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Os três grades produzidos pela empresa, na visão de Bianchini, atendem e até
superam os requisitos do mercado nacional. Mesmo assim, a busca por
melhorias é constante. Há muito trabalho feito na resina base em termos de
melhoria da cristalinidade, da janela de processo, das propriedades ópticas
e da resistência à punção, entre outros atributos, embora a velocidade dos
avanços tecnológicos seja menor que a experimentada por resinas de injeção,
e os tipos de BOPP no mercado nacional ainda sejam baseados em versões
bastante padronizadas do polímero.
Os filmes metalizados de BOPP entraram inicialmente no mercado com um apelo
decorativo, principalmente por causa do seu brilho e da boa capacidade de
impressão. Ao longo do tempo, o desenvolvimento combinado de tratamentos de
superfície, formulações e técnicas de metalização proporcionaram
características de barreira superiores e, atualmente, as estruturas de
filmes co-extrudados laminados com filmes de alumínio ou filmes metalizados
predominam em categorias de alimentos com grandes volumes de produção, como
os biscoitos e os snacks (salgadinhos). A demanda dos dois principais
consumidores tem crescido, alavancando a venda dos filmes metalizados.
Porém, além do crescimento orgânico do mercado, a versatilidade do BOPP, com
amplas possibilidades de combinação com outros materiais, a boa
processabilidade e estabilidade do filme e a inércia a ataques de solventes,
tintas e outros químicos durante a fase de conversão também contribuem para
a expansão do mercado.
Como introdutora dos filmes de BOPP no Brasil e na América Latina, a Polo
Films permanece focada na produção de filmes baseados nessa resina. Uma
possibilidade diferente de substrato seria a PA orientada, mas esse plástico
não é fabricado no Brasil, e tem aplicação muito específica em filmes para o
segmento de carnes. O preço alto, as dificuldades de processamento e
armazenagem e a baixa versatilidade também contribuem para a pouca demanda
no mercado nacional, além do baixo interesse por parte dos produtores de
filmes em oferecer o produto. Mas a Polo Films pode vir a diversificar sua
produção, pois possui um projeto, ainda engavetado e sem data para início,
voltado à produção de filmes de poliéster orientado.
Esterilização – O PET orientado tem grande aplicação nas embalagens
conhecidas como retortable pouch (embalagens esterilizáveis), um tipo
direcionado a processos de esterilização em autoclave, sob temperaturas ao
redor de 121ºC, e que, por isso, demanda insumos especiais. As embalagens
confeccionadas com BOPP convencional costumam se delaminar em condições tão
severas.
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Inicialmente utilizados pelas forças armadas norte-americanas, o
retortable pouch tem décadas de emprego em mercados como o japonês,
mas foi “relançado” mundialmente nos últimos anos com aplicação em
atum e muitos produtos de ração animal, em particular nas embalagens
de ração para gatos. No Brasil, as embalagens esterilizáveis,
introduzidas pelos produtores de atum, começam a experimentar uma fase
de maior crescimento, embora sua penetração ainda seja tímida. Como a
esterilização acontece com o alimento já dentro da embalagem, o shelf
life (vida de prateleira, ou o tempo em que o alimento é válido para
consumo) é amplamente estendido, permitindo que o produto seja
oferecido, nos supermercados, em gôndolas sem refrigeração. A vida
útil maior também evita a necessidade por uma cadeia de distribuição
“fria”, gerando menores custos de logística. “Apostamos que esse
mercado crescerá fortemente nos próximos meses”, afirma Ronaldo Mello,
diretor da Itap Bemis, divisão de embalagens flexíveis da Dixie Toga.
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Mello crê em forte demanda por embalagens esterilizáveis |
Sócia minoritária na operação de flexíveis da Dixie Toga até 2004, a
norte-americana Bemis, líder mundial em embalagens flexíveis, adquiriu em
2005 a empresa brasileira sediada em São Paulo, trazendo para o mercado
nacional o que Mello reputa como uma tremenda força em inovação, além das
mesmas capacitações da controladora norte-americana. Embora o mercado
brasileiro tenha volumes expressivamente menores que o norte-americano, e
também menor poder aquisitivo, na maior parte das situações as inovações
oferecidas pela controladora norte-americana encontram aplicação no Brasil.
“Uma solução para o mercado de baixa renda não é necessariamente uma
embalagem mais barata. Sempre salientamos isso com os clientes”, ressalta
Mello.
A solução para esse tipo de cliente, ao contrário do que pode-se supor,
muitas vezes se consegue com materiais flexíveis com determinadas
características de barreira, capazes de substituir lata ou vidro, gerando
maior shelf life e possibilitando que a cadeia de distribuição seja mais
longa, o que barateia o custo de logística. Os stand up pouches, se
comparados às latas, freqüentemente desbancadas em aplicações de alimentos,
são muito mais baratos (embora deva-se ressaltar que as latas possuem
vantagens, como a resistência mecânica) e permitem que os produtores reduzam
enormes estoques de latas vazias à espera do processo de embalagem por
estoques de filmes flexíveis muito menores – um dia inteiro de produção pode
caber em um único pallet contendo diversas bobinas. O espaço de produção é
largamente reduzido.
Redução de espessuras – A Itap Bemis atua tanto na conversão de
filmes, comprando substratos de outros fornecedores para posterior impressão
e laminação (caso de filmes de BOPP e poliéster laminados com alumínio,
polietileno e papel), como também produz alguns filmes próprios de três,
cinco ou sete camadas, que também podem ser impressos ou laminados.
Com uma diversidade de aplicações, a atuação da empresa vai desde segmentos
mais comuns, com clientes importantes de filmes metalizados com alumínio em
biscoitos, snacks e sucos em pó, até segmentos que necessitam de barreiras
mais efetivas, como as carnes processadas e frescas. Nesse último caso, como
são embalados produtos ainda contendo sangue, é empregado um método de
encolhimento de filmes a vácuo, dotado de barreira que permite vida de
prateleira de até 90 dias. Esses filmes co-extrudados encolhíveis acabam
sendo exportados por conta das vendas brasileiras de carne ao exterior.
Além das vantagens intrínsecas conferidas pela substituição de outros
materiais por plásticos, a redução de custos nas embalagens sempre esteve
muito ligada ao desenvolvimento dos substratos e das máquinas de
co-extrusão, resultando em espessuras de filme decrescentes. O BOPP
metalizado para biscoito surgiu no mercado com cerca de 30 mícrons. Passou
para 20 mícrons, hoje é comercializado com 17 e o mercado já fala em 15.
Grosso modo, é um patamar de espessuras semelhante ao praticado na Europa e
nos Estados Unidos, embora aqui isso se manifeste de maneira mais agressiva,
pela forte pressão para reduzir custos.
Apesar da perda de competitividade dos exportadores brasileiros de
alimentos, decorrente da enorme valorização do real perante o dólar, o
diretor da Itap Bemis revela um grande crescimento nas vendas de embalagens
flexíveis para o segmento de carne, puxados pelas exportações, porém com
algum declínio nos últimos dois anos. Outro segmento em que se nota um
crescimento importante é no de pouches, uma linha importante para a empresa
e que tem apresentado crescimento consistente, com a substituição de latas e
vidro em alimentos como os atomatados, a maionese e molhos de uma forma
geral.
Os derivados de tomate (molhos, concentrados e ketchup) constituem um caso
interessante, por representar uma situação que tem se repetido nos processos
de substituição de materiais de embalagem. Como os grandes produtores de
alimentos são mais lentos na tomada de decisões, e o custo da mudança de uma
grande linha de embalagem é alto, quem acabou se arriscando na introdução
das embalagens flexíveis auto-sustentáveis foram os produtores menores. O
acesso a máquinas de boa qualidade, combinado com bons produtos e um
trabalho inteligente nas marcas resultou em casos de sucesso, com a quebra
da resistência de supermercados e donas-de-casa. Com a aceitação do mercado,
só restava aos líderes seguir os pequenos, um movimento parecido com o que
já havia ocorrido com as tubaínas.
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Filme de PA com PE já é commodity
A DuPont oferece uma ampla linha de resinas para emprego na indústria
alimentícia, incluindo tipos que promovem a combinação de propriedades como
permeabilidade a gases e barreira a gases e vapores (O2, N2 e CO2) com
resistência física e química, com o objetivo de garantir a qualidade dos
alimentos, desde a fabricação até o fim do prazo de validade.
Especificamente para melhorar as características de barreira, a inventora do
náilon comercializa PAs 6 homopolímero, que conferem média barreira ao
oxigênio, baixa barreira à umidade e boa barreira a gorduras, óleos, sabores
e odores. O material é utilizado em estruturas mono ou multicamadas,
produzidos por processos de extrusão e co-extrusão tubulares ou planas e
moldagem por extrusão a sopro, sendo empregado em embalagens de carnes
processadas em geral, alimentos secos e café. A empresa também
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oferece PAs amorfas com brilho, transparência e excelente
resistência ao impacto (e, conseqüentemente, proteção ao produto
embalado). A resina é facilmente processada por extrusão e sopro e
proporciona melhor controle de espessura e ótima barreira ao
oxigênio. Ela pode ser empregada como um modificador de PA em
embalagens flexíveis e costuma ser utilizada em filmes
multicamadas obtidos por extrusão e co-extrusão tubulares e
planas, além de moldagem por extrusão a sopro, em mercados
semelhantes aos que empregam a PA 6. Outro produto com
propriedades de barreira vem da família de resinas ionoméricas,
que além de excelente poder de selagem a quente, maior velocidade
de processamento e selagem hermética, oferecem ótima barreira a
produtos oleosos e graxos. Essas resinas podem ser moldadas por
co-extrusão tubular, injeção e injeção-estiramento-sopro e servem
à embalagem de carnes processadas, alimentos secos, queijos, balas
e doces, entre outros. |

Cláudia atesta
crescimento de dois dígitos ao ano |
De acordo com as informações da especialista em vendas Cláudia Barreto
Pereira e do representante técnico para a América Latina Kleber Brunelli, as
poliamidas 6 e 66 já se encontram bem difundidas no mercado brasileiro de
embalagem, de modo que filmes de PA e polietileno com três ou cinco camadas
já são considerados commodities no país.
A especialista e o representante técnico atestam um crescimento no mercado
de embalagens com barreira de pelo menos dois dígitos ano a ano, com boas
possibilidades de ampliação da demanda nos próximos anos nos setores ligados
ao agronegócio, em particular carnes processadas e frutas. Além disso, o
consumidor brasileiro está se tornando mais exigente e, na visão dos
colaboradores da DuPont, disposto a pagar por embalagens melhores. Outro
fato que contribui para as previsões otimistas é a constatação de que, nos
grandes centros urbanos, a mulher brasileira também trabalha fora de casa, o
que reduz o tempo para o preparo de refeições e estimula a comercialização
de pratos prontos.
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