FLEXOGRAFIA

A executiva relata ainda duas vantagens. A primeira é a economia de energia, uma vez que uma Global Flex oito cores necessita de apenas dois servo-motores, enquanto uma gearless do mesmo porte exige dezoito servo-motores. A segunda vantagem é a maior facilidade de operação. “A mão-de-obra latino-americana não está acostumada a lidar com equipamentos eletrônicos, mas está familiarizada com os equipamentos mecânicos”, diz a diretora-comercial. “Além disso, havendo necessidade de manutenção, os equipamentos eletrônicos dependem de importação e mão-de-obra especializada. Nos mecânicos, a solução de problemas é mais acessível”, afirma. Segundo Mônica, outro atrativo da Global Flex é o preço, que chega a ser 20% inferior em relação às gearless de mesmo porte.

Apesar de sua aposta em soluções mecânicas, a Feva possui e oferece também a tecnologia gearless, mas, por enquanto, sem nenhuma comercialização concretizada. A diretora-comercial relata que a tecnologia gearless foi incorporada na Feva por meio de um contrato com a norte-americana PCMC, quando a brasileira produziu, sob encomenda para a americana, 29 máquinas gearless de oito e dez cores, destinadas a clientes nos Estados Unidos. O acordo, porém, foi interrompido quando a PCMC foi adquirida pela também norte-americana Barry-Wehmiller, que possuía uma estratégia interna de produção. “Oferecemos a tecnologia, mas acreditamos que as máquinas mecânicas aprimoradas, como a Global Flex, são as mais apropriadas aos nossos clientes latino-americanos”, afirma a executiva. Mônica diz ainda que a estratégia da Feva é desenvolver soluções dedicadas para a necessidade de cada cliente. Um exemplo foi o desenvolvimento recente de uma máquina oito cores capaz de realizar impressão em tecidos-não-tecidos (TNT), que, por ser um material delicado, exige um controle de tensão especial da impressora.

Hemerson Luis dos Santos, diretor técnico da paranaense Flexo Tech, relata que o mercado de flexográficas apresentou um declínio a partir de abril de 2008, mas agora o executivo acredita que surjam novas possibilidades de negócios com o novo patamar cambial. “Essa desvalorização do real contribui para ficarmos mais competitivos com os mercados internacionais. Está acontecendo na hora certa”, acredita. Uma vantagem da Flexo Tech, segundo o executivo, é sua baixa dependência produtiva em relação a itens e partes importadas.

Ao contrário da Feva, porém, a aposta da Flexo Tech é na tecnologia gearless. Lançada em 2006, a linha Gearless Acces é hoje comercializada nas versões seis e oito cores. “Esta nova tecnologia está em crescimento aqui no Brasil. Ela tem uma vantagem muito significativa, em tempo de parada de máquina, para troca de serviços. Este tipo de máquina ajuda muito nos acertos, pelo motivo de ser CNC, ou seja, você faz novamente o mesmo trabalho, com muito menos tempo de acerto e esses acertos têm a vantagem de ser eletrônicos”, diz Santos. Segundo o executivo, a tendência da Flexo Tech é de investir no desenvolvimento da tecnologia, possivelmente com o lançamento de uma nova linha gearless. “Este equipamento está muito bem-visto pelo empresário brasileiro”, diz Santos.


Santos aposta na tecnologia gearless

Gearless – Na Europa e nos Estados Unidos, as impressoras sem engrenagens gearless são predominantes desde o início da década. No Brasil, a introdução desta tecnologia é recente e ocorre lentamente. Estima-se em umas 15 máquinas gearless comercializadas em 2008 entre todos os fornecedores com atuação no país. As máquinas gearless custam entre duas a três vezes mais que uma máquina mecânica, mas apresentam desempenho superior. Em uma impressora flexográfica tradicional, os sistemas de engrenagens são utilizados para sincronizar o movimento de todos os grupos impressores com seus respectivos porta-clichês, ou camisas, e anilox. O movimento sincronizado acontece porque há uma engrenagem no tambor central que arrasta todos os grupos impressores. O mesmo ocorre com as máquinas que utilizam o sistema stack, com cilindros de contrapressão.

Já o sistema gearless elimina todas essas engrenagens. Cada grupo impressor, composto de porta-clichês e cilindros anilox, possui um servo-motor, assim como também o tambor central (ou stack). Todos os motores são sincronizados eletronicamente.

Esta diferença tecnológica traz uma série de vantagens. Primeiro, elimina um efeito indesejado na impressão, as “marcas de engrenagem”, que são pequenas estrias transversais causadas pelo mau engrenamento dos dentes da engrenagem que fogem do seu diâmetro primitivo. Além disso, como não há engrenagens, a máquina vibra menos, melhorando a qualidade da impressão.

Outra vantagem é a possibilidade de imprimir com passos diferenciados. As engrenagens só permitem múltiplos limitados de passo de repetição da imagem, sendo necessário adaptar a impressão ao número de dentes da engrenagem. Já no sistema gearless é possível utilizar passos quebrados ou fracionados. O sistema também permite uma maior velocidade sem desgastar a máquina, uma vez que a engrenagem é um limitador de velocidade. O ganho de velocidade chega a 30%.

Este conjunto de vantagens levou a paulista Flexopower a apostar numa migração do mercado brasileiro para a tecnologia gearless. Ruy Mendes Vita, diretor da empresa, relata que, até aqui, a aposta tem obtido sucesso. A Flexopower lançou sua linha gearless em 2006. Segundo Vita, cinco máquinas com a tecnologia foram

comercializadas pela empresa em 2007 e outras dez em 2008, sendo que três destas estão programadas para ser entregues em 2009. O executivo relata ainda que, desde 2003, sua linha Beta de flexográficas já vinha sendo produzida de forma que permita, no futuro, uma evolução para a tecnologia gearless, o que vem ocorrendo. No total, relata o executivo, seis equipamentos Beta já passaram por upgrade eletrônico.

A estratégia da Flexopower, porém, é bastante dependente de partes e peças importadas. Essas peças representam por volta de 65% do custo das impressoras e a desvalorização do real acabou desfavorecendo a empresa. Segundo Vita, é inevitável repassar a variação cambial para os preços dos equipamentos. Mas ainda está difícil definir o tamanho do reajuste, uma vez que a cotação da moeda brasileira ainda não se estabilizou. Vita relata, porém, que a crise internacional, por enquanto, ainda não gerou impacto em seus negócios.


Vita: alimentos e higiene devem assegurar os negócios do setor

 “Continuamos recebendo consultas e solicitação de orçamentos normalmente e temos vários negócios em via de se concretizar”, diz o executivo. Vita acredita que o mercado de impressão flexográfica deverá ser um dos menos atingidos pela crise. “É um mercado em que aproximadamente 90% dos trabalhos são destinados a atender os produtores de embalagens para alimentos e produtos de higiene, segmentos nos quais não há indícios de uma forte retração.”

 

 

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