EXTRUSORAS

A demanda por máquinas também vinha bem aquecida. Porém, assim como em outros setores da indústria, os fabricantes de extrusoras acreditam que não ficarão imunes à crise do mercado financeiro mundial. Os reflexos devem começar já no início de 2009. “Muitas propostas foram proteladas para o próximo ano”, afirma Rodrigues, da HGR.

Apesar do clima de cautela, as vendas de 2008 avançaram 30% em relação ao volume registrado em 2007. Rodrigues destaca ainda o crescente aumento de demanda do mercado de co-extrusão para embalagens com barreira e aplicações especiais.

Fundada em 1993, a HGR fabrica extrusoras de 40 mm a 150 mm e co-extrusoras até cinco camadas. No próximo ano, os desenvolvimentos estarão voltados para o design. “Estão ainda mais robustos. Também desenvolvemos novas


Rodrigues aposta na co-extrusão

tecnologias direcionadas à produção, bem como novas geometrias de rosca e dimensões de matriz”, explica Rodrigues.

A empresa vai marcar presença na Brasilplast 2009, de 4 a 8 de maio, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. “Entraremos forte com alta tecnologia agregada para a obtenção de filmes técnicos.” A HGR exporta 25% da produção para o Peru, Colômbia, Chile, Venezuela, Bolívia, Equador, Portugal e Itália.

Mercado – As vendas da Rulli também avançaram 30% em relação a 2007. Mas a crise mundial e os sucessivos aumentos das resinas plásticas já começam a frear o crescimento. “Antes de conseguir repassar os aumentos, o transformador trabalha dois ou três meses com os preços defasados. Este ano, enfrenta ainda a falta de crédito. A última coisa que ele pensa em fazer é comprar novas máquinas quando, na verdade, está tentando sobreviver”, lamenta Brito.

Na área de flexíveis, as co-extrusoras representam 15% das vendas da Rulli. Nos rígidos, a co-extrusão participa com 60%. “Esse mercado cresceu muito nos últimos dois anos”, ressalta o gerente técnico. As exportações contribuem com 20% do faturamento, e seguem para 28 países. “As vendas externas já representaram 50%.”

A Rulli fabrica mono e co-extrusoras até 7 camadas para filmes e 4 camadas para chapas. Na Brasilplast 2009, promete novidades, com destaque para os anéis de resfriamento. “Estamos avaliando o que será apresentado na feira.”

A linha de monoextrusoras garante diversas capacidades de plastificação, conforme o material. No polietileno de baixa densidade (PEBD), varia de 220 kg/h a 700 kg/h, para filmes com largura desde 1.800 mm até 4.000 mm, e rosca de 63,5 mm a 130 mm. Nas co-extrusoras para cinco camadas, a capacidade de plastificação atinge 450 kg/h e produz filmes com até 1.800 mm de largura.

A By Engenharia vai marcar presença na Brasilplast com equipamentos e acessórios de diversas representadas. Um dos destaques, segundo Gianesi, será uma extrusora dupla-rosca co-rotante da Maris, versão 41 ou 70 mm, entre outras novidades. Recentemente, a empresa lançou uma extrusora de laboratório de 20 mm com LD 48 com 1.500 r.p.m. de velocidade. “2008 está sendo o melhor ano em vendas desde a fundação da empresa”, comemora Gianesi. Ele afirma, no entanto, que a crise financeira mundial alterou o cenário. “Estamos sofrendo algumas pressões para postergar a entrega de equipamentos por causa da valorização do dólar.”


Gianesi comemora o melhor ano de vendas da história da empresa

Fundada em 1988, a Minematsu fabrica extrusoras para filmes com larguras a partir de 1,20 m até 2,10 m. A linha foi ampliada recentemente com três modelos novos. As capacidades de produção vão de 90 kg/h a 280 kg/h no processamento de polietileno de alta densidade.

De acordo com o diretor-administrativo, Ricardo Minematsu, o aumento do consumo de plásticos e a ampliação da linha de produtos da empresa garantiram novo fôlego aos negócios. “Vamos ultrapassar as metas traçadas para este ano, cujas vendas devem ficar 20% acima do volume registrado em 2007”, afirma.

Os pedidos em carteira garantem produção até o primeiro trimestre de 2009. “O setor já está sentindo e sendo afetado pela turbulência mundial.” Os diretores da Minematsu lamentam a provável retração diante da necessidade de atualização da indústria nacional. “Realmente há muitas máquinas que precisam ser atualizadas ou


Diretores da Minematsu lastimam provável
retração do mercado

substituídas por extrusoras mais produtivas, muitas vezes gerando, com mesmo custo de mão-de-obra e energia, um aumento significativo na produção”, diz Ricardo.

Tubos – A retomada dos investimentos em saneamento básico e construção civil impulsionaram os negócios no ramo de tubos e conexões e, conseqüentemente, trouxeram novo fôlego para os fabricantes de máquinas. “Com certeza, as obras de saneamento estão impactando também a venda de extrusoras, uma vez que o os fabricantes de tubos estão com a demanda bastante aquecida e buscando aumentar sua capacidade de produção”, afirma Sommer.

A oferta de novas resinas também ajudou a ampliar o leque de oportunidades e a diversificar as aplicações. Enquanto o PVC se mantém entre os materiais mais utilizados, o mercado acompanha o avanço do polietileno (PE), principalmente na produção de tubos para redes de distribuição de gás e água e de cabos elétricos e de telefonia.

Segundo a Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (Abpe), a demanda de PE para o mercado de tubos


Sommer: obra de saneamento deram novo fôlego aos negócios

e conexões deve crescer 15% em relação a 2007, e alcançar 27 mil t. A entidade vislumbra novas oportunidades na indústria sucroalcooleira, com o uso de tubos de diversos diâmetros; e em redes de distribuição de água e sistemas coletores de esgoto em tubulações até 200 mm.

O mercado brasileiro segue tendência mundial, conforme especialistas do setor. Em diversos países, a totalidade das novas redes de distribuição de gás emprega a resina. No Brasil, a demanda de extrusoras aumentou especialmente entre os clientes que visam a exportar parte da produção.

Na opinião do gerente do departamento de máquinas plásticas da Man Ferrostaal, Ferry Rosenstock, o PE vai crescer em aplicações específicas, e só avançará no saneamento básico quando as empresas forem privatizadas. “Vamos vender mais, pois vai se somar uma nova aplicação para a extrusão de tubos plásticos.”

As características do material, a facilidade de instalação e de transporte e o custo ajudaram a impulsionar o uso de PE, mas a recente normatização de algumas aplicações vai contribuir para consolidar esse mercado e aumentar a confiança no produto final. Recentemente, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou um conjunto de normas para tubos destinados a sistemas de distribuição e adução de água, transporte de esgoto sanitário sob pressão e para tubos corrugados de dupla parede para sistemas coletores de esgoto e conexões: NBR 15561, NBR 15551 e NBR 15552, respectivamente.

De acordo com a ABPE, os tubos de polietileno garantem vida útil acima de cinqüenta anos e empregam menor número de juntas de vedação por trecho instalado. Fatores que aliados ao preço da resina tornam os custos do produto final e de instalação bastante competitivos. Dentre os benefícios citados estão a facilidade de instalação e as características técnicas, tais como baixa incrustação e rugosidade e resistência à abrasão, ao impacto e a produtos químicos.

Adequação – A retomada dos investimentos em saneamento básico e construção civil, aliada às conjunturas do mercado mundial, ajudou a impulsionar também a concorrência estrangeira, em especial, das máquinas chinesas, exigindo readequação das fábricas à nova realidade.

Em 2008, a alemã Krauss Maffei inaugurou uma fábrica na China. Denominada Performance, a nova linha de extrusoras chinesas visa à entrada da Krauss Maffei em mercados onde originalmente são comercializadas máquinas com preço e qualidade inferiores.

Segundo o fabricante, o resultado são máquinas com custo reduzido, porém com a qualidade assegurada pela marca alemã. “A fábrica foi planejada e construída de acordo com os padrões de qualidade e segurança da matriz”, afirma Sommer.

De acordo com ele, os redutores continuam sendo importados da Europa, para manter a qualidade e a vida útil das extrusoras, e as roscas e cilindros são produzidos com máquinas importadas da matriz. “Todos os modelos têm a mesma potência instalada e características dimensionais de seus respectivos modelos feitos na Alemanha, porém com preços até 30% mais baixos.”

De acordo com Sommer, a blindagem de molibdênio soldado é padrão nas extrusoras dupla-rosca fabricadas na Alemanha. “Nas chinesas, roscas e cilindros são nitretados.” Mas a nova fábrica está capacitada a fornecer linhas completas para a moldagem de tubos feitos de poliolefinas e PVC até 630 mm de diâmetro.

A Krauss Maffei fornece linhas completas para tubos de PEAD até 2.000 mm de diâmetro externo, além de máquinas para o processamento de PP, PEX (polietileno reticulado), ABS e PVC, tubos co-extrudados com até 5 paredes, tubos de PVC com camada interna espumada, de poliolefinas com carga, de alta pressão reforçados com fibras kevlar ou aramida e para irrigação com gotejadores.

As capacidades de plastificação variam desde 75 kg/h a 1.700 kg/h nas monorroscas para tubos de poliolefinas; e de 70 kg/h a 1.900 kg/h nas extrusoras dupla-rosca contra-rotantes para tubos de PVC.

Na Brasilplast, os destaques ficam por conta dos sistemas para a produção de tubos de grande diâmetro (até 1.600 mm), e as linhas para PVC e PE com o sistema Quickswitch, que permitem fazer trocas de bitolas de tubos durante a produção, sem paradas e com reduzida perda de material, em comparação às linhas convencionais, segundo o fabricante. “Hoje temos a possibilidade não só de instalar uma linha completamente automatizada, mas também de substituir os seus principais componentes, de maneira que possibilite uma semi-automatização.”

Na avaliação de Sommer, as vendas para o segmento de PVC foram as que mais cresceram. “Aproximadamente 35% em relação ao volume de vendas de 2007.” A América Latina, atendida pela filial brasileira, representa aproximadamente 16% do faturamento da Krauss Maffei Extrusão. “Esta participação usualmente não passava de 4% e teve um aumento importante graças a grandes projetos de extrusão realizados nos últimos dois anos”, comemora Sommer.

 

 

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