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O coordenador da Coplast considera positivo o desempenho do setor no
acumulado do ano, mesmo com os efeitos deletérios da crise no último
trimestre de 2008. Afinal, o crescimento poderia ter sido maior. De
qualquer modo, houve aumento significativo no consumo de resinas no ano
passado, mesmo com a queda nas vendas no último trimestre, em decorrência
do movimento de redução dos estoques na cadeia produtiva.
A despeito do quadro incerto, Tellechea prevê bons resultados também neste
ano: “A economia mundial passa por uma fase de adaptação a novos patamares
de consumo, produção e preços. Acredito, porém, que a demanda por
plásticos voltará a crescer brevemente e a indústria brasileira está
preparada para atender a esse aumento.”
Na avaliação de Chammas, a cadeia produtiva trabalha hoje com estoques
mais baixos, quase regularizados. Começa-se a ter o consumo real de toda a
cadeia produtiva. Para ele, a crise afetou menos o setor de alimentos, o
que favoreceu as indústrias de embalagens, mantendo o bom nível de
transformação. Já os bens duráveis apontam tendência de menores índices de
crescimento. Ele prevê um melhor desempenho nos segmentos ligados ao
consumo diário; nos incentivados, como o de automóveis; e nos sazonais.
“Agora entramos no momento agrícola de consumo de fertilizantes, o que
deve impulsionar o mercado de ráfia”, exemplifica Chammas.
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Reforço doméstico – A cadeia do plástico comparece nesta
Brasilplast com uma disposição revitalizada para estimular o mercado
interno, na opinião de João Luiz Zuñeda, diretor da Maxiquim Assessoria de
Mercado, consultoria com forte atuação nos segmentos das commodities
petroquímicas e resinas termoplásticas, entre outros assuntos do gênero.
“O momento é de se ter um olhar mais detalhado para a demanda agregada
brasileira”, preconiza.
Por demanda agregada, entenda-se aquela que cresce por meio do consumo das
famílias e dos investimentos, que nesta fase se dará por intermédio de
programas do governo. As grandes oportunidades para aumentar o consumo de
plástico são os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família,
e de investimentos |
Divulgação

Para Zuñeda, o momento
pede atenção à demanda agregada |
públicos e privados, como o PAC. “Podem ajudar
sensivelmente em nosso futuro econômico, tanto na crise atual como nas
próximas décadas”, avalia Zuñeda. O papel do governo será fundamental nos
próximos dois anos, no entendimento dele.
“O setor plástico precisará enxergar que o Bolsa Família é um programa que
injetará o consumo de plástico na veia”, metaforiza o diretor da Maxiquim.
Ele alude, em especial, ao forte impacto das embalagens plásticas na
indústria alimentícia. O presidente do Siresp, Vítor Mallmann, concorda:
“Os bens de consumo não-duráveis constituem um bom espaço para a indústria
do plástico.”

Nas prospecções de médio e longo prazo, porém, o setor deverá olhar mais
atentamente para o PAC. “O crescimento será fundamentado em oportunidades
oferecidas pelo programa, por bens duráveis”, decreta Zuñeda. Partidário
da mesma opinião, Chammas ainda ressalta que os investimentos no PAC
conferem um duplo efeito: “Além de fazer a economia rodar e gerar emprego,
as obras de infraestrutura aumentam o consumo, em um primeiro momento, e
têm efeito multiplicador de riquezas, em um segundo.”
As últimas medidas adotadas pelo governo convergem a favor desses pontos
de vista. Em uma de suas investidas para combater os impactos da crise
financeira internacional, o presidente Lula anunciou programa habitacional
que oferece condições para a população de baixa renda. O plano prevê
investimentos de R$ 34 bilhões para a construção de um milhão de
habitações. Intenções: combater a crise, gerar emprego e reduzir o déficit
de moradias.
A indústria de construção civil ainda alimentará por um bom tempo, e antes
mesmo dos novos empreendimentos, a demanda de PVC, uma das resinas mais
empregadas nesse segmento. Ocorre que as obras em andamento devem ser
concluídas, e é nessa etapa que entram os tubos, janelas, portas e outros
itens de PVC. “Também se olharmos para as áreas de saneamento e
infraestrutura, ainda há muito a ser feito no país”, complementa o
presidente do Siresp.
 
A demanda doméstica é a principal via condutora para o PVC, pondera o
gerente de comunicação e assuntos corporativos da Solvay Indupa, Édison
Carlos. E o fato é que o Brasil e toda a América do Sul possuem grandes
carências de habitação, água e saneamento básico. Para alento dos
fabricantes da resina, mais da metade do mercado de PVC segue para
aplicações da construção civil e de infraestrutura. “Há muito espaço para
o PVC no mercado local. Nesse sentido, a Solvay Indupa está muito bem
posicionada com suas plantas em São Paulo e em Bahía Blanca, na
Argentina”, ressalta.
Os tempos difíceis têm lá seus aspectos positivos e um deles é o maior
foco que o consumidor doméstico receberá nesse momento, pois nele se
concentrarão as maiores expectativas de reversão no quadro global de
demanda reprimida. Lógico, portanto, que as indústrias procurem
preservá-lo e estimulá-lo. “Com a crise, os países estarão mais
protecionistas. A Europa e os Estados Unidos tendem a buscar o
fortalecimento de seus consumos internos, e o Brasil está seguindo esse
mesmo caminho”, diz Zuñeda.

Um estudo elaborado pelo Banco Mundial e divulgado em meados de março
revela que a maior parte dos países do G20, grupo das nações ricas e das
emergentes, está tomando atitudes do gênero, desde novembro do ano
passado, em decorrência do recrudescimento da crise financeira global. O
levantamento faz menção ao Brasil também. Cita a redução do IPI para os
carros e a tentativa, esboçada em janeiro e logo depois descartada, de
restringir as importações. Entre as medidas protecionistas relacionadas no
estudo constam novos subsídios às exportações, anunciados pela União
Europeia aos produtos agrícolas, e reduções de impostos para exportadores,
aplicadas pela China e Índia. O pacote de estímulo dos Estados Unidos
também dispõe de uma cláusula que preconiza a compra de material produzido
no país.
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Cadeia mais unida –
Proteger o mercado doméstico é justamente uma das principais
diretrizes da indústria brasileira de resinas termoplásticas. Vítor
Mallmann ressalta com todas as letras que a prioridade é fortalecer o
parque transformador interno e defendê-lo das importações. “A primeira
meta é desenvolver e preservar o mercado doméstico; a segunda,
aprimorar os mecanismos da exportação.”
A proteção do mercado interno a fim de garantir a atividade econômica
ativa é natural em um momento de crise, como a vivenciada atualmente.
Tal é o ponto de vista de |
Cuca Jorge

Mallmann sai em
defesa do mercado local |
Andreas Fleischhauer,
diretor de estirênicos para a América do Sul da Basf. Ele vê uma tendência
bilateral do protecionismo e explica: a grande demanda dos países
desenvolvidos caiu bruscamente e os em desenvolvimento, que atendiam a
essa demanda, precisam buscar opções para melhor explorar os seus próprios
mercados domésticos.
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No caso do poliestireno nacional, com excesso de capacidade produtiva, o
mercado externo constitui o destino para os excedentes. Esse é um dos
motivos pelos quais os gerentes da Americas Styrenics avaliam o
protecionismo como uma atitude muito prejudicial. “O Brasil é um
exportador e o mercado doméstico não é suficiente para consumir a produção
local”, concordam Sanchez e Garcia. Isso sem mencionar outros aspectos
negativos. O principal deles, o retrocesso na livre competição de mercado.
De qualquer modo, um olhar mais voltado ao consumo local deve resguardar a |
Divulgação
 
Sanchez (esq.) e Garcia
não concordam com o protecionismo |
indústria brasileira de
uma concorrência mais aguda das resinas do Oriente
Médio. Grandes produtores de petróleo, os países da região caminham rumo à
liderança mundial em petroquímicos, com projetos integrados, que devem
esparramar no mercado internacional volume acima de 10 milhões de
toneladas de poliolefinas, nos próximos anos.
A dobradinha superoferta/demanda reprimida tende a empurrar os preços das
resinas para um novo ciclo global de baixa. “Essa resina estará disponível
por tradings no mundo inteiro e forçará uma queda nos preços, que terá
reflexos no Brasil”, vaticina Zuñeda.
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