A co-extrusão ainda se restringe a um setor da indústria e parece ter encontrado seu filão no mercado de filmes barreira e técnicos. No geral, empresas que usam máquinas de empacotamento automático de altas velocidades de fluxo exigem filmes de multicamadas. Conforme Sapage, para o transformador de até 200 t/mês é muito difícil a aquisição de uma linha de co-extrusora. Essa limitação só é superada se este tiver um cliente de embalagens mais técnicas, com características de melhor soldabilidade, menos atrito, mais brilho e transparência, por exemplo.

Para Cornelius, há bastante tempo se fala da inclinação à consolidação desse processo, entretanto, apesar de ainda não ser uma regra do mercado, a demanda das co-extrusoras está crescendo. “Existem grandes oportunidades que me deixam otimista”, afirma o gerente-comercial. Na opinião de Carnevalli, esse tipo de máquina reina nos mercados alimentício e químico e no ramo da sacaria industrial.

Hoje, 35% da produção de embalagem plástica flexível adota a co-extrusão. Previsão de Mani aponta avanço do processo. Nos próximos dois anos, segundo ele, esse índice deve subir para 50%. “O caminho é investir em embalagens mais sofisticadas”, aponta o presidente da Abief.

Um equipamento monocamada não consegue processar resinas de características diferentes como temperatura, pressão, necessidade de cisalhamento, entre outros. Na co-extrusão, cada extrusora opera com polímero específico que só se une na saída do cabeçote, ou seja, cada filme vai sair do cabeçote com as características necessárias e escolhidas de acordo com as exigências da embalagem. Sendo assim, cabe ao transformador avaliar a real necessidade de uma co-extrusão, tendo como base se o investimento se justifica e o tipo de aplicação. “Precisamos separar as co-extrusoras para filmes com barreira que são muito direcionadas e aquelas para filmes técnicos que possuem uma abrangência de filmes maior quanto à sua aplicação”, comenta Sapage. Em geral, o transformador que opta pela co-extrusão atua em um mercado exigente, capaz de ser atendido somente por esse tipo de tecnologia.

No segmento de co-extrusão, as máquinas de três camadas continuam sendo a preferência dos transformadores, sobretudo por causa do preço. Em linhas gerais, em relação a uma monocamada, o custo é três vezes maior. Mas nessa comparação, além de somar duas extrusoras, há a tecnologia embutida, sobretudo no cabeçote para alcançar os quesitos necessários de um filme com qualidade superior. De acordo com Carnevalli, em geral, quando o transformador compra uma co-extrusora é para complementar a sua fábrica, pois cada tipo de máquina atua em um segmento distinto.

O volume de empresas brasileiras com poder de fogo para investir na co-extrusão é pequeno. Sapage, o representante da Macchi no Brasil, tentou estimular a empresa a fabricar um modelo mais “light”, para emplacar vendas aqui no país. “Penso que caberia no mercado fazer um equipamento de menor valor e também de produção de até 150 kg/h de tal forma que poderia atingir transformadores de até 200 a 300 t/mês. Talvez com esse tipo de equipamento, a co-extrusão tivesse mais penetração no mercado substituindo as monocamadas com mais velocidade”, antevê Sapage.

No entanto, a matriz italiana da Macchi não aceita promover alterações desse tipo em sua linha, apesar de Sapage apostar como tendência a revisão dos preços de suas máquinas, para assim aumentar sua penetração no Brasil. De momento, a Macchi reforçou seus investimentos no setor; construiu uma fábrica para linhas de alta produção em extrusão plana (cast film), em Venegono Inferiore Varese, e ampliou a área de fabricação das linhas do tipo balão (blow film) em um terço do original.

Os modelos para filmes monocamadas têm seu mercado garantido, pois oferecem qualidade e produtividade suficientes para conquistar a preferência do consumidor. Para Minematsu, em áreas dos plásticos bolha, stretch, e shrink, por exemplo, não é necessária a utilização da co-extrusão. “Nesses mercados e de reciclagem, a monocamada é soberana”, atesta o diretor. As

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Macchi construiu fábrica para linhas de cast film

vendas dos fabricantes de máquinas refletem o domínio das monoextrusoras. A Carnevalli comercializa uma co-extrusora para quatro extrusoras convencionais. Apesar dessa fabricante ter sido pioneira no desenvolvimento nacional de uma coex de sete camadas, ainda vê a participação desse modelo para aplicações específicas.

Ao constatar essa preferência do mercado, os fabricantes, de modo geral, investem na automação de suas máquinas para monocamadas. Esse tipo de modelo tem incorporado acessórios, como tratamento corona, alimentador automático e aquecedor de matéria-prima, entre outros. A Minematsu busca constantes aperfeiçoamentos em seus modelos, a fim de seguir a tendência de torná-los mais

produtivos. Prova dessa postura está no desenvolvimento de novo perfil de filete de rosca. Essa novidade, conforme o fabricante, melhora a plastificação, a transparência do filme e a produção. De acordo com Carnevalli, a fabricação de máquina monoextrusoras segue as renovações tecnológicas do setor. Ele pretende incorporar o novo anel duplo de resfriamento em sua linha de extrusoras para filmes monocamadas.

Cast film - No mesmo caminho da co-extrusão estão as extrusoras cast film (planas), no que se refere à sua utilização em aplicações particulares. Estimativa de Sapage aponta serem vendidas dez máquinas tipo balão (de três camadas), enquanto é comercializada uma plana. Independentemente das características de cada tipo de equipamento, o que define sua escolha é a aplicação. “Fazer filme shrink com extrusora balão é, sem dúvida, um desastre assim como é fazer filme técnico com a plana. Cada linha tem suas particularidades que têm de ser levadas em consideração”, afirma Sapage. Na opinião de Carnevalli, a extrusora plana atinge a nichos específicos, como os filmes de polipropileno (PP). Por esse motivo, a fabricante parou de fabricar máquinas desse tipo e se especializou na tecnologia blow.

As máquinas planas vêm crescendo em aceitação, na avaliação de Cornelius. A companhia acabou de vender duas

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Extrusora MG Super opera a altas velocidades

linhas do modelo Filmex (cast film). Para ele, o negócio se deu por causa dos investimentos no desenvolvimento de uma matriz com encapsulamento que conseguiu diminuir os custos com aparas no processo – uma desvantagem em comparação com o processo blow. A fabricante aperfeiçoou também as roscas, a fim de aumentar a capacidade de plastificação em 50%. Nesse segmento, na K 2007, apresentou a primeira Filmex para fabricação de filme stretch, com velocidade produtiva de mais de 600 m/min. No entanto, a soberania ainda é do sistema blow. Na W&H, a demanda é de uma máquina plana para sete do tipo balão.

Balanço – Líder do segmento de extrusoras do tipo balão, a Carnevalli começou o ano com aquecimento do mercado. Em janeiro, bateu recordes, com vendas 20% maiores, se comparadas ao mesmo período de 2007. O diretor atribuiu o avanço, em parte, ao aumento do consumo do setor de bebidas. No ano passado, o fabricante produziu cerca de 120 extrusoras e co-extrusoras. As expectativas para este ano também se mostram favoráveis. A empresa prevê crescer entre 15% e 20%, em relação a 2007. Para incrementar seu negócio, a Carnevalli investiu na instalação de duas novas máquinas grandes de usinagem. “Vamos aumentar a produção e teremos condições de fazer modelos maiores”, informa Carnevalli.

Nem mesmo a concorrência chinesa deve atrapalhar os planos do fabricante. As máquinas asiáticas, segundo Carnevalli, não atingem diretamente o mercado de extrusão de filmes, pois a preferência nacional se volta para a tecnologia, leia-se: mais produtividade e economia do processo. Os modelos chineses, por exemplo, rendem 50% a menos do que um produzido no Brasil, de acordo com estimativa de Carnevalli. “As máquinas chinesas foram feitas para o mercado chinês”, comenta.

Para o fabricante de máquinas para monocamadas, Minematsu, os ventos sopram a seu favor. O ano de 2007 fechou com crescimento de 10% sobre o anterior e para 2008 as expectativas são de aumentar as vendas em 20%. As perspectivas garantem investimentos futuros em incremento de sua capacidade produtiva. Sem revelar detalhes, Minematsu diz que planeja investir em maquinários e funcionários e em uma planta maior. A empresa produz uma máquina por mês, em sua unidade localizada em Osasco-SP. O mercado de monoextrusoras, na avaliação do diretor, começou 2008 aquecido e deve se manter assim. “Iniciamos o ano com cinco máquinas vendidas”, comenta. As perspectivas da W&H são igualmente positivas. “Conseguimos abrir novos mercados também fora do Brasil que prometem um crescimento forte”, afirma Cornelius. A fabricante reformou e renovou sua planta de Diadema, SP.

A indústria de plásticos flexíveis ainda não deslanchou como o esperado. De acordo com o presidente da Abief, Rogério Mani, a partir de maio, as vendas devem começar a subir, a ponto do mercado conseguir encerrar o ano com crescimento de 5% em relação a 2007, ratificando as previsões de janeiro. A alta do preço do petróleo (o barril tem sido vendido na casa dos 120 dólares) impacta esse elo da indústria; no entanto, Mani aposta na retomada dos investimentos, sobretudo porque o transformador começa a colocar em prática a idéia de que precisa se consolidar no mercado externo, e não somente aproveitar o aquecimento das vendas no Brasil.

 

 

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