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Entretanto, somados os dois números, segundo
Galléas, a Petrobras já detém 52% das ações de petroquímica dentro do
país. No cenário ideal, pondera o presidente do Simpep, deveria ocorrer a
união das três gerações petroquímicas para acertar preços, prazos e uma
política global capaz de atender a todos os interesses envolvidos.
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Na
visão de Galléas, o industrial ficou quadrado, não tem tempo para
planejar e cumprir a sua vocação de produzir. Tem de se preocupar com
preço de resina, importação, exportação e burocracia. “Já perdemos a
esperança da reforma tributária, que está nas mãos de quem não tem
vontade política nem entende do processo”, reclama Galléas. Ainda
afirma que o governo tem medo de perder receita do IPI de 5% na
matéria-prima. Na visão do presidente do Simpep, a indústria opera no
“fio da navalha”.
Outra queixa é a guerra fiscal entre estados sem tradição em
transformação de resinas como Goiás, Minas Gerais, Ceará e outras
regiões do Norte e Centro-Oeste. Com isso, proliferam várias empresas
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Galléas se queixa da política tributária |
pequeno
porte, que contratam entre 100 e 200 funcionários, e as de médio porte,
com até 600 empregos indiretos. Isso tudo em projetos de curto prazo.
Galléas entende que sem a liberação do crédito e órfão
da reforma tributária, o Brasil continuará “muito aquém do consumo per
capita de plásticos”, inclusive na comparação com outros países em
desenvolvimento. Ele enfatiza que a terceira geração tem condições de
dobrar de tamanho no país se o governo fizer sua parte. Na entrada da
matéria-prima, é cobrado imposto muito baixo; na saída, muito alto. Tal
distorção gera um efeito em cascata enorme e o Brasil é o único lugar do
mundo onde tal problema ocorre.
A boa notícia é que todos os sindicatos do país
liderados pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast)
estão unidos. A entidade promoveu quatro viagens para Brasília no ano
passado junto com os sindicatos para expor os pleitos dos transformadores.
“Precisamos de vontade política para voltar a produzir como indústria e
não como caixa de impostos”, completa Galléas.
Na visão do presidente do Sindicato das Indústrias
de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), Orlando Marin, o setor
plástico não foge em nada aos demais segmentos atingidos pela crise dos
mercados. O marco zero, para ele, foi o mês de novembro.
O primeiro segmento a perceber a crise foi o de
fornecimento de peças e componentes automotivos, quando as montadoras do
centro do país começaram a brecar a produção naquele mês. Em dezembro, as
fábricas de ônibus e caminhões acionaram o freio.
Depois veio a suspensão das encomendas da indústria
de móveis e refrigeração. De acordo com Marin, janeiro conheceu uma
pequena recuperação, pois essas indústrias precisaram reabastecer o
mercado de peças de reposição. Em fevereiro, voltou a cair, mas foi
sazonal por conta do feriado de Carnaval e de férias coletivas
programadas.
Os setores menos atingidos foram os de utilidades
domésticas e construção civil. A expectativa é de que em março comece a
fase de retorno do crescimento, ainda lento, gradual e sequencial, mas
positivo. Apesar da situação de crise, o segmento plástico deverá terminar
o ano com um crescimento médio de três a quatro pontos percentuais em
relação à média da economia.
De acordo com Marin, a indústria entrou em um
período de cautela, porque a primeira sinalização da crise, a alteração no
câmbio, não permitiu o repasse do preço de insumos importados aos
produtos. Com isso, ninguém comprou. Cada empresa tinha seu estoque e foi
usando até janeiro, quando os preços de plásticos de engenharia voltaram a
cair. Na carona do excedente de resinas e no exterior, Marin prevê uma
deflação no setor.
Na base do Simplás, o momento é de realinhamento de
preços para baixo. As resinas plásticas estão sofrendo uma forte queda dos
preços e essa situação deve continuar. O PVC caiu 30% em relação a
novembro, de R$ 3,76 para R$ 2,61, o quilo. Hoje os transformadores
compram a resina a R$ 3,70 o quilo e com probabilidade de baixar ainda
mais. O ABS estava R$ 5,40 o quilo em outubro. Chegou a custar R$ 8,00
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e
agora retornou para os patamares de outubro, mesmo sendo produto
importado. Segundo Marin, os transformadores estão repassando a
redução de custos para clientes.
Ele ressalta o aumento de oferta de resinas no mercado, com a entrada
em cena das petroquímicas do Oriente Médio e a redução de preços dos
plásticos de engenharia na China, por conta da queda interna da
economia mais dinâmica do mundo. Além disso, as plantas novas foram
construídas com tecnologia avançada e estão produzindo mais, com menor
consumo de energia.
Com relação
ao novo desenho da petroquímica brasileira, o presidente do Simplás
afirma que não havia outra saída. Ele prevê a desativação de algumas
plantas mais antigas e o surgimento de outras mais modernas. “Algumas
das empresas, reunidas na Quattor, estariam em liquidação, se não
ocorresse a fusão."
O presidente
do Simplás acredita ainda numa segunda fase desse redimensionamento
com a fusão da distribuição. “As grandes devem engolir as pequenas”,
completa Marin. Por conta do oligopólio de duas corporações, Marin
aponta o aumento da importação como recurso de regulação dos preços. |

Marin prevê a desativação de plantas petroquímicas obsoletas |
Na área de domínio do Sindicato das Indústrias de
Material Plástico de Santa Catarina (Simpesc), o vice-presidente da
entidade, Oswaldo Kieseweter, confia na atividade da construção civil como
propulsora da transformação de termoplásticos de Santa Catarina, mas
adverte que o segmento de embalagens para alimentos irá crescer menos. “Se
o país crescer dois por cento, os transformadores irão crescer no mínimo
5%”, aposta Kieseweter.
Industrial do segmento de poliestireno expandido,
Kieseweter anota que em particular esse será afetado negativamente. Em
primeiro lugar porque já houve retração de diversas indústrias
consumidoras, como embalagens descartáveis. Além disso, o ano é avesso ao
consumo de televisão (não tem Copa do Mundo nem Jogos Olímpicos), outro
segmento cativo para essas embalagens.
O outro problema é o projeto da TV digital, que se
encontra muito atrasado. Os clientes de Kieseweter estão concentrados na
Zona Franca de Manaus. Pesquisas mostram que em São Paulo, o primeiro
estado a implantar a tecnologia, o interesse pela transmissão de alta
resolução atinge 1% da população economicamente propensa a gastar com
aparelhos de última geração.
Nos cálculos de Kieseweter, para chegar em 6% de
crescimento este ano, a terceira geração petroquímica precisará faturar
pelo menos uns três meses nos dois dígitos no segundo semestre, pois, em
sua opinião, no primeiro semestre, não irá crescer mais do que 3%. “O mar
está turbulento. Caíram os preços em dezembro. Tem a chance de melhorar as
margens que estavam negativas.”
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Na
opinião de Kieseweter, é preferível vender menos volume com a margem
normal do que promover sacrifícios nas empresas para produzir mais.
Assim como outros segmentos, o vice-presidente do Simpesc detecta o
aumento da inadimplência no segmento de poliestireno expandido. No
mercado asiático as resinas já começaram a baixar
Com o dólar instável, a importação é arriscada. Precisaria de
estabilidade cambial. Dentro dessa política, a Ásia baixou os preços
do polietileno e do poliestireno, em novembro. A China tem excedentes
exportáveis. Está importando e irá continuar importando.
Sobre a consolidação da petroquímica nacional,
Kieseweter considera a iniciativa positiva porque promoveu no país uma
indústria em escala mundial. Agora, acredita que seja o momento de
remover as medidas protecionistas como a taxa de conforto e os
impostos de importação, pois essa é a maneira de permitir a competição
saudável. |

Kieseweter: medida protecionista garantiria competição saudável |
O presidente do Sindicato de Material Plástico do
Sul de Santa Catarina, Jayme Zanatta, prefere não fazer projeções. Segundo
ele, a região responde por 240 mil toneladas das mais de 900 mil
transformadas no estado e, provavelmente, se houver algum crescimento, só
poderá ser contabilizado no final do ano. O presidente do Simplasc
reconhece que a crise já abalou o segmento de filmes, mas pouco afetou o
de tubos e conexões por conta das obras do PAC e da construção civil, que
manteve os investimentos.
Zanatta reivindica a redução do IPI para a cadeia da
construção civil, pois atualmente os derivados de plástico nessa indústria
pagam 5% do tributo federal. Já tijolos e telhas estão isentos. Na opinião
do presidente do Simplasc, a diminuição pode gerar mais receita ao governo
federal por conta do volume de produtos vendidos no varejo.
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Região é
diversificada e competitiva
Com base nas estimativas obtidas entre os
principais sindicatos representantes da atividade de transformação de
termoplásticos do sul do Brasil, é possível inferir as estatísticas de
produção na região em matéria de terceira geração petroquímica. A área
responde por aproximadamente 1 milhão e 730 mil toneladas de resinas.
É o segundo polo industrial do país e exibe competitividade e
diversificação. Juntos, promoveram um faturamento de quase R$ 13
bilhões no ano passado.
Santa Catarina lidera em todos os quesitos. São
950 mil toneladas/ano de consumo aparente de resinas. Além disso, a
produção catarinense atingiu R$ 5,7 bilhões em 2008, contra R$ 4,8
bilhões de 2007. Os transformadores catarinenses geraram 23,7 mil
empregos.
Na Grande Florianópolis e no sul do estado
existe um volume altamente expressivo de extrusão e coextrusão de
embalagens flexíveis. Ainda no sul, predomina a principal indústria de
termoformagem do país, também conhecida como Vale do Descartável.
Existem ainda pelo menos três regiões
transformadoras emergentes em Santa Catarina. Na região de Blumenau,
há um polo de brinquedos. Em Itajaí, por conta da atividade portuária,
cresce a extrusão de cordas para navios e atracação. No Oeste, a
indústria de beneficiamento de carnes de aves e suínos começa a
estimular a abertura de fábricas de embalagens.
O segundo estado é o Rio Grande do Sul, com
aproximadamente 480 mil toneladas e R$ 4 bilhões de valor de produção.
Em 2009, os gaúchos atingiram 800 empresas na base do Sinplast, 600 na
base do Simplás, de Caxias do Sul, e aproximadamente 60 na base do
Sinplavi, de Bento Gonçalves. Perfazendo 1.460 razões sociais. O
segmento emprega 26 mil trabalhadores. Em processos, a extrusão
responde por 60%. A injeção fica em 30%. Os demais, como sopro,
termoformagem e rotomoldagem, atingem os 10% em todo o estado.
Entretanto, se a contagem for feita a partir da
base de Caxias do Sul, a segmentação é diferente. Predomina a
transformação de peças técnicas e a injeção corresponde a 58%. A
extrusão consome 27% das resinas; a termoformagem, outros 11%. Os
quatro por cento restantes se dividem em sopro, fibras, acrílicos,
spray-out e rotomoldagem, sendo que 20% das empresas que possuem
processos de transformação do plástico promovem mais de um tipo de
processo.
O Paraná representa cerca de 8% a 10% do
segmento plástico brasileiro, com faturamento de R$ 3,2 bilhões.
Emprega 18 mil funcionários, transforma mais de 300 mil toneladas por
ano de resina termoplástica e compreende 600 empresas ao todo. No
Paraná, a produção de peças e componentes para a indústria automotiva
corresponde a 20% das resinas transformadas.
No estado, a extrusão de filmes perfaz 27% e a
ráfia empregada em embalagens de grãos consome 10%. A injeção de
utilidades domésticas e bombonas outros 10%. O sopro de embalagens
rígidas das mais variadas aplicações fica com 12%. A construção civil,
4%. Nove por cento do total de produção do Paraná provém de materiais
reciclados. Os plásticos de engenharia não-automotivos são 3%. |
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