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O vice-presidente-executivo da Braskem, porém, não teme um quadro de
explosão da oferta. Segundo ele, as plantas do Oriente Médio que já
entraram em operação estão deslocando outras de menor competitividade na
Europa e nos Estados Unidos, onde há uma série de paradas definitivas, ou
fábricas em hibernação por período indeterminado. Os cronogramas atrasados
de outras unidades nos países da região, por dificuldades técnicas ou à
espera de uma melhor oportunidade de mercado para entrar em operação,
também aquietam os ânimos.
O presidente do Siresp pensa de modo semelhante. Para ele, as resinas do
Oriente Médio não devem ter o mesmo impacto que teriam antes da crise,
quando a cotação do petróleo beirava os US$ 150 dólares. Com o óleo
custando um terço disso, a realidade hoje é outra. “A vantagem competitiva
dos preços das matérias-primas reduziu e o quadro atual concede um menor
incentivo perante os preços internacionais, que registraram forte queda”,
pondera.
A propósito, os preços praticados pela indústria brasileira de resinas têm
provocado um constante cabo-de-guerra com a transformação. Neste caso,
Mallmann também assegura que o quadro hoje é outro: “Os preços caminham
para um alinhamento e o momento atual é mais indutor de uma visão
integrada da cadeia produtiva do que de disputa entre petroquímicas e
transformadores.”
A projeção dele para o mercado doméstico neste ano é de um leve
crescimento, em concordância com Zuñeda, para quem o setor plástico
brasileiro conta com grandes boas empresas, dirigidas por bons
empresários. A discussão do crescimento, acredita o diretor da Maxiquim,
se dará em torno de como fortalecer pequenas e médias empresas, igualmente
conduzidas por bons empresários.
Hora certa e mercado-alvo – Integração concluída, a discussão agora
envolve o ambicioso projeto Comperj, o Complexo Petroquímico do Rio de
Janeiro, de mais de 8 bilhões de dólares, capitaneado pela Petrobras, que
prevê uma nova rota para a produção de resinas: craquear óleo pesado para
produzir eteno e propeno, insumos básicos para a síntese de polietilenos e
polipropileno.

O complexo terá capacidade para processar 150 mil barris/dia de óleo
pesado nacional e contará com uma unidade de refino de primeira geração
para a produção de petroquímicos básicos (1,3 milhão de t/ano de eteno,
880 mil t/ano de propeno, 600 mil t/ano de benzeno, 157 mil t/ano de
butadieno e 700 mil t/ano de paraxileno), bem como um conjunto de unidades
de segunda geração, produtoras de polímeros. Além de 800 mil toneladas
anuais de polietilenos e 850 mil de polipropileno, serão produzidas no
complexo 500 mil t/ano de estireno, além de outros insumos (etileno-glicol,
PTA e PET). Já em andamento, as obras de terraplenagem devem ser
concluídas no final deste ano.
A entrada em operação está prevista para 2012, mas a sua estrutura
societária ainda não foi definida. No início de fevereiro, a Petrobras
constituiu seis subsidiárias integrais, inicialmente, com 100% do capital
total e votante dessas companhias. São elas: Comperj Participações S.A.,
que deterá as participações da Petrobras nas sociedades produtoras do
Comperj, Comperj Petroquímicos Básicos S.A., Comperj PET S.A., Comperj
Estirênicos S.A., Comperj MEG S.A., e Comperj Poliolefinas S.A. A criação
dessas empresas inicia a fase de preparação do projeto para a entrada de
potenciais sócios. Os dois maiores produtores de poliolefinas do país –
Quattor e Braskem – são os candidatos naturais ao empreendimento.
O presidente da Quattor diz estar avaliando o projeto. Mallmann pondera
ser necessário estudar a questão de tempo – quando entrar? –,
considerando-se a oferta e a demanda; e também o destino dessa produção –
quais serão os mercados-alvo? Eles se coincidem com os focados pela
empresa? “Além do mais, é preciso ter preços de matérias-primas
competitivas”, ressalva Mallmann.
A Braskem também assegura ter interesse em oportunidades de expansão no
Brasil. “Desde que com acesso a matérias-primas competitivas e em uma
janela de mercado oportuna”, pede igualmente Mendonça.
Na opinião de Zuñeda, o preço do petróleo deverá atingir um patamar de US$
60 o barril, cotação que viabiliza o projeto. Destaca, ainda, que mesmo
com a crise será preciso investir, porque haverá crescimento e, na
avaliação dele, a próxima década exigirá outro ciclo de expansão em eteno.
O insumo verde via etanol ajudará, mas não dará o volume de balanço de
oferta necessário.
Para o diretor da Maxiquim, o balanço de oferta da petroquímica em termos
de eteno e propeno será movimentado via refinaria. “Tem que ter
investimento de um milhão de toneladas e esse aporte, acredito, se dará
pelo Comperj, com a participação da Quattor e da Braskem, ou de uma delas.
Ambas irão buscar matéria-prima competitiva e o Comperj terá, por meio do
petróleo pesado”, aposta.
Investimentos – Existe hoje no mercado nacional um grande excedente
na oferta de resinas, em particular de polietileno e polipropileno. A
capacidade produtiva de polietilenos supera três milhões de toneladas,
enquanto o consumo aparente desses polímeros ficou em dois milhões de
toneladas no ano passado. O caso do polipropileno é semelhante. A
capacidade nacional ultrapassa dois milhões de toneladas, mas o consumo
atingiu pouco mais da metade desse volume no ano passado: 1,3 milhão de
toneladas. O mercado de poliestireno tem à sua disposição mais de 600 mil
toneladas, enquanto absorveu igualmente pouco mais da metade desse total
(338 mil t). A exceção fica com o policloreto de vinila, dependente de
importações, com uma capacidade instalada da ordem de 800 mil toneladas
para uma demanda acima de um milhão de toneladas no ano passado.
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Até o terceiro trimestre
de 2008, o setor plástico cresceu muito. A expansão, da ordem de 9%
nas contas de Mendonça, foi puxada pelas indústrias de construção
civil, automotiva e de eletrodomésticos. O último trimestre, porém,
foi marcado pelo declínio nos negócios. A retração de crédito gerada
pela crise internacional induziu a cadeia a consumir seus estoques. “O
ano de 2008 fechou praticamente em linha com 2007, exceção feita ao
PVC, que encerrou o ano com 14% de crescimento”, comenta Mendonça.
O freio na demanda impôs uma revisão nas suas projeções de expansão.
“Novos investimentos para atender o mercado doméstico só seriam
necessários a partir de 2015 ou 2016”, calcula o
vice-presidente-executivo da Braskem. Mesmo assim, os projetos da
empresa seguem adiante. Segundo ele, os empreendimentos na Venezuela
são estratégicos. Também correm em paralelo, negociações com o Peru e
a Bolívia. “Buscamos matéria-prima competitiva em patamares
comparáveis aos players do Oriente Médio”, justifica. |
Divulgação

Mendonça prevê
crescimento na demanda dos plásticos |
No país, a prioridade são
os polímeros verdes. A empresa planeja polimerizar 200 mil toneladas
anuais de PE com base em eteno obtido de álcool de cana-de-açúcar, com
operações iniciais previstas para 2011. A Braskem também estuda a produção
de polipropileno com insumo de origem vegetal. Na mesma época em que prevê
inaugurar a unidade dos biopolímeros, a produtora de resinas planeja
também elevar em 200 mil toneladas a sua capacidade instalada de PVC.
Na Venezuela, a empresa toca dois projetos integrados, em parceria
paritária com a Pequiven, que resultou em duas joint ventures: a Propilsur
e a Polimérica. A primeira absorverá investimentos estimados em US$ 880
milhões e terá capacidade para processar 450 mil toneladas anuais de
polipropileno, com entrada de operações prevista para 2010. Com aporte
estimado em US$ 2,6 bilhões, a Polimérica representa um complexo de
polietileno obtido de gás natural, cuja capacidade instalada supera 1,1
milhão de toneladas anuais e tem previsão de começar a operar em 2012.
Na Bolívia, os planos envolvem a Yacimientos Petrolíferos Fiscales
Bolivianos (YPFB) para implantação de um complexo petroquímico baseado em
etano, no sul do país. No Peru, a Braskem estuda com a Petróleos del Perú
(PetroPerú) a viabilidade de construir um complexo integrado para produzir
entre 700 mil e 1,2 milhão de toneladas de polietilenos com base em gás
natural.
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Ainda neste ano, a Quattor conclui investimentos da monta de R$ 2,3
milhões, iniciados em 2005. Os recursos contemplam elevação do cracker em
40%, ampliação dos intermediários químicos, nova linha produtiva de 250
mil toneladas anuais de polietilenos (PEAD, PELBD metalocênico e PELBD) e
190 mil toneladas adicionais de polipropileno. Esses dados englobam as
unidades de Mauá, no polo do ABC, em São Paulo, e Duque de Caxias, no Rio
de Janeiro. A prioridade da empresa, afirma Mallmann, é concluir o projeto
e destinar esse potencial de capacidade.
Finalizada a ampliação em São Paulo, que se dará com parcela importante
para gás de refinaria na produção de etileno, a capacidade total desse
insumo subirá para cerca de 1,2 milhão de toneladas, além de cerca de um
milhão de toneladas de polietileno e da ordem de 870 mil toneladas de
polipropileno. |
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O PVC também ganhou uma oferta adicional com o término da fase I, no
início deste ano, de aumento da capacidade produtiva da Solvay Indupa. A
planta contemplou um extra de 30 mil t e atinge agora 300 mil toneladas
anuais da resina. A segunda etapa prevê alcançar 350 mil t entre o final
de 2010 e o início de 2011, isso sem considerar o volume adicional de 60
mil toneladas anuais de PVC derivado do bioetileno. Até 2010, a capacidade
da planta argentina também expandirá, das atuais 220 mil para 240 mil
toneladas anuais.
Previsões alentadoras – O ano passado foi histórico para a Quattor,
na opinião de Mallmann, pois marcou a criação da empresa, o que foi
fundamental para dar condições mais amplas de competitividade e integração
à cadeia do plástico. “Esse fato permitiu a reação rápida do setor às
novas condições do mercado, deu uma musculatura que antes não tinha”,
assevera. Para ele, antes da reestruturação, as empresas isoladas estariam
em condições complicadas no contexto atual da crise. O mercado reagiu e
suas expectativas são positivas para o ano. “Especialmente porque existe
espaço que foi ocupado pelas importações.”
Em 2008, a Braskem efetuou paradas programadas de manutenção em Camaçari,
na Bahia, e em Triunfo, no Rio Grande do Sul, e reduziu as suas operações
durante o quarto trimestre, a fim de equalizar os estoques perante a queda
abrupta na demanda global, a partir de setembro. De acordo com Mendonça, a
produção total de resinas deprimiu 4% comparada a 2007, mas o maior efeito
recaiu nos polietilenos, que encolheram 12%. As produções de PP e de PVC,
ao contrário, subiram 3% e 12%, nessa ordem. “As vendas totais de resinas
reduziram 8%.”
A despeito das dificuldades impostas pela recessão global, o Brasil deve
crescer, ainda que pouco. Esse crescimento, combinado com a reposição de
estoques, delineia um panorama positivo para o ano. “Acreditamos em um
aumento da demanda da ordem de 5%”, diz o otimista Mendonça. Ele sustenta
sua tese com base na apreciação do dólar, que torna mais competitivos os
produtos brasileiros no mercado internacional e tem efeito oposto nas
importações. “Se por um lado a crise impacta fortemente a demanda global,
poderão surgir boas oportunidades no mercado interno e janelas para
exportação”, prognostica.
Sob o ponto de vista do vice-presidente-executivo da Braskem, a inovação e
a busca por maior produtividade ainda se mostram as melhores saídas para
superar as adversidades e ele também destaca duas conquistas da empresa no
ano passado: o desenvolvimento, em parceria com a Whirlpool, de uma linha
inovadora de lavadoras de roupas com cerca de 70% de plástico, basicamente
polipropileno – o dobro do utilizado nas lavadoras tradicionais; e, fruto
de uma parceria com a Fortlev, o lançamento de uma cisterna de polietileno
que substitui com vantagens a similar de concreto e dispensa obras para
sua instalação.
Também a Solvay Indupa enxerga um mercado estável em 2009, com um pequeno
crescimento. O gerente de comunicação da empresa, Édison Carlos, baseia-se
no fato de as obras iniciadas no ano passado começarem somente agora a
empregar mais PVC, com aplicações nas fases de instalação hidráulica e
elétrica, e no acabamento, com janelas, pisos, forros e outros itens. Ele
também prevê boas perspectivas com os projetos de investimentos do PAC e
nas campanhas governamentais para estimular o consumo. “Isso tende a
melhorar o nível de confiança das empresas e do mercado.”
No caso do poliestireno, o impacto da crise encolheu o consumo aparente em
8% no quarto trimestre do ano passado. O sumiço do crédito impactou
setores estratégicos para o consumo da resina: refrigeração, comunicação e
computação, entre outros. “Como estratégia para enfrentar a situação,
buscamos identificar e entender antecipadamente as tendências do mercado,
para atuar de forma ágil e alinhada às necessidades do setor”, informa
Fleischhauer. Além disso, a Basf procurou diminuir seus estoques e
aumentar a eficiência dos processos, entre outras medidas.
Na avaliação dos gerentes da Americas Styrenics, 2008 tinha tudo para ser
o melhor dos últimos cinco anos para o mercado brasileiro de poliestireno.
A empresa, contudo, vê como aspectos positivos a consolidação de seu grade
Styron A-Tech 1115 em substituição à resina de ABS no segmento de
refrigeração e a entrada da variedade de poliestireno com resistência à
ignição (grade 6049) no mercado das flats TVs, aquelas modernas e
fininhas.
Tendência verde – A maior preocupação global em preservar a
natureza, associada à cotação do petróleo para além dos US$ 100,
incentivou diversas medidas em prol do desenvolvimento de produtos
oriundos de fontes renováveis e de tecnologias “amigas” do meio ambiente.
Criou-se a onda do desenvolvimento sustentável. Os investimentos pipocam
em todo o planeta e são vultosos. Com a recessão já instalada em muitas
nações e espreitando outras, associada à queda na cotação do óleo negro
para abaixo dos US$ 60, a dúvida é: como ficam esses projetos? Caso percam
a competitividade, a questão ambiental soará mais alto?
A Solvay garante que sim, manterá seus planos. “O investimento é
estratégico e não se limita a ter um produto de fonte renovável. É uma
estratégia de longo prazo e se constitui numa alternativa confiável de
matéria-prima para o futuro”, assevera Carlos.
De acordo com Mendonça, o projeto de polietileno “verde” da Braskem teve
seu ponto de partida em cenário de petróleo abaixo de US$ 50 o barril e já
se mostrava competitivo. “O que aconteceu em 2008 foi uma enorme
volatilidade e uma supervalorização do petróleo, que superou US$ 140 o
barril. Voltamos à situação original e o projeto continua competitivo.” A
empresa lançará em breve a pedra fundamental da nova planta.
Para Mallmann, a demanda por fontes renováveis de produção é uma questão
importante, embora o item custo precise ser equacionado pelos potenciais
fabricantes. A própria Quattor se insere nesse rol. No final do ano
passado, a empresa anunciou um projeto para produzir propeno baseado em
glicerina, com tecnologia inédita em âmbito global. Na avaliação do
presidente da empresa, o fator fonte renovável causa impacto positivo na
resina obtida com tais insumos e constitui um diferencial de mercado a ser
explorado. Vale atentar para a probabilidade de adoção por alguns países
de um “protecionismo verde”. Há indícios de uma imposição nos Estados
Unidos de “tarifas de carbono”, uma restrição às nações que não seguirem
os mesmos esforços para reduzir as emissões de dióxido de carbono. As
mudanças climáticas soam como boas justificativas para a medida e
facilitam a sua adoção pelos líderes mundiais.
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