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i n j e t o r a s |
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Cuca Jorge |
O Vendas
internas
aquecidas e
aquisições de marcas
internacionais de
renome agitam
o mercado
José Paulo Sant'Anna |
Economia
aquecida e indústria da transformação atuando com índices de capacidade
próximos dos 100%. Para os fornecedores nacionais de injetoras, o início de
2008 foi muito promissor. O cenário favorável só tem um senão: a acirrada
concorrência proporcionada pela elevada competitividade dos importados,
favorecidos pela desvalorização do dólar.
No Brasil, não há números oficiais. Estima-se a comercialização de 2,5 mil a
3 mil injetoras por ano. No nicho de máquinas mais sofisticadas, voltadas
para a obtenção de peças de grande precisão ou para grandes volumes de
produção, devem ser vendidas em torno de 400 unidades por ano. O alcance
representado por essas vendas, no entanto, responde por um percentual mais
significativo do total de negócios, por causa do maior valor agregado desses
equipamentos. Nesse nicho, a grande briga dos brasileiros é com as empresas
dos países avançados – em especial, as européias, que possuem forte
participação no mercado nacional.
Entre os modelos não tão sofisticados, que representam 80% das vendas em
unidades de máquinas, a invasão chinesa, iniciada há alguns anos e
capitaneada por preços para lá de atraentes, se transformou em forte dor de
cabeça para os fabricantes de peças plásticas nacionais. No momento, no
entanto, a dor anda um tanto anestesiada pelo cenário econômico favorável. O
alívio proporcionado pelo aquecimento da demanda se soma aos argumentos
usados pelos fabricantes nacionais há tempos na hora de convencer os
compradores: a “qualidade duvidosa” dos modelos asiáticos e a falta de
estrutura adequada para a prestação de assistência técnica.
A concorrência acirrada não se resume ao mercado brasileiro. Em busca de
fortalecer suas posições em novos mercados, três grandes grupos empresariais
mundiais foram às compras no primeiro semestre deste ano. Entre os
brasileiros, o negócio mais comentado é o do avanço nas negociações
efetuadas pela Romi para adquirir as instalações européias da Sandretto,
empresa italiana que enfrentou problemas econômicos graves nos últimos anos
e estava sob intervenção do governo local.
Para ser concluído, o negócio precisa ser aprovado por uma assembléia
realizada com os acionistas da empresa nacional. A iniciativa tem como
objetivo fazer com que a Romi finque um pé no mercado europeu. Vale
ressaltar que a Sandretto do Brasil não está envolvida no negócio. A marca
por aqui hoje pertence ao grupo Nardini, que a adquiriu em abril do ano
passado.
Duas outras aquisições de porte chamaram a atenção. O grupo japonês Sumitomo
adquiriu em março a Demag, da Alemanha. O grupo austríaco Wittmann,
especializado em equipamentos para automação de linhas de injeção de
plástico, concretizou no início de abril a compra de outra empresa austríaca
de renome, a Battenfeld. Ambas as aquisições vão trazer conseqüências aos
transformadores brasileiros. Representantes das duas empresas prometem
lançar equipamentos nos próximos meses e as novidades estarão disponíveis
por aqui tão logo sejam anunciadas.
Romi na Europa – A Romi fechou um acordo preliminar para adquirir os
ativos da fabricante italiana de injetoras Sandretto, que possui duas
unidades fabris nas cidades italianas de Grugliasco e Pont Canavese, na
região de Turim, além de quatro subsidiárias comerciais localizadas no Reino
Unido, na Holanda, na Espanha e na França e de vários centros de serviço,
escritórios de venda e representações comerciais em diversos países.
Fundada em 1946, a Sandretto já vendeu mais de 30 mil equipamentos em todo o
mundo. Sua linha de máquinas é composta de injetoras de plástico com
capacidade de 75 a 5.500 toneladas de força de fechamento. A empresa
italiana está em processo especial de recuperação financeira desde 2006 e
vem sendo administrada por representantes do governo italiano, tendo
registrado uma receita líquida consolidada de aproximadamente 30 milhões de
euros no ano passado.
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“A operação
faz parte da estratégia de internacionalização da empresa nacional de
expandir suas bases de produção e de mercados, ganhar escala e reduzir
custos para aumentar suas vendas em todo o mundo”, afirma Livaldo
Aguiar dos Santos, diretor-presidente da Romi. De acordo com o
dirigente, a empresa tem três objetivos estratégicos ao negociar a
aquisição: aproveitar a rede comercial da Sandretto no exterior para
ampliar a base de distribuição de suas máquinas, desenvolver um centro
tecnológico em uma região com know- how reconhecido no setor de
máquinas e ampliar a política de desenvolvimento mundial de
fornecedores.
O acordo preliminar prevê o pagamento de 5,5 milhões de euros feito
pela Romi pelos ativos da Sandretto (instalações, máquinas e
equipamentos, tecnologia, marcas e patentes, entre outros). Os
estoques de matérias-primas, produtos em elaboração e acabados não
estão incluídos no preço mencionado, mas deverão ser adquiridos por
valor a ser |
Cuca Jorge

Santos: compra
prevê expansão no exterior |
negociado. A Romi
assume ainda o compromisso de contratar os atuais 295 empregados da
Sandretto e de aportar 8 milhões de euros às operações, dentro de dois anos
a partir da data de aquisição.
A negociação será concluída com a participação da Romi Italia, empresa em
fase final de criação na cidade de Turim, que será subsidiária integral da
Romi Europa GmbH. Enquanto a assembléia de acionistas da Romi não aprova a
aquisição, a empresa se recusa a responder perguntas sobre o futuro. Não se
sabe, por exemplo, se a marca Sandretto continuará a existir na Europa ou se
será substituída pela marca Romi.
Independentemente da aquisição internacional, a Romi comemora os resultados
que vem alcançando por aqui. Em 2007, a venda (receita operacional líquida)
de injetoras pela Romi cresceu 17,9% em relação a 2006. No primeiro
trimestre de 2008, comparado ao mesmo período de 2007, as vendas físicas de
máquinas para processamento de plástico cresceram 44,6%. Para 2008, a
empresa trabalha com uma meta de crescimento global entre 14% e 18%,
incluindo os negócios de máquinas-ferramenta, fundidos e usinados e máquinas
para processamento de plástico. “O bom resultado deveu-se, principalmente,
ao processo de consolidação da linha Prática no mercado, aliado ao bom
desempenho de setores relacionados à demanda de bens de consumo”, resume
Santos.
A série Prática é a mais vendida pela Romi no mercado nacional e tem entre
seus maiores clientes os segmentos automobilístico e de embalagens. A
empresa acabou de lançar, na feira da Mecânica 2008, a Prática 450, com 450
toneladas de força de fechamento – antes, a série contava com unidades entre
40 e 380 toneladas. Capaz de processar até 1.890 gramas, a nova injetora é
utilizada para aplicações gerais, desde a injeção de utilidades domésticas a
peças técnicas, por exemplo, para a indústria automotiva.
Outra inovação importante da linha Prática se encontra no painel de comando
das máquinas, o Controlmaster 8 plus, um painel gráfico colorido com recurso
touch screen. O controlador permite acesso remoto para acompanhamento da
produção, pois pode ser visualizado de qualquer microcomputador.
Sandretto no Brasil - Mediante o anúncio da aquisição feita pela Romi,
a Sandretto do Brasil se apressou em soltar um comunicado oficial ao mercado
informando que não tem nenhum tipo de vínculo com a homônima italiana. “A
Sandretto do Brasil Ltda. está em plena operação, produzindo máquinas dentro
dos mais altos padrões de qualidade, como pôde ser visto nas últimas feiras
Plastishow e da Mecânica, e mantendo toda a estrutura de atendimento
comercial e técnico”, informou o comunicado.
Um pouco de história para explicar a situação: a Sandretto iniciou suas
atividades no Brasil como filial da empresa italiana em 1999, logo depois da
Semeraro, fabricante nacional de injetoras, com a qual mantinha parceria,
sucumbir às sucessivas crises econômicas. A empresa italiana passou então a
ser gerida pelo grupo norte-americano Taylor em 1995, sendo transferida,
logo depois, para o grupo HPM.
Em abril de 2007, a filial brasileira foi adquirida pelo grupo Nardini, que
este ano comemora seu centenário e é conhecido como um dos maiores
fabricantes da América Latina de tornos mecânicos. Os novos proprietários
assumiram o ativo e o passivo da empresa. O valor da negociação com o grupo
brasileiro foi o da dívida da empresa no Brasil, estimada em aproximadamente
R$ 8 milhões.
“Nos últimos meses, passamos por um amplo processo de reestruturação”,
informa Antonio Lopes, gerente-comercial da Sandretto no Brasil. A fábrica
da empresa, antes instalada no município de Arujá-SP foi transferida para a
cidade de Americana-SP. “Quando compramos a empresa, a Sandretto da Itália
já estava meio fechada. Quem comandava o processo tecnológico da marca eram
os técnicos que trabalhavam no Brasil e que agora estão conosco”, ressalta.
De acordo com o gerente, as instalações atuais permitem a produção de 300 a
400 máquinas por ano. “No ano passado, vendemos quase 200 máquinas e
queremos aumentar bastante esse número em 2008. Fabricamos injetoras de 70 a
mil toneladas de força de fechamento, em versões que processam vários
materiais e são oferecidas aos transformadores dos mais diversos segmentos
da economia”, informa.
Para Lopes, os chineses hoje não estão atrapalhando tanto quanto em um
passado recente. “Temos vantagens como indústria local, assistência técnica
e financiamento pelo Finame”, enumera. Ele reconhece que o preço dos
chineses continua imbatível. “Mas o preço deles é compatível com a
tecnologia agregada à máquina”, alfineta o dirigente.
Linhas complementares – Ao comprar a Demag, a Sumitomo teve como
principal objetivo ganhar espaço no mercado europeu. A fase inicial de
reestruturação da empresa resultante está em pleno andamento. Algumas
decisões já foram tomadas, como a de manter as duas marcas no mercado. Toda
a estrutura comercial da empresa na Europa e na América Latina passa a ser
de responsabilidade dos profissionais que antes trabalhavam para a Demag. Na
Ásia, continuará a ser usada a estrutura comercial da antiga equipe da
Sumitomo.
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