa começou no mercado plástico com modelos para a injeção, mas Pruaño está confiante de que a procura maior, na feira, será pelo sopro. Essa previsão tem um porquê: a demanda por sopradoras não sofreu queda, na companhia. Essa área representa 15% das vendas da Meggaplastico e deve continuar assim em 2009.

A empresa atua em duas frentes: no sopro convencional, com a linha Invex, e no estiramento sopro, com a Chumpower (de Taiwan). “O PET estará forte na Brasilplast, porque é uma grande tendência de mercado”, diagnosticou Pruaño. Por isso, mostrará na feira a série CPSB. Trata-se de uma máquina automática e para altas produções. É capaz de fabricar 6.500 frascos de até 200 ml por hora. A ideia é emplacar o modelo em aplicações nas quais o plástico possa substituir o vidro, como nos setores de higiene pessoal e perfumaria.

Esses dois segmentos, aliás, não vão muito bem, no momento. Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, em 2008, houve retração nos principais mercados consumidores de embalagens em relação ao ano anterior, como o de alimentos, bebidas, produtos de limpeza, cosméticos e perfumaria. Somente a indústria farmacêutica não apresentou redução de faturamento em relação ao ano anterior. No entanto, o cenário inspira confiança. Muitos industriais acreditam na recuperação, sobretudo das áreas de cosméticos e de perfumaria. “Aposto no bom desenvolvimento desses dois setores, já que vivem principalmente de inovações”, comentou Lüters.

Apesar de a Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) não possuir dados específicos sobre a penetração da resina no setor de cosméticos o seu uso é cada vez maior. Outro ponto salutar se refere à reciclabilidade do PET – trata-se do termoplástico mais reciclado no país. No entanto, apesar da importância dessa característica, o fator determinante ainda é o aspecto final da embalagem conferido graças às suas propriedades. Em tempo: a Associação Brasileira de Embalagem (Abre) estima que o mercado de embalagem plástica em 2009 absorverá 461 mil t de PET.

Na Brasilplast anterior, o avanço do PET em alguns segmentos específicos impulsionou as vendas de injeção-sopro. A Pavan Zanetti trabalha com essa possibilidade, mas ainda acredita no potencial do PEAD, nesses setores. “Sabemos que o PET tem crescido além do previsto, por causa do preço da resina e da utilização crescente do reciclado, e até mesmo por conta da liberação do uso da resina em áreas antes proibidas”, comentou Zanetti.

A venda de máquinas estrangeiras no país, como já sabido, sofre com os altos custos de importação. No entanto, algumas tecnologias específicas tentam burlar essa dificuldade por causa de sua escassez entre os fabricantes nacionais. Esse é o caso da injeção-sopro clássica, sem estiramento, que ainda ocupa um espaço reduzido no sopro brasileiro. De acordo com Lüters, em países onde há menor concorrência nacional e reduzido custo de importação, existe geralmente uma preferência pela injeção-sopro, até para embalagens que no Brasil são fabricadas utilizando-se sopro convencional.

Ele creditou essa predileção às características dessa tecnologia, que vêm ao encontro das exigências atuais do transformador, como a fabricação sem rebarbas, a possibilidade do uso de moldes de até 30 cavidades, menores tolerâncias no gargalo, nas paredes e nas dimensões em geral, melhor custo/benefício, sobretudo na produção de frascos menores de 250 ml, e automatização do processo em quase 100%.

 

 

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