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Abiplast sugere mudança
para garantir competitividade
Na
linha de diálogo aberta pelo governo federal com os empresários para criar
os meios de transpor os principais obstáculos para o estabelecimento de
igualdade de condições na competitividade da indústria de transformação de
material plástico com seus concorrentes internacionais, os dirigentes da
Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) registraram a
receptividade de suas propostas nos encontros com o ministro do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e as
diretorias da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
(BNDES). O presidente da Abiplast, Merheg Cachum, explicou que nesses
pleitos com o governo não houve espaço para reivindicações de medidas
protecionistas para o setor. Mas, sim, o entendimento para as condições
necessárias para o cumprimento das exigências e cooperação com o Plano de
Desenvolvimento Produtivo – em que deverá se basear a nova política
industrial anunciada oficialmente em maio passado.
“Não queremos incentivos. Queremos o realinhamento da carga tributária da
cadeia produtiva para estabelecer um mecanismo de competitividade e isonomia
de condições com nossos concorrentes nos países industrializados,
principalmente os Estados Unidos e a Alemanha”, disse o presidente da
Abiplast. O peso excessivo da carga tributária e o alto custo da
matéria-prima, conforme Cachum, são as duas grandes barreiras que impedem
saltos maiores na corrida do setor plástico brasileiro com as empresas do
mercado exterior: “Se a questão da carga tributária não for bem encaminhada,
não há como obter vantagens competitivas.” Sobre o outro problema para
aumentar as condições de competitividade, o custo das matérias-primas, os
dirigentes da Abiplast defendem que o seu preço deveria ser desindexado das
cotações internacionais e adequado à realidade do mercado interno.
O preço dos derivados do petróleo, à exceção da gasolina, é totalmente
controlado pelo governo federal e segue a cotação do barril no mercado
exterior – que já se aproximou de US$ 150/barril na primeira semana de
julho. Nos últimos doze meses, essa escalada do preço do barril de petróleo
refletiu-se diretamente nos custos da produção da indústria que usa
subprodutos do petróleo como matéria-prima, obrigando esse segmento a
repassar aumentos de até 30% para o preço final ao consumidor.
Os resultados de uma pesquisa de preços da Abiplast entre abril de 2007 e
abril de 2008 revelaram que uma das principais matérias-primas petrolíferas
básicas para a indústria de transformação, a nafta, subiu 38% entre janeiro
e abril de 2008 – representando aumento de 6%. No mesmo período, a resina
termoplástica para a fabricação de embalagens alimentares foi reajustada em
31%. Como país auto-suficiente na produção de petróleo, segundo Cachum, o
Brasil deveria assumir o status de formador dos preços do produto. “Dentro
das regras vigentes, o preço pela tonelada da nafta acompanha os valores de
comercialização no mercado europeu. Essa discrepância somente contribui para
manter as condições de competitividade do setor plástico nacional debilitado
em termos de concorrência”, avaliou o presidente da Abiplast.
Metas e responsabilidades – Na verdade, para atingir os objetivos
finais da atual política industrial, o governo deverá ouvir e aplicar as
sugestões razoáveis apresentadas pelos representantes de diversos segmentos
da produção industrial – de modo particular, a indústria de plástico, que
participa da maioria de todas as outras cadeias produtivas em determinada
etapa.
“É justamente por causa do reconhecimento da importância estratégica do
setor plástico para a produção industrial no PIB, que o governo nos chamou
para conversar”, observou Cachum. Além disso, o setor industrial de
transformação de material plástico atualmente é movimentado por
aproximadamente 300 mil empregos em 11,2 mil fábricas. “Se nos mantivermos
na retaguarda da concorrência internacional, é lógico que indiretamente
estaremos contribuindo para gerar empregos lá fora em detrimento de nosso
mercado de trabalho”, destacou o dirigente.
No seu entendimento, na divisão de responsabilidades, cabe ao governo
desenvolver a nova política industrial sobre o desenho de quatro linhas
mestras: a primeira, com o objetivo de aumentar o investimento fixo do país
de 16,8% para 21% do Produto Interno Bruto (PIB), depois fortalecer os
investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento, ampliar a participação
do Brasil nas exportações mundiais em 1,25% do comércio mundial até 2010, e
gerar o aumento de pelo menos 10% do número de micro e pequenas empresas
exportadoras. Do sucesso dessas metas depende o objetivo último da nova
política industrial, que é a injeção de R$ 297,8 bilhões na economia
brasileira em 2010 – quando os responsáveis pela política econômica prevêem
que o PIB deverá sofrer quedas variando em torno de 3% a 4%, depois do
período de crescimento sustentado de 5% atualmente.
Os empresários, por seu lado, além de questões tributárias, financiamentos e
matérias-primas, apresentaram às autoridades econômicas uma série de medidas
que deverão adotar na produção, inseridas no contexto das megatendências
tecnológicas internacionais para se colocar à altura da concorrência que,
segundo a proposta das lideranças do setor, deve ser controlada com a
instituição de barreiras não-tarifárias, de normas e procedimentos para
combater a concorrência desleal.
Segundo os dirigentes do setor plástico, as sugestões apresentadas ao
ministro Miguel Jorge são necessárias para estimular a inovação tecnológica,
por meio de investimentos intensivos em escala na pesquisa e desenvolvimento
de novos materiais – o que exige apoio técnico e financiamento de pesquisas
para a elaboração de resinas de fontes alternativas (bioplásticos). Na pauta
de medidas para dilatar a competitividade da indústria de plásticos,
destacam-se também as iniciativas de incentivo e financiamento de projetos e
novas tecnologias de reciclagem de materiais, abertura de financiamentos
para bens de capital e o lançamento de programas de capacitação em gestão
empresarial.
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O presidente
do conselho de administração da Abiplast, Ricardo Max Jacob, explicou
que na área de recursos humanos a questão da formação de profissionais
em design foi reforçada – com a sugestão da abertura de linhas de
financiamento e apoio à pesquisa e capacitação –, por se tratar do
recurso mais eficaz no estabelecimento de diferenciais entre os
produtos nacionais e estrangeiros. Em relação à qualificação da
mão-de-obra, o documento da Abiplast recomenda a instalação de
programas de qualificação profissional, mais especificamente nas áreas
de saúde, segurança e meio ambiente. |
Cuca Jorge

Merheg Cachum (ao centro): "Não contamos
com cenários negativos." |
Na hipótese de o governo
federal não assegurar o vigor das medidas que o setor plástico propõe como
fundamentais para a ampliação da margem de competitividade, uma parcela dos
industriais petroquímicos da terceira geração já manifesta a possibilidade
de redirecionar seus investimentos para países latino-americanos que
ofereçam incentivos e melhores condições para a produção. Porém, o
presidente da Abiplast prefere não pensar em cenários negativos no desfecho
das atuais negociações com o governo: “Estamos jogando para ganhar”,
finalizou Cachum.
Hilton Libos
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