A venda de aços 1045 não é o forte da Villares Metals, embora ela eventualmente atenda a algumas encomendas do produto. Para competir na faixa de dureza até 30 HRC, a empresa lançou, em junho do ano passado, o VP100. “Ele é a melhor opção do mercado na faixa de dureza até 30 HRC e também concorre com o P20 no mercado dos moldes menores”, garante Cappucio, sem qualquer falsa modéstia. Para justificar sua opinião, enumera as características do VP100: “Ele tem propriedades mecânicas muito homogêneas, uniformidade de dureza. Permite ótima soldabilidade, apresenta superior condutividade térmica e maior facilidade de usinagem por eletroerosão.” Uma limitação: ele pode ser oferecido em blocos com dimensões máximas de 40 mm x 1.200 mm. Para o nicho de aços com dureza entre 38 e 42 HRC, a Villares Metals conta com duas opções: N2711M e VP50IM. O N2711M é matéria-prima com as características normais dos aços similares encontrados no mercado. O VP50IM, por sua vez, permite maior usinabilidade e polibilidade. “A escolha entre eles é feita de acordo com o grau de abrasividade do plástico a ser injetado, da aparência requerida da peça e da resistência da ferramenta desejada pelo transformador”, informa Cappucio. Na linha dos especiais, a empresa oferece algumas opções com durezas que chegam a 50 HRC. O VP420IM conta com as características encontradas nos aços 420. O VP 80 conta com maior resistência à corrosão. Esse aço, oferecido aos clientes em uma primeira etapa com dureza inferior, depois de usinado sofre tratamento térmico para atingir a dureza desejada. “Fazemos acordo com os clientes para que esse tratamento térmico seja feito em nossas dependências, para que possamos garantir a qualidade desejada”, ressalta Cappucio.
61 anos – A Böhler, nascida há mais de um século na Áustria e incorporada ao grupo sueco Böhler-Uddeholm em 1991, importa aços para o mercado brasileiro desde 1948. Durante esses 61 anos, por trazer matérias-primas nem sempre oferecidas pelos fabricantes nacionais, a empresa manteve escritório próprio de representação por aqui mesmo nos períodos em que a economia do país esteve bastante fechada aos importados. “O mercado de transformação de plástico é muito importante para nós, em especial os transformadores voltados para a indústria automobilística, de linha branca e de eletrodomésticos”, afirma Capelletti. Além da qualidade dos produtos, o executivo ressalta como diferencial da empresa a parceria mantida com os compradores. “Toda a nossa experiência é repassada na forma de assistência técnica, não importa o tamanho do cliente”, afirma. A Böhler conta com vasta gama de produtos, voltados para moldes de injeção de peças dos mais diversos tipos de resinas, cargas e plásticos de engenharia. O gerente nacional de vendas aponta os aços da empresa mais procurados. A maior demanda recai sobre o M238, marca dada ao aço P20 da Böhler, com índices de dureza na faixa entre 28 e 32 HRC. “É um produto antigo, está no mercado há mais de quarenta anos”, conta. Para o executivo, seu diferencial se encontra na qualidade. “O aço, se não for muito bem forjado, apresenta problemas de homogeneidade de dureza. Nossa tecnologia prevê muito cuidado de fabricação, utilizamos uma prensa de cinco mil toneladas para evitar o surgimento de deformações plásticas no miolo dos blocos”, revela. Para durezas entre 34 e 36 HRC, a empresa oferece o M261. Ele é indicado para aplicações nas quais as matrizes trabalham em condições mais duras, como as de peças de grande superfície que não podem apresentar problemas de empenamento. “Hoje, portas de geladeiras são injetadas em plástico”, exemplifica. Para ser usinado, o M261 é oferecido em dureza inferior. Após chegar à dureza desejada, é submetido a tratamento térmico posterior. Outra linha destacada por Capelletti é a de inoxidáveis, voltada para ferramentas refrigeradas a água ou para a transformação de resinas corrosivas. Um deles é o M310, usinado e depois submetido ao tratamento de têmpera para atingir a dureza desejada. O M333, além da resistência à corrosão, apresenta maior polibilidade e é indicado para moldes de faróis e lanternas de automóveis, entre outras peças que necessitam de aparência impecável. O M340 é outro aço inox de destaque da empresa. “É o aço oferecido no mercado mundial com maior resistência à corrosão. Sua estrutura é enriquecida com cromo”, garante o executivo. Ele é indicado para aplicações muito exigentes, como algumas dirigidas às indústrias de alimentos, odontológica e de materiais cirúrgicos. O aço top de linha da empresa é o M390 Microclean cujas especificações superam as de todos os demais oferecidos. O segredo de seu desempenho se encontra na forma diferenciada de fabricação. Produzido com pós que são submetidos a altas temperaturas e pressão com a utilização de prensa isostática ele é indicado para aplicações extremas. “É o caso dos moldes de altíssima produtividade usados pela fábrica de aparelhos descartáveis de barbear mantida pela Gillette, em Manaus. A cada ciclo são preenchidas centenas de cavidades, cada uma delas dotada com um canal de alimentação”, informa. O desempenho das vendas da empresa nos últimos meses não chegou a decepcionar. Os negócios no trimestre dezembro/janeiro/fevereiro não foram dos mais animadores, mas seguem a tendência sazonal vivida pela empresa todos os anos no período. “Esses meses são fracos”, resume o gerente. Ele admite: “O atual momento das montadoras, clientes que geram ótimos negócios para a Böhler, não é dos melhores.” Mas ressalta que a indústria automobilística é competitiva e investir em inovações dos veículos é imperativo para os fabricantes de carros conquistarem mercado.
Silva acha cedo avaliar se o ano de 2009 apresentará bons resultados. “No Brasil passamos a ter uma ideia de como será o ano a partir do final de março”, justifica. Apesar de no momento qualquer previsão ser difícil, ele acredita que por aqui a crise terá efeito menor do que na Europa e nos Estados Unidos. Para ele, a desvalorização do real é problema sério para a vida dos importadores. Para enfrentar os desvarios do câmbio, a empresa aposta na contenção de despesas como forma de se manter competitiva.
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