C R O M A Ç Ã O  negócios reluzentes

Segundo Sartorelli, o investimento em cromação por parte da Zanini ocorre por dois motivos. O primeiro é por uma questão de logística, uma vez que tanto a sua fábrica de peças plásticas quanto um de seus principais clientes estão em Minas Gerais, mas as principais galvanoplastias do país estão em São Paulo. O segundo, e principal motivo, é atender às solicitações das montadoras de veículos que estariam insatisfeitas com a qualidade dos serviços prestados por algumas galvanoplastias.

“O problema é que, por falta de foco, as cromadoras brasileiras não investem, não se modernizam e portanto não acompanham a demanda por qualidade da indústria automobilística”, afirma o executivo. “A avaliação que recebemos das montadoras é de que inúmeros itens que hoje são pintados poderiam ser cromados, caso a qualidade do serviço fosse melhor”, diz ele. Apesar do investimento em uma linha própria de cromação, a estratégia da Zanini, informa Sartorelli, prevê a continuidade de contratação de serviços terceirizados. “Pretendemos manter pelo menos um parceiro estratégico, que se demonstre capaz de evoluir tecnologicamente.”

Entre os gestores de galvanoplastias, porém, a avaliação é diferente. Para eles, as melhores empresas do setor estão aptas, sim, a atender às exigências da indústria automobilística, mas a baixa remuneração do serviço tem levado a uma queda de qualidade dos banhos. “Estamos na era do me engana que eu gosto. Quem contrata serviços finge remunerar por qualidade, mas sabe que não o faz. E quem presta serviço finge entregar a qualidade solicitada, mas entrega aquela pela qual ele é remunerado”, afirma um empresário do ramo.

Galvanoplastias e transformadores que trabalham para a indústria automobilística vivem uma relação curiosa. Tradicionalmente, na cadeia produtiva de uma autopeça, o fornecedor do principal item é quem tem uma relação direta com a montadora. Ele se responsabiliza pela qualidade final da autopeça e subcontrata os serviços e componentes necessários para a produção da peça, estabelecendo um markup sobre o trabalho dos subfornecedores. Em uma autopeça cromada, porém, o serviço de cromação representa 70% do custo, mas as galvanos são os subfornecedores, enquanto as transformadoras mantêm a relação direta com a montadora e, assim, estabelecem um markup sobre a cromação, que precisa ser proporcional à participação do serviço no custo da peça. Como a concorrência entre os fornecedores de autopeças é grande e os valores pagos pelas montadoras são cada vez mais enxutos, a repartição dos recursos na cadeia produtiva da autopeça não se equilibra. No mercado, há quem aponte essa situação como o foco das discórdias entre moldadores e galvanoplastias.

Parceria - Se o caminho que a Autometal e a Zanini começam a percorrer é uma tendência, ainda é cedo para afirmar. Certo é que o momento é de busca de novas estratégias entre os players do mercado. O grupo GP e a Dourdin do Brasil partiram para uma parceria que prevê transferência de tecnologia dos franceses

para os brasileiros e uma participação acionária do grupo GP na unidade brasileira da multinacional, conforme relata o empresário José Luiz Varela, do grupo GP. Em troca, o grupo GP garante regularidade e qualidade no fornecimento e parceria nas negociações com as montadoras.

A Dourdin, empresa francesa que mantém unidades de injeção e cromação também na Espanha, Portugal, Turquia e China, começou a sondar o mercado brasileiro em 2006, atendendo à solicitação de montadoras francesas instaladas no país. Mas, como afirma o diretor-geral Vitor Cunha, o Brasil apresenta volumes de produção voláteis, com períodos de grande demanda alternados por períodos de depressão acentuada nas vendas, exigindo cautela das empresas entrantes no mercado. “Preferimos a estratégia de estabelecer uma parceria local, reduzir investimentos e, assim, os riscos da operação”, diz Cunha. “Escolhemos o GP em virtude da qualidade de seu corpo técnico e do profissionalismo da gestão”, afirma o executivo. A Dourdin, que entrou em operação comercial em janeiro deste ano, estabeleceu-se em Barueri, na Grande São Paulo, ao lado da sede do grupo GP, “otimizando a logística”, explica Cunha.


Peças injetadas pela Dourdin e cromadas no grupo GP

Ampliação de capacidade - Na campineira Super Zinco, a avaliação é de que o mercado de cromação está aquecido, o que justifica investimentos em ampliação da capacidade produtiva e mesmo na entrada no mercado de produção de peças injetadas. Como relata o gerente-comercial Luiz Augusto Scaranare, a empresa obteve um desempenho “excelente” em 2007, com crescimento próximo a 30%, e a expectativa é de fechar 2008 com um resultado ainda melhor. “O mercado está aquecido, mas também adotamos uma política agressiva de investimentos, apostamos em aumento de capacidade e na melhoria da produtividade e na busca de fortalecimento na relação com nossos clientes e fornecedores, assim como buscamos ampliar negócios em novos mercados”, diz o executivo.

De acordo com Scaranare, o ganho de produtividade se dá com investimentos em equipamentos mais modernos, que adotam o sistema de linhas inteligentes, capazes de cromar vários tipos de peças simultaneamente, independente do padrão de cada uma e sem que seja necessário o reinício do processo para mudança de programas. Já a política de ampliação da capacidade instalada, informa o gerente, prevê uma nova linha de cromação, que deverá entrar em operação em dezembro de 2008; o investimento em uma planta em Minas Gerais; e o início de um projeto para a instalação de uma planta na Espanha, onde a empresa planeja fabricar produtos próprios, por meio de injeção e cromação. “São planos para 2010 que, por estratégia, ainda não podemos informar os detalhes”, diz Scaranare. Ele informa, porém, que os novos mercados em vista são o do Mercosul e o Europeu.

Outra empresa que também se prepara para ampliar sua capacidade produtiva é a Nakahara Nakabara. Apesar de preocupado com o acirramento do mercado e a entrada de produtos prontos importados, Hélio Nakahara demonstra otimismo em relação ao desempenho de sua empresa, que tem nos mercados de eletrodomésticos,


Varela entra como parceiro nas negociações com as montadoras

equipamentos hídricos e de motocicletas seus principais clientes. “Estamos com toda nossa capacidade de produção tomada e temos planos de ampliar nossa fábrica em 2009”, afirma o diretor, que informa já ter comprado um terreno vizinho às suas instalações, na Zona Oeste paulistana, para pôr em prática este objetivo.

No grupo GP, declara José Luiz Varela, o investimento em estudo se refere à instalação de uma linha automática de banho de níquel acetinado, atendendo a uma nova demanda da indústria automobilística por esse acabamento, que lembra um alumínio com aspecto aveludado, para decorar peças internas de automóveis da categoria luxo. “É um investimento alto, superior a R$ 300 mil, que só se concretizará se houver garantia de demanda por parte da indústria”, diz Varela.

Novos vernizes geram melhoria da qualidade na metalização

Em alguns segmentos de mercado menos exigentes, como o de cosméticos, brinquedos e iluminação, a metalização é um sistema concorrente da cromação. A metalização apresenta vantagens como maior versatilidade de cores e de materiais sobre os quais o sistema pode ser aplicado. Em plástico, a cromação tem tradição em ABS e suas ligas. Há tecnologia para aplicação da cromação em náilon, mas são poucos os exemplos práticos deste uso no Brasil, em virtude do custo final. Já na metalização não há restrições de materiais, podendo ser aplicado em ABS, PVC, polipropileno, poliestireno, policarbonatos, acrílicos e náilon.

Outra vantagem da metalização é seu menor impacto ambiental, uma vez que o processo não utiliza o banho em soluções de metais pesados, como o cromo hexavalente, que exige um cuidadoso processo de tratamento de efluentes e destinação final de resíduos. A metalização é feita por meio da aplicação de pré-verniz, secagem em estufa, metalização a vácuo e nova aplicação de verniz, agora para proteção. A cromação, porém, tem a seu favor uma qualidade decisiva, a robustez. A metalização ainda está longe de apresentar a mesma qualidade neste quesito. A novidade é que a metalização avança rapidamente nesse sentido. Pelo menos, é o que garante o empresário Valmor Mari, da gaúcha Multinjet.

“A nova geração de vernizes que chegou ao mercado nos últimos anos mais que dobrou a resistência das peças metalizadas”, diz Mari. Segundo o empresário, em peças com exposição ao álcool e detergentes, a resistência da metalização subiu de dois para cinco anos. Outra inovação, informa ele, foi o lançamento, no primeiro semestre deste ano, de uma linha de vernizes à base de água. “A metalização hoje pode ser feita completamente sem produtos oriundos do petróleo, sendo, portanto, o sistema ideal para empresas comprometidas com a responsabilidade ambiental”, diz Mari.

O ganho de qualidade tem permitido à metalização conquistar novos clientes, ampliando seu leque de atuação também para a indústria moveleira, de confecções e até para a indústria de reposição automobilística. “Já temos um fornecimento para um fabricante de rodas”, informa o empresário. Segundo Mari, em 2007 a Multinjet metalizou 21 milhões de peças, total 67% superior ao do ano anterior. A empresa conta com uma capacidade de produção de 2,5 milhões de peças por mês e está investindo R$ 2 milhões em uma nova fábrica, com capacidade para 700 mil peças mensais, que deve entrar em operação no último trimestre do ano. A expectativa na Multinjet é de fechar 2008 com a metalização de 32 milhões de peças e um número ainda maior em 2009.

 

 

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