|
|
|
|
|
 |
stack molds
Produção de
grandes volumes
estimula o uso
de moldes
múltiplos
José Paulo Sant'Anna |
A
crescente adoção do plástico nas mais variadas aplicações tem acentuado a
necessidade de produzir volumes cada vez maiores de peças pelo setor da
transformação. A demanda põe em evidência uma tecnologia não muito recente,
a do stack mold – em português “molde empilhado” – que, em vez de ter uma
placa com as cavidades, tem duas placas com cavidades, cujos orifícios são
montados de forma espelhada.
O fato de as faces com as cavidades estarem sobrepostas permite que as
forças geradas durante o preenchimento se anulem aos pares, por serem iguais
e em sentido contrário. Por meio dessa técnica, é possível fabricar o dobro
de peças na mesma injetora, com base em ciclos de produção com duração
superior (cerca de 10% a 15%, em média) aos do molde convencional. Uma
matriz normal com duas cavidades, por exemplo, pode ser substituída por um
stack de quatro. Uma normal de quatro por outro de oito. Ou uma de 32 por
outro de 64. E assim por diante. Alguns tipos de stack molds chegam a
“empilhar” três ou quatro placas, o que triplica e até quadruplica a
produção. Mas esta solução ainda é adotada de forma rara em todo o mundo,
pois aumenta muito a altura da ferramenta.
Idealizados nos anos 70, os stack molds ainda são usados com parcimônia até
nos países mais avançados, apesar de no exterior a procura ter se
intensificado bastante nos últimos anos. “As vendas em todo o mundo têm
crescido em curva exponencial”, conta Renato Pereira, gerente de área da
Husky do Brasil, multinacional especializada em injeção com soluções
completas sobre a técnica.
|
Para se ter
uma idéia da evolução, a Husky comercializou, de 1973 até 2006, 1.644
conjuntos de stack molds em todo o mundo – alguns dos quais no Brasil.
A média, contemplando-se todo esse período, está na casa dos 49,8
moldes por ano. No último ano avaliado, de acordo com Pereira, essa
média subiu para cem. Em outras palavras, as vendas atuais estão
atingindo o dobro da média histórica.
No Brasil, a tecnologia tem sido aproveitada de maneira incipiente, o
número de transformadores que utilizam o método ainda é reduzido. Como
a demanda é pequena, o número de ferramentarias preparadas para
construir esses moldes no Brasil é ínfimo. Mesmo no mercado
internacional, são poucos os fornecedores especializados. Uma das
empresas nacionais que garante dominar a técnica é a Delkron,
localizada em Mairiporã-SP. “Desde os anos 80, temos tecnologia para
produzir moldes de múltipla face. Pena que no Brasil nós não tenhamos
a cultura de usar essa técnica”, revela Ney Kaiser, diretor de
engenharia da empresa. |
Cuca Jorge

Kaiser: Delkron tem
tecnologia no Brasil há mais de vinte anos |
Uma outra empresa
capacitada para fabricar os moldes empilhados no país é a Plastek,
multinacional criada nos Estados Unidos em meados do século passado. A
empresa nasceu como fabricante de moldes e, nas últimas décadas, agregou a
transformação aos seus serviços. “Na fábrica brasileira, temos entre onze ou
doze stack molds sendo utilizados”, informa o gerente técnico, Franco Magno.
|
Todos foram
totalmente fabricados na ferramentaria mantida na planta nacional, até
mesmo as câmaras quentes. “Os projetos dos moldes foram desenvolvidos
nos Estados Unidos”, esclarece o executivo.
O técnico explica que a empresa tem disponibilidade para fazer moldes de
múltiplas faces para terceiros, mas até hoje não foi solicitada para
prestar esse serviço. “Fabricamos aqui stacks para as unidades da
Plastek instaladas no exterior, nunca fomos procurados por outros
transformadores nacionais”, ressalta.
A importação é outra saída viável para os interessados na aquisição de
moldes múltiplos. Para realizar a operação, contam com o precioso
auxílio de representantes nacionais de marcas de injetoras bastante
conhecidas. São os casos dos escritórios brasileiros da Sumitomo/Demag e
da Milacron. As máquinas que elas oferecem são sofisticadas o bastante
para trabalhar com esses moldes.
Seus técnicos têm o maior interesse em realizar a ponte entre
transformadores e ferramentarias internacionais. “Não fabricamos moldes,
mas podemos indicar empresas altamente capacitadas”, revela Gerhard
Bernecker, gerente de assistência técnica da Sumitomo/Demag. Ele aponta
a canadense Stackteck, a alemã Foboha e a austríaca KDW como alguns dos
melhores nomes do mundo no ramo. A Milacron mantém parcerias com a
Foboha e com a suíça AWM. “Temos patentes de ferramentas especiais
voltadas para determinadas aplicações desenvolvidas em conjunto com
essas empresas”, conta Hercules Piazzo, gerente-comercial do escritório
comercial que a marca mantém no Brasil. |
Cuca Jorge

Bernecker: Sumitomo/Demag
ajuda os clientes interessados
Cuca Jorge

Piazzo: Milacron tem parceiros com ferramentarias de ponta |
Na ponta do
lápis – À primeira vista, o stack mold parece proporcionar rentabilidade
para lá de positiva às linhas de produção. Mas é uma ferramenta sofisticada
e cara e a relação custo/benefício do investimento precisa ser estudada com
cuidado caso a caso. “Como a sua instalação na máquina exige delicada
operação, a rentabilidade cresce quanto maior for o tempo dedicado por uma
máquina à produção de determinada peça. A técnica é muito vantajosa nos
casos de injetoras totalmente destinadas à fabricação de uma peça”, avalia
Magno, com a autoridade de ser ao mesmo tempo fabricante dos stacks e
transformador.
A viabilidade técnica da fabricação do molde empilhado também pode impedir
sua adoção. As peças com pequena altura e com design que permite fácil
extração são as mais indicadas. “As peças altas e de difícil retirada das
máquinas exigem mais. A altura e/ou peso do stack mold dificultam a sua
construção”, informa Magno. “Quanto menor o peso da peça, a vantagem também
aumenta, uma vez que os stack nesses casos podem contar com grande número de
cavidades”, exemplifica. Entre os produtos com perfil ideal às
características desta tecnologia se encontram, por exemplo, a produção de
componentes de embalagens, como potes e tampas de produtos alimentícios ou
de higiene e limpeza, ou a fabricação de produtos descartáveis, como
talheres plásticos.
Pereira, da Husky, aponta um exemplo hipotético para dar uma idéia do que a
tecnologia pode proporcionar ao transformador em ganho de rentabilidade. Se
considerarmos uma ferramenta de oito cavidades, que vai produzir tampas em
uma injetora de 300 toneladas de força de fechamento com ciclos de cinco
segundos, o custo total do sistema fica na casa dos US$ 315 mil, divididos
em US$ 220 mil para a compra da máquina e US$ 95 mil para a aquisição do
molde. Trabalhando com índice de eficiência de 95%, essa instalação produz
41 milhões de peças em 7,5 mil horas. Se o transformador quiser dobrar essa
produção, tem a opção de utilizar outra máquina de 300 toneladas de força de
fechamento, o que multiplica por dois o custo calculado anteriormente.
Outra saída pode ser a adoção de uma injetora de 600 toneladas e de um molde
convencional de 16 cavidades. Nesse caso, o conjunto custaria US$ 520 mil –
a injetora sai por US$ 360 mil e o molde custa US$ 160 mil. Operando com
ciclos de 5,7 segundos e índice de eficiência de 94%, o equipamento
produziria 71 milhões de tampas em 7,5 mil horas. Com base no capital
investido, a produtividade apresenta um aumento de 5% em relação à solução
anterior. O espaço físico necessário para a instalação da máquina é 20%
maior do que o de uma injetora com 300 toneladas de força de
fechamento.
Com a adoção do stack mold, os cálculos são os seguintes. O preço do
conjunto fica por US$ 435 mil – US$ 260 mil da injetora de 300 toneladas
mais US$ 175 mil do molde. Com base em ciclos de 5,2 segundos, com
eficiência de 94%, o sistema produz 78 milhões de peças em 7,5 mil horas. O
espaço utilizado é o mesmo do sistema com molde convencional de oito
cavidades e a produtividade pelo capital investido entre esses dois sistemas
cresce 40%.
“Para se produzir um balde, um pote de sorvete ou uma tampa de refrigerante,
os números podem ser diferentes. A economia que se obtém com a aplicação do
stack mold na fabricação de uma peça não é a mesma da produção de outra”,
resume Pereira. É preciso avaliar cada caso para ver se o retorno do
investimento vale a pena. “Trata-se de uma decisão bastante técnica”,
resume.
|
|