Ainda no ramo das embalagens, encontra-se outra aplicação que necessita de elevada tecnologia, a de produção de potes. Também produzidos em larga escala, os potes apresentam como dificuldade extra o fato de serem dotados com paredes finas. Não por acaso, indústrias alimentícias e de cosméticos, por exemplo, se encontram entre as que mais incentivam os transformadores a adotar a tecnologia. O caso de peças técnicas com design complexo, que precisam contar com boa aparência e/ou precisão dimensional muito rigorosa, é outro exemplo onde as câmaras quentes são indispensáveis. Isso as tornam bastante procuradas por fornecedores de autopeças, empresas de eletroeletrônicos, entre outros.

Para qualquer peça a ser fabricada, no entanto, as câmaras quentes apresentam vantagens. Com elas, são eliminados os galhos gerados nas operações de injeção feitas nos moldes frios. Com o preço do petróleo batendo recordes sucessivos, essa medida representa sensível economia de matéria-prima, em especial nos casos em que o peso do galho, por aspectos técnicos, chega a superar o das peças. “A pressão por economia de matéria-prima e as pressões ambientais têm aumentado muito, fatos que por si só justificam o uso de câmaras quentes”, afirma Michael Rollmann, gerente-geral da multinacional fabricante de câmaras quentes Incoe.

Ney Kaiser, diretor de engenharia da Delkron, companhia brasileira relacionada entre as pioneiras quando o assunto é a fabricação de câmaras quentes no país, acrescenta que a ausência de galhos elimina a necessidade de reciclar materiais já transformados. Caso um transformador só utilize moldes equipados com o acessório, não precisará investir na compra de moinhos. Vale ressaltar que, conforme a peça a ser fabricada e a matéria-prima utilizada, os galhos não podem ser moídos e o desperdício de resinas se torna ainda mais significativo.

Outra vantagem é apontada como de grande importância: “Com as câmaras quentes, os ciclos se tornam mais curtos. Resulta em menor uso das máquinas injetoras onde as peças são fabricadas”, comenta Agenor Gualberto, gerente de produtos da Polimold. De acordo com os especialistas, nos casos mais agudos, os galhos podem representar de 50% a 60% do tempo dos ciclos. Além de poupar e elevar a produtividade dos equipamentos, essa particularidade proporciona aos transformadores economia de energia, insumo cujo preço vem se tornando cada vez mais “salgado”.

Caso a caso – Os fabricantes de câmaras quentes contam com cardápios de opções bem completos. Mesmo assim, na hora de selecionar um modelo, cada caso é um caso. Quesitos como design das peças a ser injetadas, número de cavidades, volume de produção e características das injetoras onde a operação será efetuada, precisam ser avaliados com cuidado em cada projeto. Essa necessidade faz com que todos os fornecedores ofereçam acompanhamento completo, passo a passo, para os clientes fabricantes dos moldes.

Para a maioria dos fornecedores, a assistência prestada aos clientes inclui a realização de testes feitos a partir do uso dos softwares de CAE (Computer Aided Engineering), tecnologia ainda pouco aproveitada no Brasil. Esses softwares permitem a simulação virtual do preenchimento dos moldes em computadores. Dessa forma, muitos problemas no passado encarados durante a realização dos tryouts podem ser enfrentados no mundo virtual, o que economiza tempo, reduz o estresse dos envolvidos nos testes e privilegia a qualidade final da peça a ser injetada.

Entre as câmaras quentes oferecidas ao mercado, as mais sofisticadas são as dotadas com bicos de injeção controlados por válvulas pneumáticas ou hidráulicas. Esses sistemas são indicados, em especial, para a fabricação de peças cujos moldes são preenchidos a partir de mais de um ponto de injeção. Eles permitem a fluência “inteligente” do material de modo a evitar problemas como linhas de emenda ou pontos com menor resistência mecânica. São indicados para, por exemplo, a transformação de peças de grande porte, como painéis de automóveis e pára-choques.

“A procura pelos sistemas valvulados tem crescido bastante, apesar de no Brasil ainda ser pouco utilizado”, avalia Gualberto. Isso ocorre apesar do recurso acrescentar, em média, 40% ao valor das câmaras quentes normais. O gerente da Polimold lembra que o benefício vai além da qualidade final obtida nas peças e apresenta uma vantagem para lá de atraente para os transformadores. “Os sistemas valvulados permitem o projeto de moldes que podem ser instalados em máquinas injetoras com menor força de fechamento”, explica.

Made in Brazil – “Enfrentar a concorrência das multinacionais fabricantes de câmaras quentes presentes no país é difícil. Mas é muito mais difícil para uma empresa brasileira exportar câmaras quentes para os países de origem dessas multinacionais, e estamos conseguindo fazer isso”, orgulha-se Fix. Além do mercado latino-americano, onde os clientes mais significativos estão presentes na Argentina e México, a Polimold tem vendido os componentes para vários países europeus, Estados Unidos e China. A companhia nasceu como fabricante de porta-moldes, mercado no qual também é líder no país. Ela fabrica as câmaras há 17 anos e possui plantas industriais localizadas em São Bernardo do Campo-SP e na cidade do México, além de escritório de representação comercial na Alemanha. Também conta com equipes de assistência técnica espalhadas mundo afora.

Fix ressalta a conquista do mercado externo como prova da excelência das câmaras quentes da empresa. “Utilizamos tecnologia totalmente desenvolvida por nós, contamos com equipamentos de informática com imagens em três dimensões para desenvolver o projeto e máquinas de usinagem de última geração, que trabalham em ambientes controlados”, orgulha-se. Os componentes das câmaras são quase todos produzidos aqui, com exceção das resistências, importadas da Alemanha.

Na opinião do dirigente, a valorização do real tem atrapalhado as vendas para o exterior, embora alguns artifícios compensem um pouco as dificuldades. Uma delas, tem sido a importação de aço que, com o atual cenário cambial, chega ao Brasil com preço competitivo. Em valor, as exportações representam cerca de 20% do faturamento da companhia com a venda de câmaras quentes. Além dos bons resultados obtidos no exterior, o presidente da Polimold comemora o momento favorável vivido no mercado nacional. Ele lembra que, há uns quinze anos, somente os grandes transformadores usavam câmaras quentes, ainda assim com parcimônia. “Hoje, tanto para os médios como para os grandes é um procedimento normal e mesmo os pequenos já nos procuram”, revela.