Outra batelada de testes revelou que, após vinte anos de exposição direta ao sol, as vedações fabricadas com esse fluorelastômero não apresentaram nenhum vestígio de fissuras, nem rupturas após um ano em atmosfera com 100 ppm de ozônio.

Já as borrachas da marca Neoprene, elastômeros de policloropreno da DuPont, criadas há mais de sete décadas, tiveram concluído o fechamento da fábrica de Louisville, no final de 2007, e passaram a ter sua produção concentrada em uma única fábrica global em Louisianna, nos Estados Unidos.

Recentemente, porém, por ocasião da última K, de Düsseldorf, na Alemanha, a DuPont anunciou novas soluções em elastômeros, como o ACE 1055, um co-elastômero acrílico para aplicações em compostos de borracha, com boa resistência à temperatura e a fluidos automotivos, sendo também capaz de manter suas propriedades sob baixas temperaturas.

Outras soluções da DuPont que vêm chamando a atenção do setor são os novos elastômeros de alto desempenho obtidos de fontes renováveis. Nessa categoria, classifica-se o elastômero termoplástico Hytrel RS. Fruto da incorporação do poliol Cerenol (poliéter dióis) da empresa, produzido com recursos renováveis do 1,3 propanidiol (Bio-PDO), do milho, em substituição aos polióis petroquímicos, essa categoria de elastômero tem como grades iniciais itens com diferentes teores de material renovável, entre 25% e 50%, devendo estar disponível, conforme divulgado pela empresa, em amostras preparadas para vários projetos em desenvolvimento a partir deste ano, provavelmente contemplando os mercados automotivo, elétrico e de embalagens.

Nova nitrílica conta com matéria-prima vegetal - As novas borrachas nitrílicas de médio a alto teor de acrilonitrila pré-plastificadas com plastificantes vegetais da Nitriflex também foram destaque nessa Expobor. Especialmente desenvolvidas para atender às necessidades atuais de mercados globalizados, principalmente no que diz respeito às exigências da diretiva européia 2005/84/EC, a nova NBR, batizada de Nitrigreen, está em conformidade com as novas concepções em borrachas, previstas anteriormente por especialistas do setor.

Enquanto outras nitrílicas convencionais apresentam teor do plastificante DOP em torno de 50 phr, na Nitrigreen esse mesmo teor é vegetal, sendo que, nos demais aspectos, como teor de acrilonitrila (33%), solubilidade em Mec (98%), densidade (1,04 g/cm³) e viscosidade Mooney (45 MML), as referências são exatamente iguais, somadas, porém, à vantagem de oferecer ao mercado uma nitrílica obtida de fonte de matéria-prima renovável, não-tóxica, fácil de processar e com boas propriedades mecânicas.

Enquanto a nova NBR oferece boas perspectivas para impulsionar novos negócios e propiciar maior prosperidade à companhia, a escassez de algumas matérias-primas no mercado, consideradas vitais para a produção de borrachas, atua contrariamente ao otimismo e gera preocupação do setor como um todo.

“Está faltando butadieno no Brasil e isso é muito preocupante para o setor de produção de borrachas”, afirmou o diretor Renato Hélio Faraco Filho, da Nitriflex.

Segundo o diretor, os motivos da escassez envolvem desde paradas mal planejadas para manutenção nas centrais petroquímicas como a suspensão na produção dessa matéria-prima em razão de incidentes operacionais.

“A falta de butadieno, hidrocarboneto essencial à produção de elastômeros, responsável pela característica de elasticidade das borrachas, está causando sérios entraves à nossa produção e também prejudicando as nossas exportações”, afirmou Faraco Filho.

Faraco: escassez de butadieno prejudica indústria nacional

As borrachas nitrílicas (NBR), nas quais se concentra a produção da Nitriflex, polimerizadas a quente ou a frio, são copolímeros formados por butadieno e acrilonitrila, mas os monômeros de butadieno e estireno dão base à produção de várias borrachas especiais de estireno-butadieno (SB) e látices de estireno-butadieno, também inclusos na produção da Nitriflex, além de borrachas de SBR (estireno-butadieno), SBS (estireno-butadieno-estireno), entre outras. Por isso, mesmo que transitória, a escassez de butadieno, segundo o diretor, tem causado sérios problemas aos produtores.

“Apesar de exportarmos cerca de 60% da nossa produção, em maio de 2008 nossas exportações praticamente estarão suspensas e chegarão ao nível zero, pois para que pudéssemos atender ao mercado interno e não deixar os produtores locais desabastecidos, tivemos de abrir mão de exportar. Nesse momento, temos trabalhado fortemente para amenizar o problema”, afirmou Faraco Filho.

A escassez da matéria-prima, segundo ele, já teria começado no início desse ano, mas se agravou no decorrer de 2008, comprometendo os níveis de consumo no Brasil que, segundo Faraco Filho, hoje estão em torno de 10 mil toneladas ao mês.

Atualmente, a oferta nacional, segundo calcula o diretor, diminuiu em torno de 30%, enquanto a possibilidade de aquisição da matéria-prima no mercado internacional também representa uma alternativa comprometida, principalmente por causa dos constantes aumentos de preço praticados pelos fornecedores mundiais.

Opção tecnológica determina tendências – A ampla linha de borrachas poliacrílicas oferecida ao mercado nacional foi um dos principais destaques da Zeon do Brasil na Expobor.

Comercializadas sob a marca HyTemp, em vários grades, as poliacrílicas da Zeon têm por alvo a fabricação de vedações, mangueiras, juntas, gaxetas, entre outras peças e componentes de grande uso na indústria automotiva.

“A HyTemp AR212HR foi especialmente desenvolvida para mangueiras turbodiesel e resiste a temperaturas contínuas de 180ºC e intermitentes até 200ºC, apresentando maior scorch, o que melhora o processo de extrusão”, informou Claudia Maria de Souza, gerente-geral da Zeon do Brasil.

Já outro grade de poliacrílica, a HyTemp AR12, oferece como característica principal a resistência à deformação por compressão, mantendo as propriedades selantes por longos períodos, atributos extremamente importantes para a fabricação de gaxetas e juntas automotivas.

Claudia e Moore têm opções da alta resistência

Recém-lançada para mangueiras que transportam óleo de motor e mangueiras de transmissão que requerem alta resistência a óleos e ao calor, outra poliacrílica, a HyTemp AR214, porém, oferece ampla gama de temperaturas de serviço, desde -40ºC até 160ºC, sendo indicada para uso tanto para processos de extrusão como injeção.

Ainda no campo das poliacrílicas, outro destaque da Zeon do Brasil foi direcionado à borracha da marca HyTemp AR13FR. Desenvolvido para juntas e gaxetas de motor e de transmissão, esse elastômero tem como diferencial a resistência a combustíveis como diesel e gasolina, e apresenta ampla faixa de temperaturas de serviço, desde -30ºC até 160ºC.

No campo das nitrílicas hidrogenadas, a Zeon do Brasil também destacou ao público grades da marca Zetpol HNBR e ZPT-136. As nitrílicas hidrogenadas HNBR mantêm suas características em faixas de temperatura que vão desde -40ºC até 160ºC, sendo indicadas para a fabricação de vedações, mangueiras e correias, atendendo até mesmo aos requisitos exigidos para peças que terão contato com combustíveis, segundo observou Claudia.

“Recentemente, a Zeon desenvolveu uma nova nitrílica hidrogenada HNBR, ou seja, a Zeptol ZPT-136, formulada com base em um sistema de cura com amina para propiciar menor deformação à compressão, tem indicações de uso principalmente para artigos com secção transversal fina”, informou Claudia.

Outras especialidades da empresa estiveram focadas nos elastômeros de poliepicloridrina, da marca Hydrin, apresentados em opções de homopolímeros, copolímeros e terpolímeros, e com resistência a combustíveis como o etanol derivado de álcool.

Segundo comentou John Moore, gerente de produto para a linha de borrachas poliacrílicas HyTemp da Zeon Chemicals, de Louisville-KY, em visita especial à Expobor 2008, os elastômeros já avançaram e deverão continuar conquistando novas posições no sentido de atender aos requisitos de alta temperatura exigidos em virtude dos aumentos de potência dos motores.

As tendências no uso de elastômeros, a seu modo de ver, porém, devem regionalizar-se. Ou seja, na Europa haverá mais espaço para a comercialização de borrachas poliacrílicas da marca HyTemp, por causa da maior utilização nos próximos anos de motores movidos a diesel e a biodiesel; no Brasil, segundo ele observou, deverá haver preferência pela utilização de elastômeros de poliepicloridrina do tipo Hydrin, graças à opção nacional crescente pela compra de veículos movidos a álcool.

De todo modo, segundo acredita o especialista, as borrachas poliacrílicas do tipo HyTemp deverão continuar atendendo às exigências feitas aos elastômeros pelo menos nos próximos dez anos.

Expansão na PQU – A produção de petroquímicos básicos, como etileno, propileno, butadieno, benzeno, entre outros, também deverá incorrer em significativas mudanças de rumo tecnológico, a considerar pelos próximos passos da Petroquímica União, a PQU, outra presença marcante nessa Expobor.

A primeira central petroquímica do Brasil, hoje produtora de 1,5 milhão de toneladas de vários petroquímicos, sendo o mais importante deles o etileno, produzido em volume de 500 mil toneladas ao ano, deverá expandir a partir de outubro a capacidade produtiva desse importante insumo em 220 mil toneladas/ano, elevando sua oferta ao mercado para 720 mil toneladas/ano.

“Programamos uma parada geral no período de 22 de agosto até 3 de outubro e contaremos com 45 dias de trabalho para implementar os novos projetos de expansão”, afirmou Roberto Ricardo de Mattos Arruda, gerente da unidade de negócios voltados à resina Unilene, da PQU.

Para expandir a oferta de etileno, tarefa para a qual contará com o apoio do Cempes, Centro de Pesquisas da Petrobras, a petroquímica está investindo R$ 1,2 bilhão em tecnologia que resultará na produção de polietileno e PVC obtido de gases de refinaria (frações C2 e C3). “Alteramos nosso processo produtivo para usar cargas gasosas e, assim, complementar a ocupação dos fornos, feita predominantemente com a cara e escassa nafta”, informou Arruda.

Além do etileno, não está prevista pelo menos até o momento a expansão de outros petroquímicos como o butadieno, mais voltado à produção de elastômeros.

Arruda: venda de resina cresce para melhorar elastômeros

Já no que se refere ao último balanço das resinas hidrocarbônicas Unilene, também de ampla utilização na indústria da borracha, principalmente em compostos, a PQU alcançou em 2007 patamar recorde de comercialização de 18 mil toneladas, e vê com muito entusiasmo as perspectivas futuras.

 

 

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