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tintas para
PLÁSTICO |
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Cuca Jorge

Pintura
confere brilho e beleza ao substrato |
Fabricantes esbanjam
capacitação técnica
e oferecem mais do
que efeito decorativo
Renata Pachione |
O
mercado de tintas para plástico está em compasso de espera. Alguns
fabricantes operam à metade de sua capacidade produtiva. No entanto,
tecnologia não falta, aliás, sobra, a ponto de a pintura ser hoje uma
ferramenta para corrigir falhas do substrato, fruto da crescente fabricação
de peças de qualidade ruim. Acostumada com clientes exigentes, a indústria
já domina os recursos para superar eventuais dificuldades de adesão da tinta
ao substrato, mas sofre com a falta de espaço para avançar em novos
segmentos e aplicações. Por isso, de maneira geral, as companhias adotaram a
estratégia de oferecer suporte para a máxima especialização, consolidando a
venda taylor made – feita sob medida.
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A capacitação técnica do setor embute know-how de primeira ordem. Para
elucidar o seu poderio, basta citar os principais players nacionais,
encabeçados por Basf, DuPont e Akzo Nobel. Há também produtos importados,
como os da norte-americana Red Spot Paint e da japonesa Fujikura Kasei,
disponíveis localmente pela Arpol Tintas.
Independentemente do ramo de atuação, os fabricantes hoje concentram seus
esforços em duas frentes de trabalho de altíssimo nível: a tecnologia de
cura por ultravioleta (UV) e a troca dos sistemas base solvente por base
água. “São as grandes evoluções do mercado”, atesta o coordenador de
negócios de tintas automobilísticas da Basf, Daniel Rodrigues Nascimento.
Cada um à sua maneira traz no portfólio desenvolvimentos baseados nesses
dois pilares. Para se ter uma idéia, a mais recente tecnologia apresentada
pela Basf se trata de um verniz de cura UV com 100% de sólidos, para pintura
de faróis e lanternas da linha automotiva. Não por acaso, a Akzo Nobel
também destaca seus vernizes de cura UV 100% não-voláteis. Conforme explica
esse fabricante, |
Cuca Jorge

Nascimento: tecnologia de cura por UV é uma evolução do setor |
ao contrário dos convencionais revestimentos à base de
solvente ou água, as tintas com cura por UV são formuladas com polímeros
base, diluentes não-solventes e fotoiniciadores. “O sistema UV oferece maior
resistência física e química”, afirma o gerente de negócio de Tintas para
Plásticos – Tintas Industriais da Akzo Nobel, Marcos Antonio Antoniassi.
Entre as vantagens, há o aspecto ecológico e ganhos de eficiência e
produtividade.
Ninguém quer ficar de fora. A Arpol Tintas, sob a licença de parceria
internacional, também oferece ao mercado uma linha de vernizes por cura UV
para lentes de faróis. Mas quer ir além, vislumbra a sua fabricação aqui no
país. “O foco do nosso investimento hoje está na possibilidade de produzir
esses vernizes no Brasil, terceirizados para a Red Spot”, antevê o diretor
da Arpol Tintas, Narciso Moreira Preto.
As tecnologias verdes também ditam os novos rumos do mercado. A utilização
de tintas base água tem sido a aposta da indústria para a redução do teor de
solventes orgânicos. Não por acaso, um dos mais recentes desenvolvimentos da
Eastman se refere a um promotor de adesão livre de halogênios e AFEO (alquilfenoletoxilato)
para revestimentos à base de água. De acordo com o representante de
Desenvolvimento Técnico da Eastman, Renan Urenhiuki, em geral, os produtos
base água têm desempenho inferior aos de base solvente, por uma questão de
tecnologia. Ele diz que um verniz para pintura original automotiva não pode
ser base água, pois o desempenho é inferior, mas o primer surface e o base
coat podem ser. “As empresas trabalham forte para desenvolver produtos base
água com desempenho igual ou superior”, avisa.
Por que pintar? – Tendências à parte, os fabricantes são unânimes em
relação à superioridade da pintura em comparação à peça injetada na cor.
Para eles, a possibilidade de enobrecer o plástico assim como a
homogeneidade do revestimento e a grande variedade de opções de acabamento
representam grandes trunfos da indústria de tintas. Ou seja, a pintura do
substrato vai aonde o plástico injetado na cor não consegue chegar, pois
atende às especificações técnicas de mercados exigentes, como o automotivo e
o de telefonia celular. “A pintura viabiliza a fabricação de uma peça
totalmente fosca, com 1,2% de brilho e toda uniforme; no plástico injetado,
não se obtém esse efeito”, compara Preto. Para ele, por mais que haja
tecnologia embutida na injeção, com a pintura o substrato ganha mais vida e
beleza.
No plástico, a tinta assume um caráter tanto estético quanto de proteção. No
primeiro quesito, destaca-se a capacidade do revestimento de oferecer mais
brilho e efeitos especiais à peça. No caso do setor automotivo, a diretora
técnica da Akzo Nobel, Elaine Cristina Eiras Poço, afirma que o acabamento
pela adição de cores aos “bulks” dos plásticos não é muito vantajoso para as
peças empregadas no exterior dos automóveis. Um dos pontos cruciais se
refere à diferença de textura e brilho do acabamento em relação ao restante
do veículo. “O acerto das nuances de cores não seria perfeito. O uso de
tinta permite harmonizar a cor com o restante do veículo proporcionando uma
estética superior”, explica.
Em termos de proteção, observam-se melhorias quanto à durabilidade da peça,
por conta da promoção de mais resistência. De acordo com a explicação de
Elaine, a tinta protege o substrato contra raios UV, intempéries e
substâncias agressivas, e ainda oculta imperfeições da superfície. “Foi-se o
tempo em que a tinta era utilizada apenas como acabamento estético”,
completa o químico e gerente de desenvolvimento da Brazilian Color, Deivid
José Balbino Carvalho.
Particularidades – Apesar das vantagens da pintura, os fabricantes de
tintas enfrentam algumas particularidades do setor. As superfícies a serem
pintadas devem estar limpas e para isso é necessário algum tipo de
pré-tratamento. Em alguns casos específicos, até pode-se desenvolver
materiais para aplicação na peça que dispensa tratamento prévio da
superfície, como explica Nascimento, da Basf. Porém mesmo assim se torna
necessário o controle dos níveis de polaridade do substrato em sua injeção.
Os problemas de aderência acometem alguns tipos de plásticos, em particular
o polipropileno (PP) e os materiais reciclados, por causa das baixas
energias de superfície. A tensão superficial, seja ela relacionada a um
líquido ou a um substrato sólido, nada mais é senão a relação de forças
existentes entre as moléculas que a constituem. E a adesão da tinta em
plásticos de baixa energia superficial se dá com o tratamento superficial,
com a descarga de plasma (tratamento efetuado em vácuo moderado, resultando
numa descarga alternante de elétrons e íons sobre a peça plástica),
flambagem (queima superficial do substrato polimérico capaz de alterar a
polaridade superficial e elevar a sua tensão superficial) e desengraxamento
com solventes, entre outros. Elaine, da Akzo Nobel, cita que os tratamentos
com plasma causam quatro principais efeitos: limpeza da superfície,
cauterização (ablação), cross-link e modificação da composição superficial,
simultaneamente. “É uma operação que depende dos muitos parâmetros,
tornando-se mais cara que a flambagem, por exemplo”, explica. Para o PP, se
utiliza a flambagem ou o tratamento com plasma. Em tempo: outros produtos
também destinados ao controle da tensão superficial são os surfactantes.
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