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A Bahia PET trabalha com um reator OHL com capacidade para processar 1.200
toneladas mensais. Como informa o diretor-comercial Paulo Guilherme Corrêa,
a empresa investirá R$ 7 milhões até o final de 2008 em equipamentos para
duplicar sua capacidade de produção de material amorfo e, assim, obter
condições de operar seu reator em carga plena. Em paralelo, a empresa já deu
entrada em um processo na Anvisa com o objetivo de obter a homologação de
comercialização de resinas grau alimento. Atualmente, a companhia destina
20% de sua produção de PET reciclado para clientes europeus e
sul-americanos. No mercado interno, a Bahia PET atende as indústrias de
higiene e limpeza e os fabricantes de fitas de arquear. “Nossa programação
de investimentos está diretamente relacionada com a perspectiva de atender
novos clientes na indústria de bebidas e alimentos. A procura no mercado já
é grande”, comenta Corrêa.
Outra empresa com expansão programada é a Global PET, de São Carlos, no
interior paulista. Irineu Bueno Barbosa Junior, seu diretor-comercial,
informa ter capacidade para produzir 700 toneladas mensais da resina
reciclada, mas já estão previstos investimentos de R$ 4,5 milhões em 2008
que visam a garantir uma capacidade superior a 2 mil toneladas mensais até
janeiro de 2009. Os planos de expansão incluem uma nova unidade fabril na
cidade paranaense de Quatro Barras, já em fase de construção, e uma segunda
fábrica em local ainda não definido. O portfólio da empresa oferece flakes
de PET superlavados, resinas PET cristalizadas e, a partir de setembro deste
ano, a empresa passará a ter capacidade de comercializar resina PET
pós-condensada grau alimentício. “Estamos trabalhando na Anvisa para obter
licença de comercialização de PET reciclado grau alimento”, informa Barbosa
Junior.
Os negócios na Global PET ganharam impulso no primeiro semestre deste ano,
quando a empresa firmou parceria com a Evertis Plásticos, antiga Neoplástica.
A Evertis, informa o executivo, é líder latino-americana em lâminas
semi-rígidas co-extrudadas e possui unidades em Quatro Barras-PR, no México
e em Portugal. Entre as acionistas da Evertis está a La Seda Barcelona, um
dos principais produtores europeus de polímeros PET.
A fluminense CPR também aguarda a homologação da Anvisa para iniciar a
comercialização de PET reciclado grau alimento, uma vez que já possui
tecnologia bottle-to-bottle para a produção. Segundo o diretor da empresa
Leandro Scomparim, a capacidade instalada da CPR é de 48 mil toneladas
mensais, mas tem ocupado só 60% desta capacidade, atendendo principalmente
os mercados de embalagens para higiene e limpeza, produtos químicos e fitas
de arquear. “Existe a expectativa de novos clientes potenciais no setor de
bebidas e alimentos, mas por enquanto ainda estamos no nível especulatório,
até porque a Anvisa ainda não aprovou nenhuma operação”, afirma o executivo.
Scomparim, porém, não demonstra muito otimismo com a operação. “A PET virgem
é a mais barata das resinas plásticas, e a cotação do dólar está achatada,
facilitando as importações. O produto reciclado grau alimento não é muito
competitivo no momento.”
Na Recipet, uma das pioneiras do mercado brasileiro de reciclagem da resina,
os planos não visam à reciclagem grau alimentício. A empresa de Indaiatuba,
interior paulista, com capacidade de processamento de 20 mil toneladas
anuais, tem no segmento de fibras têxteis seu principal mercado. A Recipet
pertence ao grupo M&G, o único fabricante no Brasil de resina PET virgem.
Como informa o diretor Auri Marçon, a estratégia do grupo para o mercado de
reciclados grau alimentício ainda não está definida, mas poderá envolver a
comercialização, pela própria fábrica da M&G, de uma “receita” de PET virgem
com um percentual de PET reciclado, na proporção de 10% a 15%. “É uma
tecnologia de preparo da reciclagem de PET com base química, aprovada pela
FDA (Food and Drug Administration), que já temos em operação nos Estados
Unidos e poderemos ou não trazer para o Brasil, se houver demanda de
mercado”, declara. O mercado de PET reciclado grau alimentício ainda não
começou de fato no Brasil, mas a disputa promete se tornar bastante
acirrada.
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OHL e Krones oferecem tecnologia
bottle-to-bottle
no Brasil
A regulamentação da Anvisa prevê que as empresas recicladoras operem com as
tecnologias denominadas superclean e bottle-to-bottle para a produção do PET
reciclado grau alimento. São tecnologias aprovadas pela agência
norte-americana Food and Drug Administration (FDA) e pelo Instituto
Fraunhofer, da Alemanha. Pelo menos dois fornecedores já atuam no Brasil
oferecendo o sistema de reciclagem bottle-to-bottle, as alemãs OHL
Engineering e a Krones.
A tecnologia bottle-to-bottle, na verdade, corresponde apenas a uma etapa
adicional do processo de reciclagem tradicional. O material é separado,
lavado, cortado ou moído, o chamado flake, e depois encaminhado para a
extrusão. Neste ponto, a resina está amorfa e cristalizada, já adequada para
aplicações como a de fibra têxtil. A etapa adicional corresponde à passagem
por um reator de policondensação. Como explica Waltencir Maurício Teixeira,
diretor técnico da Bahia PET, neste reator rotativo se recupera a estrutura
molecular inicial do PET, pelo aumento de sua viscosidade. A resina é
submetida a uma temperatura de 270ºC por um período superior a 15 horas,
garantindo a eliminação total dos resíduos de substâncias contaminantes. A
resina apresenta uma viscosidade comparável à de um polímero virgem.


A Bahia PET, assim como a Global PET, utilizam reatores OHL, representada no
Brasil pela Man Ferrostaal. Segundo Ferry Rosenstock, gerente do
departamento de máquinas plásticas da Man, os reatores OHL possuem
capacidade superior a 36 metros cúbicos. O executivo avalia que o
investimento em uma linha completa de reciclagem de PET, incluindo produção
de flakes, extrusora e reatores, exige investimentos avaliados entre 5 e 6
milhões de euros para uma produção de 15 mil toneladas anuais.
O sistema de reciclagem bottle-to-bottle da Krones foi apresentado ao
mercado em outubro de 2007 e conforme informa Christian Busko, supervisor de
vendas da Krones do Brasil, a tecnologia envolve o trabalho de dois reatores
a quente. O primeiro reator, chamado de reator atmosférico, trabalha com o
PET em contato com o ar. O segundo, utilizado para a redução do tempo de
reação, usa o vácuo para a remoção de componentes químicos impregnados no
PET.
As plantas de reciclagem da Krones são para capacidades de 500 e 1000 Kg por
hora. Segundo Nelson Ferreira, gerente-comercial da Krones, são instalações
muito compactas, com baixo consumo de energia e curto tempo de processo. A
empresa não informou, porém, o tempo que o material é processado no reator,
nem à qual temperatura é exposto. Com relação ao investimento necessário, a
Krones optou por não fazer uma estimativa. “O investimento depende do
projeto”, afirmou Busko.
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