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Robô da série CZ fabricado pela Star Seiki

Cultura da automação cresce
entre usuários e anima
fornecedores a enfrentar a crise

José Paulo Sant’Anna

As vendas se encontravam em patamar para lá de satisfatório até o mês de outubro. A crise econômica internacional provocou um arrefecimento na demanda. Os principais fornecedores de robôs de três eixos, voltados para a automação das máquinas injetoras, da mesma forma que representantes de todos os demais segmentos da economia, não sabem ao certo o que vai acontecer.

O quadro não está claro, mas existe pelo menos um bom motivo para se manter o otimismo. A percepção é unânime: os investimentos em automação parecem ser irreversíveis para os transformadores interessados em se manter competitivos no mercado. E o índice de automação da indústria brasileira ainda é bastante reduzido. O potencial do mercado é enorme e as vendas devem voltar em breve a um nível satisfatório, a não ser que ocorra uma catástrofe econômica nos próximos meses.

Das três principais fornecedoras de robôs – Dal Maschio, Star Seiki e Wittmann –, uma tem motivo extra para demonstrar maior otimismo. É a Dal Maschio, de origem italiana, única a manter fábrica no Brasil, localizada em Diadema, na Grande São Paulo. De acordo com o diretor José Luiz Galvão Gomes, esse fato dá para a empresa a vantagem de contar com maior liberdade do que as concorrentes quando o assunto é o valor do câmbio. A forte desvalorização do real nas últimas semanas proporciona maior competitividade aos robôs produzidos por aqui.

Os concorrentes, no entanto, também apresentam seus trunfos. A Star Seiki, com escritório de representação na capital paulista, aposta na

Cuca Jorge

Kimura: empresas japonesas ajudam as vendas

consolidação no Brasil das montadoras japonesas e de suas respectivas fornecedoras de autopeças. Sem falar nos produtores de eletroeletrônicos japoneses que estão fazendo sucesso por aqui. “Marcas como Honda, Toyota, LG e Samsung dão preferência aos parceiros que mantêm no exterior. Nossa perspectiva é de crescimento das vendas em 2009”, afirma Roberto Eiji Kimura, diretor da empresa.

O grupo austríaco Wittmann, especializado em equipamentos para automação de linhas de injeção de plástico, concretizou no primeiro semestre do ano passado a compra da fabricante alemã de injetoras Battenfeld. A aquisição é uma carta guardada na manga pela Wittmann. Para Reinaldo Carmo Milito, diretor do escritório de vendas de Campinas-SP, ela permite à empresa oferecer aos transformadores pacotes de equipamentos  completos para determinada operação. Por um lado, ganham os clientes, que podem montar uma célula de  produção consultando um único fornecedor. Por outro lado, ganha a Wittmann, que tem a possibilidade de agregar valor às suas vendas.

Números – Os fornecedores de robôs conseguiram resultados excepcionais no ano de 2007. Em 2008, o crescimento não foi significativo, mas o fato das vendas terem permanecido perto dos níveis do ano passado já contentou os representantes das empresas. A Dal Maschio, no ano passado, vendeu 95 unidades, contra 45 em 2006. “Esse ano esperamos crescer 10%, número por nós considerado excelente”, diz Gomes. Satisfeito com o

Cuca Jorge

Milito: Wittmann quer agregar valor às vendas

resultado, o diretor explica que a forte oscilação no valor do dólar nas últimas semanas fez com que vários clientes antecipassem as compras. “Estamos com a carteira fechada até fevereiro. Por enquanto, a crise não tem nos incomodado”, comemora.

A Star Seiki, em 2007, havia crescido 50%. Ao todo, vendeu no ano passado 150 unidades de robôs. Com a crise mundial detonada em outubro, Kimura avalia que esse ano as vendas devem se estabilizar no mesmo patamar do ano passado. O número é considerado positivo. Caso sejam confirmados os investimentos previstos pelas empresas japonesas por aqui, a meta para 2009 é ambiciosa. “Queremos vender 200 unidades no próximo ano”, conta o gerente.

A Wittmann também pretende manter nesse ano o mesmo nível das vendas alcançado em 2007, apontado como o melhor de todos no Brasil, quando a empresa vendeu 75 robôs, contra 32 em 2006. “Esse

Cuca Jorge

Gomes: carteira fechada até fevereiro

ano estávamos superando os resultados do ano passado até outubro, mas a crise fez os nossos clientes diminuírem o ritmo das compras. Alguns projetos foram suspensos até que se definam com maior clareza os rumos da economia”, diz Milito.

Otimismo dos executivos à parte, há motivos para preocupações. Um deles é o desempenho das vendas de veículos. As três empresas admitem que nos últimos anos as montadoras e a indústria de autopeças foram os principais compradores de robôs. O resultado se deve ao fato da indústria automobilística ter apresentado desempenho excepcional no Brasil.

Com problemas de restrições de crédito aos consumidores, os números de novembro mostraram forte queda nas vendas de veículos. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas no mês foram de 177.906 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, número 25,66% inferior ao de outubro. Caso o desempenho do setor seja negativo nos próximos meses, esse é um fator que pode prejudicar os fornecedores de robôs.

Outros segmentos importantes podem ser afetados, como os das indústrias de eletroeletrônicos e de linha branca. Uma crise com a construção civil também pode prejudicar a venda de equipamentos. O mesmo raciocínio vale se uma retração atingir o setor de embalagens, em especial as de alimentos e cosméticos, também bons compradores de soluções de automação nos últimos anos. Para os fabricantes de embalagens, a automação protege as linhas de produção de impurezas, cuidado altamente desejado pelos clientes.

Cultura – Forte aliada dos fornecedores de robôs, a disseminação da cultura de automação entre os transformadores nacionais é uma arma capaz de garantir a expansão do mercado nos próximos anos. O sucesso alcançado nos últimos anos pelas empresas do ramo não é à toa. Com a utilização do equipamento, os ciclos se tornam repetitivos e asseguram peças injetadas dentro das características imaginadas, impossíveis de serem obtidas com trabalhadores manuais.

O índice de perdas se reduz bastante. No caso das peças que precisam de ótima aparência, os robôs impedem prejuízos causados por acidentes com quedas ou manuseio inapropriado. O mesmo ocorre com as peças de grande porte, como pára-choques e painéis de automóveis, difíceis de serem transportadas pelos seres humanos. Nas linhas de produção com ciclos muito rápidos, a automação permite que as máquinas operem sem parar, 24 horas por dia.

 

 

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