Indústria
de embalagens começa Texto de José Paulo Sant’Anna e fotos de Cuca Jorge A operação ocorre em alguns segundos, em regime de rigorosa precisão. A garra do robô pega o rótulo, com a ajuda de ventosas. Os rótulos são levados para as cavidades do molde de injeção e lá fixados por meio de uma descarga elétrica – em torno de 15 mil a 20 mil volts – ou de sistema de vácuo presente na ferramenta. A escolha entre a descarga elétrica ou o sistema de vácuo depende das características da peça. O ciclo prossegue. A resina é injetada e incorpora o rótulo. A peça é retirada, já decorada e pronta para ser usada de acordo com sua finalidade. A tecnologia in mold labeling (IML), expressão que pode ser traduzida em português como “rotulando no molde”, já é bastante difundida nos países avançados e começa a ser utilizada no Brasil. A técnica é bastante indicada para a fabricação de embalagens, em especial de produtos alimentícios ou químicos. São os casos, por exemplo, de potes de sorvete, margarina, iogurte, tintas ou produtos de limpeza. Também é usada para a confecção de móveis, como as cadeiras e mesas promocionais muito encontradas em bares pelo Brasil afora, decoradas com marcas de bebidas, entre outras aplicações. As vantagens do processo são significativas. Uma vez injetada, uma embalagem não precisa sofrer operações posteriores, como colagem de etiquetas, colocações de cintas de papelão ou gravações feitas em serigrafia. A qualidade da impressão obtida é muito superior à dos outros métodos. Um produto com embalagens IML se destaca nas gôndolas das lojas e supermercados, fato hoje em dia muito valorizado em razão da elevada competitividade do mercado nas mais diversas categorias de produtos. Em geral, embalagens como potes de sorvete são reaproveitadas. A marca do produto permanece gravada para sempre e será lembrada pelo consumidor por todo o período em que ele a reutilizar. Os obstáculos a serem enfrentados para a popularização da tecnologia, porém, não são pequenos. Os investimentos necessários feitos pelos transformadores para atender a esse mercado são pesados. O know-how exigido é complexo. O grande impedimento, na área técnica, se encontra na produção dos rótulos, problema que há alguns anos dificultou o ingresso da tecnologia no exterior e hoje é barreira para o desenvolvimento do mercado brasileiro. Os preços das peças feitas com a tecnologia não são competitivos em relação aos demais métodos. Com essas dificuldades, o IML ainda é adotado de maneira muito incipiente por aqui. O número de transformadores com capacidade para realizar a operação talvez possa ser calculado com o auxílio dos dedos das mãos. O potencial desse nicho de mercado para as empresas brasileiras interessadas em investir na técnica, no entanto, é considerado excelente por especialistas. Na prática, existem provas desse potencial, como a recente chegada ao varejo de produtos apresentados com essas embalagens, fabricados por gigantes como Nestlé e Sadia. A demanda deve crescer muito nos próximos anos e, com o aumento previsto da escala de produção, o processo deve se tornar mais competitivo. O IML conta com cadeia de fornecedores um tanto extensa. Tudo começa pelo fabricante dos filmes especiais de BOPP, utilizados para a confecção dos rótulos. No Brasil, a única fabricante desses filmes é a Vitopel. Passa pelas gráficas, responsáveis pelo corte e gravação dos rótulos. Entre as poucas que realizam o serviço no país, se encontram Rami e Flexoprint. As empresas fornecedoras de robôs comercializam os sistemas de automação necessários para a realização dos ciclos de injeção. Entre elas, podemos citar a Dal Maschio, de origem italiana com fábrica no Brasil, e a japonesa Star Seiki, com escritório de representação. As injetoras precisam ser dotadas de sistemas de controle compatíveis para o diálogo com os sistemas de automação instaláveis. Fornecedores multinacionais de injetoras oferecem soluções completas, até os sistemas de automação. A Wittmann, multinacional com forte presença no mercado de robôs voltados para o mercado plástico, está oferecendo projetos completos. A empresa comprou, há poucos meses, a Battenfeld, tradicional marca alemã de máquinas injetoras de plástico. A mesma solução é oferecida pela SumitomoDemag, que entre os equipamentos oferecidos ao mercado traz para o Brasil a linha de automação para IML Simpac, marca da japonesa Sumitomo. As peças quase sempre são injetadas com polipropileno. No caso das embalagens, os moldes precisam ser muito precisos e rápidos.
A Pavão conta com sistemas de automação da Wittmann, Dal Maschio e Star Seiki. A última aquisição da empresa foi um sistema de automação, lançado pela Wittmann na edição da K 2007, com um robô responsável pela aplicação de rótulos no interior das cavidades por meio de carga eletrostática. As peças são injetadas em um stack-mold que produz, de maneira simultânea, tampa e pote decorados. O ciclo tem duração aproximada de 6,5 segundos. “O equipamento começou a operar agora em outubro e já temos encomendas que ocupam 20% da capacidade da máquina”, diz o diretor. Machado credita a resistência existente no mercado à adoção dessas embalagens ao custo e acha que ainda vai levar algum tempo para que a tecnologia se popularize por aqui. Para ele, as empresas de mercados muito concorridos, como os de iogurtes ou margarinas, não admitem pagar algo como R$ 0,10 a mais por um pote, mesmo que este seja de melhor qualidade e mais vistoso. “Para eles, é difícil repassar esse custo”, justifica. Quem fabrica produtos um tanto diferenciados, como sorvetes voltados para o mercado premium, por exemplo, consegue repassar esse valor com maior facilidade. As tiragens desses produtos são menores, o que em curto prazo não permite aos transformadores trabalhar com grandes escalas. O diretor da Pavão acusa o preço dos rótulos como o principal fator da falta de competitividade. “O rótulo representa cerca de 50% do preço da embalagem”, diz. Entre os fornecedores de rótulos da empresa, se encontra a gráfica Rami. Sala limpa - A Jaguar Plásticos, transformadora especializada em injeção, criada em 1978, em Jaguariúna-SP, conta, hoje, com 36 injetoras e participa dos mercados de utilidades domésticas, embalagens e peças sob encomenda. Passou a trabalhar com IML há cerca de um ano. Tudo começou há quase dois anos, com a inauguração de uma sala limpa, investimento realizado para fortalecer sua presença no mercado de embalagens, em especial no nicho de copos de requeijão – a empresa é fornecedora da Danone, fabricante das marcas Poços de Caldas e Paulista.
O espaço chamou a atenção de outras grandes multinacionais. Depois de algumas conversas, a Jaguar passou a produzir duas embalagens IML para produtos que chegaram às gôndolas dos supermercados recentemente. Para a Nestlé, a transformadora injeta embalagens de 700 ml para uma linha de sorvetes |
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