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R O M A Ç Ã O
negócios reluzentes |
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Injetoras e
galvanoplastias buscam novas estratégias no concorrido
mercado de cromação de plásticos
Texto de Domingos
Zaparolli e
fotos de Cuca Jorge |
Desde
que as montadoras de veículos retomaram a moda dos plásticos cromados para
aplicações em emblemas, logotipos, grades dianteiras, frisos e detalhes de
painéis, há aproximadamente uma década, as galvanoplastias especializadas
em plásticos atravessam uma fase de prosperidade. A onda do plástico
cromado também contagiou as indústrias de eletrodomésticos,
eletroeletrônicos, cosméticos, mobiliários e materiais hídricos e
sanitários, que acompanharam a tendência e ampliaram seus pedidos,
estimulando ainda mais os negócios de cromação. Como não poderia deixar de
ser, a expansão da atividade impulsionou a proliferação de empresas
prestadoras de serviços. Os indícios são de que a moda do plástico cromado
ainda tem fôlego para durar por bons anos, mas os tempos podem ficar mais
difíceis para as galvanoplastias.
Há dois possíveis problemas. O primeiro já começa a
ser detectado no mercado. Trata-se do crescimento das importações de peças
plásticas cromadas, principalmente de origem asiática. Como informa Vitor
Cunha, diretor-geral no Brasil da Dourdin, empresa francesa especializada
em produtos para decoração automotiva, as montadoras de automóveis
instaladas no país já trabalham com a estratégia de importar peças
plásticas cromadas da China, e o volume de importações pode chegar
rapidamente a 30% da demanda. “Com o real valorizado como está, até a
importação da Europa, onde há escala, é viável e está sendo estudada”, diz
o executivo.
Segundo relata Hélio Nakahara, diretor de uma das
mais tradicionais cromadoras de plásticos do país, a Nakahara Nakabara,
também no segmento de eletroeletrônicos a importação de peças cromadas da
China e até mesmo de aparelhos eletrônicos prontos, principalmente de som,
está gerando impacto nas encomendas no Brasil. “Onde há concorrência com
produtos chineses, só se consegue manter mercado concedendo descontos
generosos aos clientes”, diz Nakahara. A percepção do empresário foi
confirmada pelo IBGE. Em sua pesquisa mensal da indústria referente a
julho, o instituto constatou uma queda, em relação ao mesmo período de
2007, de 8,3% na produção nacional da chamada linha marrom (TV, rádio e
som). Os analistas do IBGE atribuíram o fato ao crescimento das
importações.
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Como o setor
de tratamento de superfícies não conta com estatísticas que traduzam o
nível de atividade, é difícil mensurar quanto e como as importações
estão impactando nas encomendas. O que há é a percepção de quem está
no mercado. Uma opinião bem calibrada é a do empresário Marco Antonio
Barbieri, da Wadyclor. Como vice-presidente da Associação Brasileira
de Tratamento de Superfícies (ABTS) e do Sindicato da Indústria de
Proteção, Tratamento e Transformação de Superfícies do Estado de São
Paulo (Sindisuper), Barbieri tem contato direto com vários dirigentes
de galvanoplastias. Para ele, o mercado de cromação de plásticos em
2008 se mantém estável, no mesmo patamar de 2007, com um nível de
ociosidade nas empresas na casa de 15% a 20%. A importação de peças
prontas é, sim, uma ameaça, avalia o empresário. |

Barbieri: peças
importadas ameaçam o setor |
Por outro lado, Barbieri acredita que a demanda por
cromados tende a crescer, mas faz a ressalva de que previsões são difíceis
nesse segmento. “A cromação do plástico não tem finalidade funcional, é
decorativa. Depende, portanto, da moda. E a política de marketing, que
pode influenciar a moda, não está nas mãos das galvanoplastias; elas
simplesmente são prestadoras de serviços que atendem à demanda. Existem
fases boas, como a que estamos vivendo, e fases ruins”, afirma Barbieri.
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Indústria da
cromação busca melhoria da qualidade
A melhoria da qualidade das
galvanoplastias e a promoção da competitividade justa são duas
prioridades da Associação Brasileira de Tratamento de Superfície (ABTS)
e do Sindicato da Indústria de Tratamento de Superfície, o Sindisuper,
relata o vice-presidente das duas entidades, o empresário Marco
Antonio Barbieri, da Wadyclor. Segundo ele, as duas instituições
fizeram um diagnóstico dos principais gargalos do setor e uma série de
ações para superar os problemas já estão em curso.
Uma carência do segmento, informa
Barbieri, é a falta de mão-de-obra qualificada. Esse problema começa a
ser enfrentado com a instituição de quatro escolas de galvanoplastia
no Senai, em um investimento de R$ 15 milhões. As duas primeiras, nas
unidades Mário Amato e na Escola Suíço-Brasileira, já devem entrar em
operação até o final deste ano.
Também para o final do ano está
previsto o lançamento do Manual de Produção mais Limpa (P+L) setorial,
desenvolvido em parceria com o Departamento de Meio Ambiente da Fiesp
e com a Cetesb. As galvanoplastias trabalham com metais pesados,
principalmente o cromo hexavalente. Sendo assim, adotar práticas de
P+L e encontrar destinação adequada para os resíduos são duas
necessidades básicas para que as empresas do setor possam atuar dentro
da formalidade legal. Em parceria com o departamento de segurança do
Sesi, a ABTS e o Sindisuper desenvolveram, e já disponibilizam
gratuitamente, um manual de segurança e saúde no trabalho.
Outra carência detectada é de
capacitação gerencial entre os empresários da área. A ABTS, informa
Barbieri, está promovendo cursos de custos em galvanoplastia e tem
como projeto para 2009 o desenvolvimento de um software dedicado à
gestão de galvanoplastias.
Um dos principais desafios, porém,
é a qualidade irregular dos serviços de cromação. A origem do
problema, avalia Barbieri, é a inexistência de normas técnicas
regulando o setor no Brasil, como ocorre nos Estados Unidos, onde os
serviços são balizados pela norma ASTM B 604, que prevê cinco níveis
de aplicabilidade, dependendo da necessidade do cliente. Enquanto não
avança a discussão das normas brasileiras, a ABTS tem promovido cursos
sobre qualidade para toda a cadeia produtiva de peças cromadas.
“Queremos ajudar o consumidor industrial a avaliar a qualidade da
cromação, para ele saber contratar o serviço. Assim teremos uma
melhoria efetiva da qualidade”, diz Barbieri. |
No momento, a moda joga a favor das galvanoplastias.
Entre os fornecedores para a indústria automobilística, por exemplo, a
expectativa é de expansão do uso de peças plásticas cromadas, que
ganhariam espaço em itens ainda pouco usuais no Brasil, como calotas,
suportes de espelhos retrovisores, maçanetas de portas e frisos nos tetos.
“Nós trabalhamos com a perspectiva de que a demanda por peças cromadas no
setor automotivo cresça significativamente nos próximos dez anos”, afirma
Pietro Sartorelli, diretor-comercial da moldadora italiana Zanini.
Linhas cativas - O outro problema no
horizonte das galvanoplastias é que alguns de seus grandes clientes estão
investindo em produções cativas. Pelo menos duas grandes empresas
injetoras de plásticos que fornecem peças para a indústria
automobilística, Autometal e Zanini, recentemente tomaram a decisão
estratégica de investir em linhas próprias de cromação. Essas empresas
possuem em suas carteiras de clientes algumas das montadoras com maior
participação no mercado brasileiro de automóveis. A tendência é de que as
galvanoplastias que perderem esses importantes clientes tentem preencher a
lacuna deixada em suas capacidades produtivas buscando serviços em outros
segmentos de mercado. “A competição no setor de cromação de plásticos já é
grande e ficará ainda mais acirrada”, acredita Hélio Nakahara.
Na Autometal, de acordo com Luiz Carlos, o executivo
responsável pela operação de cromação de plásticos, a operação de cromação
já está sendo realizada, mas ele preferiu não entrar em detalhes sobre o
perfil da atividade. A moldadora Zanini está investindo R$ 7 milhões em
uma linha de cromação integrada à sua fábrica de autopeças injetadas em
Mateus Leme, na grande Belo Horizonte, Minas Gerais, conforme relata
Pietro Sartorelli. O executivo informa que os equipamentos de cromação
foram adquiridos da Eurogalvano e serão instalados até o final de outubro.
O fim de ano deverá ser consumido em testes e ajustes na linha de
produção; a operação comercial deve ocorrer a partir de janeiro de 2009.
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