IN MOLD LABELING

premium. Para a Sadia, um pote de 150 ml voltado para embalar patê de queijo. Essas operações requerem três injetoras dotadas com sistemas de automação, fabricados no Brasil pela Dal Maschio. Uma para produzir o pote do sorvete, outra para a tampa do pote de sorvete e a terceira para o pote do patê. Todas as peças são injetadas em moldes de duas cavidades.

A Jaguar espera fechar novos contratos em breve. “Temos recebido pedidos de muitas cotações, há um grande potencial para o crescimento da venda dessas embalagens”, revela José Felício Baldasso, diretor-industrial. Para fazer frente a novas possíveis encomendas, representantes da empresa estiveram nas últimas semanas em Israel, país considerado centro de excelência na tecnologia. “Eles têm um know-how impressionante e são exportadores de equipamentos e rótulos”, informa.

O preço dos rótulos também é apontado por Baldasso como um dos problemas a serem solucionados para a tecnologia ganhar mais espaço no mercado brasileiro. “Os rótulos respondem por 45% do preço das embalagens”, calcula. Uma das dificuldades se encontra nas tiragens, ainda reduzidas. “No caso dos sorvetes, mesmo que o número de potes fabricados seja grande, usamos rótulos diferentes, de acordo com o sabor”, ressalta.


Baldasso: há grande potencial para produtos feitos com a técnica

Para Baldasso, o problema dos rótulos não está só no preço. Ele reconhece a boa vontade demonstrada pelos fornecedores, que estão investindo para melhorar seus produtos. Mas avalia que os rótulos nacionais não estão

no nível de qualidade  desejado. “Eles estão se esforçando, acredito que as coisas vão melhorar com o tempo”, diz. Para se ter uma idéia do problema enfrentado pela transformadora, os rótulos usados nos potes e tampas dos sorvetes fabricados para a Nestlé são importados da Argentina. Além da qualidade, os produtos do país vizinho estão dentro das especificações rigorosas adotadas pela multinacional da indústria alimentícia, que requer tintas especiais, não contaminantes. Já os da Sadia são produzidos pela brasileira Flexoprint. “Os do patê são difíceis de serem fabricados, eles têm cinco faces”, observa o diretor-industrial.


Pote do patê de queijo tem rótulo de
cinco faces

O gargalo – As empresas envolvidas com a produção dos rótulos não querem ficar com a imagem de responsáveis pela dificuldade do desenvolvimento desse nicho de mercado e prometem investir na melhoria constante de seus produtos. Elas ressaltam que o desenvolvimento de rótulos de boa qualidade foi um empecilho no início da adoção do IML também nos países onde hoje a técnica é bem mais utilizada e acreditam que a popularização da prática levará ao aperfeiçoamento e a preços mais justos.

Uma dessas empresas é a Vitopel, de origem argentina, que em 1997, nove anos após sua criação, chegou ao Brasil por meio da incorporação da Koppol, empresa localizada em Mauá, na Grande São Paulo. Ainda no Brasil, a Vitopel adquiriu em 2005 o parque industrial da Votocel, situada em Votorantim-SP. Hoje, com capacidade para produzir 127 mil toneladas por ano de matérias-primas, se encontra entre as principais fabricantes do mundo de filmes de BOPP.

Para Patrícia Lombardi, gestora de novos negócios da Vitopel, um dos problemas foi o uso, durante um tempo, por parte de fornecedores “espertos”, de filmes não qualificados para a operação. A prática, na sua opinião, “queimou” a imagem do processo. “Para os projetos IML precisamos usar filmes diferenciados, com algumas

características que permitam resultados positivos para os trabalhos”, revela.

A Vitopel desenvolveu, há dois anos, filmes específicos para a operação. Daniel de Almeida, assistente técnico da empresa, informa que eles contam com algumas propriedades, como permitirem bom controle das forças estáticas, planicidade e obtenção de superfícies adequadas para a impressão. Para a empresa, outro problema é o volume da demanda no mercado nacional, excessivamente tímido. Esse é o motivo principal pelo qual a empresa não conta com concorrentes por aqui. “Somos o único fornecedor do Brasil e um dos poucos do mundo”, afirma Patrícia.


Patrícia e Almeida recomendam filmes específicos

A Gráfica Rami passou a acreditar no potencial desse mercado há cinco anos. “Os filmes utilizados eram todos importados e vimos uma boa oportunidade de negócios nesse filão”, conta Gelson José Gasparotto, gerente de negócios da gráfica. Um ano depois, a empresa passou a atender suas primeiras encomendas. “Esse é um

mercado que vem crescendo 30% ao ano para nós”, revela o executivo. Ele conta que hoje o método de impressão usado nos filmes é o off-set. “Antes usávamos rotogravura ou flexografia”, diz. Gasparotto também ressalta a importância da precisão do corte. O rótulo deve estar perfeito para que a injeção ocorra dentro dos padrões de qualidade esperados.

Tanto Vitopel quanto Rami também atendem outro mercado que utiliza IML, o de sopro. Várias embalagens sopradas já vêm sendo produzidas no Brasil por meio da tecnologia. Entre as empresas pioneiras a se interessar pela técnica se encontram


Gasparotto: mercado IML cresce 30% ao ano

a Petrobras, que há alguns anos lançou uma embalagem do lubrificante Lubrax, e a Química Amparo, cujo produto pioneiro foi o amaciante de roupas Ipê. Os filmes usados como base e as técnicas de impressão são diferentes dos utilizados nos produtos injetados. “Uma das dificuldades do filme é que ele precisa ser compatível com o polietileno, matéria-prima usada nas embalagens sopradas”, exemplifica Almeida.

Sistemas de automação – As principais empresas fornecedoras de robôs no mercado brasileiro também atuam em projetos de desenvolvimento de sistemas de automação voltados para linhas de produção IML. Todas desenham os mecanismos caso a caso, de acordo com as necessidades dos clientes. São levados em conta quesitos como design da peça, design dos rótulos e volume de produção desejado, entre outros.

Ser uma empresa com fábrica no Brasil é um dos trunfos utilizados pela fabricante de robôs Dal Maschio na hora de convencer seus clientes. “Temos capacidade de desenvolver um projeto de acordo com as necessidades de nossos clientes e fornecer todos os componentes necessários com maior agilidade”, garante José Luiz Galvão Gomes, diretor da empresa. Como exemplo, ele cita a ampla variedade de garras com os mais variados formatos para a função.

Segundo Gomes, a proximidade também ajuda na hora de ensinar o cliente a trabalhar com a tecnologia. De quebra, ele aponta outra vantagem de sua empresa. Por contar com fábrica local, ela é menos vulnerável às variações do dólar. A valorização da moeda norte-americana tem arrepiado os cabelos de muitos empresários nas últimas semanas. “Acredito que esse mercado tem potencial muito bom, pode se desenvolver bastante nos próximos anos”, resume.

Roberto Eihi Kimura, gerente-geral do escritório da japonesa Star Seiki no Brasil, é um pouco menos otimista. Ele acredita que este mercado ainda está engatinhando por aqui e não se arrisca a dar um palpite sobre de que forma as vendas vão se desenvolver nos próximos anos. “Nossa grande dificuldade, por enquanto, é a falta de fornecedores de etiquetas com qualidade adequada para a operação”, explica, repetindo a queixa de outros participantes do mercado. Outro problema, na sua visão, é a necessidade do transformador investir em moldes de elevada qualidade.

“As injetoras e os robôs não são os maiores problemas para quem quer investir na tecnologia”, garante. E lembra que a Star Seiki tem capacidade para desenvolver os mais variados projetos, de acordo com as necessidades dos clientes. “Temos tido um bom número de consultas, mas acho que os transformadores ainda têm dificuldades para mensurar com precisão o custo/benefício da operação”, resume.

Soluções fechadas – Grupos fabricantes de equipamentos oferecem soluções completas para transformadores interessados em ingressar no mundo do IML. Um desses grupos é o da multinacional de origem austríaca Wittmann. “Com nossa estrutura somos capazes de oferecer projetos completos de IML”, explica Reinaldo Carmo Milito, diretor da empresa no Brasil. Por projetos completos, podemos definir sistemas dotados com os robôs e demais componentes do sistema de automação, as injetoras e até os moldes. Um expediente muito usado pela empresa nessa aplicação é oferecer projetos de stack-molds – em português, “molde empilhado”. Trata-se de um molde que, em vez de ter uma placa com as cavidades, tem duas placas com cavidades, cujos orifícios são montados de forma espelhada. O fato das faces com as cavidades estarem sobrepostas permite que as forças geradas durante o preenchimento se anulem aos pares, por serem iguais e em sentido contrário.

A tecnologia foi usada pela Wittmann no equipamento adquirido pela Pavão, que produz, em um mesmo ciclo, pote e tampa de sorvete com capacidade de dois litros. “No exterior, as embalagens IML são utilizadas há um bom tempo, acredito que no Brasil esse mercado cresça bastante”, avalia Milito.

Quem também demonstra otimismo com esse mercado é Christoph Rieker, gerente-geral do grupo SumitomoDemag. O grupo foi formado há cerca de um ano, quando a multinacional japonesa Sumitomo adquiriu a alemã Demag. Com a aquisição, o grupo passou a oferecer ao mercado projetos de IML com as duas marcas. “A vantagem do comprador ao adquirir soluções fechadas é poder recorrer a apenas uma empresa para resolver todos os seus problemas”, informa Rieker.

De acordo com o gerente, as linhas com as marcas Sumitomo e Demag não concorrem entre si, são complementares. Os projetos oferecidos pela


Rieker: clientes ganham com pacotes fechados

Sumitomo levam a marca Simpac. Eles vêm equipados com injetoras elétricas com modelos de forças de fechamento na faixa entre 180 e 350 toneladas. “Na feira IPF 2008, realizada em novembro, no Japão, foi apresentado um modelo que produzia potes de duas cavidades com ciclos de 3,6 segundos”, orgulha-se. Já a linha da Demag é indicada para máquinas de maior porte e trazem injetoras que operam com sistemas de movimento hidráulicos. “São indicados para peças mais volumosas, como baldes usados como embalagens por indústrias químicas”, explica.

 

 

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