Tecnologia
automobilística
 muda e exige
adaptação
das borrachas

Texto de Rose de Moraes
e fotos de Cuca Jorge

 

Ainda é cedo para concluir prognósticos totalmente certeiros, mas algumas aplicações tradicionais no campo das borrachas tendem a desaparecer ou pelo menos ficar chamuscadas em algumas regiões do mundo em virtude das mudanças de rumo tecnológico que começam a ser presenciadas na Europa e Japão, principalmente na primeira década desse século.

Na visão de alguns importantes provedores desse setor, as novas rotas já estariam bem próximas. Algumas delas prenunciam verdadeiras guinadas, mudanças de rumo, sinalizando a substituição de matérias-primas petroquímicas, consideradas consolidadas há até bem pouco tempo. Uma dessas mudanças já se concretiza em um dos mercados mais dinâmicos do setor das borrachas, o automotivo, podendo incorrer na fabricação dos cerca de 6 milhões de veículos produzidos anualmente em toda a América Latina – 50% deles no Brasil. No bojo dessas mudanças estão os avanços irrefreáveis gerados por desenvolvimentos mais recentes no campo da biotecnologia. Em busca de fontes renováveis, visam a tornar mais sustentável a produção industrial no planeta.

“As tecnologias automotivas estão mudando gradualmente sob a influência de vários projetos europeus e, mais recentemente, também de projetos japoneses”, observou Nilson F. Bordin, líder comercial para a América Latina da DuPont Performance Elastomers. A provedora global de elastômeros para aplicações especiais foi uma das presenças marcantes da Expobor 2008 – a 8ª. Feira Internacional de Tecnologia, Máquinas e Artefatos de Borracha, uma promoção da Francal Feiras em conjunto com a Associação Brasileira da Indústria de Artefatos de Borracha, a Abiarb. Maior vitrine da América Latina de inovações tecnológicas para o setor nas áreas de matérias-primas, insumos, novos desenvolvimentos em  borrachas, máquinas e equipamentos, o evento foi

Bordin: biocombustível requer aumento da resistência química

realizado de 5 a 8 de maio último, no Expo Center Norte, em São Paulo, em clima de otimismo, mas também embalado por uma certa apreensão perante o cenário de mudanças corporativas e tecnológicas, incluindo as exigências delineadas pela Comunidade Européia, que prevêem produções mais sustentáveis e devem trazer impactos quanto ao uso de matérias-primas e manufaturados.

Mudanças tecnológicas – Com mais de 50% da produção de artefatos de borracha sendo destinada às montadoras de automóveis, caminhões, ônibus e motocicletas, cujas vendas superaram em 2007 mais de 4,2 milhões de unidades, a grande vedete da Expobor foram as aplicações de elastômeros na indústria automotiva.

Altamente resistentes à temperatura e a químicos, as categorias de elastômeros fabricados pela DuPont direcionam-se em grande parte aos setores automotivo e elétrico, e abrangem a fabricação de selos de transmissão, juntas, bandas de rodagem, selos para semicondutores, borrachas para recobrir cabos, entre inúmeras outras, assistidas pela companhia há mais de sete décadas, somando-se o tempo dedicado ao ramo das borrachas e que, portanto, pode ser tomada como referência, uma espécie de termômetro ao sinalizar tendências para esse mercado.

As mudanças tecnológicas comentadas por Bordin certamente levaram em conta o fato de que, atualmente, veículos como o Honda Fit e outros congêneres da nova geração já adotaram sistemas de direção eletricamente assistida, em substituição à direção hidráulica, sinalizando importantes mudanças que deverão trazer conseqüências para a produção de elastômeros de uso corrente no setor, como as mangueiras de borracha empregadas nos sistemas hidráulicos, os quais tendem a ser abolidos em futuro próximo pelo menos em alguns mercados.

Outra grande mudança é delineada no cenário global em razão da adoção de motores movidos a biodiesel em caminhões, caminhonetes, ônibus e coletivos em geral, segmentos nos quais está previsto o uso do novo combustível, exigindo, portanto, novas especificações a serem cumpridas pelos elastômeros, principalmente relacionadas com sua capacidade de resistir às agressões químicas.

Mudanças tecnológicas, conseqüentemente, estariam impondo alterações de âmbito corporativo, muitas delas com vistas a consolidar novos modelos de gestão da produção e de negócios, a fim de manter lideranças ou conquistar melhores posições em um cenário tecnologicamente tão competitivo como está se apresentando o das borrachas.

Na área de elastômeros, na DuPont, as grandes mudanças começaram a ocorrer em junho de 2006, segundo pontuou Bordin, exatamente quando a DuPont do Brasil passou a ser a representante oficial da DuPont Performance Elastomers, sediada em Wilmington, nos Estados Unidos, e promoveu a integração do México ao bloco da América Latina, a partir daquele momento não mais pertencendo à jurisdição da América do Norte.

“O modelo de regionalização foi adotado em todas as áreas de negócios da DuPont”, afirmou Bordin. Influenciado pela demanda do mercado norte-americano, o México alcança atualmente níveis de produção avaliados em torno de dois milhões de veículos ao ano, enquanto o Brasil deverá ultrapassar em 2008 a produção de três milhões de unidades.

A maior integração entre os países da América Latina, agregando o México, também propiciou a transferência de marcas como a dos elastômeros Vamac, antes pertencente à área de polímeros industriais da DuPont do Brasil, mas desde primeiro de janeiro de 2008 sob a alçada de comercialização da DuPont Performance Elastomers.

Trata-se, nesse caso, de elastômero acrílico de etileno para aplicações que requerem uma combinação especial de resistências ao calor e a óleos, sem que o polímero apresente alterações nas propriedades mecânicas, prevendo-se seu uso em mangueiras, selos, juntas de motor etc.

Outras marcas de elastômeros destacadas no estande da DuPont Performance Elastomers foram Viton, Viton Free-Flow, Neoprene, Hypalon e Kalrez.

Propriedades de vedação imperam – Os elastômeros da família Viton foram os primeiros fluorelastômeros introduzidos no mundo a legar à indústria da borracha alto grau de resistência ao calor (400ºF/200ºC), aos combustíveis e a químicos mais agressivos.

“Há mais de cinco décadas, os fluorelastômeros Viton oferecem excepcional resistência a altas temperaturas, alcançando até 205ºC em trabalhos contínuos, somada à ampla resistência química, que proporciona extraordinário desempenho em vedações e peças críticas”, comentou Bordin.

Desde o seu lançamento, ocorrido em 1957, o fluorelastômero Viton apresenta-se como solução de vedação para os setores aeroespacial, de aviação, processos e transporte de produtos químicos, incluindo as indústrias alimentícia e farmacêutica. No setor automotivo, além de vedações, sua utilização é ampla em retentores, anéis, juntas, mangueiras, entre muitas aplicações.

“O Viton conserva a força de vedação, prevenindo vazamentos, mesmo depois de longos períodos de compressão em ambientes severos. Testes realizados após cem horas em meio atmosférico, a 150ºC, mostraram que o Viton ainda mantém 90% de sua força inicial de vedação, enquanto vedantes de fluorsilicone, poliacrilato e borrachas nitrílicas conservam apenas 70%, 58% e 40%, respectivamente”, informou o especialista.

 

 

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