A rápida desvalorização do real nos meses de setembro e outubro, quando a moeda brasileira perdeu por volta de 50% de seu valor mediante o dólar norte-americano, gerou uma reversão na competitividade entre os fornecedores de equipamentos para impressão em flexografia no Brasil. Até então, levavam vantagem as empresas cujas estratégias estavam estabelecidas sob a importação de componentes e partes de máquinas, ou até mesmo de impressoras prontas. Esse modelo favorecia, por exemplo, a introdução das modernas impressoras sem engrenagens, as chamadas gearless, no Brasil. Por outro lado, os fabricantes que usam um maior número de componentes nacionais perdiam mercado interno e externo. Para estes, a desvalorização do real foi bem-vinda. Mas, junto com a desvalorização do real, uma outra questão passou a inquietar os fabricantes de equipamentos. Como ficará a demanda por novas impressoras diante da retração do consumo mundial e do encarecimento do crédito? No final de novembro não havia sinais no mercado que permitissem a formulação de uma resposta para esta questão. Em média, são comercializadas no Brasil entre 60 e 80 flexográficas por ano. Há condições de se manter esta média em 2009? Em meio às incertezas, Plástico Moderno procurou os principais players do mercado brasileiro de impressoras flexográficas em banda larga, assim como a Abflexo, a associação que reúne os impressores em flexografia, com o objetivo de traçar um cenário tanto tecnológico como mercadológico. Poucos atenderam à reportagem. Os depoimentos destes, porém, ajudam a entender o momento da indústria de impressoras flexográficas e as tendências diante da nova realidade. A paulista Feva talvez seja o melhor exemplo de como o câmbio comprometeu o desempenho comercial das empresas brasileiras do setor. Durante décadas, a Feva foi a fabricante brasileira de flexográficas com maior volume de vendas no mercado interno e também em exportações. Em bons anos, a empresa chegou a comercializar entre 6 e 7 máquinas por mês, sendo a metade destinada para países da América Latina, Estados Unidos, Canadá e até para a China. Em 2006, já sob a pressão do real valorizado, a empresa exportou 20 máquinas durante o ano e, em 2007, o número exportado caiu pela metade, ficando em dez máquinas vendidas no exterior. O desempenho em 2008 foi ainda mais tímido. Como relata Mônica Viviam Vaders Mora, diretora-comercial da Feva, o câmbio tornou os equipamentos brasileiros caros no exterior e a empresa acabou
A desvalorização do real gerou otimismo na empresa, informa Mônica. Como o índice de participação de peças importadas nos equipamentos da Feva é baixo, limitando-se a alguns itens eletrônicos, peças para controle de tensão e rolamento, a executiva avalia que o impacto do aumento dos preços dessas peças, que já vem ocorrendo, será pequeno no preço final da máquina. “Agora podemos oferecer um produto com a mesma qualidade dos melhores fabricantes europeus a um preço bastante competitivo em relação ao que eles praticam”, diz. Por outro lado, o mercado entrou em compasso de espera. No exterior, relata a executiva, os clientes estão esperando uma estabilização maior do dólar, aqui e em seus países, para ter uma segurança maior sobre o preço final dos equipamentos. Já no mercado interno, o impasse em relação aos investimentos é gerado por dois fatores. O primeiro é a dificuldade, neste momento, em prever como será a demanda por impressos no próximo ano. O segundo fator está relacionado às condições de financiamentos. As compras de máquinas e equipamentos no Brasil são beneficiadas por empréstimos subsidiados do BNDES, pelo mecanismo do Finame, mas os bancos estão exigindo mais garantias dos tomadores de crédito. “No momento, notamos que as aquisições de equipamentos estão sendo postergadas. Mas acreditamos que esta seja uma fase passageira e que vamos sair dela mais competitivos em relação aos produtos europeus”, diz a diretora-comercial. Além de melhores condições de comercialização de seus produtos, a Feva também aposta em inovações para atender melhor seus clientes brasileiros e de outros países latino-americanos. A principal expectativa está depositada na nova impressora Global Flex, que começou a ser oferecida no mercado nos últimos meses. Mônica relata que se trata de um equipamento mecânico, mas com características aperfeiçoadas que o fazem ter um desempenho próximo do das máquinas eletrônicas gearless. Apresenta, segundo ela, rapidez e precisão no encaixe entre as engrenagens do porta-clichê e o tambor central, rapidez na troca de trabalhos e qualidade de impressão. |
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