ELASTÔMEROS TERMOPLÁSTICOS

Aquisições marcam os novos rumos
do mercado químico e petroquímico

A Petroflex agora é Lanxess. A Ipiranga Química, quantiQ. As duas mudanças, definidas e anunciadas em fevereiro, são fruto do movimento de consolidação do mercado químico e petroquímico. Em 2007, quando a Petrobras, o grupo Ultra e a Braskem fecharam acordo para a aquisição dos negócios do grupo Ipiranga, a marca Ipiranga, assim como a rede de distribuição de combustíveis nas regiões Sul e Sudeste, ficaram com o grupo Ultra.

O negócio, um dos maiores de todos os tempos do setor petroquímico e de distribuição de combustíveis brasileiro, entre outras mudanças, rendeu à Braskem o controle acionário da Ipiranga Química, maior distribuidora brasileira de produtos químicos e petroquímicos.

Na ocasião, ficou acordado um prazo de dois anos para a mudança de identidade. “A nova marca deu suporte às três divisões da empresa, Lifescience, Químicos e Produtos e Serviços, e se tornou um incentivo para alcançar novas metas”, afirma o diretor-presidente da empresa, Fernando Rafael Abrantes.

Segundo ele, nada muda na operação da companhia, que cresceu 32% nos últimos dois anos. “A Braskem nos dá total autonomia para tocar os negócios da empresa. Temos uma grande sinergia de negócios, o que se traduz na possibilidade de alinhamento estratégico.”

Os projetos para 2009 incluem maior cobertura do mercado, aumento da produtividade da equipe e foco no relacionamento com os clientes. “Vemos na mudança uma oportunidade de, mantendo nossos valores e princípios, reenergizarmos os negócios”, afirma o gerente de unidade de negócios – polímeros, Fabiano Bianchi.

Os planos de investimentos contemplam treinamento e aprimoramento técnico dos colaboradores; ampliação de portfólio de produtos nas diferentes unidades de negócios; aquisição de softwares de gerenciamento em operações, logística e negócios; e manutenção de seus diversos centros de distribuição. “Os demais investimentos já identificados e quantificados estão na dependência do andamento dos negócios neste ano de 2009.”

Falta de insumo prejudica a indústria

A escassez de butadieno e hidrocarboneto e a volatilidade no preço dos demais insumos petroquímicos, como o estireno, prejudicaram o desempenho da indústria de borrachas em 2008. As paradas para manutenção das centrais petroquímicas e incidentes operacionais foram as principais causas do desabastecimento.

A forte demanda em todo o mundo, especialmente na China, também contribuiu. “O mercado trabalhou com cotas”, afirma o diretor da Compostos, Nilton A. Bueno Jr., que representa e distribui os produtos da Softer do Brasil.

Quando o abastecimento foi restabelecido, a crise financeira mundial já havia se instaurado. De acordo com Bueno, de novembro de 2008 a fevereiro de 2009, o consumo da indústria automobilística, principal reduto dos elastômeros, recuou 50%.

Efeito sentido também no segmento de calçados, outro importante mercado. “Nesse caso, no entanto, a concorrência com os calçados asiáticos já criava um desconforto desde 2006, afetando o desempenho da indústria nacional”, avalia o diretor-comercial e desenvolvimento de mercado da Kraton Polymers do Brasil, Ricardo A. O. Pereira.

Em 2008, a empresa atingiu receita bruta de R$ 803 milhões, um crescimento de 19,3% em relação ao período anterior. Índice que deverá se repetir em 2009, segundo estimativas da empresa, com base em estratégias específicas para segmentos de mercado-alvo, além da consolidação da área de Lifescience, que comporta as Unidades de Negócio Aromas e Fragrância, Cosméticos, Aditivos para Nutrição Humana e Animal e Farma.

A quantiQ atua em 52 segmentos do mercado industrial, concentrados em 14 macromercados, com um portfólio de mais de 700 produtos, entre commodities e especialidades químicas. Está presente em todo o Brasil por meio de uma estrutura comercial e logística com centros de distribuição em Canoas-RS, Guarulhos-SP, o maior centro de soluções para a Indústria Química na América Latina, numa área de 104 mil m2, e Duque de Caxias-RJ, apoiados por filiais logísticas em Araucária-PR, Simões Filho-BA e Recife-PE, além de filiais comerciais em Rio Grande-RS, São Paulo, Santos-SP e Salvador-BA. A capacidade de armazenagem atinge 14 mil toneladas para produtos embalados e mais de 7.500 m3 de itens a granel.

Pioneirismo – Em fevereiro, a Petroflex virou Lanxess Elastômeros do Brasil. A novidade é uma pequena mostra da prometida reestruturação da alemã Lanxess no país, após a aquisição da totalidade das ações da Petroflex em abril de 2008. “A mudança de nome representa um marco no processo de integração entre as duas companhias”, afirmou o diretor-presidente Joerg Schneider, em comunicado divulgado na internet.

Na avaliação de Schneider, a alteração do nome é um importante passo no sentido de fortalecer a marca e a imagem da companhia perante os públicos estratégicos. A Lanxess registrou volume de vendas de EUR 6,61 bilhões em 2007.

A empresa conta, atualmente, com 14.600 funcionários dispostos em 21 países, sendo representada por 41 unidades de produção ao redor do mundo. No Brasil, emprega cerca de 900 pessoas nas unidades de São Paulo, Porto Feliz-SP, Duque de Caxias-RJ, Cabo de Santo Agostinho-PE, São Leopoldo-RS e Triunfo-RS.

Até o fechamento desta edição, a diretoria da Lanxess não havia atendido à solicitação de entrevista ou mesmo comunicado outras estratégias relacionadas à incorporação das empresas, como a suspensão da produção de borrachas nitrílicas, que passaram a ser importadas.

História – Criada em 1977, como subsidiária da Petroquisa, a Petroflex iniciou a produção e o comércio de elastômeros e de produtos químicos diversos, e agregou as instalações da extinta Fabor. Naquele mesmo ano, entrou em operação a unidade produtora de estireno, com capacidade de 60 mil toneladas/ano, com tecnologia adquirida da Cdf Chimie. Em 1985, começou a produção de SBR em emulsão, com capacidade para 40 mil t/a, posteriormente expandida para 60 mil t/a, em Triunfo-RS.

Em 1992, as ações da companhia foram adquiridas por um consórcio privado formado por Suzano, Copene e Unipar e por fundos de pensão, entre outros investidores. No final de 2001, já produzia mais de 70 tipos de elastômeros.

Em 1996, a Coperbo foi incorporada pela Petroflex, concluindo a integração operacional e administrativa das duas empresas, dando origem a uma companhia de porte internacional, com três unidades fabris.

O processo de internacionalização da companhia começou em 2003, com a inauguração de escritório em Roterdã, na Holanda. Na sequência, foram abertas bases comerciais em Hong Kong, na China, e em São Paulo. A unidade de Wilmington, em Delaware, Estados Unidos, entrou em operação no início de 2005.

No ano seguinte, foram concluídos projetos de ampliação de capacidade de produtos de alto desempenho e especiais, de 110 mil para 140 mil toneladas/ano, elevando a capacidade total de 410 mil para 442 mil toneladas/ano.

Em 13 de dezembro de 2007, foi celebrado contrato de intenção de compra e venda entre os controladores da Petroflex, Braskem e Unipar e a Lanxess, operação concluída em 2008.

País tem só um produtor local de NBR

Desde o final do ano passado, a Nitriflex, de Duque de Caxias-RJ, tornou-se a única fabricante nacional de borrachas nitrílicas (NBR), após a suspensão da produção local da até então Petroflex, hoje Lanxess. O consumo aparente de nitrílicas ficou em torno de 13.500 toneladas em 2007, segundo dados do Anuário Brasileiro da Borracha.

Os números de 2008 ainda não foram divulgados. “A Nitriflex supre 70% da demanda local”, estima o gerente técnico e comercial, Ronaldo Valle Monteiro. O restante é abastecido pelas importações, inclusive da Lanxess. Entre 2006 e 2007, o consumo aparente cresceu mais de 10%.

De 2007 para 2008, a Nitriflex cresceu 18%. “Foi uma evolução acima da média, que poderia ser mantida, não fosse a falta de butadieno.” O período de crescimento foi interrompido.

Cortar as exportações foi a saída encontrada pela empresa para atender à demanda brasileira em 2008. Sem butadieno suficiente para rodar a planta em sua capacidade total, avaliada em 30 mil toneladas/ano, a Nitriflex saiu temporariamente do mercado internacional, que consumia 50% da sua produção. “Voltamos a exportar, mas nem 20% do que vendíamos antes.”

Em 2009, a capacidade se mantém ociosa. Mas, desta vez, não por falta de butadieno. “Em novembro, quando o fornecimento desse e de outros insumos petroquímicos se normalizou, a demanda caiu em razão da crise”, diz Monteiro. A partir de março, a expectativa é de operar com 60% a 70% da capacidade anterior.

Além das nitrílicas, a planta de Duque de Caxias produz látex de estireno-butadieno, látex de estireno-butadieno carboxilado, compostos de nitrílica com PVC etc. Segundo Monteiro, desde o


Monteiro: importação supre 30% da demanda nacional

começo da crise, em novembro, o mercado caiu 40%, impulsionado, principalmente, pela indústria automobilística. “Em janeiro, a situação começou a se estabilizar e em fevereiro apresentou os primeiros sinais de melhora.”

Alguns clientes suspenderam as compras durante dois meses e escoaram todo o estoque. “Quem trabalhava com quatro meses de estoque, passou para dois ou menos.” A indústria de autopeças consome 40% da produção da Nitriflex, seguida pelo setor de calçados, com 30%.

 

 

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