Os rumos do setor – Para ganhar participação no mercado nos próximos anos, alguns profissionais apostam na seguinte fórmula: a oferta de aditivos que reúnam características específicas de seus clientes às exigências mundiais. Um exemplo recente se dá no desenvolvimento de produtos em conformidade com normas ambientais mais restritas, tais como o Reach, na Europa. “Terão destaques os aditivos que tiverem um apelo mais ecológico ou ambiental”, comenta o gerente de Novos Negócios Plastic Additives, da Ciba Especialidades Químicas, Francisco Lopes. Para ele, não há a previsão de que algo novo se torne um sucesso, como algumas formulações conseguiram no passado; o espaço estaria aberto mais para aqueles produtos capazes de atender a necessidades específicas do transformador. O setor, de forma geral, tem sido norteado pela pressão de ecologistas e cientistas preocupados em erradicar o uso de substâncias potencialmente prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. A indústria, por sua vez, busca atender às demandas por produtos mais limpos, resultantes de um nível mais elevado de consciência ecológica. Esta é uma das maiores influências no desenvolvimento de novos aditivos. Nos laboratórios, nota-se o abandono do uso de metais pesados e de outros produtos agressivos. O nó da questão é aliar esse conceito a custos compatíveis e ao alto desempenho. Em consonância com essa tendência, a Cognis Oleochemicals (Cico), uma das maiores produtoras de oleoquímicos do mundo, investe fortemente na produção de insumos naturais. A linha de produtos contempla os lubrificantes e plastificantes de origem natural, que são o foco da empresa, além de antiestáticos, agentes desmoldantes, entre outros. Suas matérias-primas são provenientes de fontes renováveis como palma, coco, girassol e colza. Todo o processo de plantação, cultivo e processamento dos oleoquímicos naturais é realizado dentro da própria organização. A companhia utiliza a unidade da Cognis Brasil, em Jacareí-SP, para a fabricação de alguns de seus produtos na área de aditivos para plásticos. A Cico, uma joint venture entre a Cognis e a plantadora de palma da Malásia, a Golpen Hope, se estabeleceu como organização global, oficialmente, no início de 2006 e, hoje, possui sede na Malásia e centros de produção e serviços na Ásia, América e Europa. A Cico faz parte (50%) da recém-criada organização Sime Darby – uma fusão entre as empresas Oleochemicals, Golden Hope Plantations Berhad e Kumpulan Guthrie Berhad. Além da questão ambiental, as especificações de alguns produtos acabados também têm influência nos novos rumos do setor. De acordo com a Baerlocher do Brasil, um exemplo se refere à norma do tubo ductil; o produto passou a contemplar exigências como a necessidade de ser aprovado em testes de impacto, de plastificação – com cloreto de metileno –, e sobretudo o teste C, a prova de dutibilidade (o tubo não pode quebrar; somente rasgar, se nele for incorporado algum peso). Para o gerente de garantia da qualidade e desenvolvimento de produto da Baerlocher do Brasil, Valdemir Fantacussi, a indústria de tubos e conexões está muito profissional e a de perfis começa a se transformar no mesmo sentido. Ele explica que as solicitações se tornaram bastante rigorosas. “Há alguns anos, materiais que hoje são barrados eram aprovados”, comenta. Outra tendência bastante forte se percebe no avanço de soluções, ou seja, combinações de produtos capazes de contemplar várias funções ao mesmo tempo. Na Baerlocher, o principal mercado é o de estabilizantes para policloreto de vinila (PVC), área na qual se destacam os chamados “one pack”, resultado de formulações voltadas para estabilização, lubrificação e plastificação do transformado. As vantagens que garantem o sucesso da linha dentro da companhia se revelam na redução da dosagem do produto e na facilidade no gerenciamento do mesmo. “Substituímos entre seis e catorze componentes por um único pacote a ser administrado”, explica Fantacussi. Na Baerlocher não há mais vendas isoladas de lubrificantes; esse aditivo é incorporado ao “one pack”.
A Songwon segue a iniciativa de outras companhias e vende sistemas de aditivos, fruto de sua parceria com a empresa Chemson. Passou a produzir formulações taylor made, para as petroquímicas, por meio das especificações das mesmas. A capacidade instalada desses produtos, chamados de OPS, na Songwon, é de 3 mil t/ano. Novidades - A Cytec programou para este mês o lançamento da linha Cyasorb Cinergy Solutions, destinada para a aplicação em plasticultura, tubos e rotomoldagem. O aditivo possui estabilização UV, do tipo Hals, aliada à ação de absorvedores e antioxidantes primários e secundários. Independentemente do novo produto, a empresa oferece ao mercado três linhas de aditivos: Cyasorb, estabilizante e absorvedor de luz ultravioleta; Cyanox, antioxidante primário e secundário (blendas); e Cyastat, antiestático (sal de amônia quaternária). Este último se destina a embalagens para produtos eletrônicos, como placas de computador, entre outras aplicações. No entanto, Martins admite que, no portfólio, o antiestático é um complemento, ou seja, a linha traz poucos tipos e todos são apresentados na forma líquida. Em geral, o mercado refuta essa apresentação, à exceção dos produtores de tintas. A Ciba Irgastat P representa uma novidade na linha de aditivos antiestáticos permanentes da Ciba Especialidades Químicas. O desenvolvimento tem como base o copolímero poliéster e a poliamida. Diferentemente do negro-de-fumo, a linha atua por intermédio da formação de uma teia capaz de dissipar a energia estática em pequenas doses – em geral, não envolve energia suficiente para apresentar danos causados por descargas eletrostáticas. O produto se destina à indústria eletrônica, na qual os plásticos podem causar danos a componentes eletrônicos, como placas de circuito impresso, pela descarga de energia estática. Entre as novidades, no portfólio, para o segmento de clarificantes, a Ciba desenvolveu o Irgaclear XT 386. Sua estrutura química permite utilizar o produto em concentração doze vezes menor do que os derivados de sorbitóis, segundo Lopes. O resultado disso se nota nas propriedades organolépticas do polipropileno (PP): praticamente não apresenta odor ou coloração.
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