P L Á S T I C O    N A    C O N S T R U Ç Ã O

A formulação, elaborada pela própria empresa e específica para a aplicação, tem na proteção ultravioleta o foco principal. “Como o PVC é uma resina intrinsecamente auto-extinguível, dispensa aditivos antichama.” Os compostos são analisados sistematicamente pelo laboratório de estruturas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O polímero, derivado do cloro, contém elevado teor dessa substância – quase 60% em peso –, razão pela qual apresenta baixo índice de inflamabilidade e alta taxa de extinção de chama no processo de combustão. Removida a fonte da chama, o fogo cessa imediatamente. As formulações de PVC rígido (como as dos perfilados), em particular, são muito resistentes à ignição e à propagação de chamas.

Outra vantagem do PVC em ambiente de incêndio reside no fato de o polímero ter menos carbono na cadeia, sinônimo de menor emissão de gás carbônico. “Emite, sim, ácido clorídrico, que é irritante, mas não letal, como o monóxido e o dióxido de carbono. Não é o ácido clorídrico que provocará morte por asfixia”, defende Miguel Bahiense Neto, diretor-executivo do Instituto do PVC. De qualquer modo, é possível adicionar substâncias supressoras de fumaça e de reforço das propriedades antichama ao composto de PVC.

O diretor-executivo da Vipal enumera ainda outros benefícios da resina, revertidos para os imóveis fabricados com esse sistema alternativo. “A estrutura de PVC resiste ao impacto, não sofre ataque da cal ou cimento e apresenta elevada resistência química”, pondera Amodeo.

Ele atribui ao sistema vantagens como conforto térmico e acústico, outras propriedades intrínsecas da resina, e reforça o fato de acelerar a construção e diminuir os desperdícios: “Racionaliza o canteiro de obras e reduz as perdas a quase zero.” Segundo assegura, é possível construir uma casa em dez dias e dez casas em 40 dias.

Divulgação

Casaforte também assegura conforto
térmico e acústico

Sobrados – A Vipal está apta a produzir, por mês, cerca de 500 t de perfis, equivalente a algo como 400 casas de 50 m². Cada unidade construída carrega, em média, 1,2 tonelada de plástico. A empresa vende da ordem de 30 t a 50 t mensais. Os projetos atuais comportam até três pavimentos, mas Amodeo declara ter capacidade técnica para levantar edificações maiores. “Estarão, porém, sujeitas a estudo de engenharia estrutural”, avisa.

A espessura da parede é padrão: 75 mm. “Atende a todos os desempenhos técnicos requeridos pela norma de construção brasileira.” As metragens são customizadas de acordo com o projeto do cliente e embutem serviços de engenharia e apoio, explica o diretor-executivo.

Cuca Jorge


Os módulos fabricados pela Vipal, do tipo macho e fêmea, formam paredes de 75 mm

Até o momento, a Vipal soma cerca de 200 casas instaladas no país, referentes a diversos projetos, os principais localizados no Sul, na Grande Porto Alegre. Amodeo destaca duas habitações-modelo instaladas no Senai de Alagoas como exemplo de casa típica da região. “Atende às necessidades climática e cultural.”

O processo da Vipal é todo automatizado e as casas saem prontas da empresa, com todos os perfis identificados e sob medida para a construção de cada unidade. Concreto incluso, o custo da obra gira em torno de R$ 500,00 o m², revela Amodeo.

Ele compartilha a opinião de que o momento é propício para deslanchar o sistema, graças à elevada capitalização das construtoras e aos diversos investimentos, de grande monta, por elas empreendidos. “As construtoras estão criando empresas específicas para atuar no segmento de baixa renda”, comenta o diretor-executivo, que comemora o fato de a Vipal estar sendo muito solicitada para participar desses projetos. “As perspectivas de concretizar negócios, disseminar e consolidar o conceito do Concreto PVC na construção civil são muito boas.” A meta dele é elevar a participação do sistema construtivo no faturamento da empresa de 3% para 5%, ainda neste ano.

Na opinião de Amodeo, os sistemas construtivos da Vipal e da Royal são muito semelhantes, com desempenho técnico similar. Ele aponta como diferenciais de sua empresa a garantia de fornecimento local e a logística. “Temos capacidade de transportar quatro vezes mais kits por carga em relação à concorrente, o que permite reduzir a necessidade de área disponível no canteiro de obras, sinônimo de racionalização e substancial redução no custo logístico.”

Produção argentina – Criada em Toronto, Canadá, há 38 anos, a Royal Group Technologies é renomada mundialmente no campo da extrusão, com atuação em diversos países, Brasil inclusive, onde instalou a sua filial Royal do Brasil Technologies S.A., em Porto Alegre. O diretor-geral da unidade brasileira, Carlos Torres, informa ter investido acima de R$ 4 milhões em desenvolvimento de mercado, desde seu estabelecimento no país, em 2000.

A tecnologia do sistema construtivo da Royal foi criada por sua matriz, bem como a formulação do composto de PVC. De acordo com o diretor, o material passou por ensaios para avaliar as resistências mecânica, química, à umidade, à intempérie, ao fogo, entre outras características, a fim de ser homologado em diversos países. Ele ressalta também o controle de qualidade, compreendido por três tipos de monitoramento, com o objetivo de assegurar qualidade adequada e uniforme. “Também foram feitos testes sobre as paredes terminadas do Concreto PVC, para avaliar seu comportamento e demonstrar sua viabilidade técnica”, declarou Torres.

Na verdade, tanto o composto da Vipal como o da Royal são exclusivos, pois cada empresa desenvolveu sua própria receita. A empresa de origem canadense ressalta algumas características de seu produto, como a ausência de chumbo na formulação e classe A para propriedades antichama. “Não propaga a chama e não goteja.” A proteção contra os raios ultravioleta é assegurada por vinte anos. “Sem perda de cor ou variações de qualquer tipo.”

Às vantagens já alardeadas para o sistema, o diretor da Royal acrescenta, ainda, a simplicidade na construção, a certeza nos custos de obra e a ausência de patologias (tais como cupins e brocas, comuns em madeira). No seu entender, as dificuldades em disseminar a alternativa do PVC consistem em lidar com a mudança de paradigmas no mercado e vencer a resistência ao uso de novas tecnologias na construção.

Os perfis fabricados pela Royal são processados por co-extrusão, propiciando um acabamento de brilho e cor. Montados como um “lego”, essas fôrmas ocas de PVC rígido são preenchidas com concreto, na obra. As paredes podem ter espessura de 64 mm, 100 mm ou 150 mm de acordo com o requerimento do projeto. “É feita uma fundação convencional, em cima são montados os kits ocos, inseridos os reforços de aço e instalações, e preenchidos com concreto. Depois, são feitos o telhado e os acabamentos de pisos, forros, louças e esquadrias”, resume Torres.

Os painéis de 100 mm e 150 mm de espessura suportam construções de até cinco andares, com o uso de concreto estrutural, dispensando vigas e colunas. As lajes podem ser feitas com sistemas convencionais e até mesmo com os painéis de PVC de 100 mm, dispostos na horizontal.

 

 

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