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Sofisticação –
Quem está familiarizado com a operação de injeção, sabe o quanto é
difícil construir um bom molde convencional para ações de ciclos rápidos. A
precisão da ferramenta se situa em tolerâncias muito rigorosas. No caso dos
stack molds, o funcionamento exige matrizes produzidas com rigor ainda
maior. Para começar, Pereira, da Husky, faz um lembrete: “Nos moldes
múltiplos, o uso de câmaras quentes é indispensável. Não dá para pensar em
um stack mold com canal frio; ele simplesmente não opera”, resume.
O funcionamento dos stacks prevê, ao se abrir a ferramenta durante a
operação de injeção, o afastamento das duas placas com cavidades graças a um
conjunto de pinos guias dotados com joelhos mecânicos, jogos de cremalheiras
e engrenagens ou com roscas sem fim. “Cada fabricante desenvolveu diferentes
tecnologias para a abertura da ferramenta”, explica Pereira.
Nos moldes comuns, a matéria-prima começa a ser enviada para as cavidades a
partir do canhão da máquina. Nos empilhados, a resina sai do canhão da
máquina e é transportada por um canal até a placa central. De lá, é levada
para as cavidades por meio de canais de alimentação especialmente
desenvolvidos. As câmaras quentes e os sistemas de refrigeração utilizados
em cada placa são projetados de forma independente, e envolvem cálculos
complexos.
Piazzo, da Milacron, lembra que além da sofisticação dos moldes, as
injetoras também precisam estar aptas para a operação. “O comprimento e a
largura dos moldes são os mesmos. O que muda é a altura, uma vez que a
operação de extração das peças das duas placas do stack mold utiliza
abertura mais ou menos 30% maior”, diz. O peso do stack mold também é maior,
o que exige mais robustez do
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equipamento.
Por fim, as capacidades de injeção e plastificação da injetora devem
ser suficientes para suportar o regime de operação diferenciado. O
executivo, no entanto, acredita que no caso das máquinas usadas em
operações de ciclo rápido, a adaptação acontece sem maiores problemas.
“Os transformadores que produzem peças em larga escala quase sempre
contam com injetoras dotadas com esses requisitos”, explica.
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Divulgação

Stack mold da Husky:
uso de mais de
duas placas ainda é raro |
As armas de
cada um – Cada fabricante de stack mold conta com tecnologias próprias,
que os diferenciam perante os concorrentes. No Brasil desde o ano 2000, a
Plastek possui 50 injetoras e transforma de novecentas a mil toneladas de
matéria-prima por mês. A fábrica brasileira é especializada na produção de
embalagens de cosméticos, alimentos, produtos farmacêuticos e de limpeza.
Entre seus clientes, nomes como Unilever, Pepsico e L’Oréal, além de outros
gigantes fabricantes de bens de consumo. A empresa também tem cerca de 200
injetoras espalhadas por três fábricas no território norte-americano, além
de manter unidades na Inglaterra (50 injetoras) e na Venezuela (30).
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De acordo com
Magno, como a Plastek também é transformadora, na hora de projetar os
stacks, a empresa consegue enxergar soluções de problemas com maior
facilidade. “Sentimos na pele as dificuldades que aparecem na hora da
produção de peças”, justifica. Um diferencial da empresa é o carrier,
sistema criado para facilitar a montagem e desmontagem dos moldes
múltiplos nas injetoras. “O sistema torna mais ágil a troca das
ferramentas. Nós retiramos o molde da máquina como se fosse um
convencional”, garante.
Outro motivo de orgulho do executivo se encontra na estrutura da
ferramentaria mantida pela Plastek no Brasil. “Contamos aqui com
máquinas de usinagem muito modernas, as mesmas usadas pelas
ferramentarias que a Plastek mantém nos Estados Unidos”, informa. A
coincidência não é por acaso. “Nas horas ociosas, usamos a estrutura
nacional para fabricar moldes usados pela Plastek em outros países”,
revela Magno.
A Delkron é uma empresa de pequeno porte cuja especialidade é oferecer
componentes para moldes de injeção. Os |
Cuca Jorge

Magno: ferramentaria da
Plastek tem equipamentos hi-tech |
carros-chefe da
empresa são os sistemas de câmara quente. Os stacks, por causa da pequena
procura, não representam grande peso no faturamento da empresa.
De qualquer forma, o diretor Ney Kaiser tem a intenção de divulgar essa
tecnologia e dá uma notícia alvissareira para os interessados em adotá-la:
“Em 90% dos casos, é possível adaptar um molde já existente em um stack mold.
Nesse caso, ocorre uma grande economia na elaboração da ferramenta”, afirma.
Para exemplificar, ele cita um molde projetado para um cliente, fabricante
de colheres descartáveis, cujo nome prefere preservar. Ele tinha um molde
convencional com 48 cavidades e sem câmara quente em uma injetora com 300
toneladas de força de fechamento. Nela, obtinha ciclos de doze segundos. Ao
instalar uma câmara quente no molde, o ciclo caiu para cinco segundos. “Ao
adaptá-lo para um stack mold, com 96 cavidades, passou a operar em ciclos
que ficaram próximos dos 6,5 segundos”, conta.
Entre os importadores, a Husky também conta com suas armas. A multinacional,
de origem canadense, foi criada há quinze anos e seu negócio original era o
de produzir células completas de equipamentos para a transformação de
embalagens PET. Com o passar do tempo, diversificou sua linha. Entre suas
especialidades, são bastante conhecidas no Brasil as máquinas injetoras e as
câmaras quentes da marca. Além da fábrica nacional, inaugurada em 1999 em
Jundiaí, no interior
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paulista, a
empresa também conta com duas unidades na China e plantas industriais
nos Estados Unidos e em Luxemburgo. Ao todo, são 44 escritórios em todo
o mundo, onde são atendidos pedidos de cerca de cem países.
A pequena demanda não incentiva a Husky a produzir stack molds por aqui.
“O preço desse molde é alto e assusta os transformadores. Nosso mercado
se resume aos grandes fabricantes de embalagens”, revela o gerente
Pereira. Não por acaso, as vendas de stack molds realizadas no Brasil
foram casadas. “Vendemos sistemas completos, que incluíram injetoras e
moldes”, completa.
Um dos trunfos da empresa nesse mercado, de acordo com o executivo, é o
fato de ela ser especializada na produção de injetoras e de câmaras
quentes. “Nos stack molds, o fluxo do material é complicado e as câmaras
quentes precisam ser muito bem dimensionadas”, ressalta. Outro
diferencial se encontra no sistema mecânico desenvolvido para abrir o
molde múltiplo durante a operação. Os demais fabricantes utilizam
sistemas de cremalheiras e engrenagens ou roscas sem fim. A empresa
desenvolveu um sistema diferenciado, baseado em um joelho mecânico.
“Antes, usávamos engrenagens e cremalheiras, e notamos que os dentes das
cremalheiras sofriam desgaste com o tempo. Isso fazia um lado começar a
se movimentar antes do outro, gerando problemas na operação de injeção.
Com o joelho, eliminamos esse problema”, justifica Pereira. |
Divulgação

Cuca Jorge

Pereira: joelho
mecânico elimina o desgaste das cremalheiras
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Automação exige projeto sofisticado
Os periféricos
utilizados pelas injetoras que operam com stack molds têm de ser muito
precisos. Em especial, os sistemas de extração, projetados para regimes de
elevadas produções e ciclos curtos. Um desafio particular se encontra nos
sistemas dotados com robôs. Resolver o problema não é fácil, uma vez que as
peças saem de dois locais diferentes. As garras extratoras também precisam
desviar do grande número de componentes utilizados por perto, como as
mangueiras de refrigeração, por exemplo.
“Os robôs precisam ser muito ágeis para atuar nessas condições”, afirma
Reinaldo Carmo Milito, diretor da Wittmann, empresa austríaca especializada
em robôs, com escritório de representação no Brasil em Campinas-SP. Para
Milito, a procura por esses robôs ainda é tímida no país, mas negócios
começam a ser gerados.
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Em
outubro, durante a realização da K’2007, a Wittmann lançou, em
caráter mundial, um novo sistema de produção de potes de parede
fina com a tecnologia que mistura as técnicas de “In Mold
Labeling” (IML) e stack mold. Na mesma época, a filial
brasileira comemorava o fechamento do contrato de fornecimento
desse sistema para a Pavão Indústria e Comércio, transformadora
especializada em embalagens e utilidades domésticas que possui
duas fábricas em São Paulo. “A Pavão será a pioneira na América
Latina a produzir esses tipos de potes”, garante Milito. |
Divulgação

Sistema da
Wittmann montado na K'2007 adquirido pela Pavão |
O projeto da
Wittmann para a Pavão contempla um stack mold que permitirá a produção de
dois potes de sorvete de 2 litros e duas tampas, todos feitos de
polipropileno. O sistema de automação inclui um robô modelo W711, que será
responsável pela aplicação de rótulos no interior das cavidades (localizadas
nas partes externas do molde) e pela remoção das peças prontas (pela parte
central do molde). O ciclo é simultâneo e tem duração aproximada de 6,5
segundos. A operação de entrada e saída dos robôs para a colocação dos
quatro rótulos nas cavidades e a retirada das quatro peças produzidas,
depois empilhadas numa esteira, levará em torno de 1,3 segundo.
Os primeiros testes do equipamento serão realizados ainda este ano. A
previsão é de que sejam produzidos nesse sistema cerca de 800 mil embalagens
por mês. De acordo com Artur Avelino Machado, diretor da Pavão, foram
investidos cerca de 600 mil euros na aquisição do sistema. A expectativa é
de que o retorno ocorra em três anos. A solução permite à Pavão diversificar
sua linha de injetados. “Adotamos esse tipo de sistema, pois há uma
tendência de mercado de receber a embalagem rotulada; ela dispensa trabalhos
posteriores. Com a aquisição, poderemos oferecer uma opção a mais para
nossos clientes a um custo bem interessante”, avalia o diretor da
transformadora.
Vale lembrar que a Wittmann concretizou no início de abril a compra da
fabricante mundial de injetoras Battenfeld. A aquisição trará novidades aos
transformadores brasileiros. Com todas as possibilidades dentro de casa, a
empresa quer passar a oferecer soluções totalmente integradas para a
indústria de injeção de plásticos. Nos pacotes, são oferecidos, além das
injetoras, robôs, secadores, alimentadores e todos os demais periféricos
necessários para um projeto. Com base nessa estratégia, o desenvolvimento de
sistemas especializados no aproveitamento de stack molds está entre os
planos da multinacional.
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