SOPRADORAS

O sopro busca mais produtividade, na opinião do diretor Newton Zanetti, da fabricante nacional de máquinas Pavan Zanetti. Esse é o xis da equação desse mercado, o que na prática representa máquinas com mais cavidades e menos gasto energético. Por isso, a fabricação do modelo elétrico também permeia os novos projetos da Pavan Zanetti, apesar de seu diretor admitir se tratar de uma tecnologia cara, por causa dos equipamentos, todos importados. “Está nos nossos planos atuar nesse segmento. Acordamos todo dia pensando em como desenvolver essa máquina”, reconheceu Zanetti. Ele antevê que o Brasil estará preparado para essa solução a médio e longo prazo, sendo a área farmacêutica uma das mais preparadas para desbravar o segmento.

Seabra, da Romi, pensa da mesma forma. Para ele, o princípio básico das sopradoras elétricas de substituir todos os atuadores hidráulicos por eletromecânicos traz vantagens importantes na produção de embalagens para produtos farmacêuticos ou hospitalares, pois não há contaminação por óleo na peça soprada.

O foco na qualificação das máquinas também embute propostas mais imediatistas, como a incorporação nas sopradoras do sistema linear no lugar do pendular, na medida em que o recurso reduz o desgaste da mesa, melhora o ciclo da máquina e automatiza a rebarbação. “As máquinas de sistema pendular estão desaparecendo”, comentou Pereira, diretor da Loop.

Tanto fabricante como transformador concordam ainda que os modelos estão mais automatizados, tornando o processo limpo. “O mercado de peças sopradas se encontra em constante ascensão”, disse Seabra. Para ele, os transformadores exigem máquinas mais produtivas e capazes de reduzir os custos de mão-de-obra. Por isso, as sopradoras Romi JAC são 100% automáticas e oferecem alta produtividade. Um exemplo fica por conta do modelo 8 TD, capaz de produzir 4,2 mil frascos de iogurte por hora.

A tecnologia para o sopro também está mais apurada. A Techne Technipack do Brasil conta com várias amostras, como o sistema Veltech, um recurso de ciclo rápido, com o qual é possível reduzi-lo entre 10% e 35%, dependendo do tipo de frasco. Algumas novidades recentes da Bekum, por sua vez, dão conta do sistema de fechamento proporcional para todas as máquinas, incorporação de CLP com touch screen, com possibilidade de acesso via internet, e extrusão contínua em coex/biex, com manipulação do parison. O fabricante apresenta ainda sistema de retirada e estampagem automático e expulsão proporcional de cabeçote por acumulação.

Na opinião do diretor da Soproval, o sopro no país tem melhorado de forma significativa. De acordo com ele, nos últimos cinco anos, as máquinas ganharam muito em precisão. “Antes, era mais ou menos, hoje é quase 100% preciso”, comentou Monteiro. No Brasil, o diretor cita como referência a Pavan Zanetti – em seu parque industrial, possui dezoito modelos da marca. Mas reconhece a superioridade da tecnologia internacional para algumas aplicações, fora do convencional. Não por acaso, há quatro anos, a empresa decidiu adquirir sopradoras estrangeiras; elas são de origem chinesa, italiana, alemã e japonesa. A última compra – ainda a ser entregue – é um modelo da China. “Em PET, por exemplo, não há máquina brasileira similar à italiana”, relatou. Os novos projetos estão em compasso de espera, dizem respeito à produção de tampas (injetadas), sobretudo, na linha PET.

Bons ventos – Apesar da liderança no sopro convencional, a Pavan Zanetti não se acomodou na posição, a ponto de seu diretor pensar em trocar de endereço. A empresa continuará em Americana–SP, no entanto, até o final de 2010 em área com o dobro do tamanho da atual.

A transformação nacional também se mostra de portas abertas para a tecnologia estrangeira. “O primeiro semestre foi a engorda do boi”, afirmou Salgueiro, ao comentar suas vendas no período. Esse turbilhão ocorreu sobretudo por causa do mercado agroquímico, no qual a Bekum é bastante forte, com a oferta de máquinas altamente produtivas destinadas aos ramos de embalagens de cinco, dez e vinte litros, e para embalagens co-extrudadas. Em volume de máquina vendida, a companhia repetiu praticamente os índices do ano passado, porém a maior procura se deu por modelos de alto valor agregado. Só para o mercado agro foram vendidas dezoito máquinas, entre mercado externo e interno. “Esse segmento sustentou o faturamento, principalmente para aplicações em garrafões para defensivos agrícolas”, comentou Salgueiro. O carro-chefe do portfólio tem sido a sopradora BA 25, o que traduz a tendência de aumento do consumo de máquinas de alta produtividade. O modelo produz hoje 80 peças, por hora. A intenção é elevar para o dobro. “Esse projeto é específico para embalagem de 20 litros”, afirmou Salgueiro.

Cuca Jorge

Salgueiro: demanda de máquinas de alto valor agregado cresceu

Para quem não fabrica por aqui os ventos também sopram a favor. A Techne Technipack do Brasil registrou em 2008 o melhor ano da sua história no país. Apesar de não revelar o volume de vendas, Salles Filho aposta no aquecimento do mercado doméstico. “A economia está estável há algum tempo e o transformador está confiante. Só não sabemos como será 2009, por conta do que está acontecendo no mundo”, comentou, referindo-se às especulações sobre os reflexos da crise norte-americana.

Dez anos de atuação no Brasil foi o mote para a Techne trazer toda a diretoria da Itália para um encontro em território nacional e comemorar esse ano de colheita. A companhia, com sede na Bologna, foi criada em 1985; desde então, a fabricação se voltou para máquinas de alta tecnologia e velozes. Até o momento, são 905 modelos comercializados em 61 países, dos quais 90 estão no país. Apesar de poder ser considerado um baixo volume, a Techne Technipack do Brasil se considera líder em tecnologia e responde por 20% do faturamento da matriz italiana. No país, possui máquinas de duas a seis camadas instaladas, além de um modelo de 32 cavidades, vendido, porém ainda sendo montado. “Ele produz mais ou menos 10 milhões de frascos de meio litro por mês; é quase uma fábrica”, afirmou Salles Filho.

Em 2002, um fato marcou a trajetória da Techne. A empresa interrompeu a produção de máquinas de

Cuca Jorge

Sopradora BA-25 é a mais comercializada do portfólio da Bekum

pequeno porte, leia-se de uma ou duas cavidades, para se especializar em sopradoras para médias e altas produções. “Saímos desse nicho, pois a concorrência chinesa no segmento era muito forte”, disse o presidente da Techne Technipack Engineering Italy, Moreno Minghetti. Na época, a estratégia suscitou controvérsias, pois no ano em questão houve uma redução significativa nas vendas de máquinas. A retomada ocorreu em 2004, quando se registrou aumento de faturamento. “O mercado tem se mostrado mais aberto para a alta tecnologia”, completou Minghetti. Prova disso está na divulgação da linha Advance. A máquina é completamente elétrica, com carro linear (patente internacional Advance Techne) e foi desenvolvida para atender a altíssimas produções, com utilização de longo curso, em sua figuração máxima, e está disponível nas versões de um, dois ou quatro carros, com cursos de 510 mm ou 700 mm.

Com o foco na produção de embalagens de PP e de PEAD, a empresa prevê como um dos filões a indústria de leite. Quase metade das vendas da matriz, nos últimos oito anos, se deu para a produção de embalagem de alimentos. O mercado de forma geral tem se animado com outras aplicações também. O aumento do poder aquisitivo da população injetou ânimo em setores como o das embalagens para produtos de higiene e limpeza, sobretudo água sanitária e alvejantes. No caso da Techne Technipack do Brasil, a área representa 36% do total das vendas, enquanto o setor de cosméticos absorve 20%, e o restante se divide entre defensivos agrícolas, peças técnicas, alimentos e químicos.

Cenário – Líder nacional na produção de injetoras, a Indústrias Romi também decidiu investir no mercado do sopro, com a compra, no início do ano, da J.A.C. Indústria Metalúrgica. A aquisição representou a estratégia de ampliar sua atuação no setor dos plásticos. A companhia incorporou a tecnologia, além de toda a estrutura comercial e industrial, assumindo a responsabilidade pelos clientes e funcionários da J.A.C. A fim de ganhar escala e simplificar a gestão, as operações da J.A.C. foram transferidas e aplicadas na unidade fabril de Santa Bárbara d´Oeste-SP, onde são produzidas as injetoras.

A companhia está em fase de desenvolvimento do modelo Romi JAC Maxtec 100L. Destinada à fabricação de tanques de combustível da linha automotiva, com automação completa, a sopradora trará benefícios ainda guardados a sete chaves. “Para esse segmento, já colocamos no mercado máquinas com novos dispositivos que permitem realizar o acabamento total das peças sem contato manual”, comentou Seabra.

Somando-se à onda dos investimentos, a Loop injetou em sua fábrica cerca de 10 milhões, para renovação de seu parque industrial. Mas apesar da euforia de tempos atrás, a crise norte-americana já atormenta a transformação brasileira. Um mês dessa turbulência dos EUA foi o bastante para a Loop reduzir em 50% seu faturamento. “O setor de embalagem soprada é o primeiro a sentir os problemas da economia; somos um ótimo termômetro”, afirmou Pereira. Até então, a empresa tinha bons motivos para investir. Nos últimos três anos, cresceu, em média, 36% ao ano. Em 2008, a expectativa era de avançar mais de 40%, no entanto, por conta dessas questões macroeconômicas deverá repetir o índice anterior. Mas nem por isso a companhia se abateu, pois garantiu suas vendas, com novos clientes. Isso porque muitos envasadores substituíram as importações pela produção local, na observação do diretor.

Para Monteiro, o principal empecilho do mercado hoje se refere à oscilação do preço das resinas. A dificuldade do transformador de repassar o aumento enxuga os lucros e espreme as margens. A Soproval inaugurou em fevereiro último sua nova planta, porém não estima colher os frutos do investimento a curto prazo. A idéia é crescer, em 2008, entre 8% e 12% sobre o ano passado. Apesar de 2007 também não ser um bom ano de referência, Monteiro está confiante na retomada do mercado. A empresa, em média, aumenta suas vendas na ordem de 18% ao ano, e é justamente esse patamar pretendido para 2009.

Os altos índices registrados pela indústria de automóveis impulsionaram os negócios da empresa de transformação Loop. Com foco nesse

Cuca Jorge

Monteiro anunciou investimentos em sua fábrica

segmento, desde seu início, em 1997, nos últimos anos, ela tem tido motivo de sobra para se manter firme no mercado. A companhia até tentou participar de outros setores, como o de água. Em 1998 começou a produzir garrafões de policarbonato (PC), no entanto, em virtude da informalidade desse segmento na época e da tradição do Brasil de consumir a embalagem feita de PP, o projeto não vingou. “O mercado não reconheceu os benefícios do PC, com duração cinco vezes maior do que o PP”, afirmou Pereira. Sendo assim, optou pelo setor de automóveis, no qual mantém a liderança em algumas aplicações, como a de embalagens para fluidos de freio (frascos de 200 e 500 ml). Hoje também atende a outros segmentos, como o agroquímico, químico e de saúde animal. Mais de 70% da produção da Loop se destina ao setor automobilístico.

 

 

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