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extrusão de tubos e chapas |
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Cuca Jorge |
Mercado abre caminho para
novos desenvolvimentos
e projeta elevar produção
Renata Pachione |
A
construção civil e os projetos de infra-estrutura têm puxado os
investimentos e injetado ânimo nos fabricantes de máquinas. Com a demanda
aquecida, o setor, seja no ramo de tubos, chapas ou perfis, aposta na
ampliação das fábricas e faz projeções positivas para os próximos anos.
Prova disso está nos desenhos das máquinas. A capacitação tecnológica e as
inovações ditam as regras. Ao contrário de anos atrás, quando o preço era
determinante na hora da compra, hoje o transformador está mais interessado
em desenvolvimentos especiais – leia-se: aqueles capazes de agregar alta
produtividade à redução dos custos operacionais.
O consumo em alta impulsiona caminhos nunca antes percorridos pelo mercado
de chapas. A abertura do setor motivou a alemã Battenfeld a oferecer ao
Brasil um novo conceito de máquina: modelos menores com alta rotação. Apesar
de essa fabricante ter a divisão de extrusão de tubos como a mais
representativa por aqui, é nas chapas sua aposta atual. Essa proposta tende
a mexer com os rumos da extrusão, mas sobretudo com os números da própria
companhia, pois é o seu grande trunfo para fortalecer a presença neste
segmento em território nacional. No país, a empresa é pouco competitiva e
tem dificuldades para emplacar suas máquinas convencionais voltadas para o
ramo de chapas, porque essa demanda é abastecida pela fabricação local. Por
isso, decidiu se direcionar para outro nicho de mercado: setores nos quais
há a necessidade de rapidez e grandes volumes.
Novos rumos - A Battenfeld começou a vender sua linha de máquinas de
alta rotação e pequeno porte – High Speed – há dois anos, e já possui
modelos funcionando na Europa e na Ásia. No Brasil, a família chegou agora e
com força total, a ponto de cogitar-se a possibilidade de, no futuro, a
companhia concentrar-se nesse conceito e não mais fabricar modelos
tradicionais. As extrusoras da linha High Speed atingem velocidades entre
1.000 e 1.200 kg/h, processando poliestireno (PS) ou polipropileno (PP).
Essa produção, segundo o gerente do departamento de Máquinas Plásticas da
MAN Ferrostaal, Ferry Rosenstock, equivale à de um modelo com rosca de 180
mm ou 150 mm; no entanto, na linha da Battenfeld, as roscas têm 75 mm de
diâmetro.
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Rosenstock assume não ser um desenvolvimento simples, apesar de
apostar que o conceito poderá ser adotado, por outros fabricantes,
assim que se iniciarem os negócios. “Os sistemas de refrigeração e de
bobinamento precisam trabalhar numa velocidade muito alta; tem muita
tecnologia aí”, explica. Entre as vantagens, além da rapidez e da alta
produção, estão o menor gasto energético e o pouco espaço ocupado pela
máquina, entre outros. Apesar de a empresa ter unidade fabril na
China, a linha é totalmente produzida na Alemanha.
O gerente está confiante na aceitação desse novo paradigma e prevê
vender, no mínimo, uma linha, ainda este ano. A aposta é tão grande
que Rosenstock vislumbra um dia tornar esse tipo de máquina seu
principal negócio por aqui. Além disso, a idéia de introduzir no
mercado máquinas menores com alta rotação deverá ser absorvida também
entre os fabricantes de extrusoras para tubos e perfis, conforme ele
antevê. |
Cuca Jorge

Rosenstock tenta comercializar modelo pequeno com alta rotação |
O grupo alemão MAN, cujo faturamento anual gira em torno de 15 bilhões de
euros, congrega várias empresas, entre as quais a MAN Ferrostaal. A
tradicional e renomada fabricante do ramo da extrusão, Battenfeld, pertence
à MAN Ferrostaal e hoje representa seu carro-chefe na área plástica no país.
No Brasil, a Battenfeld nunca produziu extrusoras – já teve fábrica de
injetoras e sopradoras –, sobretudo porque esses dois segmentos demandam
maior volume. De acordo com estimativa de Rosenstock, no mercado geral, para
cada dez injetoras vendidas, são comercializadas três sopradoras e uma
extrusora. Segundo seus cálculos, no país existem 230 linhas de extrusão
para tubos da Battenfeld.
A empresa atua com produtos para tubos, chapas e perfis, sendo o primeiro
segmento o mais representativo. “O ramo de tubos é o que mais consome
máquinas Battenfeld”, comenta Rosenstock. Mas nem sempre foi assim. De 2002
até o final de 2005, a área esteve paralisada, por falta de investimentos, e
agora compensa as perdas do período com uma explosão do consumo. Além do
volume, a extrusão de tubos representa um mercado de alto desempenho. Por
isso, na opinião de Rosenstock, esta seria uma explicação para hoje a maior
procura estar voltada para as máquinas estrangeiras, de marcas como
Battenfeld, Cincinnati (austríaca) e Krauss Maffei (alemã). Em tempo: as
duas primeiras pertencem ao mesmo grupo econômico e, por sua vez, têm
tecnologia similar.
Em seu passado recente, o setor de chapas já demonstrou aptidão para o novo
e fôlego para engordar as vendas dos fabricantes de máquinas. A experiência
do diretor da Rulli Standard, Luigi Rulli, atesta um 2005 particularmente
especial para o ramo. No ano em questão, a petroquímica Braskem investiu na
abertura do mercado para copos descartáveis de PP, o que aqueceu a compra de
máquinas para chapas, para essa aplicação. Segundo o diretor, a empresa
comercializou o dobro do habitual. “Eu acredito que houve um aumento do
consumo, porque o PP ficou mais barato e acessível”, comenta Rulli.
Mas, independentemente das peculiaridades da extrusão de chapas, as
conjunturas estão favoráveis para os fabricantes de máquinas. O mercado
doméstico está aquecido e tem sido sustentado, principalmente pelo aumento
do poder aquisitivo do brasileiro. Em contrapartida, com o real valorizado é
até redundante mencionar que os índices de exportação estão aquém do
esperado. Os fabricantes nacionais sentem os reflexos do câmbio e não
projetam previsões positivas para 2008. Hoje nem é questão de aumentar as
vendas externas e sim de se manter nas pífias taxas atuais. Para a Rulli, em
2005, por exemplo, as vendas para o exterior representavam 35% da produção;
este ano, não chegarão a 10%. “Estamos trabalhando em cima do mercado
interno”, comenta o engenheiro Paulo Sérgio Leal, do departamento de vendas
técnicas da Rulli.
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Sobre a concorrência com as fabricantes estrangeiras, Leal se diz estar
em linha com os desenvolvimentos internacionais. Mas confessa: “Só
perdemos um pouco em projetos especiais.” Rulli admite que ainda não
consegue lançar uma linha como a High Speed, da alemã Battenfeld, mas
nem por isso deixa de abastecer o mercado nacional com inovações. A
empresa agregou um recurso automático, no caso uma bobinadeira,
utilizada em uma linha de filme, em uma máquina para chapas, o que
agilizou a produção, injetando mais precisão e redução dos custos
operacionais. Antes, o bobinamento era manual. “ Agora não precisa mais
de duas ou três pessoas para bobinar”, afirma Rulli.
De acordo com o diretor, os investimentos no aprimoramento das máquinas
são constantes. Uma das metas seria reduzir os custos da produção e um
dos caminhos para alcançar esse objetivo, na avaliação de Rulli, é fazer
projetos abrangentes e séries padronizadas, mas sem perder o foco nas
necessidades específicas de cada cliente. A questão da produtividade se
refere a outro ponto-chave da extrusão. Um |
Cuca Jorge

Luigi Rulli busca abastecer a
indústria nacional com inovações |
exemplo da Rulli é uma extrusora para processar PS, de 130 mm, capaz de
produzir até 1.100 kg/hora.
Desde a primeira máquina de chapa fabricada, em 1978, a Rulli Standard vem
se aperfeiçoando no mercado. Até 1985, a norte-americana Davis Standard
tinha sociedade com a Rulli, da qual herdou o sobrenome mantido até hoje, e
mais do que isso: a tecnologia. “O coração das máquinas da Rulli traz a
tecnologia que aprendemos com a Davis até hoje”, comenta Leal.
Essa fabricante norte-americana de extrusão tem representação local.
Trata-se da By Engenharia que, em 2009, completará vinte anos e, se depender
dos rumos do mercado, este ano terá muitos motivos para comemorar. A
companhia, no início, se restringia a representar empresas de periféricos, e
há sete anos decidiu ampliar sua atuação para linhas completas de extrusão.
A representação da Davis Standard foi um marco e apesar de a empresa
fabricar todos os tipos de linhas para extrusão e ser a maior do ramo nos
Estados Unidos, por aqui o foco da sua representante tem sido a extrusão de
chapas. Ao todo, são cerca de trinta linhas da marca no Brasil, mas, sob a
tutela da By Engenharia, a primeira venda se deu no ano passado. A máquina
em questão produz chapa para laminado de PET.
O caso não é isolado. Marco Antonio Gianesi, responsável pela By Engenharia,
antecipa que está cotando uma outra linha para chapa. “Da Davis, estamos com
quatro projetos em vista e esperamos vender uma ou duas linhas”, prevê. O
modelo se destina à fabricação de chapas de cinco camadas, largura de 1,5 m,
e conta com bobinadeira automática (transferência de bobina). Também
processa PET, PP, PS, PSA à velocidade de até 2.000 kg/hora. “Não existe no
Brasil nenhum modelo com essa capacidade produtiva”, orgulha-se o
representante. De acordo com Gianesi, apesar da alta tecnologia embutida,
leva-se tempo para vender uma máquina dessa categoria, pois um pedido se
matura entre dois e seis anos.
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