A transformação brasileira na área do sopro convencional absorve ao ano 220 máquinas, segundo estimativas do setor. Essa é a soma da produção das três mais importantes fabricantes nacionais: Pavan Zanetti, responsável por 130 sopradoras anuais; Bekum, 40; e as 50 restantes são da Indústrias Romi, que adquiriu a J.A.C. Metalúrgica Industrial, recentemente. Mas esse mercado vai além desses números; a tecnologia está cada vez mais sofisticada. Transformadores e fabricantes de máquinas têm falado a mesma língua, na medida em que se esmeram para o aumento da automação e da produtividade dos novos desenvolvimentos. As tendências anunciadas confirmam isso, pois seguem na direção dos modelos coex e das máquinas sem unidade hidráulica. O consumo de polietileno de alta densidade (PEAD) e do polipropileno (PP) é um bom indicador para configurar o mercado do sopro convencional. O diretor da Techne Technipack Brasil, Valdemar Salles Filho, divulgou dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e da petroquímica Braskem, segundo os quais o setor terá alguns motivos para apostar no seu avanço em volume, isso sem considerar, por enquanto, os efeitos do agravamento da crise mundial. As perspectivas apontam para o aumento do consumo aparente (soma da produção com as importações, menos as exportações) de PEAD de 805 mil t (previsão para este ano) para 833 mil t, em 2009. Em relação ao PP, também haverá incrementos: de 1.287 mil t para 1.336 mil t, no mesmo período de comparação. Para se ter uma idéia do reflexo desses números no bolso tanto do fabricante de máquinas quanto do transformador, vale lembrar que o sopro representa 40% do mercado do PEAD; no PP, o índice é inferior, no caso, de 6%, pois a injeção lidera, absorvendo 33% da demanda dessa resina. O sopro, como um todo, tem vivido um momento de importantes investimentos, voltados para o aumento de capacidade e a ampliação dos recursos aplicados às fábricas. Os novos desenvolvimentos têm incorporado melhorias no desempenho dos processos e dos transformados, com o objetivo de fabricar embalagens leves e ao mesmo tempo resistentes, além de tecnologia para elevar a produtividade e o controle sobre os resultados, sobretudo, com a adoção, cada vez maior, da automação, gerando processos mais limpos e menos agressivos ao ambiente. Ecológico - O conceito de sustentabilidade propagado na indústria à exaustão tem eco no mercado de sopradoras de outras maneiras também. As resinas recicladas ganham espaço a cada dia, a ponto de 70% da produção da empresa de transformação Loop, de Limeira-SP, resultar desse tipo de material. A maior aceitação se dá em aplicações específicas, em geral, aquelas destinadas para embalagens de fluidos de freio e de lubrificantes. De acordo com o diretor de marketing e negócios da Loop, Daniel Antonio Pereira, nos últimos cinco anos, muitos consumidores da resina virgem migraram para o reciclado, em virtude da alta dos preços das petroquímicas e da profissionalização da indústria de recuperação, agora, com mais qualidade. Em média, para o cliente, a embalagem feita de resina reciclada sai pela metade do preço da 100% virgem. O uso do material recuperado deverá crescer, e com ele a demanda pela tecnologia coex. Pelo menos essa é a aposta da fabricante de máquinas de origem alemã Bekum do Brasil, localizada em São Paulo. “Esse é o nosso mercado mais forte e é a próxima tendência do sopro”, avisou o gerente de vendas Wilson Salgueiro. Trata-se da fabricação de embalagens com mais de quatro camadas; variações ficam por conta dos tipos biex (duas camadas) e triex (três). A confiança da companhia está na procura por parte do setor automobilístico, na área de tanques de combustíveis. No exterior, exigem a co-extrusão para esta aplicação. O aumento do uso do reciclado seria a segunda razão do sucesso dessa tecnologia. Em um futuro próximo, as portas do setor para as máquinas coex e suas variações estarão abertas, ou melhor, segundo Salgueiro, escancaradas, para embalagens com a estrutura sanduíche, na qual se utiliza uma camada de resina reciclada entre dois materiais virgens. Essa seria a bola da vez, em tempos de conscientização ecológica e alta sucessiva do preço das resinas. Por isso, a Bekum vem trabalhando ainda mais no cabeçote de suas máquinas coex (fabricado hoje na Alemanha), pois este deve necessariamente ser diferenciado para processar a estrutura. Esse projeto não deverá esbarrar na falta de conhecimento técnico ou coisa que o valha. A preocupação recai no custo, ainda alto, por falta de escala. Há mais ou menos um ano e meio, o mercado começou a esboçar com mais afinco a intenção de consumir este tipo de máquina, mas a demanda nacional não instiga muitos transformadores a fazer investimentos na área. A Loop é um exemplo; fabrica apenas embalagens do tipo monocamada. A escolha tem a ver com a idéia de Pereira de que os produtos coex se voltam para um mercado seleto, pois a máquina, em média, custa o dobro de uma mono. Mas não é só este o empecilho: ainda há a capacidade ociosa para essa tecnologia no Brasil, ou seja, a escassa procura não justificaria o investimento. Pereira entende também esse tipo de tecnologia sob outra ótica, segundo sua estimativa, a coex gasta 30% de energia a mais, se comparada a um modelo tradicional. Na própria Loop, no entanto, há outras amostras de sua conscientização ecológica. A companhia fez uma parceria com a Petrobras e a empresa de geradores Stemac de forma que viabilizasse a utilização de geradores alimentados por biodiesel, no horário de pico de funcionamento da fábrica (entre 17 e 20 horas). “Com isso, saímos do ciclo do petróleo e ainda temos o apelo de energia renovável”, comentou o diretor de operações da Loop, José Odécio de Nadai. A Soproval Embalagens Plásticas, de Valinhos-SP, também cumpre seu papel neste sentido. O seu diretor Sergio Monteiro mudou neste ano de instalações e priorizou a possibilidade de melhorar a qualidade dos produtos e de trazer para a fábrica um novo conceito de gestão, no caso, aos moldes do que é ambientalmente aceito. Por isso, na hora da compra, Monteiro afirmou que opta por uma máquina de menor impacto ao ambiente, mesmo se o seu preço for superior ao de outro modelo. Essa postura reflete outros quesitos dentro da companhia, como o reaproveitamento da água da chuva, o uso da energia solar e a retirada de garrafões quebrados, na fábrica do cliente, para a revenda e posterior recuperação. Tendências - Se existe um certo consenso em relação aos projetos ecológicos, o mesmo não acontece no tipo de tecnologia aplicada às máquinas. Esse é o caso das sopradoras elétricas, ou seja, sem unidade hidráulica (por alguns chamadas de mecatrônicas). Na Loop, reconhece-se sua precisão e a alta velocidade do processo, além da economia de energia, porém sua aquisição não ocorreu, por causa do custo. “O preço ainda é alto, sobretudo porque falta escala e não há produção local”, comentou Nadal. Se depender da Bekum, esse cenário se manterá por algum tempo. Sem a pretensão de fabricar no país esse tipo de sopradora, a companhia prevê essa possibilidade para daqui a cerca de cinco anos. “No Brasil, podemos fornecer, mas por encomenda”, disse Salgueiro, em alusão às elétricas.
sopradora. Para o diretor de comercialização de máquinas para plástico da Romi, Fabio Seabra, são várias as vantagens da tecnologia, como a baixa manutenção das máquinas, pois não há a contaminação do óleo ou a preocupação em verificar o estado de mangueiras e filtros e cilindros hidráulicos. “Os atuadores eletromecânicos têm outros benefícios ainda porque geram menos ruído e economizam energia elétrica, já que os motores são ligados somente quando recebem um sinal de comando”, completou Seabra. |
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