Notícias

Grande ABC discute problemas do setor

Questões como competitividade, tributação, logística e cuidados com o meio ambiente, entre outras, marcaram o debate ocorrido em 25 de setembro, no encontro “Grande ABC, a Capital Nacional do Plástico”, uma promoção da prefeitura da cidade de Santo André-SP, da Câmara ABC e do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. O evento reuniu cerca de 400 pessoas no auditório do Clube Primeiro de Maio, em Santo André-SP.

No período da manhã, o debate intitulado VII Seminário do Setor Plástico do Grande ABC confrontou Merheg Cachum, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast); Vítor Mallmann, presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp); Heli Vieira Alves, diretor do Sindicato dos Químicos do ABC; Mário Chaves, representante do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e prefeito de Santo André; José Luiz Ricca, coordenador de Desenvolvimento Econômico e Territorial do Governo do Estado de São Paulo; e Clayton Campanhola, diretor-executivo da Agência Brasileira

Cuca Jorge

Perto de 400 pessoas acompanharam
o debate dos especialistas

de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O tema da discussão foi: “O cenário mundial e o futuro do plástico no Grande ABC.”

À tarde, 134 empresas divulgaram seus produtos e serviços na III Rodada de Negócios Plásticos, além de outras 13 grandes companhias-âncoras (compradoras de grande porte), como a montadora Ford, entre outras.

O presidente da Abiplast discursou repetidas vezes, em ocasiões diferentes, sobre a premência de mudanças no sistema tributário e o evento do ABC figurou outra oportunidade para reforçar essas reivindicações. Segundo ele, a indústria da transformação passa por um dos seus momentos mais críticos, com empresários encerrando a produção para importar peças prontas da China – saída encontrada para não fecharem as portas. Para corrigir tal distorção, ele pleiteou a isonomia tributária. “Queremos redução da carga do ICMS para toda a cadeia; competitividade é de ponta a ponta”, argüiu.

Na opinião do presidente do Siresp, a reestruturação societária conferiu porte e escala à petroquímica nacional, mas, para assegurar competitividade à indústria brasileira do plástico, ele considera também fundamentais a redução e a isonomia da carga tributária. Mas para o coordenador de Desenvolvimento Econômico e Territorial do Governo do Estado de São Paulo, José Luiz Ricca: “A questão tributária é delicada.”

O rearranjo da petroquímica brasileira elevou o porte, a escala produtiva e aumentou o poder de fogo competitivo da indústria local de resinas. Porém, para o setor de transformação ficou ainda mais difícil entabular negociações, em prol da competitividade com a segunda geração. “É complicado, a grande maioria do setor é composta por pequenos transformadores”, atestou Cachum. Os distribuidores e revendedores constituem o caminho para essas indústrias. Mallmann admitiu que a reestruturação do setor forçou uma redução no número de produtores e, por conseqüência, dos distribuidores. Mas acredita que esse novo cenário também obrigou a distribuição a se tornar mais competitiva.

Cuca Jorge

Cachum reforçou o pedido de revisão
do sistema tributário

Acesso às inovações – Ricca elogiou o modelo de cooperação e de produção integrada adotado na região do ABC, sugerido por ele como alternativa para os transformadores impulsionarem as exportações. ”Ao governo compete uma visão global do processo: facilitar os agentes de produção e empreender políticas públicas sociais, de educação e de tecnologia”, disse.

O sistema cooperativo, a propósito, foi mencionado também por Campanhola, diretor-executivo da ABDI, como uma saída para o grande desafio de permitir às pequenas empresas ingressar no campo das evoluções tecnológicas. Os planos de negócios conjuntos entre empresas constituem, para ele, um meio de se inserir no mercado em termos diferenciais. “Uma das missões do Arranjo Produtivo Local é aproximar as empresas para maior cooperação.” Ricca complementou, opinando que a formação desses conglomerados representa a oportunidade de inserção das pequenas empresas no processo produtivo e a chance de ter acesso às inovações tecnológicas.

Panorama global – Os produtores brasileiros de poliolefinas já estavam cientes do cenário de oferta abundante de resinas que se avizinha para 2010 há um bom tempo. O quadro era previsto e incorporava o adicional a ser despejado no mercado com a entrada em operação das megaplantas em curso no Oriente Médio. “O fato novo é a redução da atividade econômica decorrente do crash americano”, comentou Mallmann. Na opinião dele, a crise na demanda afetará o quadro de 2009, até então, esperado como positivo. “Nesse momento, a integração se faz mais forte com a transformação, é preciso ter uma estrutura no último elo para que haja aumento de escala e toda a cadeia do plástico tenha competitividade”, concluiu Mallmann.

Cuca Jorge

Mallmann pediu maior integração para
enfrentar a crise

Segundo dados da Abiplast, a terceira geração soma mais de 11 mil indústrias, responsáveis por empregar perto de 317 mil pessoas. No ano passado, o segmento representou 1,45% do PIB, com faturamento de US$ 18,69 bilhões. O consumo aparente de transformados plásticos atingiu 4,95 milhões de toneladas em 2007. O estado de São Paulo lidera o ranking de empresas (5.113) e de trabalhadores (142.221). O ABC é o terceiro mercado consumidor de plástico do país e a quinta região brasileira que mais exporta o insumo.

Maria A. Sino Reto

 

 

<<< Anterior

Próxima >>>