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empresa possui capacidade instalada para transformar
até mil toneladas mensais e está estruturada para dobrar esse volume em
menos de seis meses.

Os frascos colocados na esteira seguem para o
processo de limpeza, com tensoativos específicos, que reduzem o óleo
residual a taxas mínimas, da orem de 0,1%. A Resina valorizada segue para
as instalações da Prior Pack, onde alimenta as sopradoras encarregadas de
fabricar embalagens para acondicionar produtos de limpeza. Reciclados de
tons escuros entram na camada interior dos frascos coextrudados.
Ganho social e de custo – Há três anos no
mercado, a Reciart nasceu com o propósito de encontrar uma solução de
menor custo para a sua parceira Prior Pack, fabricante de produtos de
limpeza e de embalagens, cuja capacidade de transformação de frascos
atinge 200 toneladas mensais. Hoje, no entanto, processa cerca de 100
t/mês. A Reciart brotou dentro da Prior Pack e, embora sejam empresas
independentes, compartilham um mesmo terreno em Indaiatuba-SP.
Sai das dependências
da Reciart toda a resina usada pela Prior Pack na produção de seus
frascos, totalmente moldados com material reciclado, 30% procedente de
embalagens pós-uso de óleos lubrificantes. Autorizada pela Cetesb, a
Reciart processa mensalmente 30 toneladas de polietileno oriundo
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de
dois parceiros de logística reversa atuantes com frascos
inutilizados de óleos: a Mazola, de Valinhos-SP, e a Supply Service,
de Tapiraí-SP. O abastecimento de recicláveis se completa com sucata
advinda de cooperativas, que ainda hoje embutem alguns frascos de óleo
nos fardos. A capacidade de reciclagem da Reciart chega a 300
toneladas mensais, que poderia ser ocupada com o produto da logística
reversa.
A diretora-industrial e proprietária da Reciart,
Flavia C. Araújo, tem a segurança da destinação correta desse material
reciclado ao fornecer, hoje, com exclusividade para a Prior Pack. O
interesse por essas embalagens surgiu logo no início das atividades da
empresa, ao se deparar com grande quantidade delas no meio da sucata
adquirida das cooperativas. “Cerca de 30% do material dos sucateiros era
desses frascos”, contou. Hoje, a contaminação nos fardos ainda existe, mas
é mínima.
Flavia viu, então, nas embalagens de óleo, uma oportunidade de
trabalhar com um diferencial e ainda contribuir para aliviar o meio
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Flavia se orgulha
de retirar resíduos tóxicos do ambiente |
ambiente de resíduos
tóxicos. De acordo com o engenheiro da equipe da
Reciart, Sérgio Luiz Pinto, mesmo escoadas (passam por processo prévio de
escoamento nos postos de coleta), são altamente contaminantes, pois ainda
retêm entre 3% e 5% de óleo residual sobre o peso do frasco.
Flavia acionou sua equipe e correram atrás de uma
tecnologia que permite extrair o máximo possível do óleo residual. Hoje, a
recicladora consegue uma dosagem final da ordem de 0,1% – índice que não
compromete a reutilização do produto reciclado. “O segredo está no
processo de limpeza, com o uso de tensoativos específicos que propiciam a
extração do óleo residual”, explica Flavia.
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A parceria com a Prior Pack envolveu também
investimentos desta em equipamentos de sopro para coextrusão, processo que
possibilita dar uma destinação correta para a resina reciclada de tons
escuros provenientes dos frascos de óleo, aplicada na camada interior das
embalagens.
A Reciart também investiu em um diferencial para o
seu sistema de tratamento de efluentes, desenvolvido em conjunto com
especialistas da Unicamp. “O objetivo era reciclar essa água, na separação
da água do lodo; essa água retorna ao processo para limpeza dos frascos”,
conta o engenheiro.
Os parceiros da logística reversa entraram no
esquema mais recentemente, há cerca de um ano. Os planos da diretora,
agora, se voltam para a busca de mais fornecedores de embalagens de óleos
lubrificantes e de novos parceiros interessados em fabricar frascos de
óleo lubrificante com o reciclado oriundo desse mesmo mercado e fechar o
ciclo. |

Pinto: água tratada
retorna ao sistema para limpeza dos frascos |
Termofixos investem na reciclagem
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Diferentemente das peças moldadas com resinas
termoplásticas, que sob temperaturas elevadas voltam a se fundir e
podem ser moldadas em novos artefatos, as feitas com termofixos se
encontram em um estado irreversível, ou seja, não se fundem, por conta
de sua estrutura molecular interligada, de ligações cruzadas. O que
existe hoje em termos de reciclagem para esses materiais compósitos é
sua moagem e incorporação do moído na fabricação de outras peças
termofixas. Consciente de que a sobrevivência das empresas – e até do
setor – está ligada à evolução tecnológica e a cuidados ambientais, o
presidente da Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco),
Gilmar Lima, empreende um projeto ambicioso de desenvolvimento de uma
tecnologia capaz de reconduzir o termofixo reciclado ao próprio
processo produtivo. “As empresas que não se adequarem sairão do
mercado”, acredita. A ideia dele é chegar a uma logística reversa.
Com esse intento, a associação lançou, no final do
ano passado, o primeiro programa nacional de reciclagem de compósitos,
especificamente os termofixos. Nele, serão injetados R$ 2 milhões,
investimento compartilhado, inicialmente, entre 15 empresas do setor.
Lima planeja arrebanhar pelo menos mais cinco consorciados. O projeto
envolve ainda parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do
Estado de São Paulo (IPT), responsável pelo estudo científico da
partícula, de análise e caracterização do resíduo, com o apoio da
equipe técnica da Abmaco.
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Na primeira
etapa do projeto, o consórcio definiu que o melhor sistema é a
moagem. O alvo das pesquisas é esse material moído, que possui
catalisadores e monômeros de estireno residuais. “Não é inerte e,
empregado como carga, pode catalisar antes”, explica Lima. A
pesquisa visa a descobrir em que nível essas partículas estão
ativas. Ele ressalta que o foco da reciclagem de termofixos não é
a redução de custos, mas sim promover o crescimento sustentável do
segmento de compósitos e dos grandes usuários desses produtos. Um
mercado referência é o automotivo, demandante de volume
significativo do material.
O projeto aguarda os recursos do BNDES para adquirir os
equipamentos necessários à pesquisa dos resíduos. De acordo com o
presidente da Abmaco, o programa envolve a coleta e o estudo de
todos os tipos de resíduos resultantes dos diferentes processos e
também das resinas utilizadas pelo setor, e, ainda, o
desenvolvimento de uma formulação de aditivos que neutralizem o
reciclado e possibilitem sua entrada novamente no processo
produtivo como carga capaz de melhorar as características do
produto final. Além de reforçar os próprios materiais termofixos,
a ideia é empregar essas cargas também na composição de
termoplásticos. |

Lima: estudo
envolve todo tipo de resíduos dos vários processos |
O projeto rapidamente começou a ganhar contornos
no final de 2007. O prazo estimado para a obtenção de resultados é até
junho ou julho de 2010, período compreendido por 14 meses e definido
pelo próprio IPT. “O objetivo da Abmaco é levar a tecnologia para o
mercado. O consórcio definirá como será efetuado o licenciamento”,
declara Lima.
O caminho traçado por ele para o setor envolve
três movimentos: reduzir perdas de processo, desenvolver o projeto
tecnológico e transferir essa tecnologia para o mercado brasileiro.
Com relação ao primeiro, ele lembra que mais da metade do segmento
ainda emprega processos manuais, geradores de perda da ordem de 16% a
18%. Ele planeja incentivar a migração dessas empresas para os
processos de moldes fechados, nos quais as perdas não ultrapassam 5%.
O mercado brasileiro de compósitos destina anualmente para aterros
sanitários 13 mil toneladas desses resíduos, entre rebarbas e peças
com defeito, a um custo aproximado de R$ 90 milhões. |
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