|
|
| |
|

Peça da Polimold: empresa oferece cerca de um
milhão de opções |
Segmento
lucra com a crescente exigência dos transformadores por ferramentas
semiprontas
Texto de José paulo Sant’Anna
e fotos de Cuca Jorge
Agregar
valor à atividade. Essa tem sido a atual estratégia dos principais
fornecedores de porta-moldes. A ideia é atender à crescente demanda do
mercado por ferramentas quase prontas. Para tornar mais rápida a
fabricação do molde e reduzir os custos, as empresas do ramo estão
utilizando suas estruturas de usinagem de aço para entregar aos
clientes conjuntos já com todas as furações e
|
componentes necessários. O papel dos transformadores e ferramenteiros,
nesses casos, se resume a desenvolver os projetos de ferramentas e usinar
as cavidades.
A nova tendência é mais um passo importante para
esse nicho de negócios, bastante promissor nos últimos anos. Há umas duas
décadas, o uso de porta-moldes no Brasil era bastante incipiente. Ao criar
o desenho de um molde de injeção, os projetistas partiam de ideias
abstratas. As placas eram fabricadas pelas próprias ferramentarias. Hoje,
estima-se que 70% das ferramentas produzidas no Brasil se utilizam de
porta-moldes. O número não é oficial. Entre os especialistas, poucos
duvidam do crescimento constante desse índice.
A praticidade ajuda muito a difundir o uso dos
padronizados. Hoje, para as ferramentarias, é difícil e caro manter
estrutura de máquinas de usinagem para fabricar todos os componentes dos
moldes. Com o avanço da tecnologia, equipamentos como fresas, retíficas e
outros são constantemente atualizados e os investimentos necessários para
adquiri-los são incompatíveis para quem produz um número limitado de
ferramentas. A agilidade oferecida pelos modelos de “prateleira” é
evidente.
|
Outra vantagem se encontra no custo
da matéria-prima. Como as fornecedoras de porta-moldes adquirem
grandes quantidades de aço, conseguem melhores negociações. Além
disso, acostumadas com o produto, trabalham com desperdício mínimo de
material e não cometem erros, como o superdimensionamento de
determinada placa, entre outros. “Os porta-moldes proporcionam
economia de tempo e dinheiro”, resume Estevam Horvate, gerente de
vendas da MDL-Danly.
O uso de padronizados recebeu
grande impulso há quatro anos, quando os fabricantes multiplicaram as
opções de venda. Como exemplo, podemos citar o caso da Polimold,
principal fornecedora nacional. Seguindo o conceito europeu, a empresa
passou a disponibilizar 53 famílias de modelos com tamanhos
diferentes, contra as 17 oferecidas antes. “Essa foi uma grande
sacada, muitos possíveis clientes não compravam porta-moldes por não
acharem as medidas mais adequadas”, revela Cleber Jesus Silva, gerente
do departamento de desenvolvimento e marketing da empresa. Outras
empresas participantes desse segmento, casos da MDL-Danly, da Miranda
e da Tecnoserv, seguiram o exemplo e ajudaram a multiplicar as opções
existentes no mercado. |

Porta-moldes
propiciam ganho de tempo e dinheiro, diz Horvate |
Hoje, a diversidade oferecida é impressionante.
Existem desde modelos simples até os muito complexos, voltados para a
instalação de múltiplas cavidades e oferecidos com sistemas de câmaras
quentes. Sem falar nos preparados para projetos de moldes dotados com
modernos sistemas valvulados, para facilitar a fabricação de peças cujo
formato dificulta o preenchimento dos moldes.
|
Crise – Se a praticidade
ajuda a expandir o mercado, os ventos da economia podem atrapalhar o
desempenho dos fornecedores. A crise econômica mundial, iniciada em
outubro, é um exemplo. Os problemas enfrentados por setores usuários
de grandes quantidades de peças plásticas, caso das montadoras ou da
indústria eletroeletrônica, inibem investimentos. O número de moldes
fabricados cai e prejudica os fabricantes de padronizados.
“Ficarei muito feliz se em janeiro de 2010 constatar que mantivemos o
desempenho de 2008. Mas o começo do ano não foi bom, estimo uma queda
do faturamento em 2009 em torno dos 15%”, revela Alexandre Fix,
diretor da Polimold. Um outro fator vem preocupando o dirigente. A
falta de crédito, característica resultante da crise econômica
mundial, provocou índices de inadimplência alarmantes. “Estamos
enfrentando um índice de inadimplência muito elevado, clientes de
porte estão com problemas para nos pagar”, revela. A empresa cresceu
10% no ano passado. |

Crise provocou alto
índice de inadimplência e preocupa Fix |
A preocupação com a queda de encomendas também
atinge o gerente-comercial da Miranda, José de Oliveira Miranda Neto.
“Esse ano começou fraco, muito fraco. A crise assustou o pessoal”, afirma.
Ele ainda
|
comemora os mais de 30% de
crescimento verificado no ano passado e torce para passar logo o
momento difícil. “É susto mesmo, a falta de investimentos não tem
fundamento, ao menos no nosso mercado”, avalia. Ele acredita que a
partir de abril a economia deva voltar a se aquecer. “Só não sei o
quanto esse índice de aquecimento vai atingir”, define.
Opinião mais otimista é dada por Wilson Teixeira, diretor técnico da
Tecnoserv. A empresa, que cresceu 12,6% em 2008, já detectou, no final
do ano passado, uma pequena queda nas vendas. “Começamos o ano
temerosos e as duas primeiras semanas de janeiro foram fracas, muito
fracas”, informa Teixeira. A luz no final do túnel deu o ar da graça a
partir da terceira semana de janeiro, quando o número de consultas
voltou a crescer. “Foi uma semana quase normal, começamos a recuperar
o fôlego”, acredita.
Para Teixeira, a crise trouxe pelo menos um aspecto positivo. Os
moldes importados, com a valorização do dólar, ficaram menos
|

Para Miranda Neto, o
mercado volta a se aquecer a partir de abril |
competitivos. Para ele, os moldes chineses de boa
qualidade hoje contam com preços muito próximos dos similares nacionais.
Os orientais ainda levam alguma vantagem nos prazos de entrega, mas a
proximidade do fornecedor conta a favor dos fabricantes nacionais. “Os
clientes passaram a procurar alternativas aqui no Brasil”, ressalta.
|
Horvate, da MDL-Danly, também
acredita que o dólar valorizado pode colaborar com os fabricantes
nacionais. “Por uma questão de custo, muitos transformadores de grande
porte, como a indústria automobilística, passaram a pensar em produzir
aqui peças antes importadas”, explica. A empresa conta com diferencial
em relação aos concorrentes, possui equipamentos de usinagem de metais
de grande porte, o que permite a fabricação de porta-moldes de maiores
dimensões. Isso facilita as conquistas de encomendas e teve grande
peso no fato da MDL crescer 18% no ano passado. Mas a empresa não
despreza o mercado dos moldes de menores dimensões e está trabalhando
para multiplicar as combinações de dimensões oferecidas.
Mudanças de perfil – Criada nos anos 80, a Polimold ocupava, no
início, um pequeno pedaço da transformadora de plástico Bracofix, que
pertencia à família de Fix e representava no Brasil a fabricante
norte-americana de porta-moldes DME. Como conta o dirigente, naquela
época a própria Bracofix relutava em utilizar porta-moldes. |

Teixeira: molde local
ficou mais competitivo com dólar valorizado |
O tempo passou, o mercado se desenvolveu
e a empresa cresceu. Hoje ocupa uma área de 15 mil m², onde estão
construídos cinco prédios, e emprega 380 colaboradores, e ainda conta com
uma fábrica no México. “Hoje a DME se tornou representante da Polimold em
vários países do mundo”, orgulha-se o diretor. A empresa norte-americana
enfrentou problemas econômicos e deixou de produzir porta-moldes.
|
|