p o l i p r o p i l e n o

Parceira da Nova Petroquímica, a Basell estréia em setembro uma nova linha que elevará a capacidade das atuais 60 mil t/ano para 80 mil t/ano, toda ela concentrada em Pindamonhangaba-SP, onde também funcionam o centro de desenvolvimento e os laboratórios. O investimento alcança US$ 8 milhões. “A produção brasileira de compostos de polipropileno supre à atual demanda e até as projeções de crescimento para 2012, com previsão de 5 milhões de automóveis”, acredita o gerente de negócios e desenvolvimento da Basell, Ricardo Souza.

A Borealis compra a resina da Braskem, que detém 20% dos negócios da primeira no Brasil, e opera duas linhas que, somadas, atingem o limite de processamento de 49 mil toneladas anuais. A instalação de uma terceira linha, de R$ 18 milhões, prevista para partir em outubro, elevará o volume para 60 mil t/ano. A empresa já acalenta outro projeto de expansão de 10 mil t/ano. A capacidade atual se distribui em Triunfo-RS (25 mil t) e Itatiba-SP (24 mil t).

A terceira linha será acrescentada nesta última unidade. É uma extensão da planta já existente, ampliada com uma nova linha de extrusão adquirida da alemã Werner & Pfleiderer. “É um investimento de longo prazo e precisa ser de altíssima tecnologia para atender às exigências do mercado”, informa Liane Lanzoni, diretora de marketing, vendas e desenvolvimento da Borealis.


Liane: substituir materiais
é o maior desafio

E por falar em exigência, se a indústria de embalagem persevera pela alta transparência e, em um segundo plano, barreira, a de automóveis entrou numa corrida desenfreada pela redução de peso dos veículos, o que implica autopeças mais leves. Nos carros, resulta em maior eficiência e menor consumo de combustível.

Além do alívio no peso, os fabricantes de compostos têm se desdobrado no desenvolvimento de formulações para atender ainda a outras imposições de seu cliente magno: maior resistência ao risco e aos raios ultravioleta, baixo brilho, menor emissão de voláteis, e, ainda, menos odor e efeito fogging. “Existem vários produtos para atender a essas propriedades, quase 100% formulados sob medida. A montadora manda as especificações e desenvolvemos o composto de acordo com essas exigências. Não dá para aproveitar o desenvolvimento de uma montadora em outra, pois cada qual tem seu próprio conceito, até mesmo para o mesmo grupo de propriedades”, declara o gerente de marketing da Borealis, Daniel Bahls.


Bahls: composto é desenvolvido
sob medida

No centro de desenvolvimento da Basell, as formulações visam à combinação balanceada de rigidez e impacto com maior índice de fluidez, o que permite a produção de peças de designs mais complexos e com ciclos menores de injeção – sinônimo de maior produtividade. As peças ficam mais leves e o projetista ganha maior flexibilidade no projeto. “A relação rigidez/impacto busca peças com espessuras cada vez mais finas, e isso está diretamente associado a uma maior fluidez, pois, se não tiver fluidez, não se consegue preencher o molde”, explica Souza.

Entre os últimos lançamentos, o gerente menciona produtos de alto desempenho, reunindo rigidez, impacto e fluidez. A título de referência, na década de 80, a fluidez do composto destinado à fabricação de pára-choques era por volta de 3 g/10 min. Dez anos depois, subiu para 10 a 12 g/10 min. Hoje esse índice gira em torno de 30 g/10 min. “E a espessura caiu de 3,5 mm para 2,8 mm”, ressalta o gerente da Basell.

Brechas para expansão – Nas contas da diretora da Borealis, o carro brasileiro carrega, em média, de 32 a 34 quilos do material plástico. Mas nos países da Europa o volume chega a 70 kg e, no Japão, a 90 kg. Para o gerente da Basell, o interior dos veículos está saturado de polipropileno. O composto substituiu metais e plásticos de engenharia em diversas aplicações consolidadas. Os fabricantes dos compostos de PP agora se armam para conquistar as peças externas. “Esse avanço propiciaria grande ganho de volume e hoje o segmento que está sendo bastante trabalhado é o de pára-lamas, com vantagens para as montadoras de ganho de custo energético e leveza”, comenta Souza, da Basell.

Nos países desenvolvidos, alguns modelos de carros contemplam essas peças no composto poliolefínico. Nas expectativas do gerente da Basell, a disponibilidade dessa aplicação no Brasil é prevista para a próxima década, porém, deve acompanhar o ritmo do andamento dos projetos.

A diretora da Borealis também aposta na evolução dos compostos de PP para os painéis externos, em substituição aos plásticos de engenharia. A empresa atuou com a BMW no desenvolvimento de um conjunto que integra vários componentes: pára-lama com iluminação, além de partes estruturais. “A

redução no peso foi de 50%”, comemora Liane. Também o Smart, da Chrysler, embute diversos painéis externos fabricados com polipropileno composto, tais como portas, capôs, pára-choques etc.

Outras tendências – estas mais afeitas à realidade nacional – desbancam os plásticos de engenharia e englobam: coletor de admissão, front end (apóia componentes como ventoinha, faróis e outros sistemas) e suporte de pedaleira. Para os executivos da Borealis, essas conquistas acompanham os avanços do composto, que já consegue suportar temperaturas de até 120ºC a 125ºC.


Suporte de pedaleira de PP
desenvolvidos pela Borealis

“O composto de polipropileno é bastante interessante para as montadoras porque é muito versátil e fácil de processar; os desafios estão em conseguir aumentar o volume do material em aplicações do metal e do plástico de engenharia no mercado brasileiro, porque é uma quebra de paradigma, embora já se use no exterior”, pondera Liane.

A apreensão mundial em cuidar melhor do meio ambiente também impulsiona novas pesquisas. Não é de hoje que a indústria declara sua disposição para reduzir o número de materiais empregados na produção de um veículo a fim de facilitar a reciclagem pós-consumo e aumentar esse índice. A Basell admite preocupar-se nesse sentido. “A idéia é desenvolver um único composto capaz de atender a todas as especificações”, explica Souza.

Ele acredita que essa meta possa ser alcançada já na próxima década. Além de superar os obstáculos de ordem técnica, também será preciso atingir um denominador comum em termos de custo/benefício, visto que um produto capaz de atingir um desempenho tal a ponto de atender a todas as especificações estará muito provavelmente superdimensionado, agregando a peças de menor exigência técnica  requisitos, valor e custos além do necessário. Mas na visão de Souza, a produção de uma única formulação


Souza: tendência aponta para redução no número de materiais

reverterá em uma série de benefícios como contrapeso, entre os quais ganho de escala, portanto, menor custo para o fabricante de compostos; vantagens de logística e de ajuste de máquinas na transformação.

A Toyota constitui um exemplo de montadora disposta a apostar na racionalização do número de produtos. De acordo com Souza, o modelo Corolla carrega os resultados desse desenvolvimento feito totalmente em conjunto com a Basell do Japão.

 

 

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