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ABS |
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Cuca Jorge

Grade de
automóvel de ABS comprova
a retomada de espaço |
Em ritmo de crescimento
no mercado brasileiro,
a resina só
está disponível
via importação
Maria Aparecida de Sino Reto
O
mercado brasileiro da resina termoplástica ABS (terpolímero
acrilonitrila-butadieno-estireno) sofreu transformações radicais. Há
onze anos, o transformador dispunha de dois produtores locais – a Cia.
de Polímeros da Bahia (CPB) e a fluminense Nitriflex – capazes de
suprir a quase totalidade da demanda doméstica. Hoje, os fabricantes
de peças moldadas com ABS dependem de importações. |
Com a justificativa de que precisava acompanhar de
perto seus clientes da área automotiva e da de eletroeletrônicos da
região, atividades líderes no processo de globalização, a Bayer acionou a
transfiguração. Primeiro assumiu o controle da empresa baiana, em 1997. No
ano seguinte, abarcou também toda a carteira de clientes e negócios da
Nitriflex. Só não levou a fábrica, mas o contrato impôs à empresa
brasileira retirar-se do mercado por sete anos.
Expirado o prazo, a Nitriflex até ensaiou uma
retomada da produção da resina, mas sucumbiu à pressão da concorrência
asiática, mesmo motivo que levou a Lanxess (empresa constituída como braço
do grupo alemão Bayer, encarregada dos negócios de produtos químicos e
parte da área de polímeros) a, em 2006, fechar a fábrica de ABS em
Camaçari, considerada de alto custo, baixa rentabilidade e sem escala
competitiva, e concentrar o foco nas especialidades, de maior valor
agregado. O desfecho levou à total dependência brasileira de importações.
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A decisão da Lanxess de seguir os
preceitos da Bayer e se concentrar em mercados considerados mais
rentáveis provocou uma nova reestruturação e a venda de 51% dos
negócios de ABS para o grupo inglês Ineos. A parceria resultou na
criação da Ineos ABS, uma joint venture com data marcada para acabar:
30 de setembro de 2009, quando a Ineos assumirá o seu controle total,
adquirindo da Lanxess os 49% restantes.
O grupo inglês dispõe de uma
capacidade produtiva da ordem de 670 mil toneladas anuais de ABS e
participação no mercado mundial de cerca de 8%, atrás da Chi-Mei e da
LG. De acordo com dados da Ineos, essas produtoras asiáticas detêm 17%
e 12%, nessa ordem.
“O foco da
Lanxess em polímeros, hoje, são as borrachas, por isso o ABS deixa de
ser prioritário”, informou o gerente-comercial da América Latina,
Andrés Fleischhauer. Não à toa, no final do ano passado, o grupo
alemão adquiriu o controle da brasileira Petroflex, a maior produtora
de borrachas sintéticas da América Latina (ver PM 400, fevereiro de
2008, página 70). O gerente ressalta que os negócios das poliamidas e
do polibutileno tereftalato, especialidades distantes da cobiça
asiática, permanecem com a empresa. |
Cuca Jorge

Fleischhauer exibe
autopeça de ABS em substituição ao PP |
No desfecho dos negócios, a Lanxess assumiu a
distribuição da Ineos com exclusividade no país. Quando ainda operava a
fábrica em Camaçari e a concorrência chinesa era menos intensa, a empresa
chegou a abastecer 25% do mercado. Hoje, detém fatia da ordem de 15% a 17%
do mercado brasileiro de ABS.
Carros aceleram os negócios – Apesar da
demanda baixa, inferior a 60 mil toneladas anuais, a evolução do mercado
brasileiro segue na contramão do europeu, marcado pela estagnação, e do
americano, retraído, com boas perspectivas para os fornecedores locais. “O
consumo brasileiro de ABS deve crescer acima do mercado internacional
graças ao desempenho excepcional da indústria automotiva e ao bom momento
da economia nacional, o que não está ocorrendo no mercado externo”,
avaliou Fleischhauer. Segundo estimativas dele, o consumo doméstico de ABS
deve crescer entre 6% e 8% neste ano, puxado pela atuação das montadoras,
e fechar 2008 com demanda da ordem de 56 mil toneladas.
Material amorfo com propriedades que o posicionam na
escala intermediária entre as resinas commodities e as de engenharia, o
ABS ganhou escala produtiva, impulsionada pela crescente demanda asiática,
região que também concentra alto volume de produção.
Os principais fabricantes do terpolímero se situam
na Ásia, Europa e América do Norte, mas a influência dos asiáticos é
grande globalmente. “Afinal, eles possuem a maior capacidade produtiva”,
ponderou Andréas Kripzak, diretor da divisão de estirênicos para a América
do Sul da Basf. A produção asiática se situa na casa dos milhões de
toneladas anuais. Quando ativa, a capacidade instalada brasileira era
inferior a 50 mil toneladas anuais.
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No passado, o ABS chegou a perder
espaço para o polipropileno e outros materiais, mas com a crescente
exigência do mercado recuperou o fôlego. Nos últimos anos, a demanda
mundial tem crescido em torno de 5%, puxada principalmente pelas
indústrias automotiva e de eletroeletrônicos, na avaliação de Kripzak.
Nos automóveis, o ABS compõe as
grades frontais, as carcaças de retrovisores e faróis, frisos, o
acabamento interior, o painel, e outros componentes pequenos internos
do carro, entre diversos usos. Além disso, a resina beneficia com suas
propriedades aplicações nas telecomunicações e nos eletrodomésticos.
Carcaças de telefone, caixas de TVs e monitores para computador
constituem exemplos desses empregos.
No ponto de
vista de Kripzak, o ABS continua competitivo mesmo diante de polímeros
de custos menores. “Hoje também vemos casos de aplicações de outras
resinas migrando para o ABS”, assegurou. Fleischhauer assina em baixo
e dá um exemplo: a grade frontal da nova linha Gol, da Volkswagen, é
toda feita de |
Divulgação

Kripzak:
setores eletroeletrônico e automotivo puxam os negócios |
ABS, em substituição ao
polipropileno. “É 100% ABS da Lanxess, com características de boa fluidez
e proteção ultravioleta”, ressaltou.
Edson Simielli, diretor de marketing na América
Latina da Sabic, menciona outras aplicações potenciais para a resina: “O
mercado de equipamentos médico-hospitalares tem apresentado interesse no
ABS como substituto para peças importadas, feitas de metais e de vidro.”
Especialidades em alta – Senso comum, os
fabricantes asiáticos detêm fatia significativa do mercado brasileiro das
resinas ABS; isso porque a grande demanda (cerca de 70%) se refere aos
grades ditos commodities, tais como os naturais e pretos, e o principal
foco desses concorrentes são exatamente as resinas de maior volume.
Até o fim de 2007, os produtos asiáticos, em
particular os chineses, registraram um crescimento muito forte na América
Latina, principalmente no Brasil. A alta nos custos das matérias-primas,
porém, refletiu-se também nos negócios daqueles concorrentes e alterou um
pouco o cenário, na opinião do gerente da Lanxess. “Os aumentos afetaram o
mercado chinês e, hoje, os preços da resina de lá estão no mesmo nível do
ABS da Europa e dos Estados Unidos”, opinou Fleischhauer. Para ele, os
chineses precisavam atualizar seus preços, o que fez com que perdessem
competitividade.
A despeito da pressão asiática, a liderança do
mercado nacional está nas mãos de uma empresa européia, a alemã Basf,
detentora de amplo portfólio de produtos, englobando grades de uso geral,
especialidades e blendas. “O mercado brasileiro é de extrema importância
para a Basf”, reforçou Kripzak.
A propósito, as grandes produtoras ocidentais, em
geral, optaram por concentrar esforços no desenvolvimento de produtos
destinados a nichos especiais, que agregam valor, e prospectam aplicações
que requeiram resinas com especificações diferenciadas ou que atendam às
normas internacionais, e outras particularidades. Pertencem a essa
categoria os principais desenvolvimentos do setor, desenhados para suprir
às necessidades específicas dos clientes.
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As blendas
elaboradas com base no ABS também se posicionam entre as
especialidades e representam um mercado estratégico para o grupo
saudita Sabic. O diretor de marketing da empresa se considera bastante
competitivo, especialmente com respeito à mistura ABS/PC, e destaca
sua forte atuação no segmento automotivo e nas telecomunicações. “A
oferta abrange grandes variações, com mais ou menos brilho,
retardância à chama, entre outras propriedades”, informou Simielli. As
especificações, tanto para a resina como para as blendas, são ditadas
pelas necessidades dos clientes com relação às resistências térmica e
mecânica e ao acabamento estético. “Se o ABS não atende, a tendência é
optar pelas blendas”, ponderou o diretor.
Os produtos da Lanxess também encontram no setor automotivo seu
principal destino. É para ele que a empresa endereça a mistura ABS/PA
(marca Triax). “A poliamida acrescenta maior estabilidade dimensional,
melhora a |
Cuca Jorge

Simielli busca diferenciais na oferta de
serviços ao cliente |
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