CAE-CAD-CAM

CAE – Durante a realização dos tryouts, vários quesitos precisam ser testados, como encontrar o ajuste ideal da injetora para se obter o preenchimento completo do molde e impedir problemas como a má aparência das peças. Isso quando o projeto da ferramenta se mostra acertado e a escolha da matéria-prima adequada, o que na prática nem sempre ocorre. Testar a eficiência dos moldes e o acerto necessário dos parâmetros de funcionamento das máquinas de maneira virtual é para lá de recomendável a fim de se evitar perda de tempo e dinheiro.

Essa é a tarefa dos softwares CAE. A simulação não substitui o tryout, uma vez que as condições presentes no computador nunca são as mesmas do chão de fábrica. Mas proporciona a possibilidade de antecipar muitas experiências no computador, o que economiza tempo, reduz o estresse dos envolvidos nos testes e privilegia a qualidade final da peça a ser injetada.

Bastante difundida nos países avançados, a tecnologia CAE é pouco utilizada no Brasil. O preço salgado é um dos motivos. Os fornecedores ainda não conseguiram convencer seus clientes de que o retorno obtido compensa o investimento necessário para a compra. A falta de cultura e de mão-de-obra especializada é outro.

Um dos pontos críticos do processo era a transformação do design da figura da peça, que pode ser capturado dos softwares de CAD, nas chamadas malhas de elementos finitos. A operação é necessária, pois não existe computador capaz de calcular o preenchimento do molde de uma figura inteira, “sólida”. De acordo com as características da peça, chegar às malhas de elementos finitos ideal tratava-se de uma operação bem complexa. Os aplicativos atuais, no entanto, já obtêm esse cálculo de maneira bem mais fácil do que há alguns anos.

Os produtos CAE contam com bancos de dados minuciosos com as principais características das resinas mais demandadas pelo mercado. Entre as informações carregadas no computador que permitem verificar o comportamento exato da resina dentro do molde se encontram viscosidade, calor específico, condutividade térmica, coeficiente de expansão térmica e outras obtidas em testes feitos em laboratórios com equipamentos sofisticados, difíceis de serem encontrados no Brasil.

Linha completa – A Autodesk, multinacional há 26 anos no mercado, traz para o Brasil, entre produtos destinados a uma gama enorme de aplicações, uma linha completa de CAE/CAD/CAM voltada para a indústria dos plásticos. “Temos mais de 35 produtos e queremos ampliar nossa carteira, seja por meio de desenvolvimento de produtos ou de aquisições”, explica Acir Marteleto, diretor-geral da empresa no Brasil.

Uma das recentes conquistas da Autodesk foi a compra da Moldflow, empresa que era líder mundial nas vendas e também sinônimo de softwares de CAE em todo o mundo. No Brasil, estima-se que a marca detenha em torno de 90% do mercado. A aquisição não alterou a estratégia de comercialização desses softwares por aqui, ainda a cargo da empresa SmartTech, representante da marca no território nacional.

Com a aquisição da Moldflow, um dos objetivos da Autodesk é democratizar seu uso. “Estamos trabalhando para

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Marteleto: Autodesk vai crescer com pesquisas e aquisições

desenvolver produtos mais simples, que atinjam empresas com menor fôlego financeiro”, revela Marteleto. Hoje, os produtos da marca são divididos em duas linhas principais. A MPA, a mais simples, permite análises de preenchimento, recalque, refrigeração e empenamento. “Essa linha serve mais de norte para especialistas, não dá respostas tão detalhadas”, explica Mario Carneiro, gerente de produto da SmartTech. Um dos aspectos interessantes dos softwares MPA é o fato de eles eliminarem a necessidade do cálculo das malhas de elementos finitos; basta aos usuários incluir a imagem do design da peça obtida no CAD para a simulação do preenchimento.

Outra linha da marca Moldflow é a MPI, bastante sofisticada, capaz de efetuar todas as simulações com respostas mais detalhadas, além de avaliar operações de injeção a gás, de peças com insertos metálicos, de peças cujos moldes são dotados com válvulas que permitem o preenchimento seqüencial das cavidades. “No caso de peças que apresentam empenamento acima dos limites dimensionais,

ele permite calcular de que forma o projeto do molde precisa ser corrigido para que a peça saia perfeita”, explica.

De acordo com Carneiro, a empresa faz uma análise completa do que os clientes precisam antes de recomendar o produto mais adequado. “Às vezes, os recursos oferecidos pelos softwares MPA são suficientes para atender as expectativas dos clientes”, revela. Por se tratar de um produto bastante sofisticado, as vendas no Brasil ainda são tímidas. Além de vender os softwares, a SmartTech também presta serviços de simulação para terceiros. “A procura por serviços tem crescido bastante, hoje já representam 50% de nosso faturamento, número muito mais expressivo do que há um ano”, informa o gerente.

Cuca Jorge

Carneiro: aumenta procura pela prestação de serviços de CAE

Para a área de plásticos, a Autodesk também destaca as linhas de CAD/CAM com as marcas Alias e Inventor. Em breve, promete o lançamento do Inventor Mold, aplicativo voltado para auxiliar os projetistas de ferramentas.

“Nosso objetivo é oferecer produtos que trabalhem de maneira integrada e inteligente, desde a concepção de um produto até sua entrada na linha de produção”, explica Jeferson Stutz, gerente de soluções de manufatura para a América Latina.

No caso dos softwares de CAD/CAM, as vendas da Autodesk até o final de setembro ficaram em excelente patamar, dentro das expectativas mais otimistas da empresa. No início do quarto semestre, em virtude da crise, Marteleto diz que ocorreu uma retração. “Alguns clientes estão aguardando os rumos da economia antes de finalizar as compras.” Ele se mostra otimista, a despeito da forte alta do dólar, prejudicial à venda de produtos importados. “Torcemos para que o dólar se estabilize em determinado patamar, o pior que pode nos acontecer são as fortes oscilações do valor da moeda, o que prejudica o planejamento de nossos clientes”, justifica.

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Stutz: objetivo é oferecer linhas que atuam integradas

Falta mão-de-obra especializada

No Brasil, um dos fatores que inibem o uso dos softwares CAE, de simulação de preenchimento do molde, é a dificuldade de se encontrar profissionais capazes de operar o recurso eletrônico. Raros, esses profissionais precisam aliar os conhecimentos de informática a boas noções sobre polímeros, projetos de moldes e processos de injeção.

O problema é enfatizado por Mario Carneiro, gerente de produto da SmartTech, empresa que detém o direito de comercialização dos softwares Moldflow, marca líder do mercado. O executivo, no entanto, acredita que estão ocorrendo avanços nesse cenário. “Estamos progredindo, hoje já contamos com o ensino das técnicas do CAE em vários cursos de graduação oferecidos no país”, garante.

Bem mais difundidos, os softwares de CAD são mais fáceis de serem manipulados. Enganam-se, no entanto, aqueles que acreditam que esses aplicativos possam ser manejados por qualquer pessoa com bom conhecimento de

Cuca Jorge

Cruz: manejar o CAE exige conhecimentos
 de plástico

informática. “Para manejar o CAD é muito importante conhecer as propriedades dos plásticos, saber como se desenvolvem os projetos dos moldes”, relata Heraldo Candido da Cruz, técnico de ensino do curso superior de polímeros oferecido pelo Senai.

O curso tem duração de dois anos. Existe uma disciplina, oferecida no terceiro semestre, voltada para o ensino dos segredos do software. A entidade também oferece cursos de formação continuada, com durações de 40 a 80 horas, para alunos interessados em se especializar no tema. O Senai também presta serviços de CAD/CAM e projeta moldes para empresas de pequeno porte, que não contam com recursos para desenvolver esses trabalhos internamente.

 

 

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