R O B Ô S

Em algumas operações, o uso de robôs é totalmente indispensável. São os casos, por exemplo, de peças de todos os portes que exigem a colocação de insertos. Ou dos fabricantes de embalagens que utilizam o processo in mold labeling, no qual as peças saem com imagens gravadas com a colocação de etiquetas nas cavidades dos moldes, operação muitas vezes realizada com descargas elétricas de até 20 mil volts, o que é impensável fazer sem o uso de equipamentos (veja matéria sobre in mold labeling nesta edição).

Com essas vantagens, empresas que já tiveram a experiência de comprar um robô se convencem facilmente a ampliar os investimentos na automação de suas plantas. Mais difícil é convencer quem ainda não conta com o equipamento a realizar a primeira compra. Para os fornecedores, esse é um grande desafio. “Temos tido receptividade entre os clientes que não utilizam o produto. Em 2007, 50% de nossos clientes eram empresas que não contavam com robôs. Esse ano, o número de novos clientes se encontra na faixa entre 20% e 30%”, diz Gomes.

Estima-se que no Brasil existam 30 mil injetoras em operação, as que contam com robôs não chegam a 10%. “Esse índice é muito inferior ao verificado nos países avançados, temos muito espaço para crescer”, comenta Kimura. Ao avaliar esse número, é preciso fazer algumas ressalvas. As injetoras instaladas por aqui são, na grande maioria, máquinas antigas, muitas delas incapazes de interagir com os comandos dos robôs por não terem controles eletrônicos compatíveis.

Um outro aspecto negativo para o uso mais intenso de robôs no mercado nacional se encontra na sensação de que o equipamento “rouba” empregos em um país onde as condições sociais são desiguais. Não é o que pensam os fornecedores. “Na maioria das vezes, os robôs são instalados em operações com condições de trabalho desumanas”, ressalta Milito. Para eles, nem sempre a presença do robô elimina um posto de trabalho. Conforme as características da linha de produção, operários podem receber as peças do robô e efetuar outras operações, como corte de canais ou controle de qualidade.

Outro problema se encontra nas ferramentas utilizadas pela indústria, muitas delas com projetos inadequados. Os moldes precisam ser projetados levando-se em conta o movimento feito pelos braços do robô durante a retirada das peças injetadas.

Diversidade – Os transformadores interessados em adquirir um robô encontram no mercado vasta gama de opções, com valores que variam entre o preço de um automóvel popular e centenas de milhares de reais. Os equipamentos são adequados para injetoras de todos os tamanhos e podem manipular peças com os mais distintos pesos, de algumas gramas a dezenas de quilos.

Eles são oferecidos com braços que se movem em três eixos de direção. Os mais simples são dotados com movimentos feitos em três eixos com sistemas pneumáticos, se limitam a retirar as peças das máquinas e a colocá-las em locais determinados. Os modelos intermediários contam com movimentos em dois eixos com sistemas pneumáticos e em um terceiro eixo feito por meio de mecanismo elétrico, com a ajuda de um servomotor. Esses robôs fazem o mesmo que os modelos mais simples e podem realizar alguma operação complementar.

Os modelos mais sofisticados são dotados com movimentos feitos por meio de servomotores nos três eixos. São mais precisos e permitem a programação de ações diferenciadas, realizadas de acordo com a necessidade do transformador. Os mais vendidos no Brasil são os modelos mais simples.

As armas de cada um - Cada fornecedora oferece diferentes tipos de robôs para atrair clientes. A Dal Maschio conta com cinco linhas básicas de equipamentos, a grande parte produzida no Brasil. “Importamos apenas alguns modelos mais sofisticados”, diz Gomes. Uma das atrações da empresa é o comando CNC que equipa os modelos mais sofisticados. Ele permite a programação de movimentos simultâneos de todos os eixos, reduzindo o tempo de ciclo de injeção das peças.

Para Gomes, por contar com fábrica local, a empresa tem flexibilidade bem maior do que a concorrência. “Temos a facilidade de atender rapidamente a qualquer necessidade dos clientes, estamos disponíveis para as mais variadas personalizações”, garante. Para exemplificar, ele cita o caso de um cliente que conta com pé-direito baixo em sua fábrica. “Fizemos um robô com características particulares, cujo eixo vertical se movimenta bem menos do que os eixos dos modelos tradicionais”, revela.

As linhas GX e CZ são os modelos mais procurados entre os oferecidos pela Star Seiki no Brasil. Os robôs GX são projetados e fabricados no Japão. Já a CZ, projetada no Japão, tem componentes fabricados na China e preços mais competitivos. “Os chineses apresentam ótima qualidade”, garante Kimura. Uma nova linha acaba de ser lançada pela empresa na feira IPF 2008, realizada em novembro no Japão. Sem falar sobre as características das máquinas, o gerente informa que essa linha talvez seja apresentada ao mercado brasileiro na próxima Brasilplast. “Estamos avaliando essa possibilidade”, diz.

O executivo da Star Seiki diz que o fato da empresa não ter fábrica no Brasil não representa um empecilho para o cliente. “Temos estoques de alguns dos modelos mais procurados, grande disponibilidade de peças de reposição e prestamos total assistência aos nossos clientes”, garante. As opções oferecidas também são bastante amplas. “Temos um catálogo de 500 páginas só com componentes para fazer as garras”, orgulha-se. Os transformadores que mais procuram a empresa contam com robôs na faixa entre 100 e 450 toneladas de força de fechamento.

A aquisição da Battenfeld reforçou a estratégia de marketing seguida pela Wittmann nos últimos anos: oferecer pacotes completos para a solução de problemas. Além de injetoras e robôs dos mais diversos portes, a empresa também comercializa equipamentos como sistemas de alimentação de máquinas, rotâmetros, controladores de temperatura, desumidificadores, moinhos e uma série de outros equipamentos. Uma característica desses componentes é a sofisticação, em média maior do que a de periféricos similares fabricados no Brasil.

No caso dos robôs, carro-chefe da empresa no Brasil, a Wittmann oferece diferenciais que podem ser úteis a clientes interessados em inovações. A série 600, por exemplo, pode ser construída com braço vertical ou eixo de extração feitos de fibra de carbono de baixo peso. Eles reduzem o tempo dos movimentos e garantem o máximo rendimento da injetora. Milito também destaca a estrutura de suporte técnico da empresa. “Nossa engenharia está capacitada a resolver problemas pelo telefone”, orgulha-se.

Modelos de seis eixos querem ganhar espaço

O mercado de robôs para transformadores de plástico é dominado pelos modelos com movimentos em três eixos. Nesse cenário, fabricantes de robôs de seis eixos procuram conquistar maior espaço. Uma dessas

empresas é a Stäubli, fornecedora de soluções de robótica para os mais diversos segmentos da economia. Para a indústria do plástico, a empresa oferece a série TX.

De acordo com Marcelo Magdalone da Silva, gerente-geral da empresa no Brasil, os robôs de seis eixos apresentam uma série de vantagens. “Eles permitem a execução de várias operações ao mesmo tempo, o que melhora a qualidade e agrega valor às peças produzidas”, defende. Um exemplo: enquanto um equipamento de três eixos retira a peça e a coloca em local predeterminado, um de seis pode realizar outras operações em paralelo, como eliminar rebarbas. “Nem sempre competimos com os de três eixos, existem operações que não exigem tanta sofisticação”, explica.

Divulgação

Modelo da Stãubli permite operações paralelas

A engenheira de vendas Ana Claudia Aghazarian ressalta a grande flexibilidade oferecida pelo equipamento. “É muito fácil programar os movimentos dos robôs quando ocorre uma troca de moldes na máquina”, resume. Os robôs oferecidos são dos mais variados tamanhos, capazes de manusear peças de algumas gramas até algumas dezenas de quilos.

A Stäubli tem sede na Suíça e foi criada no ano de 1892. Ao todo, possui 3,3 mil funcionários espalhados em 25 países, além de marcar presença em outros 50 por meio de escritórios de representação. No Brasil, conta com escritório próprio desde 1996, localizado em São Paulo. A empresa também atua como fornecedora de equipamentos para a indústria têxtil e de conectores.

 

 

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