Interplast 2008      prévia

Feira movimenta cadeia do plástico no sul do país
Fernando Cibelli de Castro

Cento e oitenta milhões de reais em negócios nos seis meses pós-feira, R$ 20 milhões a mais na comparação com a edição de 2006, mais de 25 mil visitantes em sua grande maioria provenientes dos 27 estados brasileiros. Essa é a expectativa do Sindicato da Indústria de Material Plástico de Santa Catarina (Simpesc) e da Messe Brasil, entidades responsáveis pela quinta edição da Feira e Congresso Nacional de Integração da Tecnologia do Plástico, Interplast 2008. O evento será realizado de 25 a 29 de agosto próximo, na cidade de Joinville, principal pólo transformador de termoplásticos de Santa Catarina e da Região Sul do país.

Richard Spirandelli, da Messe Brasil, explica que a feira tem como objetivo suprir a demanda por máquinas e equipamentos dos três estados do Sul, mas 80% dos negócios são gerados em Santa Catarina mesmo. A taxa de crescimento da Interplast é de 25% ao ano em termos de expositores. Este ano, são aproximadamente 500 espalhados em 9 mil m². A chegada de novos parceiros é atribuída à divulgação internacional do evento, realizada durante as últimas edições da K, Brasilplast e Argenplás.

Os grandes expositores abrigados no grande pavilhão “A” vêm da Alemanha e Itália. Destaque também para a intrépida delegação chinesa e seu desprendimento em negociar, capaz de produzir vendas tendo cheques pré-datados como documento de pagamento, além do tradicional grupo de construtores do parque brasileiro de máquinas e equipamentos.

Por processos, 60% dos expositores fabricam injetoras. Outros 30% estão no ramo de extrusão. Os 10% restantes ficam por

Divulgação

Spirandelli: feira visa a atender à demanda da Região Sul

conta do sopro, rotomoldagem, termoformagem, periféricos, entre outros. Na outra ala do grande pavilhão “A” estão localizados os estandes das empresas vinculadas à produção de resinas, aditivos, cargas, masterbatches, material reciclado, plásticos de engenharia e de alto desempenho. Com a expansão da feira, há um pavilhão menor, denominado B, onde se concentrarão algumas companhias estreantes na Interplast, também ocupado por entidades como o Sindimeq, Simpesc, Associação Comercial de Joinville, INP, Abiplast, Abief, Abiquim, Abimaq, entre outras.

Na opinião do vice-presidente do Simpesc, Oswaldo Kiesewetter, a Interplast é a segunda mais importante feira da cadeia produtiva do plástico do país, por ser realizada em Joinville, onde ocorre a formação de engenheiros de plásticos, de moldes e toda a sorte de técnicos capazes de suprir a demanda de profissionais do norte do estado e também do Paraná.

Além disso, sublinha Kiesewetter, Joinville opera como suporte para o desenvolvimento da indústria de termoplástico das demais regiões do território catarinense, notadamente, a grande Florianópolis, o sul do estado, o oeste e demais regiões onde proliferam as indústrias de extrusão de embalagens flexíveis e do segmento de descartáveis e tubos de PVC.

Na avaliação de Kiesewetter, o momento da indústria de transformação de plástico de maneira geral é de altos e baixos. Quem fornece peças, componentes e produtos acabados para as indústrias automotivas, da construção civil, de embalagens para alimentos está com a produção em alta. Com isso, a lucratividade transcorre por meio do volume vendido, embora as margens sejam pequenas.

O vice-presidente do Simpesc sugere modificações nas normas de comercialização de resinas. No momento em que a petroquímica nacional se consolida em cima de um grande

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Kiesewetter: transformação vive fase de altos e baixos

conglomerado, ele aconselha o corte pela metade das taxas alfandegárias de importação de resinas. No seu entendimento, tal medida forçaria a concorrência, diminuiria os custos da matéria-prima e permitiria o crescimento em igualdade de condições das pequenas e médias empresas transformadoras. “Pela escala da petroquímica brasileira, o governo poderia abrir mão das taxas alfandegárias”, reivindica Kiesewetter.

Na visão do líder empresarial, os transformadores foram penalizados pela especulação política dos preços do petróleo, fenômeno diretamente vinculado à escalada dos custos dos derivados da nafta ladeira acima. “Se o petróleo chegar aos US$ 200 por barril, uma parcela dos transformadores terá de encerrar as atividades”, adverte Kiesewetter.

Ao comentar as dificuldades do setor em tempos de Interplast, Kiesewetter fala em nome de um estado onde existem 900 razões sociais ligadas à transformação de plásticos ou nas atividades indiretas. As mesmas respondem por 23 mil empregos, de acordo com a aferição da consultoria especializada na construção de estatísticas da cadeia petroquímica, a Maxiquim.

Eventos técnicos buscam inovação e criatividade

Em 2008, assim como em anos anteriores, o Congresso de Inovação Tecnológica (Cintec-2008), de Joinville, promovido pelo sistema Sociesc/Instituto Tupy, ocorre no auditório da Expoville como evento paralelo à Interplast. Para o professor Luiz Roberto Sniecikovski, responsável pela organização do congresso, o principal ponto de diferenciação do Cintec foi a criação de um grupo temático, comprometido com a formatação da grade, integrado por profissionais das empresas e da academia

para melhor exame das questões relativas aos processos palpitantes do momento. Depois separam de 60 a 80 temas, os quais são filtrados numa segunda reunião. Até chegarem a um número próximo de 30 a 40 palestras, debates ou minicursos.

A equipe é composta por aproximadamente 30 profissionais ligados aos transformadores, indústria petroquímica e à Sociesc. Eles recebem sugestões de representantes do setor de Curitiba e São Paulo. Na área de plástico, a preferência é pelos professores da Universidade Federal de São Carlos e pela unidade de engenharia de polímeros da USP. Podem aparecer também profissionais com destaque no exterior. A parte das palestras no Cintec 2008 terá 18 mesas nos cinco dias de evento.

Tradicionalmente, o congresso reúne na platéia engenheiros, gerentes da área de produção e comercial, técnicos de produção e representações da academia, notadamente alunos e professores. É, atualmente, o principal evento do sul do país com relação ao

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Sniecikovski: congresso aborda temas do momento

intercâmbio de informações da cadeia produtiva do plástico. Para Sniecikovski, não faz mais sentido dividir o setor em primeira, segunda e terceira gerações, na medida em que o país tem um sistema bem estruturado denominado cadeia produtiva do plástico, o qual engloba a primeira geração petroquímica, a segunda e os transformadores.

Sniecikovski cita o crescente interesse pela discussão sobre as tecnologias ambientalmente amigáveis. Se o custo da reciclagem é alto, por que não discutir o emprego do plástico pós-uso como combustível para a geração de energia. A parte de polímeros e processos com nanocompósitos e plásticos de alto desempenho é outro tema de destaque. O organizador enfatiza que o público principal do Cintec é de Santa Catarina, Paraná e do Rio Grande do Sul. Do Uruguai e Argentina há uma participação mais periférica.

No último dia, ocorre uma pequena palestra e um grande debate. Nos cinco dias, são realizados ainda seis minicursos técnicos. A expectativa é de 700 pessoas na soma dos eventos.

Santa Catarina é um arranjo produtivo local da cadeia produtiva do plástico, conforme as especificações do BNDES. Nesse aspecto, ganha importância o seminário CAM 2008, também organizado dentro da programação do Cintec, o qual propõe um debate amplo e exclusivo sobre a produção de moldes, matrizes e ferramentas específicas para a transformação de termoplásticos. A região de Joinville concentra 200 fundições com essa finalidade.

Essa proximidade geográfica permitiu a criação do núcleo de ferramentaria e usinagem de Joinville. O coordenador do curso de mestrado de engenharia mecânica do Instituto Tupy (vinculado à Sociesc), Adriano Fegali, responde pela organização do seminário.

Fegali dirige toda a pesquisa direcionada a atender às necessidades de desenvolvimento tecnológico dos usuários de matrizes dentro do Instituto Tupy. Igualmente responde pela organização do CAM, o qual terá como ponto alto a discussão dos programas de pesquisa continuada em ferramentas e moldes, e que envolve professores, alunos de graduação e de mestrado, bolsistas de iniciação científica e ensino técnico.

Atualmente, o Instituto Tupy mantém alunos dentro do ITAL, na USP e na Ufscar. Eles buscam o aperfeiçoamento no

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Fegali é o responsável pela organização do seminário

desbaste do molde, especialização refinada na área de processo de injeção em corpos de prova. Com efeito, o ponto culminante do seminário será uma competição entre os participantes, todos eles projetistas de moldes, que receberão a geometria do molde de um porta-ovos de refrigerador e terão de criar a solução em matriz, cada um à sua maneira.

O autor do melhor projeto será contemplado com um prêmio de R$ 4 mil. Em troca, terá de detalhar todas as etapas de concepção do molde e dividir a experiência com o grande grupo. O concurso irá levar em conta quesitos como estratégia de usinagem, tempo de desmoldagem, ciclo de injeção, qualidade da forja, polimento do metal e erros dimensionais.

Posteriormente, o molde vencedor será testado com a colocação de sensores de temperatura e pressão e em processo de injeção com diversas resinas. O objetivo é produzir um laudo conclusivo sobre a confiabilidade da matriz e sua versatilidade de produzir as peças em vários materiais como compósitos com pó de madeira.

O desafio despertou o interesse de 65 profissionais e estudantes, o quais se julgaram capazes de apresentar a melhor solução definida pela organização do seminário.

Ao final, o projeto vencedor irá originar o molde que poderá ser usado em uma linha de produção. A comissão julgadora da competição é formada por professores da Sociesc escolhidos pelo núcleo de moldes, matrizes e ferramentas de Joinville. Adicionalmente, foram convidados oito renomados palestrantes brasileiros e dois do exterior, diretamente vinculados aos projetos de pesquisas e de desenvolvimento.

No fechamento desta edição de Plástico Moderno, 150 participantes na condição de ouvintes estavam inscritos para o seminário. O evento é anual, mas este ano está incluído dentro da programação da Interplast.

Na ponta dessa verdadeira maratona tecnológica está a produção de novos conhecimentos sobre como aperfeiçoar os projetos e a execução de matrizes para a transformação de polímeros no país. Cada empresa emprega uma estratégia diferenciada. Fegali participou de projetos na Europa e, segundo ele, diversos países estão em plena evolução em termos de ferramentas para termoplásticos, desde a Península Ibérica até o Leste Europeu.

“Existem dezenas de maneiras de encontrar a geometria correta e praticamente todas geram uma matriz com capacidade de processar termoplásticos, mas é no detalhe que se verificam as vantagens e as desvantagens de equipamentos produzidos em cima de um único projeto, onde se reduz tempo de produção, custos e se obtém um produto transformado com qualidade superior”, observa Fegali. Ele argumenta que 30% do custo de produção de uma produto injetado está relacionado com o molde.

 

 

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