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P R O T
O T I P A G E M |
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Modelos tornam
ágeis as avaliações estéticas
e funcionais de projetos de peças plásticas
Texto de José Paulo Sant’Anna e fotos de Cuca Jorge |
A
expressão
“tempo é dinheiro” anda muito na moda. Em clima de competição para lá de
acirrado, a velocidade de lançamento dos produtos se tornou essencial para o
sucesso das empresas. Para a indústria do plástico, a preocupação em reduzir
o período de cada etapa de fabricação das peças é uma obsessão. Essa
necessidade está presente entre todos os profissionais participantes de um
projeto, desde o desenvolvimento do design até a linha de produção, passando
pelos responsáveis pela escolha dos processos de fabricação e da
ferramentaria, sem esquecer dos profissionais de marketing envolvidos.
O cenário favorece o avanço do mercado voltado para a fabricação de
protótipos. O modelo de uma peça, obtido o quanto antes depois de se chegar
ao design preliminar do produto, serve como valioso guia. Com o objeto na
mão, os projetistas conseguem avaliar a estética da peça, sua funcionalidade
e fazer possíveis correções na etapa inicial do projeto, proporcionando
importante redução de prazo para a sua execução. Os modelos também permitem
possíveis correções de trajeto no desenvolvimento dos moldes, sejam eles de
injeção ou de sopro.
As empresas especializadas nas vendas de serviços e de equipamentos de
protótipos estão aptas a oferecer aos clientes soluções das mais variadas,
voltadas para ajudar todos os responsáveis ligados aos projetos de
lançamento de um produto. Os recursos vão muito além das antigas armas
utilizadas pelos usuários para produzir os modelos, como a usinagem de
blocos. Eles permitem a produção de peças de forma muito ágil e em materiais
diversos.
As empresas prestadoras de serviços têm contra si a falta de cultura do
mercado. A realidade nacional está distante da dos países desenvolvidos,
onde o uso de protótipos é bem comum. Por aqui, os principais clientes dos
fabricantes de modelos são as ferramentarias e os transformadores envolvidos
com tecnologia de ponta. Muitos dos potenciais usuários, no entanto, não
investem ou até mesmo ignoram a existência dos vários métodos de
prototipagem. E disseminar a tecnologia é um problema difícil de ser
contornado, uma vez que os compradores de serviços fazem parte de mercados
pulverizados – existem milhares de produtores de moldes e de peças plásticas
espalhadas pelo país.
A venda de equipamentos é ainda mais complicada. Os investimentos
necessários para se adquirir uma máquina não são pequenos e os potenciais
compradores não se entusiasmam em fazer contas que calculem se o retorno é
compensador. Hoje, as empresas que investem se concentram em dois grupos
distintos. Um deles é formado pelas indústrias responsáveis pelo lançamento
de grande variedade de peças, casos da indústria automobilística, de
eletrodomésticos, de eletroeletrônica, de embalagens, entre outras. O
segundo é formado por escolas técnicas, que utilizam as máquinas para
ensinar seus alunos e, eventualmente, prestar serviços. Nesse caso se
encontram, por exemplo, as escolas do Senai e o Instituto Tecnológico da
Aeronáutica (ITA).
Por outro lado, os bons ventos da economia têm ajudado os representantes do
ramo. A indústria automobilística, um dos principais clientes, é exemplo
marcante de como as vendas aquecidas podem colaborar com o setor. Hoje é
grande a necessidade das montadoras lançarem modelos para atender à demanda
dos compradores. E cada veículo a ser projetado traz um número enorme de
novas peças de plástico. O mesmo raciocínio vale para outros setores. O
mercado de protótipos vive um clima de boas oportunidades de negócios.
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Nem todas as
notícias que vêm do cenário econômico são boas. A desvalorização do
dólar nos últimos tempos atrapalha os prestadores de serviços, que
passaram a enfrentar a concorrência dos importados. O problema pode
ser explicado recorrendo-se mais uma vez à indústria automobilística.
Como as montadoras atuam de forma global, muitas vezes tomam a decisão
de fazer protótipos no exterior a custos vantajosos.
Fornecedores – O mercado conta com várias empresas especializadas
em protótipos. A Robtec, fundada em 1994, se proclama pioneira no
Brasil em modelagem rápida. A empresa presta serviços e representa
fornecedores internacionais de equipamentos voltados para várias
técnicas utilizadas para a construção de peças
Essas técnicas são as de prototipagem rápida pelos processos de
estereolitografia ou de sinterização a laser, digitalização óptica,
vacuum casting e rapid tooling. A companhia também fornece
equipamentos de impressão tridimensional. “Somos especializados em
protótipos, nossa |
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Oberlander: missão de solucionar problemas |
missão é a de
colaborar com os clientes, oferecendo para eles a solução mais adequada ao
seu problema”, garante o diretor Sergio Oberlander.
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A Sisgraph,
há onze anos no mercado, não presta serviços; ela apenas revende no
Brasil as máquinas da multinacional Stratasys, de impressão
tridimensional. “A grande vantagem dos modelos da Stratasys se
encontra na variedade de materiais com os quais os protótipos podem
ser produzidos”, garante Fernando Schmiegelow, diretor de marketing da
representante comercial.
A Seacam, no mercado desde 1993, nasceu como fornecedora de softwares
de usinagem, modelamento e engenharia reversa. Com o tempo, passou
também a fornecer equipamentos e prestação de serviços de prototipagem
rápida. A empresa é especializada em impressão tridimensional e
revende no Brasil os equipamentos da norte-americana Z Corporation ou,
como também é conhecida, Z Corp. “As máquinas Z Corp são as únicas de
prototipagem rápida que permitem a confecção de peças coloridas”,
destaca Cláudia Garcia Beraldo, gerente de desenvolvimento de negócios
da Seacam.
Serviço completo – A prestação de serviços corresponde a 80% do
faturamento da Robtec. O restante é arrecadado com a venda de
equipamentos. Para Oberlander, esse perfil reflete a realidade
brasileira, na qual as empresas usuárias ainda não têm como cultura
investir na compra de máquinas do gênero. “No exterior, a venda de
equipamentos é mais comum”, explica.
No campo de prestação de serviços, o executivo afirma que a empresa
conta com o maior parque de máquinas de prototipagem da América
Latina. A companhia atua com força em todo o continente, com
escritórios no México, Argentina e Uruguai, além de distribuidores no
Chile e na Colômbia. Também inaugurou recentemente um escritório no
município de NingBo, na China. A iniciativa tem como objetivo oferecer
aos clientes uma mescla da excelência dos serviços prestados no Brasil
com os preços vantajosos dos produtos chineses.
Cada pedido de serviço que chega à empresa é avaliado para se chegar à
tecnologia mais indicada. Caso o cliente precise de uma a três peças,
pode se valer das técnicas de |
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Schmiegelow: protótipos feitos de vários materiais |
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Cláudia: Z Corp tem máquinas para peças coloridas |
estereolitografia
e sinterização a laser. “A esteriolitografia proporciona aos protótipos
melhores qualidades superficiais e também a confecção de peças
transparentes. A sinterização oferece melhores características mecânicas”,
resume Oberlander.
O processo de estereolitografia se inicia a partir de um desenho
tridimensional da peça em CAD. No equipamento adequado, esse desenho é
dividido em camadas. Com a ajuda de um laser, é solidificada camada por
camada do modelo com uma resina líquida fotossensível, até que este seja
totalmente construído. A resina tem características semelhantes às do
polipropileno e pode gerar peças transparentes, caso necessário. Uma vez
finalizada, a peça pode ser pintada, colada ou montada de acordo com o
projeto apresentado. Em seguida, ela está apta para a realização de testes.
A sinterização também começa a partir da divisão de um desenho
tridimensional CAD em camadas. Um laser sinteriza, camada por camada, um
material em pó com a ajuda de um aglutinante. O pó é selecionado conforme as
características desejadas. Podem ser utilizados, por exemplo, pó de náilon
enriquecido ou não com carga de fibra de vidro ou materiais flexíveis. Tanto
no caso da estereolitografia quanto no da sinterização, não existem limites
de tamanho para se confeccionar uma peça. Caso suas dimensões ultrapassem as
dimensões previstas pela capacidade dos equipamentos, são produzidos pedaços
das peças que depois são colados.
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